agosto 22, 2006
Tantos 'entretantos' e 'jágoras'
Mas certo é que - e isso é inevitável - este dia há-de finar-se estrangulado pelos ponteiros do relógio
E aí terei entrado de férias
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:15 PM
agosto 21, 2006
Dizem que faltam fotos aqui
Ria de Alvor, em frente às minhas férias
Pois se as soubesse tirar, se as tivesse, isto não seria esta frígida caixa de texto.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:06 AM
agosto 16, 2006
Coisa de "fora de prazo"
“O costume, pente 4” - e no barbeiro nunca fui menos conciso que isto. Hoje, quando de lá saído e vendo-me resvalado num vidro espelhado, inquieto-me com o resultado. Chateou-me nisso não o corte em si, (aliás de pouco para comentar), nem o ver-me reflectido de sobressalto, e assim surpreendido achando-me como se fosse pelos olhos dos outros, velho. Não, o que me arreliou nessa constatação fútil foi mesmo isto, de agora, quando da boniteza já pouco há para remediar, e só agora me dar para isto da vaidade.
Sim, que da vaidade só a tinha a essa, a de não ter vaidade nenhuma. Pois
Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:06 PM
… Folga, folga !!! Oh Manel, então tu não vês que essa manilha está mal armada?! Caramba, que nos ia caindo a Península toda só por causa dessas desatenções. Mais cuidado que o pessoal quando vier de férias ainda quer ter casa! E atenção aí a esse esticador sobre Monsanto, isso não está com tensão a mais? Não me ponham o raio do monte ainda mais bicudo do que ele já é! Atenção, atenção, aiii …
Gozai descansados essas vossas férias. Por aqui tudo controlado.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:36 AM
Voltando os sinais da rotina,
se bem que desta ainda eu não tenha chegado a partir
Chove agora em Lisboa, e o Artur até já abriu a tasca onde costumo fazer as pausas do café. O tempo e os hábitos, simpaticamente, começam a parecer de novo mais familiares. O pior, portanto, já terá passado, e afinal, aparte a óbvia impressão de solidão, nem foi assim tão mau ficar a esticar cordas(*) em Agosto.
(*) esticar cordas – gíria que designa um conjunto de operações elementares que são executadas repetitivamente, visando manter em permanente estado de tensão e afinação um emaranhado de cabos, assim sustidos através de um sistema complexo de roldanas, molinetes e mordedores; Por acção deste cordame é assegurado o chamado impulso de rodopio – desta forma referido pela sua similitude com a acção da guita sobre um pião quando este é lançado - e que visa manter de forma estável e continuada o movimento rotacional do planeta; Esta operação de manutenção é normalmente executada por um número incrivelmente reduzido de pessoas, que assim, olimpicamente, asseguram o bom estado deste paradeiro da humanidade, enquanto a restante população do planeta parte de férias, normalmente em Agosto; Deve ainda dizer-se que, em reconhecimento por tão estóica acção a que esta pequena parte da população se oferece, estes heróis - a que este vosso humilde narrador tem a honra e o orgulho de, (até com algumas responsabilidades maiores na cablagem), modestamente, pertencer - costumam ser carinhosamente chamados de Otários.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:46 AM
agosto 11, 2006
O homem mais rápido da ...
... ?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:16 AM
agosto 08, 2006
Sugiro cautelas: que hoje nem um isqueiro acendeis
Quem foi criado em bairro por trás da Refinaria de Lisboa sabe bem que este cheiro a couve que infesta o ar é o odor próprio do gás. Dantes libertava-se do emaranhado de enormes tubagens que lhe víamos ao longe e acompanhava-se de um silvar que nunca vim a saber se era aviso propositado ou se apenas provocado pelo passar estreito do escape. Depois tudo aquilo foi ficando ferrugento e hoje já nem há Sacor - desses seus tempos esplenderosos a única coisa que lhe resta é uma torre deixada como curiosidade arqueológica no meio do parque Expo, por isso nem desconfio de onde vem agora este cheiro a couve. Mas insisto, hoje Lisboa parece uma horta.
(pode até nem atingir níveis tóxicos, mas agonia qualquer um ... e além disso leva a que concidadãos mais desconfiados se cruzem na rua insinuando fungadelas com olhar reprovador)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:50 AM
agosto 01, 2006
Ora repita lá outra vez Sôtor se faz favor
Lembro-me, de quando era miúdo, e em me vendo a braços com aquele tipo de actividade repetitiva e ‘irritativa’ (cortar a sebe por exemplo; o que pesavam os braços ao fim de algumas ramagens mais grossas), me treinava galhardamente para pensar que, de cada vez que iniciava nova investida, o fazia sempre pela primeira vez. Assim nunca esmorecia porque não antevia o que ainda me faltava, e o fulgor de cada impulso, inocente no que encontraria de cada vez, mantinha-se constante e vigoroso. Pois assim também o termo de tão pesado ofício, porque assim me fazia mais entretido, acabava por chegar mais cedo do que, se na inversa desta disposição, o estivesse sempre a ruminar. Resultava.
E há-de resultar agora. Bem me invisto hoje, já homem maduro, para recuperar tão ilusionista estratégia. Da técnica recordo pequenos passos com que agora me vou aos poucos instruindo, e que levam à negação do que acabei de vivenciar. Para já estou na parte em que já interiorizei nunca antes ter visto a cara daquele médico, e aparentemente pode resultar. Quase consigo acreditar ter saído da primeira consulta e não estar por isso a viver um dejá vu absurdo. Agora só me falta a parte em que vou fazer de conta que ele nunca me terá dito antes:“bem, parece que temos de fazer aqui uma pequena intervençãozita”. Não há-de ser difícil. Até porque seria absolutamente despropositado que o mesmo médico arriscasse sugerir a necessidade de uma intervenção cirúrgica que há pouco mais de um mês já teria realizado em nós pelo mesmo motivo. Há certamente incidentes da nossa realidade que não se podem repetir segunda vez como se estivéssemos a aparar a sebe do quintal. Sobretudo quando não somos nós que temos a tesoura da poda …
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:35 PM
julho 10, 2006
Et voilá: a prova

E pronto. E não vale a pena denegrir a minha capacidade de observação dizendo que aquilo ali é um pequeno defeito de imagem, porque eu posso garantir que durante todo o tempo que durou a cena da expulsão aquela mosca esteve pousada na careca dele.
E porque é isso assim tão relevante, perguntarão? Ora suponham que estão a ver a final e que (pelo menos em termos futebolísticos) ‘gostam’ tanto dos franceses como eu, e de repente ali, aquela coisinha preta, olha lá aquilo não é uma mosca que ele tem na cabeça? uma mosca? mas tu estás parvo? mas olha que é. e é mesmo. já visto isto de um gajo ter todo o mundo a olhar para ele e ter uma mosca a pastar na cabeça. e não vês que ela nem se mexe. pois não. e até irrita então ele nem a enxota dali. tal os nervos, até o arbitro deve estar com vontade de a tirar. será que ela é a primeira? a mais destemida? ela quem, a mosca? a primeira do quê? a primeira de muitas. mas a primeira de muitas moscas para quê? para ele se encher de moscas, ao vivo e em directo e para todo o mundo … ahahah
Ok, admito que possa ser um momento de humor falhado, mas na altura pareceu-me a penalidade mais justa para aquela marrada e afinal foi a única coisa que me fez chorar a rir até ao apito final deste mundial.
(Agradeço a todos os prestimosos leitores deste blog (ainda os há?) que me fizeram chegar várias possibilidades de provas fotográficas ou hiperligações para sites de fotos, como este aqui, recomendado pelo autodesalojado JPT)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:25 PM
Pensamento político do dia
E assim sobre futebol não tenho mais nada a dizer. Ora vamos lá agora ver isso dos fogos.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:02 PM
E a mosca !?
Apita-se no Itália-França. A interrupção tem motivos dramáticos. É impressionante a forma declaradamente homicida como o Zidane se atira contra o Materrazi. A marrada é tal que o outro, apesar dos seus quase dois metros, é catapultado para trás, num voo rasante que nem as fitas do Cristiano Ronaldo seriam capazes de simular. Violência pura. Depois, o rescaldo, o mundo suspende-se, o árbitro em frente ao francês, as câmaras mostram então um grande plano do seu olhar esgazeado, e durante todo este tempo eu não consigo deixar de fixar aquele pontinho preto na careca dele. Imperturbável a todo este alvoroço, a mosca lambia-lhe o suor, em directo e para todo o mundo, sem qualquer sentido de oportunidade justiça.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:58 PM
É o Futebol, pois claro
Um dia depois do mundo inteiro ter testemunhado uma tentativa raivosa de assassinato, o homem que a prepetrou é condecorado como o melhor jogador do torneio.
(Entretanto o puto não foi eleito o jovem revelação porque se diz que se atirava para a piscina - isto sim um caso grave de falta de desportivismo. Agora uma ou outra cenazita de violência, uma marradazita no tórax ou mesmo um pontapé na boca, não é isso que tira o valor a um jogador)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:50 PM
julho 06, 2006
Do meu sofá (afinal, quando me ia levantar, alguém mudou de canal e fui ficando mais um pouco)
Por favor, façam-me o obséquio de não estragar tudo agora. Esta coisa de sermos muitos a pertencer ao mesmo clube é giro e tal e os jornais oferecem bandeiras do nosso clube e tudo e somos os maiores e essa é que é essa, e viva o BES (é o BES não é, que ajuda o pessoal?). A verdade é que bastaram 11 jogadores e mais uns suplentes para pôr aqui a malta toda eufórica e que ninguém diga que não somos os maiores, ganda clube Caneco! Viva Portugal, viva o futebol, e o próximo campeonato já é nosso! Viva o puto, viva o Ronaldo. S.C. Portugal, aiiii S.L.Portugal, oopss, então F.C.Portugal, tanto faz Viva, viva, viva!!!!
Eu até compreendo que se confunda a nação com este enorme clube verde e encarnado, e que é agradável por uma vez na vida eu estar do mesmo lado e folgar das arrelias com o Sousa lá do serviço e que ontem até vinha com um cachecol igual ao meu e afinal é cá dos nossos mas, por favor, não estraguem tudo agora com essa coisa bacoca do “Pfffiiiiii, fora o árbitro!!! E é só porque somos pequeninos e vai tu e… ”. Eu acho porreiro isto do olé, olé, (e se lhe quiserem chamar patriotismo por mim é como for) mas olhem que nesse clube do “fora o árbitro”, isso assim já tão sério, nisso é que já ninguém me apanha!!
