outubro 30, 2006

(mas afinal quem é que anda a tirar este post sempre daqui? mau, mau)

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Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:46 AM

setembro 29, 2006

Emissão simultânea

Isto de andar a mudar de plataformas de blogues faz-me lembrar as bichas na estrada: A nossa é sempre a mais lenta. A não ser que mudemos para a faixa do lado pois nesse caso passará a ser essa, a nossa, a mais lenta de todas.

Assim sigo agora, mas ocupando as duas faixas de rodagem.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:38 PM | Comentários (5)

setembro 06, 2006

E tenho dito

... no que ele disse

E ainda acrescento, com alguma solenidade, reconheço, um dito muito bonito e que agora me ocorreu, e que assentará muito bem neste momento em que me moribundo por aqui: tudo tem um fim … menos as salsichas que têm dois.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:45 PM

Poema Temperamental

Ó caralho! Ó caralho!
Quem abateu estas aves?
Quem é que sabe? quem é
que inventou a pasmaceira?
Que puta de bebedeira
é esta que em nós se vem
já desde o ventre da mãe
e que tem a nossa idade?
Ó caralho! Ó caralho!
Isto de a gente sorrir
com os dentes cariados
esta coisa de gritar
sem ter nada na goela
faz-nos abrir a janela.
Faz doer a solidão.
Faz das tripas coração.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque não vem o diabo
dizer que somos um povo
de heróicos analfabetos?
Na cama fazemos netos
porque os filhos não são nossos
são produtos do acaso
desde o sangue até aos ossos.
Ó caralho! Ó caralho!
Um homem mede-se aos palmos
se não há outra medida
e põe-se o dedo na ferida
se o dedo lá for preciso.
Não temos que ter juízo
o que é urgente é ser louco
quer se seja muito ou pouco.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque é que os poemas dizem
o que os poetas não querem?
Porque é que as palavras ferem
como facas aguçadas
cravadas por toda a parte?
Porque é que se diz que a arte
é para certas camadas?
Ó caralho! Ó caralho!
Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão cruéis
que para comprar anéis
vendemos os próprios dedos.
Ó caralho! Ó caralho!
Falta mudar tanta coisa.
Falta mudar isto tudo!
Ser-se cego surdo e mudo
entre gente sem cabeça
não é desgraça completa.
É como ser-se poeta
sem que a poesia aconteça.
Ó caralho! Ó caralho!
Nunca ninguém diz o nome
do silêncio que nos mata
e andamos mortos de fome
(mesmo os que trazem gravata)
com um nó junto à garganta.
O mal é que a gente canta
quando nos põem a pata.
Ó caralho! Ó caralho!
O melhor era fingir
que não é nada connosco.
O melhor era dizer
que nunca mais há remédio
para a sífilis. Para o tédio.
Para o ócio e a pobreza.
Era melhor. Com certeza.
Ó caralho! Ó caralho!
Tudo são contas antigas.
Tudo são palavras velhas.
Faz-se um telhado sem telhas
para que chova lá dentro
e afogam-se os moribundos
dentro do guarda-vestidos
entre vaias e gemidos.
Ó caralho! Ó caralho!
Há gente que não faz nada
nem sequer coçar as pernas.
Há gente que não se importa
de viver feita aos bocados
com uma alma tão morta
que os mortos berram à porta
dos vivos que estão calados.
Ó caralho! Ó caralho!
Já é tempo de aprender
quanto custa a vida inteira
a comer e a beber
e a viver dessa maneira.
Já é tempo de dizer
que a fome tem outro nome.
Que viver já é ter fome.
Ó caralho! Ó caralho!
Ó caralho!

Joaquim Pessoa

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:36 PM

agosto 16, 2006

Voltando os sinais da rotina,

se bem que desta ainda eu não tenha chegado a partir

Chove agora em Lisboa, e o Artur até já abriu a tasca onde costumo fazer as pausas do café. O tempo e os hábitos, simpaticamente, começam a parecer de novo mais familiares. O pior, portanto, já terá passado, e afinal, aparte a óbvia impressão de solidão, nem foi assim tão mau ficar a esticar cordas(*) em Agosto.

(*) esticar cordas – gíria que designa um conjunto de operações elementares que são executadas repetitivamente, visando manter em permanente estado de tensão e afinação um emaranhado de cabos, assim sustidos através de um sistema complexo de roldanas, molinetes e mordedores; Por acção deste cordame é assegurado o chamado impulso de rodopio – desta forma referido pela sua similitude com a acção da guita sobre um pião quando este é lançado - e que visa manter de forma estável e continuada o movimento rotacional do planeta; Esta operação de manutenção é normalmente executada por um número incrivelmente reduzido de pessoas, que assim, olimpicamente, asseguram o bom estado deste paradeiro da humanidade, enquanto a restante população do planeta parte de férias, normalmente em Agosto; Deve ainda dizer-se que, em reconhecimento por tão estóica acção a que esta pequena parte da população se oferece, estes heróis - a que este vosso humilde narrador tem a honra e o orgulho de, (até com algumas responsabilidades maiores na cablagem), modestamente, pertencer - costumam ser carinhosamente chamados de Otários.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:46 AM

agosto 08, 2006

Neurótico e mal-criado

Já teve melhores dias este blog

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:12 AM

Não sei. Mas não soa bem, pronto

Nunca mais lá volto! “A minha esposa”? Já ouvi-lo faz doer os ouvidos, mas alguém é obrigado a escrever “a minha esposa”? Não. Há limites para tudo, e havendo tantos, nem sequer sou obrigado a ler blogues de peúga branca.

(Mau-feitio? Arrogante e afectado? Olá, sou eu sim)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:27 AM

agosto 07, 2006

[Moleza #3] (*)

As dúvidas de um suicidário meticuloso

(Pronto, já decidi.) Os miúdos seguiram para baixo de camioneta, e por isso agora nem sentirão a minha falta. Depois há isto aqui, onde trabalho, e onde agora só estão mais duas pessoas que nem sequer pertencem ao departamento que dirijo, e por isso pouca falta lhes farei. E a Eufigénia, tal como eu, estará ocupada com os seus afazeres profissionais, e para já certamente não dará pela minha falta. É portanto o momento ideal para me suicidar. Na melhor das hipóteses só será notada a minha ausência logo à noite, e por essa altura já não precisarei de me justificar.

Agora só me falta decidir onde o devo fazer, (deveria escrever ‘cometer’, nestas ocasiões diz-se sempre ‘cometer’ embora eu não faça ideia da razão disso), e porquê.

Sim, é importante que arranje uma razão para me suicidar, mesmo que não tenha de informar ninguém sobre a mesma. Convenhamos, seria idiota não saber porque o faria. A menos que me suicidasse justamente por ser idiota, mas isso já seria uma explicação, o que faria de mim um não-idiota, apesar de poder suicidar-me na mesma, embora não veja para que quereria eu suicidar-me, mesmo tendo uma explicação, não sendo eu afinal um idiota. Já vi que terei de pensar melhor em tudo isto. Este assunto requer mais precaução. (Já decidi; se me suicidar será só amanhã.)

(*) fascículo em redondel, integrante da saga neo-depressiva dali debaixo e que ao que parece irá decorar as paredes deste blog durante todo o mês de Agosto, como processo autopunitivo, e que dá pelo título de “nunca mais se atreva a ficar quando os outros partem de férias, e se tiver de ficar evite almoçar sozinho!”

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:51 PM

agosto 03, 2006

Ou estou a ficar um velho carunchoso,

ou estou a ficar um hipocondríaco piegas, ou ando com um galo do caneco, mas que elas me estão a chegar todas ao mesmo tempo, ai disso ninguém duvide.

Fim da tarde e a sair pela cedinha do escritório, que a coisa já estava prometida aos miúdos desde ontem. Apesar do trânsito insuportável da 25 de Abril (já não estou habituado às bichas), acabou por saber bem chegar à Costa da Caparica, lá para os fundos (continuo a achar que é uma das melhores frentes de praia que eu conheço; que pena, assim; mas ainda assim). O bafo que corria do fechar da tarde e o afluxo de gente em sentido contrário eram premonitórios de um belo mergulho de fim do dia. Chegámos, eu, eles e mais dois primos, que nestas coisas de improviso há sempre balanço para mais. Como que por milagre, quase à beira mar, em dois segundos apareceu um monte emaranhado de roupa, e já as vozes deles lá ao fundo a chapinhar. Eu a querer acompanhar-lhes o passo mas logo a esmorecer. E recomendações a disfarçar o meu atraso na entrada bbrrrrrr, que não vão para tão longe brrrr, e que entrem devagar que água está gelada brrrr, “qual água?” - recebo em troca, assim mesmo, sem ironia. Vou entrando vagarosamente e não mais que pela linha dos joelhos. Enquanto eles chapinham, e se lançam em carreirinhas e mergulhos e perseguições eu vou vasculhando em mim a coragem suficiente para sair daquele impasse, ou melhor, para ir além da água pelas pernas. Acabo, em desespero de causa, por usar a técnica de sempre. Trata-se de uma decisão kamikaze, já que depois de os respingar (o que, note-se, para eles, molhados, é absolutamente indiferente) se torna praticamente impossível aplacar as suas réplicas, sobrando de recurso apenas dois ou três passos de corrida em fuga, antes do mergulho fatal. Assim faço, e como sempre arrependo-me e amaldiçoo-me enquanto largo a correr naquela maré vazada. Os joelhos a erguerem-se para melhor vencerem a água; uma passada, duas, puooock … que é isto, uma pedra? Que coisa é esta a bater-me na barriga da perna? Mas como pode ser uma pedra tão pesada se nem está corrente que a leve… e seguindo o ritmo das passadas, puoock … outra vez? Será peixe? Peixe, porra, ‘bora daqui, se é peixe é enorme …. mais uma passada a lançar-se e, nada. Nem barulho, nem pancada, nem sequer passada. A perna não voltou a mexer.  

Quando cheguei à praia eram 7 horas da tarde. Quando arrisquei entrar no banho seriam talvez umas 7.30h. Ora, meia hora depois já tinha conseguido arrastar-me até á esplanada junto ao passadiço da entrada na praia. Finalmente pelas 8.30h lá chegámos ao carro. Afinal os miúdos nem têm com que se queixar: uma hora e meia de praia ao fim do dia até que nem é nada mau. E lá seguimos devagarinho para casa e a fazer de conta que o carro até tinha umas mudanças semi-automáticas, daquelas que nem precisam ser desembraiadas.

Bem, vamos lá à CUF Descobertas buscar umas muletas.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:31 AM

agosto 01, 2006

Frente-e-verso (auto-colisão)

Como pode alguém manter um blog se cada linha que lê escrita por si o enfastia?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:45 PM

Ora repita lá outra vez Sôtor se faz favor

Lembro-me, de quando era miúdo, e em me vendo a braços com aquele tipo de actividade repetitiva e ‘irritativa’ (cortar a sebe por exemplo; o que pesavam os braços ao fim de algumas ramagens mais grossas), me treinava galhardamente para pensar que, de cada vez que iniciava nova investida, o fazia sempre pela primeira vez. Assim nunca esmorecia porque não antevia o que ainda me faltava, e o fulgor de cada impulso, inocente no que encontraria de cada vez, mantinha-se constante e vigoroso. Pois assim também o termo de tão pesado ofício, porque assim me fazia mais entretido, acabava por chegar mais cedo do que, se na inversa desta disposição, o estivesse sempre a ruminar. Resultava.

E há-de resultar agora. Bem me invisto hoje, já homem maduro, para recuperar tão ilusionista estratégia. Da técnica recordo pequenos passos com que agora me vou aos poucos instruindo, e que levam à negação do que acabei de vivenciar. Para já estou na parte em que já interiorizei nunca antes ter visto a cara daquele médico, e aparentemente pode resultar. Quase consigo acreditar ter saído da primeira consulta e não estar por isso a viver um dejá vu absurdo. Agora só me falta a parte em que vou fazer de conta que ele nunca me terá dito antes:“bem, parece que temos de fazer aqui uma pequena intervençãozita”. Não há-de ser difícil. Até porque seria absolutamente despropositado que o mesmo médico arriscasse sugerir a necessidade de uma intervenção cirúrgica que há pouco mais de um mês já teria realizado em nós pelo mesmo motivo. Há certamente incidentes da nossa realidade que não se podem repetir segunda vez como se estivéssemos a aparar a sebe do quintal. Sobretudo quando não somos nós que temos a tesoura da poda …

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:35 PM

julho 29, 2006

51 dias e ainda assim

É primeira coisa que desejo todos os dias quando abro os olhos
E a ultima coisa por que anseio antes de os fechar à noite
É sempre a mesma

51 dias e ainda assim

Continuo a viver como se pairasse no intervalo de duas baforadas de fumo
dos cigarros que todos os dias acabo por não fumar, e tantos dias
E sempre o mesmo

51 dias e ainda assim

O cabrão do vício continua sem se despegar, alapado na minha vontade
sem me deixar ter o meu orgulho por inteiro - e eu a adulá-lo, dia após dia,
para ainda ser o mesmo de ontem

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:21 AM

julho 10, 2006

Pensamento político do dia

E assim sobre futebol não tenho mais nada a dizer. Ora vamos lá agora ver isso dos fogos.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:02 PM

julho 06, 2006

Do meu sofá
(afinal, quando me ia levantar, alguém mudou de canal e fui ficando mais um pouco)

Por favor, façam-me o obséquio de não estragar tudo agora. Esta coisa de sermos muitos a pertencer ao mesmo clube é giro e tal e os jornais oferecem bandeiras do nosso clube e tudo e somos os maiores e essa é que é essa, e viva o BES (é o BES não é, que ajuda o pessoal?). A verdade é que bastaram 11 jogadores e mais uns suplentes para pôr aqui a malta toda eufórica e que ninguém diga que não somos os maiores, ganda clube Caneco! Viva Portugal, viva o futebol, e o próximo campeonato já é nosso! Viva o puto, viva o Ronaldo. S.C. Portugal, aiiii S.L.Portugal, oopss, então F.C.Portugal, tanto faz Viva, viva, viva!!!!

Eu até compreendo que se confunda a nação com este enorme clube verde e encarnado, e que é agradável por uma vez na vida eu estar do mesmo lado e folgar das arrelias com o Sousa lá do serviço e que ontem até vinha com um cachecol igual ao meu e afinal é cá dos nossos mas, por favor, não estraguem tudo agora com essa coisa bacoca do “Pfffiiiiii, fora o árbitro!!! E é só porque somos pequeninos e vai tu e… ”. Eu acho porreiro isto do olé, olé, (e se lhe quiserem chamar patriotismo por mim é como for) mas olhem que nesse clube do “fora o árbitro”, isso assim já tão sério, nisso é que já ninguém me apanha!!

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Sobre isto das emoções deste "nosso clube": duas vítimas de ataque cardíaco, mortal, ontem, ao ver o jogo. Gente semi-conhecida; dois homens da minha idade. Dá que pensar, justifica-se tanto?, vale a pena? Bom, pelo menos disso estou livre ... nunca terei imaginação para nisso da bola ver tanta aflição. Não será seguramente num jogo, entre anúncios televisivos, que algum dia perderei a vergonha, ou um amigo, e muito menos a vida

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:06 PM

julho 05, 2006

Fatalismo o tanas, que eu é que sei

Um homem tenta deixar de fumar e arrisca-se a perder a família. Depois vai tirar um quisto e corre sérios riscos de perder o emprego. Hoje estava a pensar ir ao barbeiro mas, assim, já desisti. Nem quero pensar na hipótese de a casa ruir com o crédito ainda todo por pagar.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:21 PM

Ai que eu começo mesmo a ficar fartinho desta merda toda (*)

Quatro semanas, (faz amanhã), sem o cabrão do vício, e eis que volta a grande constatação desta nova vida: os cheiros! E não é que descobri que …. (como é que eu vou dizer isto sem me desmerecer muito) … não é que descobri que …

… cheiro mal!

(*) quero lá saber do jogo da selecção e dessas porras sem importância nenhuma. Eu nem sequer conheço o Figo de lado nenhum nem tão pouco tenho conta no BES !

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:01 PM

julho 04, 2006

Questões de mau humor e eu já outro homem (e se me estranho)

Esquecer a hipótese de algum dia, mesmo num caso de maior sufoco, poder vir a ser um jornalista desportivo. Ninguém está interessado em saber que o Obikwelu bateu a marca dos 100 metros deste ano (10,03s salvo erro) na véspera das meias-finais de um mundial. Para se escrever, até sobre desporto, é preciso ter algum sentido de oportunidade

Tenho um penso para mudar 3 vezes por dia, todos os dias, durante sei lá, talvez um mês. A dose desagradável dos quiproquo (é assim que se escreve? bah, nem sequer era isso que queria escrever, que se lixe, a seguir escreve-se alguma coisa sobre o deixar de fumar e a relação directa com o mau-feitio e está a andar) da vida de mulher, eu já a tive que chegue. Poupem-me, quero voltar a só ter de fazer a barba todos os dias e juro que não volto a comprar o record.

Fumar é um acto brutal. Não percebem? O que é que não percebem? Experimentem deixar de o fazer, deixem que o bicho saia cá para fora e depois digam-me o que não percebem. Fumar é um acto brutal. A menos que o sangue que todos os dias lavo dos nós dos dedos não seja meu.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:45 PM

junho 27, 2006

485:46'30''

O mau-feitio estrutural, o desmame ajudando a amargar, e o conforto da psicoviolência sedativa

Para aqueles que perguntarem “então, ainda estás a deixar de fumar?” devemos responder explicadamente “não, eu não fumo, por isso não poderia estar a deixar de fumar”. Depois, no exacto momento em que ele fizer aquele risinho irritante do “pois, tá bem tá”, devemos então aplicar-lhe um soquete debaixo para cima, mesmo no centro do queixo, com força suficiente para ele ficar a mastigar palavras durante pelo menos um mês. Notarão então que não só se aplacará alguma ansiedade que se terá acumulado dentro de nós, como aquele simpático e prestável comparsa, quando daqui a uns anos se arriscar a aproximar de novo de nós, o fará com muito mais respeito, e sem baforadas para cima do nosso nariz.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:45 PM

junho 20, 2006

Desenvenenamento
(do que resta de mim, algures entre o pessimismo e o optimismo)

Cada hora é mais uma braçada cansada, lançada a custo, e cada dia o princípio de um plano inclinado que tenho repetidamente de subir. Combato uma ansiedade que nunca julguei poder existir. É uma guerra sem inimigos e cujos golpes se desferem dentro de mim, uma contenda que se trava num território que julgava conhecer e do qual tiraria vantagem, mas que afinal está armadilhado. Aos poucos fui refugiando-me no meu corpo, do meu corpo. Combato já só na metade (para ser rigoroso já é menos que isso) que ainda sobrevive, na parte do meu corpo que agora irei habitar, a que resta, e à qual me agarro desesperadamente. Mas, de inconcebível, é o meu próprio corpo que(m) me quer abater. Não é um espectáculo bonito de se ver, e não tem qualquer sentido deixar aqui uma janela para o espreitar. Há coisas que são mesmo para resolver só connosco. Além disso, tudo o que escreva nestas condições será seguramente um desagradável e soturno exercício de leitura a que vos poupo, a que aliás já vos deveria ter poupado, há justamente 13 dias atrás. Para além disso, continuar aqui, assim, seria para mim como uma moinha a lembrar da ferida.

Enquanto não assentar o verdadeiro "pontapé nos tomates" deste bicho que há 30 anos me consome não volto aqui. Não sei quanto tempo vou demorar para isso; se semanas, meses, dizem que talvez anos, mas espero poder voltar.

Um abraço, especialmente a todos os fumadores

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:56 AM

junho 08, 2006

Arranjem definitivamente esta treta !!!