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Sobre isto das emoções deste "nosso clube": duas vítimas de ataque cardíaco, mortal, ontem, ao ver o jogo. Gente semi-conhecida; dois homens da minha idade. Dá que pensar, justifica-se tanto?, vale a pena? Bom, pelo menos disso estou livre ... nunca terei imaginação para nisso da bola ver tanta aflição. Não será seguramente num jogo, entre anúncios televisivos, que algum dia perderei a vergonha, ou um amigo, e muito menos a vida
Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:06 PM
julho 05, 2006
Do meu sofá
Medindo, comparando e conjecturando
Zidane – Figo, ok !
Vieira – Maniche?
Makelele – Costinha?
Henry– Pauleta ?
Gallas – Meira?
Thuran – Carvalho ?
Aiii,
Bahh
Que importa isso dos currículo nestas coisas dos jogos de azar
Força Portugal!!
(aiii)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:56 PM
julho 04, 2006
Do meu sofá
Que raio de mundo este em que os alemães deslumbram com a bola e os portugueses alcançam desempenhos efectivos
Nunca pensei chegar até este dia em que assistiria a um mundial onde há duas selecções do sul da Europa, e outra quase a caminho disso (a ideia de considerar a França no nosso paralelo mediterrânico desagrada-me profundamente mas é aqui ‘assularizada’ só para reforçar o pretendido), e afinal constatar que a única equipa semifinalista, capaz de algum encanto futebolístico, e quase aqui e ali chegar a deslumbrar, capaz de algum ritmo mais imprevisível, e até arriscar certos toques bem esgalhados, a única selecção capaz de momentaneamente se esquecer em campo do resultado para se divertir com alguma fantasia mais distraída é, calcule-se, a tipicamente “dura de rins” selecção alemã. Tantas trocas, tantos enxertos, tantos compromissos andámos a impingir por este mundo fora, que já nem com a redondinha se pode esperar o mesmo de sempre dos homens. Hoje torcerei pela Alemanha, se bem que no meu íntimo continue a preferir a final latina Portugal-Itália. Seria lamentável se tivesse de gramar refastelado no meu sofá com esta espécie de alternativa Paris-Bona.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:26 PM
julho 02, 2006
Do meu sofá
Não tem sido um mundial fácil para ninguém
Cada lance é disputado com enorme paixão, e no limite de todas as forças. O que este campeonato tem perdido em beleza ganha na demonstração do sacrifício e entrega com que se desenha cada jogada. Veja-se o caso da Itália por exemplo, nos quartos de final, onde apesar do desnivelamento do resultado na vitória conseguida sobre a Ucrania, só Deus sabe o quanto sofreu

fonte: soccergirlz
[ na Foto é visível a expressão de esforço do abnegado Luca Toni enquanto é abusad... rasteirado, abusadamente rasteirado ]
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:49 PM
Do meu sofá
D'até aqui:
Vá lá. Antes extasiávamos o planeta futebolístico com os nossos toques e berloques e depois lá vínhamos embora, sem trofeú nem estima. Agora, somos a selecção que menos jogou das semi-finalistas, mas pelo menos estamos lá. Com tal desplante, há-de haver qualquer ascendência tedesca nessa tal senhora do caravaggio.
Daqui até :
Não sei se contra a França será melhor que contra o Brasil. Mas há nisso seguramente uma enorme vantagem: o árbitro nunca poderá ser francês!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:26 PM
junho 27, 2006
Creio que é a isto que as mulheres chamam d’as “mariquices dos homens”
Cheiro a éter por todo o lado, e tudo em mim é pegajoso, mas continuo a adiar o mais que recomendável banho. Devo dizer que passei por aquilo tudo sem qualquer agitação. Nem as luzes do corredor do hospital a caminharem muito rapidamente por cima de nós, de encontro à sala de operações, nem isso me alvoroçou. Depois, assim que me deram alta, meti-me num táxi e regressei para a vida de todos os dias, como se nada se tivesse passado, autónomo e silenciosamente, sem incómodo quase, assim espantando as vozes baixas que ao telefone me perguntavam cautelosamente do recobro do dia seguinte. Mas, neste momento, perante a possibilidade de ter de arrancar o enorme penso e constatar o que me fizeram, aí, confesso, já baqueio. Aguento a ferida, mas não me mostrem o sangue.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:06 PM
junho 08, 2006
“Então é tolerância de ponto? Não, não, mas é greve”
[da importância de um bom planeamento (e da praia) na luta política]
A discussão lá nos fenprofexes sobre a greve da semana que vem deve ter sido mais ou menos assim: “Devíamos marcar numa sexta como sempre; Espera tenho uma ideia melhor, na semana que vem temos feriados à terça e à quinta; Ah pois é; Na sexta deve ser tolerância de ponto, por isso se marcarmos a greve para quarta, já viste, são seis dias de férias, de terça a domingo; Ena pois é, e quem precisar pode sempre pedir a segunda, ou alegar o artigo não sei quantos e fica com a semana toda para si; Está combinado, será uma clara vitória desta nossa luta democrática, uma greve com adesão para ser lembrada.”
Tenham paciência mas, com estratégias destas não me falem de causas nem de razões por favor.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:33 AM
junho 02, 2006
Aviso:
Esta nação encontra-se fechada para cumprimento de festividades
Irrompe no meu intervalo do café aos berros: “Olhás bandeiras! Quem é que quer bandeiras da selecção?!”

E repete, entusiástico – “Olhás bandeiras da selecçãaoooo!!”
Já não somos um país de 10 milhões. Subitamente reduzimo-nos a uns meros 50 mil, a lotação de um estádio de futebol.
Estamos cada vez mais pequeninos, cada vez mais pequenininhos ...
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:41 PM
maio 30, 2006
Bilhetes para

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Dia 4 de Junho
vende-se |
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ou troca-se, sei lá, qualquer coisa o assunto é sério - está em causa a expropriação da minha paternidade ... |
| Dia 3 de Junho compra-se |
Red Hot quê ?? ah não sei de nada.
Para pormenores da agenda falar com Francisco Lagoa
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:09 PM
Na melhor nódoa cai o pano
Ai belas acácias, essas árvores guindadas à minha preferência. Já o eram ainda antes de se tornarem hoje nestas quatro belas hastes folhadas que todos os dias em mim, desprevenido, se atravessam, que assim obsequiosas me interrompem, do ramerrão do ir e voltar.
Enormes, robustas, ao invés das outras espécies de copas largas que deslaçam o seu verdor na largueza da sombra que dispersam, estas são, dessas imensas, aquelas que mais frondosas se vestem - folhagem de verde mais arrebatado não há do que esta com que lançam a sombra viçosa que se alaga por este céu do Beato. Na meia estação quase só as cumprimento de longe, metido na minha pressa. Mas corre o mundo, avança o ano e os sentidos despertam-se, depois rebenta-lhes o verde e com ele racham o céu, e assim me vejo impedido de resistir-lhes.
Por esta altura ali me quedo então, inventando intervalos mesmo que por breves instantes, socorrido das investidas da canícula. Ali terá alguém pausado antes, assim passareando como eu, e desse desfrute pautado das folhagens abençoada ideia terá tido. E soma-se a sorte, certamente, de ter sido funcionário municipal, desses de outros tempos, escrupuloso e zeloso, que ali terá lançado obra, a fazer bancos e lugares para nos estancar da pressa.
Impossível resistir a esse fingir de campo na cidade. E por ali me fico, mesmo que breves instantes, no repouso dos seus cachos de sombra, e …
… mas ??? Sacanas dos pombos!!! Bem podiam ir cagar para outro lado! Caneco, chamem já os falcões para darem cabo destas ratazanas aladas que escarnecem assim da poesia (enfim, também não era lá grande coisa. logo a melhoro).
Alguém me sabe dizer ao menos se isto faz nódoa?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:54 PM
maio 29, 2006
Do meu sofá
Ainda sobre essa coisa importante do futebol, embora sobre os menos importantes sub21
Para tudo basta ser medianamente inteligente desde que se tenha uma capacidade mínima para comunicar. Um tipo que não é capaz de desenvolver um raciocínio até ao fim, nem de declarar as suas razões, e que não consegue sequer articular duas palavras de forma minimamente feliz, nunca poderá ser o mentor de um grupo de miúdos que precisam de uma ideia para seguir, de um raspanete para ganharem juízo e de uma palavra de ânimo para despontar quando for preciso. Diria mesmo que esta faculdade é a única verdadeiramente necessária para lidar com uma selecção de jovens deslumbrados. Era tão difícil perceber isso antes?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:24 PM
Do meu sofá
Que estranho ...
Ultimamente não tenho lido nada sobre o Quaresma versus birra do Scolari ao não o convocar para a selecção principal. Querem ver que se engasgaram … engasgou … o Scolari, era o que eu queria dizer, o Scolari.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:00 PM
maio 21, 2006
dormitorium
- … então vou ligar para a CML para virem buscar as camas
- Na, na, na, que isso faz falta. Faz muita falta
- Mas para que queres tu isso?
- Para os trabalhos de fim-de-semana
- Como assim?
- Já vais ver …
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:33 PM
maio 19, 2006
Daqui do meu sofá
Acho que foi o Arrigo Sachi, na altura seleccionador da “squadra azzurra”, que disse sobre a nossa selecção de então: “Portugal é como o Futre, é capaz de fintar 11 suíços dentro de uma cabine telefónica e depois não dar com a saída”.
Hoje leio de todas as latitudes justamente o contrário (*), que Scolari não gosta do futebol-espectáculo, da arte latina com que tratávamos a redondinha, e que não basta só a eficácia, o saber ganhar, numa nação como esta que sabe jogar tão bonito e gosta de o ver fazer assim. Quando eram artistas eram uns inconsequentes brinca-na-areia, agora que jogam para ganhar já não há futebol-espectáculo.
Lá está. A selecção mudou. Nós, esta nação de treinadores de bancada, de críticos desconfiados, é que ainda não. Pelo menos que o mundial seja menos monótono que as críticas que o antecedem.
(*) quase sempre a propósito do Quaresma, um tipo que ao que parece andou a fazer anúncios de televisão como integrando a selecção, que é como quem diz, eu já cá estou e portanto ... será que nessa troca de argumentos do puto das trivelas dever ou não dever jogar na selecção não se poderão admitir justificações extra-desportivas, designadamente este tipo de abusos de imagem, que qualquer organização não admitiria?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:24 AM
maio 16, 2006
A mania de ser diferente sei lá
Eu acho que o governo tem tido uma acção positiva e decente e faço questão até de elogiar a mesma face ao passado político recente sem ter vergonha de o dizer
Eu gosto da selecção de futebol mas estou-me marimbando para que esta seja ou não campeã do mundo o que aliás acho improvável sendo que nem vejo que tipo de implicação grave ou ligeira daí possa advir para os portugueses
Eu considero já agora que a minha opinião sobre as escolhas dos jogadores vale menos do que a do Scolari e não sei que sugestão ou crítica válida eu possa fazer junto de quem passou dois anos a estudar jogadores e tem por profissão o futebol no qual aliás já angariou o título máximo a que qualquer seleccionador pode aspirar
Eu adoro o trabalho que faço e admiro muitos dos meus colegas e não me sinto totó em o afirmar
Eu admito que os portugueses têm algumas características especiais e que essas são mais importantes e estão para além do enquadramento macro-económico desta nação moribunda
Eu não me lamento de ganhar menos do que gostaria e não acho que a culpa seja de alguém em especial e embora ande com um carro de 1996 nunca senti falta de nada que fosse absolutamente essencial para a minha felicidade e a dos meus filhos já que temos legos e podemos ir à praia e sempre temos um pátio e uma sala onde nos entretemos uns com os outros e não sentimos que algo mais que isto possa contribuir para a nossa felicidade
Eu estou mas é farto de tanta picuinhice presunção e pessimismo !!!