Há outra coisa contra a qual as palavras nada podem: uma plataforma de blog que não as deixa editarem-se!!!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:23 AM

Quando as palavras são catapultas da coragem que não temos

Não é preciso ser um bom homem para se escrever um bom texto, mas é certo que os maus homens só produzem maus textos. Escrevendo pode-se quase tudo, mas, se há coisa a que as palavras não resistem é ao cheiro a fel.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:15 AM

“Então é tolerância de ponto? Não, não, mas é greve”

[da importância de um bom planeamento (e da praia) na luta política]

A discussão lá nos fenprofexes sobre a greve da semana que vem deve ter sido mais ou menos assim: “Devíamos marcar numa sexta como sempre; Espera tenho uma ideia melhor, na semana que vem temos feriados à terça e à quinta; Ah pois é; Na sexta deve ser tolerância de ponto, por isso se marcarmos a greve para quarta, já viste, são seis dias de férias, de terça  a domingo; Ena pois é, e quem precisar pode sempre pedir a segunda, ou alegar o artigo não sei quantos e fica com a semana toda para si; Está combinado, será uma clara vitória desta nossa luta democrática, uma greve com adesão para ser lembrada.”

Tenham paciência mas, com estratégias destas não me falem de causas nem de razões por favor.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:33 AM

junho 07, 2006

E lá se foi o frigorífico novo por causa do raio dos hemogramas

Com 720 Euros de análises e exames médicos só não me encontrarão maleitas se forem completamente incompetentes. Acho que até me sentiria roubado se me dissessem que não padecia de nada.

(Mas oh sorte que daí me escutas, não te estiques. Que seja coisa pouca, assim uns pontinhos de castrol colesterol, daqueles que sugerem não mais que ligeira dieta e, vá lá, por um período de sacrifício não superior a dois meses.)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:58 AM

junho 05, 2006

Viva com orgulho: antecipe(-os)

Que mania esta. Ofendo-me. Como se ao fazê-lo primeiro comigo me desculpasse de tudo o resto, e perante todos os outros. Como se o que depois viesse já pouco relevante fosse. “eu sei, eu sei, já pedi desculpa”. Foi assim que sempre me escapei daqueles que me queriam dar bons conselhos. Imitava-os antes, antecipava-os, para não os ter de ouvir depois. Acho que ainda sou assim. Deve ser por isso que ainda tenho um carro de 1993 e um enorme mau feitio. O mais curioso é que ambos vão funcionando quase sem falhas. Enfim, talvez precise de uns estofos novos. E o carro, se calhar, também.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:28 PM

junho 02, 2006

Aviso:
Esta nação encontra-se fechada para cumprimento de festividades

Irrompe no meu intervalo do café aos berros: “Olhás bandeiras! Quem é que quer bandeiras da selecção?!

E repete, entusiástico – “Olhás bandeiras da selecçãaoooo!!

Já não somos um país de 10 milhões. Subitamente reduzimo-nos a uns meros 50 mil, a lotação de um estádio de futebol.

Estamos cada vez mais pequeninos, cada vez mais pequenininhos ...

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:41 PM

maio 30, 2006

Na melhor nódoa cai o pano

Ai belas acácias, essas árvores guindadas à minha preferência. Já o eram ainda antes de se tornarem hoje nestas quatro belas hastes folhadas que todos os dias em mim, desprevenido, se atravessam, que assim obsequiosas me interrompem, do ramerrão do ir e voltar.

Enormes, robustas, ao invés das outras espécies de copas largas que deslaçam o seu verdor na largueza da sombra que dispersam, estas são, dessas imensas, aquelas que mais frondosas se vestem - folhagem de verde mais arrebatado não há do que esta com que lançam a sombra viçosa que se alaga por este céu do Beato. Na meia estação quase só as cumprimento de longe, metido na minha pressa. Mas corre o mundo, avança o ano e os sentidos despertam-se, depois rebenta-lhes o verde e com ele racham o céu, e assim me vejo impedido de resistir-lhes.

Por esta altura ali me quedo então, inventando intervalos mesmo que por breves instantes, socorrido das investidas da canícula. Ali terá alguém pausado antes, assim passareando como eu, e desse desfrute pautado das folhagens abençoada ideia terá tido. E soma-se a sorte, certamente, de ter sido funcionário municipal, desses de outros tempos, escrupuloso e zeloso, que ali terá lançado obra, a fazer bancos e lugares para nos estancar da pressa.

Impossível resistir a esse fingir de campo na cidade. E por ali me fico, mesmo que breves instantes, no repouso dos seus cachos de sombra, e …

 

… mas ??? Sacanas dos pombos!!! Bem podiam ir cagar para outro lado! Caneco, chamem já os falcões para darem cabo destas ratazanas aladas que escarnecem assim da poesia (enfim, também não era lá grande coisa. logo a melhoro).

Alguém me sabe dizer ao menos se isto faz nódoa?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:54 PM

maio 29, 2006

Ainda sinto o fedor baço

Desse fel dos dias em que não gosto de mim e faço tudo para que os outros comigo concordem. Explosões que vou espoletando à minha volta, na esperança que algum estilhaço me acerte. Depois olho esse lastro das minhas vítimas, e elas a interrogarem-me com olhos caídos, como se a minha amargura alguma vez lhes pudesse dar respostas. Que se apartem para longe de mim, deste cheiro a carne arrependida, também ela a gritar, tardia, detonações de remorso.

É medonho viver comigo assim, nestes dias em que não quero viver com ninguém.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:13 PM

maio 24, 2006

Impressos personalizados

Gosto de ler. Mas gosto sobretudo de o poder fazer. Gosto de escrever. Mas não gosto de ter de o fazer.

… e convém que não insista nesta compulsiva mania de “ter de o fazer”. Começo a ficar farto de ler esta série de panfletos de mim. Tanta definição, tanto gesto administrativo, tanta repetição pateta nesta obsessão que me impele a produzir sem fim esta espécie de impressos comprovativos da minha existência.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:04 AM

maio 23, 2006

“A terra onde fores ter, faz como vires fazer”

Este é, de todos os ditames que conheço, o mais idiota, mais retrógrado, mais não-estrilhes-pá-e-vai-para-o-meio-da-fila, mais conservador, mais acomodado, mais é-por-coisas-assim-que-esta-merda-não-anda-para-a-frente, mais prudente, mais eu-não-estou-cá-para-chatear-ninguém, mais cobarde, mais sonso, mais a-ver-se-ninguém-repara-em-mim, mais risco-ao-meio, mais amorfo, mais eu-também-acho, mais alinhadinho, mais pré-reforma, e provavelmente aquele

... a que esta mula teimosa mais deveria ter dado ouvidos  

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:42 AM

maio 19, 2006

Daqui do meu sofá

Acho que foi o Arrigo Sachi, na altura seleccionador da “squadra azzurra”, que disse sobre a nossa selecção de então: “Portugal é como o Futre, é capaz de fintar 11 suíços dentro de uma cabine telefónica e depois não dar com a saída”.

Hoje leio de todas as latitudes justamente o contrário (*), que Scolari não gosta do futebol-espectáculo, da arte latina com que tratávamos a redondinha, e que não basta só a eficácia, o saber ganhar, numa nação como esta que sabe jogar tão bonito e gosta de o ver fazer assim. Quando eram artistas eram uns inconsequentes brinca-na-areia, agora que jogam para ganhar já não há futebol-espectáculo.

Lá está. A selecção mudou. Nós, esta nação de treinadores de bancada, de críticos desconfiados, é que ainda não. Pelo menos que o mundial seja menos monótono que as críticas que o antecedem.

(*) quase sempre a propósito do Quaresma, um tipo que ao que parece andou a fazer anúncios de televisão como integrando a selecção, que é como quem diz, eu já cá estou e portanto ... será que nessa troca de argumentos do puto das trivelas dever ou não dever jogar na selecção não se poderão admitir justificações extra-desportivas, designadamente este tipo de abusos de imagem, que qualquer organização não admitiria?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:24 AM

maio 16, 2006

A mania de ser diferente sei lá

Eu acho que o governo tem tido uma acção positiva e decente e faço questão até de elogiar a mesma face ao passado político recente sem ter vergonha de o dizer

Eu gosto da selecção de futebol mas estou-me marimbando para que esta seja ou não campeã do mundo o que aliás acho improvável sendo que nem vejo que tipo de implicação grave ou ligeira daí possa advir para os portugueses 

Eu considero já agora que a minha opinião sobre as escolhas dos jogadores vale menos do que a do Scolari e não sei que sugestão ou crítica válida eu possa fazer junto de quem passou dois anos a estudar jogadores e tem por profissão o futebol no qual aliás já angariou o título máximo a que qualquer seleccionador pode aspirar

Eu adoro o trabalho que faço e admiro muitos dos meus colegas e não me sinto totó em o afirmar 

Eu admito que os portugueses têm algumas características especiais e que essas são mais importantes e estão para além do enquadramento macro-económico desta nação moribunda 

Eu não me lamento de ganhar menos do que gostaria e não acho que a culpa seja de alguém em especial e embora ande com um carro de 1996 nunca senti falta de nada que fosse absolutamente essencial para a minha felicidade e a dos meus filhos já que temos legos e podemos ir à praia e sempre temos um pátio e uma sala onde nos entretemos uns com os outros e não sentimos que algo mais que isto possa contribuir para a nossa felicidade

Eu estou mas é farto de tanta picuinhice presunção e pessimismo !!!
(Nota pessoal para autoleituras de lá de longe: entretanto, depois de experimentada, tirei a bonecada. Carinhas com icterícia a que hoje chamam imoticon - até a concatenação do nome 'cheira' a berloque - que punham em causa o ar circunspecto deste blog e era enganador quanto ao genuíno sentimento de irritação com que escrevi este post)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:52 PM

maio 15, 2006

Enervam-me as personalidades engravatadas e sem defeitos de fabrico

Eu cá meço a vivacidade da minha existência pela frequência com que alterno de temperamento. Gosto de saber que tenho amolgadelas no meu carácter - fazem-me sentir mais autêntico.

Já a distinta firmeza e a asseada coerência são para mim as características mais insalubres da nossa personalidade. Representam a ausência de humores,  o excesso do zelo no que parecemos, as certezas e convicções inabaláveis.  E nada mais para diante.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:49 PM

maio 13, 2006

Sem comentários

Pouco me importa neste momento a forma da escrita, ou que desta transpareça uma permanente hesitação (tira-não-tira-comentários). Para o caso em nada me interessa agora a ortografia e as questões da minha personalidade instável. A verdade é que os textos que escrevo e os comentários que os sucedem, (a eles associados ou não), são duas formas distintas de me relacionar com (n)este espaço. E estas duas ligações que estabeleço são tão distintas entre si que chegam a tornar-se antagónicas. A primeira liga-me à minha escrita, a mim, seja lá o que isso for. A segunda … bem, prefiro a primeira. É por essa que (ainda) aqui estou. Não me levem a mal por favor.

[Zezé e Catarina, (sem links, que já não têm onde pousar) - prometi a mim mesmo não aludir nestas justificações ao outro elemento de ligação com tudo isto. O que se estabelece com o lado de fora de mim: O prazer da leitura, que agora, em boa parte, e de forma insubstituível, acabei de perder ]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:03 AM

maio 03, 2006

Acho que andei a ler demais sobre o assunto

Parece que aquilo pode ter restos de dentes, cabelos, e sabe-se lá que outros restícios embrionários do ainda antes de … há em mim vida pré-natal !!!! Não consigo sequer conceber isto de me ter a mim preso dentro de mim … e o pior é antever o cirurgião a estraçalhar aquilo (que afinal sou eu, sim, que aquilo sou o eu que está ali bem concentradinho naquele alto que dói que se farta), com as navalhas trucidantes … e eu …. eu ainda vou pagar o serviço … eu … mas assim, sou cúmplice do meu assassínio! … suicida?! … ai, estou tão confuso … isto já nem vai lá com almofadinhas … com licença … com licença

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:58 PM

Preciso de uma coisa mais ou menos assim

 

Não, não é uma bóia! Não, tb não caro leitor, tb não é um donuts, é uma almofada, acredite! E confesso que não vejo onde está a piada!!!

... e agora, onde diabo vou encontrar uma coisa "mais ou menos" assim ?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:48 PM

De como uns restinhos de tecidos embrionários podem formar uma tumescência qualquer só para que me arrastarem o nome na lama

Venho de um fim-de-semana grande em estado lamentável. Sou obrigado a trabalhar de pé o dia inteiro por culpa de uma coisa esquisitóide qualquer que nem percebi o nome mas que, “ah tem de ser mesmo com anestesia geral … e sabe, o pós-operatório não é fácil, mas tem de ser”. A talhante bem me avisou. De momento - e assim será enquanto tiver de me arrastar por mais uns penosos dias - vejo-me incessantemente observado. Os risos quase impossíveis de se esconderem ao olharem para mim e a verem-me naquele estar ao balcão, de portátil em cima da estante.

Mas o que mais me irrita nisto nem é o raio da operação, nem tão pouco o incómodo que agora sinto, mas sim presumir o que aquela gente andará a pensar que terei eu feito no fim de semana para andar assim sem me conseguir sentar! Tantos anos … e num instante se me vão os pêlos do peito.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:13 PM

abril 12, 2006

Por acaso agora até me ocorreu qualquer coisita

E foi logo sobre poesia. Já percebi porque (em geral) não gosto dela: é um exercício fátuo. Raramente se conclui, raramente conclui. Usa a forma, e só isso, sons, às vezes ritmos, rimas, nada mais que pretensiosas piruetas com as palavras, como se elas só por si, na forma como se agrupam, pudessem ser algo - coisa balofa, pura maquilhagem das letras. E devo dizer que me ofende que alguém me dê algo sem significados, sem intenção, como um presente enlaçado em caixa vazada, a fazer de mim enganado no desamarrar de coisa que não existe. Não falo de ti JGF, nem de ti FP, nem daqueles que a usam porque com ela transpõem supérfluos e constroem significados com uma vírgula, um impasse ou uma interrogação. Não. Falo justamente do oposto, da poesia que é usada quando nada se tem para dizer. Da poesia feita de cortinados sem janelas.

Dantes ainda se guardavam envergonhadamente nas gavetas, mas agora … os blogs … que seca!

O nu é bonito, se não se for gordo. Ofendo? Emagreçam.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:39 PM

abril 07, 2006

Blogoterapia

Tudo o que fizeres não é tão importante como tudo o que quiseres não é tão importante como tudo o que fizeres não é tão importante como tudo o que quiseres não é tão importante como tudo o que fizeres não é tão importante como tudo o que quiseres não é tão importante como …

… importante é, esteja eu onde estiver, poder receber o telefonema preocupado do Diogo: “oh pai houve um problema! A semente de girassol que plantámos, lembra-se? aquela que agora já era uma flor grande? foi arrancada !

… importante é o Diogo. Importantes são as flores. Importante é o Diogo achar que as flores são importantes. E agora vamos lá repetir de novo:

Tudo o que fizeres não é tão importante como tudo o que quiseres não é tão importante como tudo o que fizeres não é tão importante como tudo o que quiseres não é tão importante como …

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:27 PM

março 14, 2006

Questões menores da educação menor

É opção de cada um ter comentários disponíveis ou não os ter. Mas se os há, obriga-se quem os dispõe, dentro das normas da boa educação, a responder, se estes evocam ou convidam a essa resposta. Até concedo que não o faça, que os deixe para os leitores, desde que isso como regra generalizada. O que não tolero é a petulância e o snobismo daqueles que a este respondem e ao outro (gente menor, incómodo até, ou talvez mero intrometido a desbotar no nível do diálogo), a esse outro ignoram. Todos os complexos de superioridade me irritam profundamente, mas esta atitude magestática de reservar os comportamentos de resposta só “entre iguais”, este desprezo ostensivo por quem nos dirige a palavra fazendo uso da prerrogativa arrogante de responder a quem apenas se quer, isso confesso que me enfurece. Estes incidentes com egos obesos, quando sucedem na vida real, só acontecem comigo uma vez. Não vejo porque nos blogues deva ter outro tipo de disposição sobre o assunto.

Que não se declare a inocência investindo que isto dos blogues não é a mesma coisa que o cara-a-cara, como se do lado de lá houvessem apenas antenas emissoras accionadas por um misterioso ‘zingromé’ de vocábulos. Pessoalmente não vejo diferença; em ambos os casos há gente dos dois lados, e aqui até talvez mais tempo, maior reflexão, os comportamentos podem ser mais tratados e cuidados. Tudo isto, esta coisa dos novos modos comunicacionais, do inédito, do ‘imprecedente’ que ainda não encaixa nos quadros da cortesia, só me faz lembrar a boçalidade (e desculparão, pois sei que critico situação mais ou menos generalizada) de alguém que partilhando uma refeição comigo se interrompe e me empurra para o lado, por vezes minutos a fio, para entabular uma conversa sobre coisa nenhuma no telemóvel. Bem sei que quando éramos pequeninos não haviam destas coisas sofisticadas e que ninguém nos pôde por isso ensinar os comportamentos convenientes … mas que diabo, a boa educação e o respeito é algo que tem muito de bom senso, e para gente inteligente não é preciso que venha na cartilha.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:41 PM

fevereiro 16, 2006

Da importância da "Avaliação de Desempenho" nas organizações

Na generalidade das Empresas pode constatar-se uma brilhante aplicação da “avaliação de desempenho” enquanto ferramenta de melhoria e de motivação dos seus colaboradores. Esta, essencialmente pode dividir-se em três bases justificativas:

 (Há coisas em que mais valia não mexer)

PS: A visão aqui trazida traduz a sensibilidade de um “avaliador”, mas certamente que os “avaliados” poderiam corroborar das vantagens e efectividade deste instrumento no seu desenvolvimento profissional e do seu alinhamento com a Empresa.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:58 PM | Comentários (7)

fevereiro 01, 2006

Quando as Tecnologias de Informação servem para amodernar o que não precisa existir a relevância dos conteúdos desaparece mas pelo menos ficamos com a sensação do trabalho (bem) cumprido

Estive exactamente uma hora a discutir por telefone se uma notícia interna deveria aparecer à esquerda ou à direita na página principal do nosso portal de informação interno. O assunto não ficou resolvido, e acabámos por agendar uma reunião para discutir o layout geral da página. Agora vou fazer um intervalo pois a seguir deverei ter de dispensar o resto da manhã a assinar umas fichas de imobilizado que um dia alguém terá de introduzir na base de dados que suspeito nunca ninguém irá utilizar.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:46 AM | Comentários (4)

janeiro 09, 2006

Acabo de escrever o post debaixo e surge-me uma questão curiosa:

Quantas vezes terei eu já aqui escrito neste blog “ palavra ” e “ memória ” ?

Há uma coisa funda na minha natureza que me leva a viciar-me com tudo, essa carambola de ritmos cada vez mais apertados, até que a trajectória gasta de tanto passar sobre si mesma, sem ter mais para onde ir, se (me) acabará por resumir a um ponto já só trémulo. Será fastio, este compasso que se repete esgota assim.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:30 PM | Comentários (2)

janeiro 08, 2006

Bons conselhos: Porque é que não se deve arranjar o nosso próprio toldo quando prevemos ir comer o melhor bacalhau com todos

Porque é provável que tenhamos esquecido de fazer uns furinhos nas telas para que escoa a água da chuva, e depois acabamos por arriscar inventar uma solução que passa por usar uma broca para o perfurar de baixo para cima, obtendo uns razoavelmente arredondados orifícios, que logo de seguida bordejamos com um fio de cola de contacto de 6 seg para que os seus contornos não esgarcem, e no preciso momento em que estamos a fazer esse debrum de cola por cima de nós observamos de raspão um fio da mesma desprender-se da bisnaga, primeiro formando-se gota mole mas depois a cair vertiginosamente na direcção da nossa cara, e

… porque acabaremos inevitavelmente num momento de pânico a limpar os dentes com acetona (!), e mais tarde, ao jantar, a desperdiçar lamentavelmente (com o palato todo encarquilhado) o melhor bacalhau que hoje se faz à face da terra.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:59 PM | Comentários (2)

janeiro 03, 2006

Semi-homem

As relações entre bloggers estabelecem-se entre blogs. Se não forem relações que lhes chamem outra coisa. Mas o que quer que lhes chamem, deixam de ser legítimas quando um dos bloggers presume coisas do outro sem sair deste contexto (o único que conhece) das palavras inventadas. Sejam essas escritas com verdade ou não.