(Nota pessoal para autoleituras de lá de longe: entretanto, depois de experimentada, tirei a bonecada. Carinhas com icterícia a que hoje chamam imoticon - até a concatenação do nome 'cheira' a berloque - que punham em causa o ar circunspecto deste blog e era enganador quanto ao genuíno sentimento de irritação com que escrevi este post)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:52 PM
Bricolar entre o jantar e o café
O que mais me fascina no Ikea não é tanto o design inteligente das suas soluções, nem a ténue mas ainda presente qualidade nórdica, nem tão pouco os seus preços agradáveis. O que mais me fascina no Ikea é a reputação que este oferece a um pai de família ao montar um beliche em 1h 34 min!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:42 AM
maio 05, 2006
Dia Nacional da Cortesia ao Volante
Porque estamos em guerra Civil ! …Falemos então de coisas sérias, da nossa hipocrisia, do nosso sub-civismo, desta nossa guerra, desta que mata mais (segundo se diz por aí) que as vítimas do conflito israelo-palestiniano, e que desde o 11 de Setembro (e isto é fácil de comprovar) já fez mais vítimas do que aquelas cujo óbito chocou o mundo.
Os 15 Mandamentos da Cortesia ao Volante
- Não utilizarás o veículo como instrumento de ameaça ou de agressão.
- Se conduzires, não consumirás bebidas alcoólicas ou produtos que alterem o teu estado normal de consciência.
- Darás sempre prioridade aos peões, mesmo fora das passadeiras ou antes de nelas entrarem.
- Zelarás pelo transporte seguro dos ocupantes do teu veículo, em especial das crianças.
- Aceitarás o ritmo de condução dos outros condutores e respeitarás os limites de velocidade legais.
- Não utilizarás o telemóvel durante a condução.
- Não estacionarás onde prejudicares a passagem e visibilidade dos Peões, em especial crianças, idosos e deficientes.
- Vigiarás o estado do veículo de modo a contribuir para a segurança e respeito de todos os utentes das estradas.
- Não perderás a paciência quando a via se encontrar obstruída e não impedirás a ultrapassagem por outro veículo.
- Pararás sempre nos sinais de Stop e abrandarás com o aparecimento da luz laranja.
- Não estacionarás nas passadeiras de peões, faixas BUS, lugares de deficientes e saídas de emergência.
- Manterás a calma quando circulares atrás de um veículo de instrução.
- Reduzirás a velocidade em locais de trânsito de peões.
- Em auto-estrada ou via rápida, não conduzirás encostado à traseira do carro que circula à tua frente.
- Adequarás a tua condução às condições atmosféricas e condições da via.
Ideia original: Association Française de Prévention des Comportements au Volant http://www.courtoisie.org/ ; Mais informação consulte www.sobreviventes.org ou www.estradaviva.org
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:18 AM
maio 02, 2006
Alcoutim
Onde esquinam o Algarve, o Alentejo e a Estremadura espanhola há um rio sobre o qual pendem os voluptuosos cânticos das aves na compita do mais belo. Aí as margens são curvas e logo íngremes, fazendo da paisagem intermitente uma beleza de quase se tocar, tanto esta, de socalco em socalco, se nos acerca dos olhos. Mas para quem alcance vistas mais altaneiras sabe que o longe não é ali como o perto, que quando se lança para o horizonte se vão adoçando as suas arestas nos contornos morosos e inertes das planícies do Sul. Do topo de um dos morros, do lado de cá - onde os miúdos combinam agora que lá se montará casa com semanadas minuciosamente registadas - a vista balança por cima do braço de água, arriba nos morros da outra banda, alcança as terras por sobre estes, e assim se concentra lá longe nos últimos contornos antes do céu. É já noite, que o tempo aqui escorre depressa, e as cores tornam-se sombras, e as montanhas penumbra, riscando perfis em terras de Espanha. Nessa linha que ondula, outra se eleva, paralela, acompanhando socalcos e curvaturas, agora ali subindo para logo se quebrar mais à frente, e assim acidentada preenchendo o horizonte, cobrejando a natureza, dela distando exactamente um dedo se a este o reclinarmos com o braço estendido em mira. É um traço estranho esse que contorneia semi-elevado os movimentos das curvas ao fundo, quase inverosímil, avivado num riscado vermelho que não pertence aos azuis negros e sonolentos da noite. E estranha é também a sua intensidade, assinalando-se mais forte que tudo o resto, luminescente, mas ao mesmo tempo interrompido, tracejado. Vogam os olhos outra vez, vagarosos, que ali a noite e tempo são coisas macias pelas quais se deixam guiar. As interrogações são interregnos com que nos vamos deixando ficar, e as respostas, quando chegam, uma consequência de por ali nos demorarmos. E a cobra rastejante sobre a natureza, essa mesma que brilha encarniçada, vai se decifrando com vagar. São pontos que se alinham numa trajectória curvilínea, e esses pontos são luzes, umas que se atrelam nas outras, como se o mundo tivesse sido decorado com as lâmpadas de uma árvore de natal. Agora já não é mais a vista que alcança porque desse mister já se cumpriu, mas alguém que conclui: são luzes de sinalização, é o parque eólico da Estremadura de nuestros hermanos que se pintalga lá naquele fundo. E são centenas, talvez milhares, assim a tecnologia se instalando na noite, fingindo dormir nos contornos da natureza.
Do lado de cá, nada. Apenas nós, e de onde se espreita; o sítio onde se pousa e se alcança a natureza, essa terra que nunca se rendeu e que a tecnologia não abraça. O mundo visto daqui é orgulhoso e primitivo, a deixar-se ficar no que sempre foi, e nisso retendo os homens. Não os que partem (partimos) agora esbaforidos para as cidades do Norte, nem os outros cruzando rio com pressa de se deitarem do outro lado, mas aqueles que com ela ficaram para trás, que como ela pouco nisso se importam das cobras lacrimejantes, dos moinhos metálicos, ou dos contornos vermelhos de imitação. Uns vão ficando com a calma da terra, os outros partindo com a pressa do progresso, que aqui é só para ver, lá para viver. Assim, como de cada lado das margens do Guadiana, tão diferentes são Portugal e Espanha.
Entretanto eu perco-me entre as duas margens, querendo ser hoje esta, amanhã, do outro lado, aquela.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:09 PM
abril 25, 2006
Sempre!
Sempre. Mas dói esta liberdade,
isto de cada um poder ser
mais só ele, e menos povo
Sempre! Mas cada vez mais só flor
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:20 AM
março 28, 2006
Grande Benfica!
Agora 'basta' ganhar em Camp Nou
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:38 PM
março 24, 2006
Hoje às 19h não estou para ninguém
Ou melhor, estarei demasiado ocupado a roer as unhas e a fazer figas para que não me tenha enganado na táctica de corrida.
Só eu. Chegar aos 43 anos e andar maluco com isto do F1 MANAGER GAME ON-LINE! E a culpa é tua oh observador de aviões ...
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:39 PM
março 20, 2006
E ainda por cima o raio do creme é caro que se farta
Título alternativo, (escolher o que mais convier):
Das cosméticas e do seu impacto nos pêlos do peito
Há uns meses atrás era um tipo normal, acho. Não ligava muito ao corte de cabelo e no espelho só me olhava para fazer a barba. Ainda assim julgo que tinha um aspecto saudável, quase normal, não fosse uma pequena coisita branca na ponta do nariz. Segui então conselho e fui à dermatologista. Hoje falta-me um naco de carne que me encova a ponta do nariz, e se bem que não seja particularmente vaidoso acho isso desagradável e dispensável (já perguntei se não me poderiam voltar a pôr a tampinha branca que não fazia mal a ninguém). Inquietações estetas? Nada disso, falo das consequências concretas que esse detalhe passou a ter na minha vida e na minha própria identidade. Acontece que hoje tenho de pôr todos os dias um cremezinho para cuidar daquilo. Deste pequeno pormenor da higiene matinal decorre então que acumulo um atraso diário de cerca de 5 minutos que se manifesta em todos os meus compromissos matinais, dado que tenho dificuldade em recalibrar essas actividades mas, mais grave, ganhei um pânico até então insuspeitável ao horror das “coisinhas, que temos de ver isso melhor” da pele, dessas que todos os dias escrutino nas mais variadas zonas da minha epiderme.
Mas esses são os efeitos mais visíveis, porque aqueles que verdadeiramente me inquietam manifestam-se no meu lado mais íntimo, quando me lambuzo com aquela cremalhada toda ao mesmo tempo que repito para comigo mesmo, “eu não sou abichanado, eu não sou abichanado, eu não sou abichanado”.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:13 PM
março 15, 2006
A nação está salva!
[Larguem os salva-vidas e não empurrem que eu estava primeiro]
Lotação: 100.000 (fundamentais primeiro)
A pandemia aviária aqui na esquina do ocidente não devastará muito: pelo que se conta, estará assegurada a vacina contra essa tal da gripe a 100 mil portugueses “fundamentais”. Nós, quais descendentes de Noé, conscientes do peso que recaiu na nossa escolha, levaremos a pátria às terras do futuro e nela honraremos todos aqueles que representamos.
Bem … , dizem-me agora que não é “nós”, que é só “eles”! Certamente haverá lapso aí que prestes espero ver esclarecido; um absurdo, já que não conheço ninguém mais fundamental do que eu. Ou isso, ou, sem mim, estamos perante um processo de engenharia social que se baseia nas mais cínicas tendências nazis.
Além desse lapso abismal, ocorre ainda a ausência de um saudável romantismo, esse que já no “titanic” fazia troar o cavalheiresco grito: “As mulheres e as crianças primeiro!” Não é que concorde com o conceito, que o cavalheirismo não é coisa que se reclame na hora de salvar a pele, mas se estamos perante um exercício darwinesco, pergunto-me se não terão esquecido as bases essenciais da descendência.