As relações entre as pessoas que conheço teço-as na vida real. E essas são relações de corpo e alma. Mas essas relações podem enviesar-se se alguém cometer a ingenuidade de me ajuizar por aquilo que aqui escrevo, sob anonimato, ou não, como se eu fosse isso tudo, ou apenas só isso. E seja isso verdade ou não.

Aceito juízos sobre mim (não falo do Eufigénio) por parte de quem me conhece. Assim como aceito críticas ao que escrevo do lado de quem me lê. Confundir as duas coisas é uma enorme deslealdade. É restringir-me a uma das minhas dimensões. É além disso tirar-me a capacidade comunicacional. É afogar-me em palavras que me tornam mudo.

Escrever é uma inquietação bastante (nem boa nem má) para que não seja preciso arranjar-lhe novos limites. E torna-se insustentável pensar que ao fazê-lo estaremos a ser ajuizados pelo que somos. Porquê? Porque as palavras são uma ilusão, e uma habilidade que por mais que dominemos, por mais que a possamos fazer parecer, nunca conterá em si a nossa dimensão emocional. E como homem tenho o direito de ser julgado sem destrinças.

Se me for possível eu escrevo, gosto de escrever. Se quiserem poderão ler-me aqui, e eu acho que gosto que me leiam. Mas para o mais, deixem que me manifeste junto de vós no mesmo contexto em que o fazem junto de mim. É uma proposta honesta não é?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:20 PM | Comentários (8)

dezembro 27, 2005

O anacronismo

SMS’s com piadinhas engraçadas, no Natal?

Estimados amigos e outros detentores do meu nº de telemóvel (designadamente aqueles de que apenas tenho notícias justamente por esta altura e que assinam com um apelido que desconheço), não levem a mal - aliás, será sempre um enorme prazer receber um postal v. da UNICEF, ou até um simples telefonema para pormos a conversa em dia, ou porque não, uma visita inesperada, que seja pela quadra ou qualquer outro motivo que todos servem para nos revermos, mas, SMS’s de difusão geral com anedotas sobre as renas e o pai natal ?! Eu até acho piada a algumas mas assim nesta quadra, enfim, não quero parecer ingrato mas

… preferia que deixassem o meu sisudo telemóvel em paz, que para anacronismos da época já me chega a orgia das prendas e a desbunda nos Centros Comerciais.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:16 PM | Comentários (2)

dezembro 15, 2005

Debates, gripes e decisões espontâneas

Nota prévia para melhor interpretação do post: faz de conta que o itálico a azul sou eu a alucinar em voz alta enquanto o Diogo olha para mim estupefacto e preocupado

Apenas um breve e desavergonhado testemunho político – aliás, a primeira e última vez que aqui se falará de debates, que esta trampa já cansa por toda a blogosfera e outras tentaculares conversas. Deriva este de um acidente gripal e subsequentes alucinações febris, e que em boa hora contribuíram para a construção do meu (des)sentido de voto. Deste modo, e após a minha humilde exposição, não vejo nenhuma utilidade em continuar a falar escrever sobre temas áridos, e por isso assim, calado, me ficarei. Até porque (isto já andam aqui justificações a mais … humm), aqui só se arrisca escrever sobre caseirices, mundanices, antiguidades e outras coisas assim de menor empenho, que falta-me estofo para comentador bloguista com aspirações a comunicação social que tem por fito comentar os comentadores da imprensa escrita, que por sua vez comentam os comentadores da televisão, esses mesmos que acabam a comentar os assessores das candidaturas que por sua vez comentam o desempenho do candidato adversário. E além disso estou com febre, e para coisas desagradáveis das quais até o ranho brota já me chega essa … clinck.

Olha, gripei. Mas gripei mesmo. Comecei com aqueles piquinhos nas articulações, a voz a afundar-se, o latejar nas fontes e rebéubéu pardais ao ninho quando cheguei a casa ao fim do dia já nem me conseguia mexer … estaleiro comigo.
Mas o que aqui pretendo que conste nem se centra nisso mas na cena caseira que se desenrola enquanto me estico (ou encolho, já nem sei) no sofá, com o termómetro debaixo do braço a olhar a TV, e na qual se forma (já não era sem tempo) a minha decisão de voto nas próximas presidenciais. E segue a interrupção de que fui vítima, em discurso directo:
- Oh pai
- Schiuuuu
- Mas pai, sente-se bem? Quer que eu vá chamar a mãe?

Empresto-lhe meia atenção, enquanto pelo canto do olho sigo atento ao inenarrável ‘debate’ entre o Soares e o Alegre.
- Vais chamar a mãe para quê?
- É melhor ir sim. O pai não está bem!
- Schiuuuuu, claro que não estou. Mas agora quero ouvir o debate.

E foi entre as interrupções preocupadas do Diogo e as monárquicas interjeições do Dr. Soares que acabei por decidir o meu voto, que afinal são dois. Na primeira volta votarei M. Alegre, coisa inconsequente e poética já se vê, mas ainda assim o meu contributo para derrotar o reaccionário do Soares, que Cavaco assim logo a entrar, sem anestesia, nem pensar. Despache-se assim o não-boa-pessoa Soares e arrume-se de vez com a personagem histórica que merece descanso e que nestes últimos tempos tão mal tratada tem sido por quem a veste. Depois, segunda volta, e aí já entra aquela coisa do voto útil , e como já é mesmo para tratar de coisas sérias já não há ideologias que atrapalhem, e tudo se torna mais fácil e anestésico: vai lá (o voto) pró Cavaco, que não há mais ninguém para bulir, e já o tolerável amigo Alegre pode voltar para a sua excelência literária com uma vitória moral e assim ninguém se ofende, como ao contrário também não se ofenderia, que isto é tudo irrelevante, desde que não me encharquem com mais debates e comentários aos debates e comentadores dos comentários e postas de bacalhau a saírem a todas as horas nos blogues, etc, e etc e tal. E pronto, ‘tá decidido, primeira volta, o voto político (o meu) no voto poético, mando com o aberrante Soares abaixo e não ofendo a minha consciência em ter de apoiar a esfinge de Boliqueime; vai a segunda volta e pimba no Cavaco, que isto agora é para trabalhar e já nem se discute se o outro é poeta e simpático, porque além disso é poucochinho, poucochinho demais, e depois, como não há mais ninguém, fecho os olhos e já está.

E de lá do fundo a voltar
- Ai vou, vou. Vou chamar a mãe sim. Agora já nem me ouve!
- Que dizes? Ah, vai sim, vai lá chamar a mãe. Diz-lhe que …

Ai, que já me ia esquecendo no meio de tanto delírio gripal. Então não é que eles, com a ligação à realidade que cada vez se reconhece mais aos políticos, continuam a querer dividir o eleitorado em esquerda e direita? Mas que merda é esta?, será que eles ainda não perceberam ao fim destes anos todos, qual é o perfil de quem os elege? Acharão que o pobre e desiludido eleitor português é o colunista que lêem no expresso ao fim de semana e que cita Engels de cor? É como o raio das abstenções e votos em branco que nunca têm interpretação política, pois que a maioria votante que está para além destas guerrinhas esquerda/direita é tratada assim, da mesma forma, como se não existisse. E continuam a insistir num eleitor de intenções ideológicas, capaz de identificar estes dois hemisférios, e a querer-se assumir visceralmente por um deles. Bem sei que não sirvo de exemplo, que faço parte das maiorias de que não vale a pena tirar ilações políticas, mas apetece-me gritar a ilusão do meu voto! Começo com Alegre (mais esquerda não há) e acabo com Cavaco (não conheço direita mais composta que esta), para trás deixei as legislativas onde votei BE (verdadeiro trotskismo de direita) e para a Junta de Freguesia lá ajudei a eleger a malta do PC (o comunismo mais exacerbado que ainda se conhece no mundo) que no que toca a arrumar o bairro já se sabe quem é que o faz bem. E agora digam lá, sou esquerda ou direita? Vale mais a parte onde comecei no PC ou onde vou acabar a votar no Cavaco. Incoerência ideológica? Ah, essa coisa de um gajo dizer que o nosso clube de futebol merecia ganhar mesmo quando intimamente achamos que ele jogou bem pior, é isso? E isso serve como quadro moral para o eleitor também, assim a fazer-se coisa tão importante como a camisola do clube? E só mais uma coisa, serei o único? Sou eu a ave rara no meio disto tudo?

- … Olha, diz-lhe que já estou muito melhor agora!

O ‘aspegic’ começa a fazer efeito. É melhor acabar por aqui …

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:40 PM | Comentários (16)

dezembro 14, 2005

Check-list

gula, ok
avareza, ok
soberba, ok
luxúria, ok
preguiça, ok
inveja, ok
ira... ira? ... ira ?!!