Dois erros técnicos lamentáveis então. O primeiro, terem-me deixado de fora dessa mão-cheia de eleitos, já que sem mim entre os escolhidos não há futuro que faça sentido. O segundo é a falta de membros do sexo feminino, o progressivo abichanar, a esterilização do país futuro, por (quase certa) falta de cavalheirismo cotas femininas nesses ‘fundamentais’ eleitos.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:58 PM
fevereiro 16, 2006
Equívocos
Todas as guerras um dia se acabam. Os males entretanto trocam-se por outros. Depois, novas guerras, outros Deuses, e tudo pouco diferente, quase nada. Não fossem os mortos.
Não vale a pena, vamos lá todos a ter calma. Até porque a iconografia recomenda, para ser convenientemente admirada, que haja um pouco de sossego em seu redor.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:56 AM | Comentários (3)
fevereiro 14, 2006
Hoje é dia de …
14/02/1130 Início do pontificado do Papa Inocêncio II
14/02/1479 O pintor italiano Antonello da Messina assina seu testamento
14/02/1489 Imperador romano Maximilian I e Henrique VII assinam o tratado de Dordrecht
14/02/1602 Nascimento de Francesco Cavalli (compositor italiano)
14/02/1679 Nascimento de Georg Friedrich Kauffmann (compositor alemão)
14/02/1741 Nascimento de David-Maurice de Barreau-Champoulies De Muratel (militar francês)
14/02/1744 Morte do matemático inglês John Hadley
14/02/1760 Nascimento de Richard Allen (fundador e 1º bispo da Igreja Episcopal Metodista Africana)
14/02/1763 Nascimento de Jean Victor Moreau (militar francês)
14/02/1779 Morte do comandante inglês James Cook
14/02/1790 Morte do compositor inglês Capel Bond
14/02/1807 Nascimento de Ernest Legouve (escritor francês)
14/02/1811 Nascimento de Domingo Faustino Sarmiento (escritor argentino)
14/02/1813 Nascimento de John McNeil (general norte-americano)
14/02/1813 Nascimento de Alexander Sergeievich Dargomijsky (compositor russo)
14/02/1819 Nascimento de Christopher Latham Sholes (inventor da máquina de escrever)
14/02/1820 Morte do médico argentino Cosme Mariano Argerich
14/02/1823 Frei Caneca prega o 'Sermão sobre a Oração' na capela da Ordem Terceira do Carmo de Recife
14/02/1823 Morte do pintor francês Pierre-Paul Prud'hon
14/02/1826 Edgar Allan Poe ingressa na Virginia University em Charlottesville
14/02/1831 Primeira Assembléia Geral da Hungarian Learned Society
14/02/1835 Nascimento de François Haverschmidt (escritor holandês)
14/02/1836 Nascimento de Valentine Cameron Prinsep (pintor inglês nascido na Índia)
14/02/1836 Incêndio em São Petersburgo - Rússia (700 vítimas)
14/02/1842 Nascimento de Henri Kling (trompista suíço)
14/02/1845 Morte do político francês Joseph Lakanal
14/02/1848 Nascimento de Édouard Benjamin Baillaud (astrônomo francês)
14/02/1857 Francisco de Rivero assume o Ministerio de Hacienda
14/02/1857 Morte do regente e compositor holandês Johannes Bernardus van Bree
14/02/1858 Daniel Comboni chega ao Sudão - África (canonizado em 05/10/2003)
14/02/1859 Brotas (SP) é elevada à categoria de município
14/02/1859 Nascimento do engenheiro George Washington Gale Ferris Jr. (inventor da roda-gigante)
14/02/1861 Morte do pintor português Francisco Augusto Metrass
14/02/1863 Ambrose Gwinett Bierce é promovido a tenente
14/02/1864 Morte do pintor escocês William Dyce
…
14/02/2004 Morte do juiz José Abelardo Lunardelli
14/02/2004 O Fluminense vence (2 x 1) o Americano
14/02/2004 Ataque de rebeldes liberta dezenas de prisioneiros em Faluja - Iraque
14/02/2004 O filme turco-alemão Head On vence o 54º Festival de Cinema de Berlim
14/02/2004 Tempestade de neve causa desmoronamento parcial do Muro das Lamentações
14/02/2004 O ciclista italiano Marco Pantani é encontrado morto em um hotel
14/02/2005 Explosão em mina de Liaoning - China (mais de 200 vítimas)
14/02/2005 Casamento de Ronaldo e Daniella Cicarelli
14/02/2005 Explosão de bomba em Beirute - Líbano (morte do ex-primeiro-ministro Rafik al Hariri)
14/02/2005 Renan Calheiros (PMDB-AL) é eleito presidente do Senado
14/02/2005 Explosão de bomba em Manila - Filipinas
14/02/2005 International Chess Open Festival "Aeroflot Open 2005" - Moscou - Rússia
14/02/2005 Lançamento da Rede em Defesa da Liberdade de Imprensa
14/02/2005 Anunciada construção de refinaria da Petrobrás em Pernambuco
14/02/2005 Incêndio em mesquita de Teerã - Irão
Bom, depois de tão apurado e profícuo trabalho de recolha espero não me ter esquecido de nada!
Última actualização:
14/02/2006 O autor de um blog sob o pseudónimo Eufigénio Lagoa recebe inesperadamente um pedido de divórcio
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:21 PM | Comentários (23)
fevereiro 09, 2006
Tic-Tac Tic-Tac
(aproveitando enquanto o Auditor está de gatas debaixo de um compressor a verificar se a purga está em boas condições de funcionamento)
Uns queimam bandeiras e apelam à Intifada escorando essa causa terrorista nuns bonecos satíricos com que um jeitoso lá num país qualquer do norte de Europa decidiu fazer humor (e nestes juízos já se englobam todos os ocidentais, tudo gente decadente com imenso jeito para os cartoons e cuja publicação oficial dos princípios do ódio ao credo islâmico consta num jornal dinamarquês). Outros manipulam vídeos demonstrativos, como se se tratasse de uma aterradora barbárie praticada pelas mãos nojentas dos iranianos visando estropiar o braço de uma inocente criança (e nestas coisas são sempre todos os daquele lado, os de turbante na cabeça e olhar maquiavélico, o alvo do nosso inflamado horror, de nós coisa pia e civilizada).
Não sei se já aqui tinha dito que sou um amante da vela, já? O silêncio e a distância a que ela nos leva, a noção de que não dependemos de motores nem da vontade de alguém para irmos (por) onde quisermos, mas sobretudo a possibilidade de lançarmos ferro a meio do oceano, e aí se quisermos procurando com rigor a lonjura, o ponto exacto onde nos equidistanciamos das duas margens deste mundo mar. Não sei se já alguma vez aqui tinha dito porque gosto tanto da vela, e porque o mar me traz a serenidade que já não encontro fora dele. Já terei dito isso?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:59 AM | Comentários (3)
Dia de Auditoria
Hoje não se trabalha, nem há blog. Espero ao fim da tarde, com o desfecho desta performance teatral, retomar as minhas responsabilidades. Nesse então já poderei voltar a desapertar o nó da gravata, os dossiers de trabalho substituirão de novo as pastas luzidias de lombada cuidada, e desfolharei por fim os compromissos profissionais que ficaram entretanto arredados da sua importância. A vida ao natural continuará então, sem maquilhagem.
[ a última (quase) foi assim ]
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:28 AM | Comentários (0)
fevereiro 08, 2006
Acho que preferia não o ter sabido
Leio na imprensa que terá sido descoberto um novo Éden numa ilha da indonésia, ainda com espécies de fauna e flora nunca antes vistas: “… vinte novas espécies de rãs, quatro de borboletas, um novo tipo de cangurus e, finalmente, o lendário e misterioso pássaro que dá pelo nome de ‘ave do paraíso’ e que se julgava extinto há mais de 100 anos”, e sendo que ainda agora o começaram a explorar. Ao que parece aí não há vestígios da espécie humana e o acesso só é possível pelo ar.
Maravilhoso! Saber ainda haver lugares assim neste planeta é maravilhoso. Ou talvez nem tanto, que atrás da notícia, já se sabe, neste mundo voraz e cada vez mais exíguo, paraíso achado é paraíso perdido.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:45 PM | Comentários (4)
fevereiro 03, 2006
Sobre o Euromilhões
Não contribuo.
Enfim, dá-me sempre esta mania de engenheiro: quando não percebo nada ponho-me a fazer contas. Mas há-de sair a alguém não é? Isso sim, é um verdadeiro pensamento abstracto. Olhe, boa sorte!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:56 PM | Comentários (5)
Sobre o casamento entre homossexuais e tal
A única coisa que me ocorre pensar é que há um advogado “altruísta”, provavelmente com familiares e amigos espalhados pelas várias cadeias de televisão, que a partir de agora nunca mais terá problemas com a sua carteira de clientes.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:23 PM | Comentários (25)
fevereiro 01, 2006
Oh Bill (não és tu pá, é o outro) se quiseres vir cá beber um medronhozito apita
Familiar amigo e vizinho alertava-me ontem à noite:
- Sabes que hoje somos o bairro com maior PIB per capita da Europa?
- O quê?
- Então não sabes que o Bill Gates está a jantar ali em baixo no Convento do Beato?
(Estou naturalmente todo orgulhoso. E o senhor João da mercearia também)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:27 PM | Comentários (8)
janeiro 31, 2006
Vá lá, pelo menos já arranjaram o mictório
Não teço nem rebato críticas ao Vasco Pulido Valente (agora devia escrever VPV, é assim não é?) porque acho coisa esvaziada essa do zurzir ou adular furiosamente indivíduos que escrevem sobre indivíduos e as suas ideias. Ou seja, o meu mundo regra-se de forma simples e económica: tudo se pode dizer uma vez, e depois concordar ou discordar, e até discorrer, justapor, acrescentar, contradizer - é informação nova, para quem gosta do género e se identifica com o tema; agora dizer do que se disse de quem o disse, comentar-lhe o carácter humano, investigar-lhe as contradições, insinuar do seus maus genes, escarafunchar-lhe o curriculum, isso é uma mera sopeirice intelectual. Não que ache isso grave. A sopeirice pode ser uma agradável condição de modéstia e fica com quem a tem, mas a verdade é que não é coisa que me ajude à disposição e fico atrofiado só de pensar, (e isso é que é grave), que posso parecer um intelectual assim. Por isso, do VPV este modesto blog não tem nada para assinalar. Do que lhe leio, por vezes gosto, e nada mais sei dizer sobre isso.
Também não vou papaguear o anúncio da sua entrada na blogosfera, (enfim, acabei de abrir uma excepção) até porque não me agrada tudo o que possa promover este éter digital enquanto réplica deferente (eu disse dEferente e não dIferente, infelizmente) do jornalismo/política português. Por trás deste espaço de palavras pode e deve haver mais para além disso, e na verdade lamento profundamente constatar que este nicho onde me assoalhei com o único intuito de dar que fazer aos impulsos da escrita, se veja cada vez mais circunscrito num espaço assoberbado das inférteis e ressabiadas investidas da guerrilha dos desmentidos, dos açoites intelectuais, das panaceias dos amigos, dos autojustificativos dos autoglorificados titãs da literatura e do jornalismo português, ou ainda desse titubear das notícias do mundo que já todos ouvimos reproduzidas no noticiário do trânsito da manhã. Venderam-me este condomínio como um espaço em que a grande virtude era justamente essa do preencher-se no “para além de”, e afinal todos os dias se monta aqui à porta uma “feira do relógio” com as comezices de sempre. E que chinfrineira, desde manhã até à noite, que já nem um homem dá conta do zoar do seu teclado!
A verdade é que já mal saio aqui desta assoalhada, e se o faço é com a cautela de ir ao encontro do que já sei, e gosto. Mas ainda assim, inevitavelmente, lá me deixo escorregar desprevenido por um link que me leva até ao meio de uma qualquer escaramuça de egos. Que gente tão desinteressante! Mas …
… mau, perdi-me! A que propósito é que vinha tudo isto ao caso? E o que é que o inocente VPV (pelo menos em termos blogosféricos) tem a ver com este desassossego todo? Ah, já sei! Bem, continuo sem encontrar relação, (talvez dos caminhos que tomei para lá chegar? Falo da paisagem da viagem e não do destino, enfim, do que me aprouver afinal). Mas ide ler isto que vale a pena.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:46 PM | Comentários (7)
janeiro 29, 2006
E não é que neva mesmo !
Caros Bisnetos,
Deixo-vos por aqui o meu testemunho, deste outrora de onde vos escrevo, para vos dizer que hoje, no dia 29 de Janeiro de 2006, neva por Lisboa. O avô Diogo grita de óculos embaciados para o céu, e o avô Francisco pinga flocos esbranquiçados do nariz avermelhado enquanto se agita sem saber exactamente como poderá melhor desfrutar da situação. Os mais velhos lá vão sugerindo de sorriso comedido que se tratam de sinais inequívocos de que nos voltamos a aproximar do resto da Europa - que o deserto que vai comendo esta terra pelo Sul, a África por onde entramos inexoravelmente, anda hoje distante. E fica a neve, e viva a neve, splasshhhh
Um beijo para esse aí distante
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:10 PM | Comentários (18)
janeiro 23, 2006
"Todos podem escolher o carro da cor que quiserem desde que o escolham preto"
Abro uma breve interrupção na interrupção deste blog para …
Depois de ler diversos comentadores da esquerda relativizar a vitória do Cavaco por este só ter tido metade do eleitorado português e mais uns míseros pózinhos, em vez de procurarem ler os sinais que o eleitorado (a maioria … allô?! Sabem o que é a maioria?) entendeu dar …
Depois de ter assistido incrédulo à vergonhosa e ressabiada atitude do Sócrates em avançar com a sua declaração (na qualidade de não interveniente directo nas eleições, note-se) no momento em que falava o segundo candidato mais votado …
Depois de ter verificado que, inacreditavelmente, todos os canais de televisão retiravam do ar a declaração do Manuel Alegre, para a ela sobreporem de forma cúmplice esse gesto vergonhoso do ressabiado secretário geral do PS …
Depois de ler vários (muitos) blog’s candidatos a estalactites políticas não se conterem de verberrar que a maioria dos eleitores que votaram CS são isto e aquilo e que não percebem como é que há gente que não pensa como eles, e mais isto e aquilo, coitados, e agora vão ver como é que vai ser …
Depois de todas estas “provas” democráticas dos políticos, das televisões, de alguma comunicação social escrita, e dos aspirantes a “opinion makers” que alimentam alguns blog’s …
Ocorreu-me um chavão muito antigo, do tempo do primeiro grande fenómeno da produção em série de automóveis (Ford T, creio), em que dizia assim um tal de Sr. Ford: “todos podem escolher o carro da cor que quiserem, desde que o escolhem preto”. A ‘ligeira’ diferença reside no facto de esses carros só os comprar quem queria, já a este tipo de distorção ‘democrática’ somos todos obrigados a assistir.
Votei Manuel Alegre, ou melhor, antivotei Soares, mas lamento profundamente que, por culpa disso, possa de alguma forma ver-me representado por este tipo de pensamento reaccionário, que só não o é porque vem dos meridianos da esquerda, essa zona que se arraiga na verdade, no verdadeiro espírito democrático, na tolerância, e no reconhecimento das outras vozes … bardamerda para isto tudo!
… Envergonhadamente, fecho agora a interrupção da interrupção deste blog.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:28 PM | Comentários (9)
janeiro 12, 2006
Uma modesta explicação científica sobre os tremores de terra (traz legendas e um destacável no fim sobre o king kong)
Primeiro era o pandemónio da pandemia
É impressionante como as nossas apoquentações são moldadas pela oferta e depois alimentadas pelo exagero desmedido das estratégias noticiosas. Há pouco mais de um mês era o pandemónio da pandemia das coitadas das aves engripadas. Bastava ler a blogosfera para perceber como todo o cidadão temia o seu fim próximo, provavelmente amarfanhado num canto de um hospital superlotado e incapaz de lidar com tamanho holocausto desta desventurada humanidade. Um mês depois já nem nos lembramos disso, já passou. Ou as aves terão morrido, ou nesta actual indiferença e na exaltação de antes haverá um desmesurado exagero. Ou então foi simplesmente uma notícia que foi espremida e que agora já não tem valor comercial.
Agora são os temores dos tremores
Assim se confirma. Pois agora o que está a dar nos atormenta (oh pobre raça humana que nem tempo tem para descansar entre tanta intempérie do destino) são os persistentes e prenunciadores tremores de terra que todos os dias ocorrem, e várias vezes por dia! Quais aves de bico emproado, que a coisa agora é muito mais grave, e vem do chão que nos sustém! E advirá daí o fim do mundo? Acabarei eu na próxima semana e ser sugado por uma frecha gigantesca da qual verte o gorgulhado magma? Aparentemente já pouco haverá a fazer, é uma fatalidade que se aproxima e que tem na comunicação social os seus pregadores iluminados. Lá se elencam os casos diários, bem identificados e quantificados; hoje foi na madeira, ontem foi por estas bandas, e discutem-se intensidades telúricas que a ver vamos quem as teve mais altas. E se os serviços noticiosos se esmeram com pormenorizadas listas de preocupações e o Richter e o Mercolli de repente se tornaram conhecidos de toda a gente, já os hebdomadários investem em peças de maior profundidade sobre o fenómeno dos abalos telúricos, são já os gigantismos tectónicos e daí se sulcam, se racham, se tremem ainda mais os nossos tormentos, os tremores para melhor associar ao caso em apreço. E pois que parece que a coisa acontece a cada 250 anos, e para isso já estamos atrasados e ai que ele vem aí e eu nem tenho a extensão da apólice do seguro da casa contra catástrofes naturais, o que pouco importará porque provavelmente depois do holocausto que há-de vir já amanhã nem companhia seguradora haverá já. É o fim!
E ainda há quem queira aligeirar a nossa desgraça
"Mas vejamos. Este fervilhar das profundezas do planeta é coisa que se vem manifestando só agora?” arriscam uns, mais incautos, nesta interrogação retórica. Pois, ninguém lê nas entrelinhas que o tempo já só dá para passar a vista nas parangonas. E além disso há em nós esta inexplicável e ancestral necessidade de vivermos permanentemente à beira de mais alguma desgraça. E olha até que bem que a nossa comunicação social nos sabe alimentar isso ein, lá dela não nos podemos queixar, que ao menos nos valha isso. E não venham agora cá suavizar a coisa. Importa é ver os telejornais da manhã, essa desgraça - e atenção que agora foi na Madeira - deu já fortito, com 3,5 na escala do Rico dizem e o picentro cada vez mais próximo, ai ai que ele vem aí!
Estes agora a querer explicar a missa ao padre
Não venham agora cá com artigos científicos de nomenclaturas esquisitas e gráficos cheios de setas que não têm interesse nenhum nem falam da estatística e dos possíveis mortos. E há lá paciência para ouvir aquela senhora com cara de cavalo, que se engasga a falar e que nem sei porque a deixam ir à televisão com aquela fraca figura explicar estas coisas que ninguém quer saber, porque se a gente a sente a tremelicar (eu ainda não senti, mas toda a gente diz que sim) escusam de vir cá enganar-nos com teorias, e além disso os jornais e as TV’s lá perderiam audiências e logo teriam de arranjar uma nova desgraça e ai que não há coração que aguente tanto. E o que essa senhora está a dizer (calcule-se) e alguns iluminados se atrevem a confirmar é que todos os dias, desde sempre, há vários abalos telúricos à face da terra, e insistem que designadamente nas proximidades desta nossa região, como se a gente não vivesse cá e fôssemos ceguinhos. E mais, ainda se atrevem a dizer que isso é bom. Já viram isto? A irresponsabilidade, a quererem enganar o povo em vez de o prepararem para o pior? Há-de lá isto compor-se com estas manias de ignorar as desgraças.
Aqui entro eu, com as minhas modestas explicações científicas
"Bem, nem tanto ao mar, nem tanto à terra” – esta contemporização em tom doutoral mas relativamente descontraído, sempre me pareceu bem para começar qualquer coisa - ou melhor, e para adequar à situação em apreço, nem maremoto nem terramoto, digo eu. O que parece que aqueles senhores cientistas querem dizer creio poder ser explicado de uma forma bem mais acessível. Desculparão o caso do boneco comparação que aqui trago, mas foi o melhor que arranjei, apesar de não ser coisa que se cheire, o que compreenderão melhor mais adiante. Ora vamos lá tentar perceber porque afinal são bons estes pequenos desafogos das entranhas da terra e porque eles ocorrem tão frequentemente, e desde sempre, e não apenas desde que a comunicação social se lembrou de os “vender”.