"A Ira ou cólera é um intenso sentimento de raiva, ódio, de rancor, normalmente dirigido a uma ou mais pessoas em razão de alguma ofensa, insulto etc.
A palavra ira é proveniente do latim "iram". Ira é um sentimento mental e emotivo de conflito com o mundo externo ou consigo mesmo, que controlamos pouco e manejamos pior ainda, deixando-nos fora de nossas acções. Essa explicação quer dizer que a ira é uma emoção que surge na nossa mente devido a um acontecimento especial ocorrido, seja no meio em que a pessoa está ou com ela mesma, diante de alguma situação qualquer. Ou seja, a ira pode reflectir-se tanto contra os outros quanto em si próprio, dependendo de como se desenha o ocorrido. Quando surge a ira, somos tomados pelas emoções de tal forma que perdemos a racionalidade, deixando-nos fora de nosso juízo normal, podendo levar-nos a cometer erros da qual nos arrependeremos posteriormente.
Por ter componentes irracionais, a ira não deve ser confundida com o ódio, que pode atingir seus objectivos destrutivos somente pela racionalidade. A ira é uma explosão forte de um sentimento ruim, proveniente de uma contrariedade, de uma desilusão, de um acontecimento inesperado, de uma inconformidade ou de uma culpa. Essa explosão, quando ocorre, faz o indivíduo perder a noção dos seus actos, fazendo-o agir irracionalmente. Quando muito forte, a ira pode converter-se em ódio, o que faz a pessoa querer, pelo uso da razão, vingar-se e compensar o que sente de ruim, sentindo prazer ao obter êxito. A ira é um sentimento breve, enquanto o ódio pode durar até uma vida inteira. Apesar disso, num ataque de ira, pode-se cometer erros até mais graves que as vinganças movidas pelo ódio, tal o tamanho do seu poder de estimular os ímpetos maléficos de uma pessoa."

[ Não estou agora a ver porque razão terei extraído isto, mas foi daqui, desta torre de babel ]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:59 AM | Comentários (5)

dezembro 06, 2005

Se o dia começasse logo adernado a culpa seria do gato que se julga vegetariano

Ainda enrodilhado no calor mole da cama, lá me ia tentando fazer esgueirado, aos poucos, morosamente, e muito criteriosamente, do fim anunciado do sono. Lançaria então uma perna para fora do edredon, a hastear-se no ar gélido da manhã, como quem vai procurando a dose férrea de vontade para prosseguir. Mas tudo bem, quer-se que o acordar de Inverno se faça por etapas, entre as quais nos vamos revelando à sua realidade glaciar. Mas por enquanto mantinha-me dentro do casulo da noite, só a perna se adiantando, e eu voluntariando-me nela para assim me retirar ao sono. Baixava-a depois então, articulando o joelho, ela descrevendo um arco até que o meu pé quase tocasse o chão. Mas no último instante iria fazer uma ligeira rotação do corpo, o suficiente para desviar a zona de assentamento no tapete por escassos milímetros, apenas o razoável para não pisar … o vomitado no chão. Por isso nunca iria ouvir um flckkkssh, nem iria sentir o desconforto daquela golfada viscosa e fria a espremer-se na planta do pé. Nem iria sentir nenhum arrepio de nojo a estropiar-me a ainda estremunhada consciência, essa que requer indolentes minutos sem qualquer dissabor idiota que a interrompa, até que se disponibilize completamente para o dia. Ora, nestas circunstâncias, absolutamente naturais, em que nada de estranho se terá ainda passado, não encontraria então nenhuma razão que me obrigasse a ir num pé-coxinho irritado a caminho da casa de banho, enquanto praguejaria nauseado pelas várias assoalhadas da casa.

E nunca me teria ocorrido, nestas circunstâncias naturais, repito, bater com a porta da rua. Provavelmente sairia até trauteando os emerson lake & palmer, desafiando com o meu desajeitado dote o sossego próprio da manhã. É pois claro que no hall do prédio nunca se teria ouvido qualquer estrondo, que isso nem teria sentido, mas tão só a alegria com que ia cochichando piadas sobre o despertar esgrouviado do Francisco. E é também evidente que nunca haveria de me lançar escadas abaixo vituperando coisas sem importância ao infeliz miúdo.

Isto claro, se não houvesse um gato preto zarolho lá em casa que passa a noite a comer as folhas das plantas.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:17 AM | Comentários (14)

novembro 30, 2005

Não concordo e pronto !

É curioso nisto das discussões públicas (e privadas), constatar que os maiores críticos são justamente os mais intransigentes na defesa das suas ideias. Eu explico melhor, segunda vez:

É curioso notar que embora lancem a sua desmedida verve contra tudo o que os outros pensam ou dizem, são os críticos mais tenazes, - os mais arrogados de privilégios democráticos - quem raramente concede que uma crítica, a sua, seja ela em si mesmo uma ideia que pode ser contestada.

Razão tinha o Winston Churchill, que agora lhe compreendo a impaciência: “O que eu espero é que, depois de um razoável período de discussão, toda a gente concorde comigo

Tenho dito, e isto não era uma crítica, e além disso não aceito críticas nos comentários, pronto.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:42 PM | Comentários (6)

novembro 29, 2005

Ligeira irritação(zinha) de Natal

santa-christmas.gif O Natal aí à porta, e também na blogosfera se vão assistindo aos enfeites festivos. São renas voadoras, sininhos luminescentes, pinheiritos que piscam-piscam, imensa neve e bolinhas de todas as cores e muitos outros gifs, amorosos, como este que aqui deixo, também eu aderente às festividades. Aqui e ali instalam-se também as músicas da época, ele é o jingalubéle e o cristmas e outras coisas assim que repicam a quadra festiva. É sem dúvida um tempo de paz e amor este, também na blogosfera …

… e depois a porra(zinha) do Internet Explorer fica para ali parado, nem para trás nem para a frente, engasgado com tanto penduricalhado, e nós feitos parvos à espera, dez, quinze minutos que a porra(zinha) do blogue natalício se abra, e a voltinha rápida a meio do trabalho a transformar-se num enrascado “só um momento que já falo consigo que agora estou aqui com um problemazito”, até que aquilo rebente tudo e na melhor das sortes tenhamos os tipos do Bill Gates a perguntar no fim se queremos enviar o relatório de erro não sei para onde, sim, porque a outra das sortes é quando a porra(zinha) do trabalho vai todo por água abaixo e temos de reiniciar o PC !!

Ah, e um feliz e santo Natal para todos, quase me esquecia de o desejar.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:30 PM | Comentários (4)

novembro 25, 2005

Os dias supérfluos guardo-os em longos post´s

Por cada hora de trabalho que não resolvo costumo escrever uma palavra. Por vezes saem muitas. São feitos de frases grandes os dias desnecessários.

Por, cada, tropeção, que, dou, desde, manhã, acrescento-lhes, vírgulas. São frases, interrompidas, os dias, agitados.

E

por cada

coisa que

hoje

não fiz

e queria

fazer

introduzo

um parágrafo.

São

textos

esguios

os dias

que nada

são.

 

Já pelo fim da tarde, releio-o então, ao texto que assim escrevi, uma e outra vez, a medir-lhe o comprimento, a pesar-lhe a estatística de cada outro dia. Ai se lamento que hoje me tenha saído texto assim tão grande. É sexta-feira, já quase a fechar, e só me resta tentar o óbvio com as horas que ainda sobram:

vou para casa apagá-lo, linha a linha.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:55 PM | Comentários (1)

novembro 21, 2005

Homoquê ? *

Agora que ao que parece se vai adquirindo (propalando) alguma tolerância pelas minorias homosexuais, talvez seja o momento de assegurar alguma complacência para com as maiorias heterosexuais, não?

Ou será que ainda convém resguardar por mais um pouco os meus instintos naturais, essas coisas da minha disposição que quase me envergonham nos tempos que correm?

* ah pois tenho, tenho fobia a exaltações, outras desmesuras, e a tudo o que imponha artificialmente (leia-se: por força de palavras de ordem da moda) o constrangimento do “se não estás comigo estás contra mim

Não. Não estou a bipolarizar a questão, estou apenas a integrá-la.
Além disso estou irritado: foi um fim de semana horrível, fui imprestável com a família
E este blogue serve para isto! Desirritar-me
E seja como for, prontos

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:27 AM | Comentários (15)

novembro 11, 2005

Esta mulher excepcional que além de levar com as idiotices dos outros chefes ainda tem de me aturar há décadas

- Então pague-se!
- Mas eles dizem que a factura tem de ir com data de 2006 !?
- Então não se pague!
- Mas eles dizem que se tem de pagar até final de 2005!
- Então pague-se!
- Mas depois como fazemos com a factura?
- Então não se pague!
- Mas …
- Pague-se!
- Masssss …
- Olhe, já fiz muitas transições de ano nesta casa. Já paguei, já despaguei, já paguei, já devolvi, já fiz estornos. As orientações são sempre escusas, as preocupações sempre imensas, e no fim o resultado foi sempre o mesmo: “não era assim”. Portanto pague-se ou não se pague, escolha. Jurei a mim mesmo que neste final de ano me vou apenas dedicar ao trabalho … efectivo.

[ora, vou mas é almoçar]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:36 PM | Comentários (4)

outubro 18, 2005

Este post é só para mim, por isso está escondido. Por favor não ler

buraco.JPG

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:41 PM

outubro 17, 2005

Post-it

os agradecimentos pá! que vergonha,
amanhã sem falta não esquecer post de agradecimentos!!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:51 AM | Comentários (2)

outubro 10, 2005

Deve ser da Chuva … deve ser da chuva …

Há tanto tempo que não ouvia a chuva a cair assim tão forte que me desacostumei a senti-la. O ar está pesado, e sinto um nó na garganta, como se algo desagradável estivesse para acontecer. Sinto-me inquieto e não consigo desempestar-me desta agitação que me envolve. (Como é possível aquela mulher ganhar as eleições e ainda vir para as televisões proferir palavras assim?). Chove e eu ando às voltas pela casa, confirmando ter tudo fechado, vezes sem conta. Estou a aprender de novo a chuva, acho que deve ser isso. (Que povo é este que a elege?). Sinto-me inquieto e só pode ser da chuva, que a televisão está desligada e tudo o resto nem existe.

Ainda hoje de manhã o Diogo me perguntava se não ia “eleitar”. Fui, claro, fomos todos. Mas agora chove e eu sinto-me inquieto. E talvez, (admito que também possa ser isso), talvez, ligeiramente envergonhado por não saber responder-lhes quem queria que ganhasse, e por não saber também responder-lhes porque estou então triste com o resultado e por não saber responder-lhes depois porque fui então “eleitar”. E agora chove. E eu sinto-me inquieto. “Eleitar” é uma palavra bonita …

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:18 AM | Comentários (13)

setembro 30, 2005

ArteMínima

(e ao vivo ainda doeu mais)

Zezé, como eu não sou um fanático clubista como tu, sempre posso dizer que se eles não põem aquele gajo na rua já hoje, mudo-me para o restelo!!