A analogia da bufa (*)
(*) estrépito controlado produzido pela saída de ventosidades do ânus
Ao que parece, a origem desta catástrofe que certamente nos há-de levar a todos amanhã tem a ver com gases, (enfim, pressões), que se formam no interior do planeta. Introduzamos agora o nosso exemplo comparativo (já ides ver onde quero chegar): suponhamos que estamos muito bem instalados no cinema, bom filme, a sala cheia, e que de repente começamos a sentir um ligeiro acachoar dentro de nós, um ténue desconforto que vai subindo e descendo mas que começa a emitir alguns ruídos embaraçosos. Pois nesse mesmo instante, lá fora, também os gases do planeta estarão a cozinhar-se, borbulhando cada vez mais na sua enorme barriga redonda que abriga as nossas árvores e animais. Estais a seguir? Voltemos então à nossa cadeirinha no cinema; aquilo que era antes um pequeno desconforto começa a transformar-se numa já incomodativa dor de barriga, ligeiras picadas ainda assim superáveis. Nesta altura pensamos se não deveríamos sair por um pouco para nos irmos aliviar à casa de banho, ou nem tanto; bastaria chegar ao corredor que a esta hora não está lá ninguém, disfarçar com o ver as horas no relógio e pimba, rápido retornaríamos para a penumbra do cinema. Pois os entusiasmos do planeta (voltamos ao fenómeno telúrico portanto) também é assim que o vão inchando, e este, tal como nós, impede-os por decência de saírem logo. Em nós fica uma dorzinha que se sustém ainda, já na terra estes gases enclausurados começam a agigantar-se numa pressão perigosa. Na tela do cinema vê-se agora o King Kong a tropeçar num comboio e a bater com a cabeça num silo de cimento e toda a gente se ri sem ter a mais pequena noção do arrepiante fervilhar lá fora ou da dor (agora cada vez mais notória) que me apoquenta a barriga. É forçoso que tentemos dar ar àquela coisa. Mas como o fazer se não queremos perder esta cena agora? Mas os estragos que o animal faz no filme e os risos que recebe do lado de cá são tão ruidosos que isso nos dá uma ideia (é aqui que entra a história da bufa): E se nós, através de um apertado controlo do abdómen deixássemos sair um pouco dessas ventosidades e assim aliviássemos as nossas entranhas daquela pressão? Íamos aliviando aos poucos, evitando sempre que aquilo fizesse barulho, uma bufa domesticada por assim dizer, um pequeno pfffff que ninguém ouviria no meio de tanto estrilho estereofónico. E depois era esperar que esta não trouxesse o fedor para que a nossa companheira do lado não desse por isso, o que seria um desastre. E se esta é sempre a parte que nos constrange nesta brilhante ideia, pois também o mundo se envergonha dos seus gazes o que julgais, e por isso os conserva por vezes ao invés de ir libertando essas bufazinhas que não fazem mal a ninguém. Mas nós mais encrespados com a coisa, mais aventureiros também, lá acabamos por deixar escapar cautelosamente uma lufadinha. Quase se sente o ar folgar por entre as cuecas. Saiu bem! Silenciosa, sem rasto, e com um odor perfeitamente disfarçável. Cá fora, ao mesmo tempo, algures no arquipélago açoriano o mundo larga também, agora já menos envergonhado e contido, uma pequena bufadela. Nem a SIC, nem a TVI, nem as RTP’s dão por isso e a pressão assim também se alivia. Já nós deixamos escapar outra, claramente satisfeitos e orgulhosos desta mestria no controlo das já mais desafogadas entranhas. Ele lá fora faz-se o mesmo nas Maldivas. Depois mais uma, e outra, e finalmente, já o macaco gigante se desfalece agarrado à antena do Empire State Building, regozijamo-nos de nos sentirmos como novos. Nada que nos envergonhe que o que não se vê e não se cheira é como se não existisse. E neste momento nós e o mundo somos um só, em plena harmonia gástrica. Mas infelizmente, menos mestre que eu, ter-se-á o mundo deixado descontrolar lá para os lados do Algarve. Uma flatulência um tudo nada mais sonora, mas o suficiente para os noticiários portugueses se encherem de notícias. O filme acaba, e enquanto eu me levanto reconfortado e o planeta se compraze de se sentir mais desafogado, o povo em escarcéu arruma as suas coisas na cave e actualiza os seus seguros de vida e da casa.
Breve explicação do fenómeno, agora por absurdo
Breve explicação do fenómeno, agora por absurdo
Ficámos entendidos? Será que me fiz explicar bem com o boneco? Ora vejamos o que aconteceria no caso oposto. Admitamos que educadamente nos conteríamos até ao limite de sustermos os incomodativos vapores que se formavam no nosso esparguete intestinal. Pois. Já se sabe o que aconteceria, num momento em que afrouxássemos dele a nossa atenção, ou num esgar de dor que nos fizesse perder o controlo dos músculos abdominais (não sei o nome dos outros que fazem aquilo ficar muito fechadinho) - e provavelmente isso iria acontecer no cena do beijo em que o filme se cala e há um silêncio deleitado na sala - e lá ribombaria por toda a sala o enorme traque! Incomodados, todos os olhos se interromperiam do filme e iriam fixar-se em nós. Ficaríamos sem ver o final do filme, e sem dignidade nenhuma. Se o mundo seguisse a mesma pudica opção, não haveria noticiários a falar de pequenos abalos telúricos todos estes dias, mas num desses dias (porque não amanhã, sexta-feira 13?), quando acordássemos, teríamos duas toneladas de escombros por cima de nós, por culpa do enorme traque que tinha sido dado ao largo das Berlengas.
Acompanharam tudo? Então a lição a retirar é esta: As bufas bem treinadas não fazem mal a ninguém, os tremorzinhos de terra são nossos amigos … e não comprem jornais nem liguem a televisão durante a próxima semana! Depois passa.Moral da história
(o destacável do King Kong fica para outro dia, que por uma razão que não merece aqui ser explanada tive de sair antes do final do filme, altura em que terá o mesmo sido distribuído)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:15 PM | Comentários (11)
dezembro 27, 2005
E porque para além das prendas, e dos perús e dos SMS, o Natal é também para recordar ...

[ As minhas desculpas por não indicar a fonte, mas esta foto foi surripiada há já um ano e lamentavelmente não a referenciei na altura ]
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:38 PM | Comentários (5)
dezembro 15, 2005
Micro-causa
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:10 PM | Comentários (10)
dezembro 13, 2005
Também, quem é que queria um lago natural no meio da cidade?
Havia um tipo, que dava pelo nome de Zé Tuga, que era tão desajeitado que em coisa onde punha as mãos estragava. Dizem que andava sempre com um plaina gigante atrás, à qual chamava carinhosamente ‘progresso’, e era vê-lo abarbatado sobre ela a cortar tudo a eito.
Pç. Marquês de Pombal - anos 30 (?)
fonte desconhecida
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:55 AM | Comentários (7)
dezembro 07, 2005
Oh Cristianinho
Vai tu !!!
Só por isso já me congratulo que a coisa tenha caído para o lado do Benfica.
Mas só por isso! Parabéns oh lampiões 
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:56 PM | Comentários (12)
novembro 28, 2005
No sábado, aos Xutos & Pontapés
A bateria primeiro, depois as guitarras. A melodia começa a palpitar e já não engana. Quase de imediato o burburinho da plateia toma conta dela, vogando à vontade, rompendo a saudade. O Tim cala-se, ou melhor, nem entra, apenas sorri, e o Coliseu inteiro agita-se percebendo que o mote é agora deles. A primeira estrofe aclara-se primeiro baixinho, procurando o tom, e depois entra de rompão num uníssono assombrosamente afinado.
E vai lançada assim a canção, entregue ao público. E novos e velhos, e pais e filhos, numa única entoação, quase gritada, lançam esse brado poderoso com que marcam o ritmo, todos ali a uma só voz. E tantas memórias, tudo de dentro de cada um sai gritado das gargantas empolgadas. É sublime esse coro partilhado, por essa vontade que perpassa pais e filhos, essa vontade de ir, correr o mundo e partir. Um único grito, ali troando a emoção dos que não chegaram a ir, e dos que ainda não chegaram a partir. Clamam-se vontades entre duas gerações, tão diferentes ainda, mas tão próximas de serem o mesmo. E segue tonitruante: No fundo horizonte / sopra o murmúrio para onde vai / No fundo do tempo / foge o futuro, é tarde demais... .
E canto eu, e grito também, e escuto com emoção as vozes deles ali perto da minha, a mesma emoção, um grito tão alto quanto o meu. Na plateia outros se abraçam, e lançam mais alto a voz que nem sempre todos os dias entre eles se encontra. Que agora, essa canção que se entoa, ninguém a canta mais que ninguém, ninguém a canta com mais idade que ninguém, e as memórias que evoca, umas tão longe das outras, fazem-se todas do mesmo, agora ilusão. É mais que uma canção, é mais que uma onda, mais que uma maré, aquilo que ali se canta.
Partilhar assim num grito, uma mesma vontade, tantas marés e tantas memórias, tanta vontade de partir, é uma sensação indescritível. É sentirmo-nos para além de pai e filho, e por um momento nada haver mais a dizer que aquela vontade de cantarmos juntos, esse fado de sermos homens: Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade, / vai quem já nada teme, vai o homem do leme... .
E acho que é por isso que os
UTOS são a melhor banda portuguesa de sempre !
O Homem do Leme
Sozinho na noite
um barco ruma para onde vai.
Uma luz no escuro brilha a direito
ofusca as demais.
E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...
E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...
No fundo do mar
jazem os outros, os que lá ficaram.
Em dias cinzentos
descanso eterno lá encontraram.
E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...
E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...
No fundo horizonte
sopra o murmúrio para onde vai.
No fundo do tempo
foge o futuro, é tarde demais...
E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder
Xutos e Pontapés
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:25 PM | Comentários (14)
novembro 14, 2005
O texto que afinal não é do EPC
Avisado e desenganado sobre a origem do texto pela comentadora m., venho aqui penitenciar-me e corrigir a referência que fiz ao Eduardo Prado Coelho, como seu autor. É o facilitismo de passar a post a profusão de coisas que nos chegam por mail, sem que possamos atestar a sua veracidade. (servir-me-á de emenda)
No entanto, independentemente da sua autoria (não foi por isso que aqui deixei o texto), e porque o mesmo não perde as qualidades críticas que me levaram a postá-lo, aqui o mantenho:
“ A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria-prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ... e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar a alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA" congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não em outra parte... Fico triste. Porque, ainda que Sócrates fosse embora hoje mesmo, o próximo que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados! É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda... Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a nos acontecer: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE! “
Autor desconhecido
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:20 AM | Comentários (13)
novembro 11, 2005
Silêncio, que se está a preparar a intervenção num seminário
(ai que já não estava habituado a estas coisas … que stress!!)
[Olha vem para aqui mesmo, que no blogue leio melhor]
O E-Learning, a expressão em si, veste-se desde logo com os significados habituais de tudo o que nos chega pela Internet. E esses excluem-no quase compulsivamente da hipótese de ser encarado como uma solução ‘séria’ para a formação, se não por parte de todos os agentes de formação pelos menos dos mais conservadores, estes a maioria.
Começa por ser algo ‘demasiadamente’ acessível – de casa, de onde se quiser, agora ou mais logo a seguir ao jantar, quando eu quiser e me der mais jeito – e o simples facto de se vislumbrar nisso o acesso ao conhecimento de forma tão disponível vendida, remete-nos logo para um quadro de reserva e desconfiança. Afinal, a aprendizagem é um processo complexo e custoso, e que dificilmente é credível se não for alcançado à custa de algum sacrifício pessoal, se possível extraído até do nosso espaço familiar e da nossa disponibilidade pessoal. Pensar que é o estudante/formando quem decide quando e no que se quer aperfeiçoar, e que nos arriscamos a certificá-lo disso sem sequer lhe vermos a cara, é algo que a maioria dos agentes de formação não está preparada para reconhecer.
E depois há este meio por onde ele emerge. A verdade é que nos habituámos a olhar para a Internet como um espaço de distracção, da deambulação indisciplinada através de um vasto conteúdo informativo, de ócio e vício também, longe por isso de poder constituir e competir como um ambiente sério de aprendizagem. Estas plataformas que se oferecem por via da Internet, concorrendo com sites pornográficos, com motores de pesquisa que nos levam para onde já nem sabemos onde estamos ou porque estamos, onde nos distraímos com chats, e blogues (esta fica bem aqui), e outros instrumentos de lazer deriva dos nossos dias, tudo isso constituindo um excesso fútil e dispersivo de informação, é algo que está longe de constituir o ambiente circunspecto, concentrado e controlado que a formação exige.
E, nesse E-Learning, há ainda a questão da sua denominação inglesa. E sabemos bem o quanto isso para a maior parte de nós é visto como uma intrusão, como se nos quisessem impingir estrangeirices, como se a formação, e designadamente a sua componente comportamental, pudessem ser supríveis por supositórios informáticos importados sabe-se lá de onde. Como se as complexas etapas da aprendizagem pudessem ser substituídas por módulos de navegação on-line cobrados com cartões de crédito. Tudo isso só pode ser fruto de quem não lida, como nós, pedagogos com dezenas de anos de experiência, com os complexos processos de aprendizagem, e não revê neles a importância que o formador, centro do processo, ocupa no contexto presencial, sim, presencial, da mesma. E lá vêm as tiradas do costume como aquela: “ o que eu ouço esqueço, o que eu leio lembro, o que eu faço aprendo”. E claro que deixamos ficar outras por dizer, como a outra: “Quando os ventos de mudança sopram, uns levantam barreiras, outros constroem moinhos de vento”, que aqui não viriam a propósito.
E pronto, ficam assim lançadas as bases da desconfiança por parte de muitos dos agentes de formação. E mais uma vez, (e aqui coloco apenas como hipótese) o preconceito, e a questão vocacional, tendem a deixar de fora uma oportunidade para inovar. E mais uma vez, os processos de aprendizagem, e os seus agentes, obstinadamente, e reclamando-se dos seus pressupostos, menosprezam as oportunidades e as características que as ‘novas’ tecnologias arrastam, essas mesmas que arrastam os ‘novos’ formandos até elas.
Está criada a cisão. Os impulsionadores do e-learning, aqueles que ainda hoje detêm uma significativa fracção do mesmo, orientados para objectivos de mercado mais do que para as lógicas da aprendizagem, são na sua grande maioria organizações flexíveis, montadas num contexto vocacional estranho à formação, com uma dimensão transnacional e assentes em estruturas de trabalho virtual, e que têm como pilares da sua competência a produção de suportes multimedia e a gestão de grandes plataformas informáticas. Nessas organizações faltará combinar para além das facilidades tecnológicas que tão bem implementam as noções fundamentais do conhecimento da aprendizagem, a pedagogia, a experiência e o saber acumulado. Terá sido a falta destes predicados que levou durante alguns anos há baixa penetração do E-Learning, por quanto este continuava a ser ‘vendido’ como uma solução (digo bem, solução) concorrente da formação presencial.
Estas valias encontram-se do outro lado, do lado das organizações de aprendizagem instaladas, aquelas que detêm o saber e os modelos da aprendizagem, e que os tratam no contexto presencial, com base num saber acumulado milenar, e aparentemente imutável. Estas são por natureza organizações rígidas e conservadoras, que padecem do preconceito e da pouca permeabilidade para abraçar a mudança. E também estas, por isso mesmo, foram responsáveis pelo baixo índice de sucesso do E-Learning, justamente porque não o conseguiram e não quiseram assimilar. O E-learning tem assim sido vítima do simplismo do “é só meter a ficha”, essa perspectiva do negócio informático que hoje invade todos os domínios da nossa sociedade, e que em alguns casos o descredibiliza enquanto solução formativa, mas também do conservadorismo das organizações que lidam com o desafio da aprendizagem, e que por entre lamentos sobre a baixa adesão à formação (e lá vem a estatística a enunciar que são apenas 6% os activos que em Portugal a ela recorrem e blá blá blá), se continuam a mostrar quase imunes à mudança e ás alternativas de que dispõem e que podem construir.
Aliás, quase podemos generalizar, já que encontramos estas duas ‘forças’ quase sempre em contra-mão no processo da inovação e da implementação de novas tecnologias: de um lado o olhar pragmático, a inovação, a tecnologia, a displicência para com os conceitos que tratam, a orientação para o negócio, a agilidade, e em muitas das vezes o sucesso; do outro a experiência, a intransigência e o imobilismo de processos, a mais-valia da actividade, os conceitos, o alinhamento com a ética da actividade e o menosprezo para com os resultados da acção, o esforço e a advogância da razão; de um lado as novas gerações, do outro as gerações que ensinam, de um lado os que são de livres de escolher, do outro os que se lamentam das escolhas dos outros, de um lado o moderno, do outro o antigo. E vem a propósito um velho ditado (ficam sempre bem nestas coisas) que reza assim: “O mestre deve escolher o que diz, mas é quem ali está para o ouvir que escolhe a pedra em que se senta” – (bem, na verdade inventei-o agora, mas será que pega se disser que foi do Confúncio? Mal sabia o desgraçado quantos palavras já puseram a serem ditas pela boca dele).
Compete hoje às organizações e agentes de formação serem capazes de olhar para o E-Learning como algo que pode enriquecer a sua resposta. E esta questão nada tem a ver com a quebra dos conceitos pedagógicos, com as complexas infra-estruturas de informática, nem com disputas de mercado, como tanto se apregoa por aí. É possível as organizações tradicionais de formação integrarem harmoniosamente o e-learning nas suas respostas nos seus ciclos de formação presencial, seja durante (o blended learning) ou após a mesma (post learning) e com isso poder contribuir fortemente para algumas das grandes lacunas e lamentações dos nossos dias: permitir percursos/respostas de formação personalizados, alargar o raio de acção (geográfico) das organizações de formação, possibilitar mercados transnacionais, obviar os custos e o sacrifício de deslocações que tantas vezes é argumentado na renúncia à formação, emagrecer custos de concepção de conteúdos, criar ambientes altamente eficazes de partilha de know-how, potenciar novas formas de trabalho nas empresas que servem, etc, etc, etc. Para isso é fundamental que se deixem os preconceitos para trás, que se estude este fenómeno numa perspectiva de impacto na eficácia, e sobretudo que nos deixemos da leviandade de olhar para esta realidade a preto-e-branco, sem ser capaz de, com criatividade, de lhe encontrar novas matizes. . Entretanto o E-learning vai tomando inexpugnavelmente o seu espaço nos nossos dias. E poderá fazê-lo em disputa com os agentes tradicionais de formação ou através deles. Compete a estes decidir se este fenómeno é uma mera ameaça pueril ou um contributo para adequar os sistemas formativos à realidade dos nossos dias.
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Bem, a coisa se calhar até nem está mal … para introdução. Agora só falta mesmo é preparar a intervenção e deixar-me de discursos bacocos …
… enfim, levar o portátil para casa, o powerpoint ali à mão. Ai seca, começar tudo de novo !!!
Lá se vai o fim-de-semana. Também, quem me manda a mim só começar a pensar nisto numa 6ª feira, e logo a seguir ao almoço?! : (
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:15 PM | Comentários (7)
novembro 02, 2005
"No mundo em brutal aceleração em que vivemos hoje, escasseia o tempo para pararmos um pouco para reflectir em situações que nos rodeiam, de forma mais ou menos próxima / mais ou menos afastada, relacionadas com pessoas carenciadas, sem voz que permita dar expressão às suas necessidades mais básicas.
Por este motivo, procurando lutar contra o "cultivo da insensibilidade" que de alguma forma se vai instalando, um conjunto de "bloggers" decidiu reunir-se num projecto comum ("Proximizade"), visando potenciar as virtudes da blogosfera, no sentido de "aproximar uma mão amiga" (que será a de todos os que decidam de alguma forma apoiar / colaborar com este projecto) dessas pessoas carenciadas.
Como primeiro gesto prático e concreto, o "Proximizade" começou por "apadrinhar" uma criança carenciada em Moçambique, a Berta, de 3 anos."
Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:00 AM
outubro 18, 2005
Secção Comercial
Estimado leitor,
Correm tempos difíceis: a blogosfera está cada vez mais concorrencial e os custos com o imóvel desta SA têm-se agravado de dia para dia. Perante a ameaça que paira sobre a continuidade deste blogue, a direcção, denotando uma louvável flexibilidade e num acto de gestão inédito, decidiu despedir o cobrador das cotas e fazer um ultimato à equipa redactorial, assim como, ainda antes da celebração do primeiro milénio de existência desta casa, inaugurar uma secção comercial que, estamos crentes, será um primeiro passo para a recuperação deste espaço.
Colabore. Compre um carro (com 185.000 Km mas como novo) ou venda a sua casa (se esta não for nos olivais sul, à babuja dos ‘olivais shopping’, arriscamos sugerir que a venda na mesma por forma a poder permutá-la com outra sita no referido bairro para assim poder colaborar com a nossa secção de imóveis). De caminho passe nas massagens ayurvédicas (verá que quando sair de lá tudo o que aqui ler passará a fazer sentido). Para aqueles que optarem pelo package total (carro, casa e massagem) asseguraremos descontos especiais no trespasse do indivíduo que ainda temos em carteira (retocado, como novo).
Contamos consigo.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:10 AM | Comentários (0)
outubro 14, 2005
Ai é, ai é, então já agora:
Apraz-me saber que a iniciativa que o Altino Torres lançou através de uma petição para que a FIFA considerasse uma versão portuguesa do seu site, e que ganhou ecos para além da blogosfera – e já não só imprensa escrita mas ao que sei até sumptuosa televisão, tenha acabado por receber o tratamento merecido e a devida resposta.
Mas depois de ler a tal dita resposta (desaforadamente escrita em inglês) exige-se que se faça de imediato uma nova petição para que a FIFA edite os seus e-mails correio electrónico em português, ou até que seja esta a língua oficial daquele organismo. Vamos lá malta, agora que eles deram o flanco.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:38 PM | Comentários (5)
outubro 13, 2005
Ao cuidado da
... MarketMark:
Parvo é quem vos fez as orelhas ... e essa campanha idiota !!!