PS: Abraquê?? abracinhos depois daquilo? pronto, Mudei-me !!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:59 AM | Comentários (10)

setembro 25, 2005

Eu ainda não voltei, eu não voltei, eu não, ainda não

Dubrovnic, Corfu, Lipari, Panarea, Alicudia, Stromboli, Porto Cervo, Bonifácio, Cabrera, Formentera …

… “Esquadrão G”, “Tertúlia côr-de-rosa”, “Sra. Dona Lady”, Fátima Felgueiras, Isaltino Morais, Avelino Ferreira Torres

(Lá se foi o bronze)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:49 PM | Comentários (12)

Por lá me perdi

IMAG0050a.JPG

E para aqui voltei já tarde demais

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:19 AM | Comentários (4)

agosto 19, 2005

Konfesso

K m irrita prfte esta kosa de abrv as plvr e substituir os ‘q’ por ‘k’ s/ aparente vantg. Ateh prcbo isso n tlm. Mas kuando s escreve spr assim, k krlh, andamos a jgr a k agora? Axo ateh k ixto eh prfte hipócrita (aki n arranjei trmo abrev pk a puta da plvra kara n t ‘q’ nem ‘ch’ nem trassos)

Avi%o k %ó re%pondo a kem u%ar o ‘%’ pelo ‘s’, e k m irritam os %nob% k t a mania k e%crvm bem xeios d vgais i acento%, pronto. Perdao, kria dzr pronto%. E perdao p ter uzado "perdao", pk eu n %ou kareta e tb sei scvr xeio d erro% soh k as vzs tenho a mania k sou kota

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:11 PM | Comentários (11)

agosto 17, 2005

É desta! desta é que é!!

euromilhoes.jpg

Leio algures que em Julho os portugueses gastaram 154 milhões de euros em apostas no Euromilhões. Leio noutro algures que o valor despendido (investido) em despesas de educação foi de 111 milhões de contos. E aqui não leio, constato: os portugueses aspiram a ter uma ‘boa’ vida 'investindo' na sorte, mais do que na educação.

O problema é que alguém se esqueceu de explicar aos portugueses que sem a educação devida nunca poderão compreender que a aspiração da sua vida é representada pela probabilidade de acertar com as suas cruzinhas em 1 de entre [50! / ( 5! x ( 50-5 )! ) x 9! / ( 2! x ( 9-2 )! )] = 76.275.360 possibilidades! …. Ah, é verdade, isto é calculo combinatório, probabilidades, essas coisas que não nos levam a ricos e que se aprendem com a educação. Simplifiquemos então, olhemos para as entradas/prémio desta semana: [10.000.000 apostas = 0 vencedores]. De facto, para quê complicar, sai ou não sai, e pronto. É a fezada, e na próxima sou eu! é a fezada!

Os piores na educação, mas os maiores apostadores da Europa dos euromilhões! (E calcule-se, há um toquezinho de orgulho quando ouvimos isto dito ali ao lado). É assim, uns tecem destinos outros cantam fados. Aqui nesta terra o empenho de uma vida troca-se pela ponta de sorte que há-de vir, e as aspirações logo se resolvem quando o prémio sair. Este é o país da barraquinha dos tiros, que agora sou eu e ai que foi quase, e que se lixe maria que isto há-de sair-me. Há algo de primitivo nisto, já só instinto animal, quando um homem em vez de acreditar em si mesmo, deixa de aspirar a fazer o seu futuro, e o enrola na sorte que há-de vir. Algo num povo se está a atrofiar quando dos mealheiros das famílias sai mais para a quimera dos euromilhões, que para a formação dos seus filhos, talvez a única coisa que verdadeiramente lhes devemos.

E atenção, que para a semana há “jackpot”, é desta, é desta … e a chatice das compras escolares, todos os anos a mesma coisa, que isto é só gastar, gastar

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:03 PM | Comentários (6)

agosto 10, 2005

Olha

Vou-me deitar pronto. Há muito tempo que não vou para o vale dos lençois antes da meia-noite, e a verdade é que não me apetece estar acordado (gregos, sempre os gregos)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:23 PM | Comentários (0)

agosto 05, 2005

"Irritadices"

O país arde, a blogosfera está parada, o trabalho silencioso que eu tanto queria pôr em dia não flúi, a maior parte dos meus amigos está de férias, cá em casa estamos todos esfalfados, e eu ando imprestável e irascível.

A melhor parte do almoço é quando ele nos interrompe. Mesmo que seja só por causa de uma tosta mista.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:06 PM | Comentários (4)

agosto 02, 2005

Este blogue devia chamar-se:
Esta coisa de escrever só é mesmo bom é nas primeiras linhas

Esta coisa da 'acusação em fascículos' já vai em 9998 caracteres. Deve ser isso, chego aos 10.000 caracteres e dá-me a travadinha!

Com esta já deve ser aí a quarta história que fico sem vontade para a acabar.
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Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:40 PM | Comentários (9)

Um 'ca ganda melga' é o que eu sou

honey-bee.gif

Casa:

Quantas vezes já disse que o talher não se agarra assim …
Não se esqueçam que amanhã devem …
Olha, é só para te lembrar que no sótão …
Quem é que tratou do cocó dos gatos …
Vê o ar dos pneus que aquilo …
Já disseste à tua mãe que …

Trabalho:

António aqui deixo lista das correcções ….
Luis, já avisei os homens da TT que para a semana ….
Zé Manel, lembro-te que o servidor …
Junto anexo os vários itens que é preciso tratar junto de …
Boas férias a todos e aproveito para recordar …

Está visto, o meu destino é ser um gajo muita chato !

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:00 AM | Comentários (5)

julho 22, 2005

DESESPERO

desespero.jpg

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:04 PM | Comentários (9)

julho 08, 2005

Segue listinha

… sobre as coisas que me irritam logo pela manhã:

=> Acabar-se o gás a meio do banho
=> Saber o Porto coberto de cinzas
=> Os FDP dos terroristas invisíveis
=> A manipulação de notícias por um jornalismo subversivo
=> As guerrinhas que se travam por mail C/c ao resto da Empresa
=> Ah, e ter de usar gravata num dia de verão

E assim de repente não me lembro de mais nada
Um resto de bom dia

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:03 AM | Comentários (2)

julho 05, 2005

Ora deixa cá pôr isto na ordem

Bill, confesso que ontem me fez alguma confusão verificar que sabes de coisas da vida dos miúdos que eu já nem me lembrava (mas olha que foi boa ideia essa da jantarada, ainda bem que viste que nós estavamos sem miúdos), e que já tinha até esquecido que o tivesse escrito. A partir de agora estás proibido de ler post’s relacionados com as minhas “caseirices”. Ou continuamos a falar, dando a cada um a vantagem de ir contando a sua vida, na medida em que o quer fazer, ou se vens daí já sem qualquer capacidade de ser surpreendido, o melhor é falarmos por MSN em vez de andarmos a comer bifes na Portugália (embora aquele molhito continue magnífico ein), ora pois.

E I., claro que não vou contar isso aqui. Não preciso do blogue para me garantir que as coisas que se passam na minha vida possam na realidade ter acontecido (por falar nisso, olha, já escrevi aquilo que falámos ali em baixo, depois vê e diz-me o que achas). Além disso isto não é uma espécie de boletim informativo matinal, tipo “a agência noticiosa para o acompanhamento das vicissitudes do Eufigénio informa que pelas 9.12h este teve um pequeno desacato com o Sr. João do café onde todos os dias bebe a bica pingada, mas que à data a situação já se encontra normalizada”. E em nota de rodapé (diz-se "banner" não é?): “veja como ele resolveu a questão da inscrição do filho na escola mesmo sem fotografias para o cartão escolar, veja inédito às 12.15h”.

E Eufigénio, já agora para ti também. Deixa lá de te armares ao pingarelho a fingir que contas episódios dramáticos da minha saúde física. A minha vida, mesmo que um pouco escangalhada é só minha, e o facto de um tipo se sentir mal não quer dizer que tenhas o direito de transformares isso numa experiência espiritual que venhas para aqui contar com ar alucinado só para apoquentares a minha família, percebido? Doravante este blogue terá censura. Queres escrever, a armar ao interessante, inventa, ou temos um problema de défice criativo?

Raios partam este blogue que me anda a espalhar por todo o lado.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:19 AM | Comentários (12)

julho 04, 2005

É óbvio

… que não é aqui que devem ficar escritas as coisas que agora tenho para dizer.

É óbvio que por agora não me apetece continuar por aqui.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:10 PM | Comentários (9)

junho 28, 2005

Porque aqui trabalha-se

Madrugada. A arrancar para galgar os 400 km até ao norte.