(e pronto, está devolvida a simpatia)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:08 AM | Comentários (9)
outubro 07, 2005
Na vaga de anúncios
Surge de outro meridiano familiar,
Vende-se carrinha
Citroen Berlingo
1998 com 185.000 km
Revisão e Inspecção OK
963853113
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:00 AM | Comentários (0)
outubro 04, 2005
Cena 1 – (Reeditando)
Nos inícios deste blogue, há quase um ano (um ano?!) vangloriava-me assim das circunstâncias que me permitiam usufruir em passadas calmas aquilo que para quase todos os outros é o mais temível período do dia:
“Num dia qualquer, saído do emprego, encontrei por mero acaso a casa onde passei a viver. Era a casa dos meus sonhos, velha, generosa e rústica, encostada ao rio Tejo, cheia dos tons velhos de Lisboa e do ranger das gruas de que se vislumbram os pescoços briosos por cima dos telhados. Mas a sua maior cortesia é o facto de distar exactamente um quilómetro do meu trabalho.
Porventura nem conseguirão conceber o que é sair de casa, sem carteira nem temores; apenas as chaves tilintando distraidamente no bolso, as mãos baloiçando desajeitadas de nada se verem incumbidas, e partir, caminhando apenas. Nem sequer me ocorre já o habitual e hesitante pensamento do “será que me esqueci de alguma coisa?” antes de fechar completamente a porta. Não, saio apenas caminhando.
Depois é ver-me balanceado pela trilha de todos os dias. Começo por descer a rua ladeando os muros da manutenção militar. Dentro destes, por entre o reticulado das suas janelas, alcanço ainda o correr do rio da manhã e pressinto os barulhos mecânicos dos afazeres no porto. A seguir passo em frente aos bombeiros, e lá os encontro sempre mitigando o ócio no banquinho vermelho onde se sentam do nascer ao fim do dia ao comprido no passeio.
Logo depois da primeira esquina compro o jornal e as cigarrilhas na tabacaria do popular tesoureiro dos bombeiros. As conversas por lá são muitas mas o negócio é curto, e por isso, homem de muitos lavores, também se vai desenrascando no arranjo dos relógios do bairro. Por trás da montra que instalou num canto do estabelecimento, vai laborando encurvado naquela arte. Quando o interrompo, fingindo enfado - como se esse negócio jornaleiro, mister de outros tempos, pusesse agora em causa a distinção que todo o bairro de forma justa e evidente lhe devota - lá larga com aqueles jeitos minuciosos de relojoeiro a luneta que ostenta, assim me permitindo que o suspenda de tal arte por troca de outras coisas menores.
Aí, a meio caminho, me fico um pouco, bebendo a bica no café do sr. João, mesmo do outro lado da rua, onde invariavelmente encontro a Srª Doutora da farmácia do lado – “então continua sem fumar ? ajudaram as pastilhas?” – enfim, de pouco custa esconder a mão, e o rubor. Três travos, a vista a resvalar pelos cartazes do totoloto que todas as semanas escreve esmeradamente em toalhas de papel, e já as despedidas a quererem escapulir-se da conversação com que todos os dias rebusca cavaqueira comigo.
Agora já finalmente desperto reinício a caminhada e passo em frente ao talho e às duas mercearias que entre si concorrem quando ao fim do dia recolho em papel de embrulho pão, fruta, cervejas e o que mais faltar. Hasteiam-se desde sempre ali, lado a lado, disputando a idade e a mesma traça - as portas forradas de fruta e lá mais dentro, na penumbra dos fundos, os tampos de mármore manchados do roxo acre dos copos de três por ali pousados.
Sigo então pelo jardim do Beato e deixo-me passar distraído por baixo daquelas quatro enormes acácias que à hora do almoço darão abrigo aos mesmos de sempre, com os fatos de macaco cremes, uns debicando a merenda, outros noutra mesa, mais adiantados, jogando umas copas ou simplesmente gozando ociosamente o que resta da pausa. Pouco depois, cheio desta Lisboa antiga, entro a cantarolar pelo trabalho adentro.
Todos os dias é assim que viajo. O meu ir e vir tornou-se subitamente na mais serena e pacata actividade do dia. Algum tempo depois vejo chegar os outros com ar alvoroçado e olhar envidraçado, interrompidos, como se o trabalho que todos os dias iniciam fosse apenas um intervalo na fila de trânsito da qual emergem por entre buzinadelas e que depois, ao fim do dia, os voltará a mastigar. Olho-os chegando e partindo depois, trazendo e levando consigo o cheiro a escape e o barulho das arrelias, e é aí que ganho consciência: sou seguramente o mais afortunado Lisboeta."
E agora quase que vos vejo a vós concluir: “coisas recicladas que se trazem para aqui! Assim não vale, que isso podemos nós visitar lá nos confins do blogue”. Têm toda a razão, ou teriam, se eu não precisasse de trazer para aqui este primeiro episódio de uma epopeia em três actos, em que este, malogradamente, representa já cena pretérita.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:09 PM | Comentários (4)
agosto 19, 2005
Vai uma apostinha?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:50 PM | Comentários (2)
agosto 10, 2005
Os vales do calor
No ‘Outsider’, esta foto diz tudo dos tempos que grassam
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:03 PM | Comentários (0)
agosto 05, 2005
Acordo
E de imediato a primeira pergunta que ressalta em mim é: E hoje, como vai ser?
[Às 4h da manhã fomos acordando todos cá por casa. O ar era quase irrespirável e a casa cheirava a lareira. O rio que se costuma ver das janelas da frente estava tapado por uma cortina de fumo espesso. Ouvimos a rádio: parece que era lá longe, para Sintra e Mafra. Parece que era "lá longe"]
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:00 AM | Comentários (5)
agosto 04, 2005
Holocausto – arde o país, ardemos nós
Horrorosas as imagens que a televisão transmite, e os testemunhos que lemos e ouvimos. Não há palavras para descrever tudo isto, nem ninguém que por aqui passe precisa de mais palavras. Não o sei descrever, nem creio que o precise de fazer.
Penso sim (no pouco já) que se poderia fazer no domínio da prevenção e da sensibilização (que ninguém ganha a guerra contra o fogo com baldes e ramos de oliveira, e mais não há). A verdade é que não vi uma campanha mais intensificada que visasse esclarecimento à população, sobre os cuidados, a prevenção e a protecção do fogo. Bem sei que é senso comum, mas temos todos em comum o mesmo senso? E também não vi nenhum responsável (e já se justificava ouvir alguma coisa) que mais do que arranjar desculpas nos demonstrasse campanhas organizadas, lançasse apelos, esclarecesse sobre as formas organizadas de como a população pode ajudar, nada. Bem sei que não sou propriamente um homem que vive colado aos noticiários, mas há muitos outros, seguramente mais de metade da população portuguesa que ainda estará mais longe das notícias e dos jornais que eu, e se a mim pouco chega... Nos países frios, o estado zela no combate à neve e a população está informada dos procedimentos e cuidados a ter com o frio. Nós somos um país de chamas, e nada disto é (infelizmente) novo para nós - já devíamos ter aprendido tanta coisa. Não são as chamas que devemos combater, que essas haverão sempre de nos vencer, são as faíscas, as beatas, os fogareiros, as queimadas, os descuidos e os incendiários que as alimentam. Nem é cada um por si, com um raminho de àrvore numa mão e um balde na outra que assim contribui de forma relevante, somos todos juntos, enquanto colectivo, enquanto sociedade que se organiza para combater este monstro. É difícil perceber isto? Galguem kilómetros de gramofone na mão, requisitem as rádios e as televisões para uma campanha séria, substituam as carantonhas nos cartazes de campanha que decoram os ‘outdoors’ por imagens evocativas, encomendem campanhas aos publicitários por metade do que gastam na promoção de personalidades, câmaras, autarquias e partidos, mas por favor, façam alguma coisa para além de discursos e discussões em volta de helicópteros e bombeiros. E há tanta coisa para fazer antes das chamas, e às vezes custa tão pouco!
Já agora, só mais uma coisinha, esta sobre os dementes incendiários (estou enganado ou terei lido que 60% dos fogos são postos por esses anormais de *****? mesmo que esteja enganado, que sejam só 10%, ou 5%) e a comunicação social que continuamos a ter. Falo das imagens que nos chegam, dos momentos de terror, mas falo sobretudo das imagens das chamas, das labaredas, das faíscas, do mal ardente que se vê nos campos, nas casas e nas caras. Não se mostra o sangue a um vampiro pois não? Então do que estão à espera para fazerem um verdadeiro serviço público e deixarem de brincar com o fogo. Por favor, não passem imagens do fogo!! , escondam as consequências dos actos dos loucos, escondam o protagonismo que um incendiário encontrará implícito nestas imagens do holocausto, afastem essa gente do fascínio da ‘bela obra’ que fizeram. Informem, façam um pacto na comunicação social, unam-se numa campanha de sensibilização também, mas não sejam ingénuos, não mostrem o sangue aos vampiros!
(desculpem o desabafo, e a ortografia, que aqui também se arde)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:15 PM | Comentários (7)
agosto 02, 2005
Ainda a propósito d’O Comércio do Porto e d’A Capital
O José Quintas desenvolve uma excelente análise sobre o medonho destino da comunicação social escrita em Portugal. Nada que se desconhecesse mas, constatações assim trazidas de forma tão lúcida e fundamentada, e sobretudo por alguém que não faz parte, justamente, desses 'media', não pode deixar de me fazer sentir angustiado (e sim, falo de alguns princípios democráticos, como por exemplo o direito a exigência da diferença de opinião). Isto, dá que pensar, no que tudo isto irá dar.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:50 AM | Comentários (2)
agosto 01, 2005
Por detrás de uma Empresa que fecha …
Quando ouço que mais uma outra empresa fechou sinto sempre esta enorme sensação de perda. Não é o dano económico (racionalmente, admito até que na maior parte dos casos, dessas empresas inviáveis provenha já somente um encargo), nem sequer a pulverização do contexto sócio-afectivo que se havia criado entre os seus colaboradores (são aspectos complexos esses, e estou distante, não os posso valorizar). Penso sim nos processos de trabalho, nos segredos da profissão, no fim declarado de um “saber fazer” que ao longo de anos foi apurado naquela organização, único, e que é agora subitamente aniquilado. Há um mestre que provavelmente não poderá mais passar os segredos do seu ofício aos mais novos – tudo o que ele aprendeu ao longo da vida irá sendo esquecido numa reforma prematura e mole de que ninguém fará uso, já nem ele, até ao dia em que em jeito de epitáfio alguém de mais idade dirá “era um dos melhores torneiros que conheci”. Só isso. Uma profissão inteira assim esbanjada, sem quem lhe possa dar continuação. É cortado o princípio fundamental da aprendizagem. É como se tudo voltasse a começar do zero. Quando uma casa fecha, todos os seus misteres se fecham para sempre numa história que daqui