Chegado, já quase hora de almoço. Uma vergonha as estradas, e o melhor é mesmo começarmos por ir comer que depois logo lhe mostro aquilo. Uma coisinha rápida que eu sei que já andou muito e nós temos é de trabalhar. Olhe que tem de provar esta galinha do campo de cabidela. E oh engenheiro e já viu estes trolhas da função pública que agora ainda refilam, ainda no outro dia passei a tarde inteira na repartição de finanças e as meninas a coçarem o grelo enquanto a fila ia até à porta. Tem de provar este verde que é daqui mesmo, uma delícia, vá, só mais um. E já viu o numero de funcionários públicos que a gente tem, mais de 600 mil parece, olhe que ainda no outro dia estive num cliente na Alemanha e aquilo não tem nada a ver, o almocinho é de sandes e já está, não é como aqui. Mas experimente aqui um pouco da minha barrosã que vai ver. Deixe lá as horas que um homem se não se alimenta não trabalha. E dizia eu que é uma vergonha, uns a gastar e nós é que temos de trabalhar, nem lhe conto o que se passa comigo, olhe que quase não vejo a família. Mas oh engenheiro agora vai uns palitinhos do céu vai ver o que é bom. Há tempo. E depois o desplante da greve, eu por mim acabava-se já aquilo tudo. Manel, traz ai a garrafa para o engenheiro, mas a da casa ein. Não, como não, insisto, você vai provar desta aguardentezinha e depois logo me diz. E esta coisa do IVA é só mesmo para quem não trabalha, olhe que eu nem sei como vou fazer e um homem aqui a dar o corpo, pois, que alguém tem de produzir. Só mais um com o cafézinho. Pronto, nem insisto, mas dê-me então licença só para molhar os beiços. E ia eu a dizer que aqueles filhos de uma mãe nem , ai as horas, já quase três, mais de duas horas aqui. A conta Manel rápido que aqui trabalha-se. Eu nem reparei. Ora essa, isto é comigo, vai a facturinha para a Empresa, para descontar o Iva eheheh. Mas tem a certeza que nem um licorzinho aqui da terra, nada mesmo, olha que você nem parece gente que labuta eheheh. Bem vamos lá andando oh engenheiro que você veio para trabalhar. Ali ao fundo é a câmara e olhe que se lá formos agora nem encontra ninguém. E aqui está, que me diz da entrada ein, até parece árabe. E faço questão de lhe mostrar isto tudo, vai ver que são 3.000m quadrados bem arranjadinhos. Você gostou das naves da oficina oh engenheiro, aquela coisa das vigas de madeira dá um ar porreiro não dá, ai que são quase quatro e meia e ainda tem de ir para baixo, o que vale é que já estamos a acabar a voltinha. Então que me diz, acha bem como vou pôr o equipamento. Eu sei, eu sei, falta tempo para discutir isso melhor, mas o engenheiro há-de cá voltar outra vez não é, para vermos melhor como vamos fazer ali com os chumbadores e a electricidade. Mas como assim, olhe que ainda vimos muita coisa hoje, e depois podemos falar pelo telefone. Mas esta merda irrita-me, um tipo passa um dia só a falar com os fornecedores, isto na Alemanha não seria assim, senão já lhe mostrava as máquinas todas. Mas o engenheiro tem de me prometer que volta, para nós irmos à da Mariazinha, a que lhe falei, vai ver que aí ainda se come melhor. E volte sempre, foi pena a gente não ter tido tempo para ver melhor o torno que recebi ontem queria que me desse uma opinião. Mas fica para a outra vez, quando cá voltar. Mas tem de ir não é oh engenheiro, e não vai uma cervejinha para o caminho, não vai mesmo. Não, pronto, vai assim em seco não é. Mas não se esqueça de me telefonar para a gente discutir isto tudo que hoje quase não deu para quase nada, o tempo sempre a voar, é assim com quem trabalha.

A voltar, a desfazer os outros 400 km. E a conversa do almoço distraidamente a voltar. Os alemães, pois, a diferença está na administração pública. E na postura. E por falar em postura, será que eles trabalham assim tanto como nós ?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:40 PM | Comentários (8)

junho 27, 2005

Sobre mim, e tudo à minha volta, hoje

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Ah, e comida para os gatos, talvez comprá-la, da parte da tarde

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:53 AM | Comentários (4)

junho 22, 2005

Não estou para ninguém

Alguém tem uma área de 6m x 6m que me possa dispensar por uns tempos. Eu levava esta casinha às costas e pimba, ficava por lá a dar voltas à neura . Só há (a falta de) um pormenor que eu critico, falta-lhe o saco de boxe.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:13 PM | Comentários (6)

junho 20, 2005

A culpa é do frigorífico azul

frigo.jpg No sábado de manhã “quase” fomos comprar um frigorífico. O que eu quero dizer é que fomos mesmo comprar um frigorífico, (saltitámos de loja em loja, comparámos preços, surripiámos folhetos, estudámos características ao ponto de já darmos conselhos aos clientes mais indecisos que ali encontrávamos ombro-com-ombro: “é mais caro mas olhe que há vantagens energéticas com os da classe A” ou ainda “cuidado que há quem se queixe que os «No Frost» secam muito os alimentos”, e até opinativos, já não só conselhos: “Nós será sempre AEG ou Bosch, que todos os outros já se sabe …” ) mas, no fim não o comprámos. O que queríamos só havia em azul, em azul não o queríamos, e não queríamos levar nenhum outro. E acabámos por vir embora nesse “quase” já pelo fim da manhã. Entretanto, chegados a casa, constatámos que o frigorífico velho e pequeno, esse que seria substituído a pretexto de não fechar bem a porta, afinal, por culpa do encosto que tivera da bilha de gás durante 3 dias, voltava a fechar-se com razoável calafetagem. E confirmávamos já isso entre nós. E logo um a sugerir menos pressa então, que já não era essencial. O outro concordando, que talvez esperar pelo próximo modelo que disseram lá na loja que chegaria um destes dias. E a coisa a ficar assim tratada, já hora de almoço, portanto.

Ora lá está - nada como passar pela estopada de nos arrastarmos num sábado de manhã por uma “grande superfície”, para ganhar a clarividência de resolver ali em 10 segundos aquilo que já levava meses de desleixo para ser feito. Quem sabe, talvez um dia aquela porta se avarie outra vez, e já hajam frigoríficos com outras cores.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:06 PM | Comentários (3)

junho 17, 2005

Este post é só para ser lido por energúmenos

(umas 500 vezes pelo menos)

Há alturas em que um pai se sente um energúmeno. Quando? Sei lá, posso sempre tentar criar uma situação para exemplificar. Ora suponhamos que há um tio baril que convida um miúdo para ir passar o fim-de-semana ao Algarve com primas e piscinas e sol e não-pais, aquelas coisas todas porque os putos se pelam. Entretanto o paizinho chega a casa ontem, já noite dentro, preocupado com imensas coisas pois claro, como por exemplo o tentar disfarçar o cheiro do charuto que fumou porque alem de energúmeno tem uma noção pantanosa do que é um compromisso seu e julga que se os outros não descobrirem que ele se foi abaixo então é como se nem tivesse pegado no isqueiro e, já nem se lembra da coisa como se depreenderá. E vai daí o fedelho arranca no dia seguinte para a escola mas sem a mochila que deveria ter sido feita para ele levar quando o tio - o tal que é um baril - o apanhasse na escola. E o pai – o tal que é um energúmeno - lembra-se disso às 14h47 fica em pânico e liga logo para a mãe do coitado do miúdo, que as mães têm sempre solução para tudo e além disso descarta logo as culpas que pois claro avisou mais do que a tempo. A verdade é que a coisa lá se resolve, porque o tio que ainda é mais baril do que parecia antes concorda em passar pela casa do Diogo, onde também mora o pai que é um energúmeno, e a mãe que se chega à frente sempre que o pai que é um energúmeno acha que está muito cansado para se lembrar destas coisas que dão imenso trabalho, e onde afinal até está a empregada que entretanto fez a mochila. No meio disto tudo, salva-se o tio, a mãe do Diogo e o Diogo propriamente dito que afinal sempre vai para o Algarve.

E agora pergunta-se, “mas então, se a coisa até se resolveu, porque é que o pai continua a ser um energúmeno”, e já todos a pensarem que o exemplo não é bem escolhido não é? Porque meus amigos, porque, o pai que é um absoluto energúmeno, não só não se lembrou da coisa, como nada fez para a resolver. Eu sei, eu sei, isso não muda nada. Só que a moral da história aparece sempre só no fim, há que ter paciência. Porque o pai que enfim é o energúmeno que aqui neste exemplo se pretende demonstrar, não só não mostrou qualquer discernimento como em vez de ajudar a resolver a situação deu consigo logo a pensar que “se o miúdo nem sequer sabe da combinação, então nem sequer pode sentir pena disso = problema resolvido”. Não sei se o exemplo foi claro. Foi?

Nota: não fique preocupado, o título do post só se aplica aos que o lerem 500 vezes, o que admito só seja o meu caso

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:50 PM | Comentários (31)

junho 14, 2005

Até isso? Até aqui lhe vejo o rasto ignóbil

Tremuras - dedos velhos, isso aguenta-se, que daí até vêm invenções pictóricas. As irritações, e talvez alguns amigos mais longe - paciência, que os verdadeiros hão-de voltar, quem sabe nem cheguem a ir. E as insónias também - mas que tem isso, se já mal se dormia não haverá diferença em dormir o mesmo tão pouco, talvez mais espaçadamente. Já a desconcentração até é boa, ficamos com mais tempo para nós - que as coisas se atrasem que outras virão, sempre foi assim. Tudo isso são fases, a encarar uma por uma, esse o truque, que o melhor há-de chegar depois.

Mas a rotina gastro-intestinal? Que cobardia é esta, este ferir onde já somos só nós? Com que direito se ataca assim a intimidade de um homem, a vida das suas entranhas? Esse sublime momento biológico que se amestrou tão escrupulosamente durante uma vida inteira? A única coisa que é verdadeiramente só sua? Sim, que nada mais há assim tão nosso como este sagrado prazer onde até um jornal de quinze dias nos pode levar ao deleite?

Mas porque ninguém me avisou que até aqui, a besta alarve me turvaria os dias? Com teimosia, tudo se aguenta, mas isto é demais! Isto sim é atacar-nos até já nada termos de verdadeiramente nosso. Isto é demais !!!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:24 PM | Comentários (7)

junho 08, 2005

O Bicho

Quase desfalecido,

bicho9.JPG

finalmente sussurra-me algo. Arrebito. Mas não são tréguas, é apenas bom conselho
… que até ele chocado de assim me ver, assim me ler.

Acato.

[... até porque, neste momento estou cansado de palavras, e os seus significados não são fumáveis]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:20 PM | Comentários (11)

Eu também gosto de mar, por exemplo …

… e deve ser por isso que estou sem paciência para ler blogues. E o meu só enquanto durar a fisiopsicoverboterapia, que depois temo que nem isto. Agora é fugir para aqui e descarregar que quem quiser que venha - mas depois vai ser descarregar e fugir daqui que quem quiser que fique.

(e logo eu que até nasci simpático)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:27 PM | Comentários (11)

"Ah, que ninguém me estranhe as reacções!
Ninguém ligue a tantas contradições!
Ninguém me diga: “força com isso aí!”
Que a minha vida é já café que não me despertou..
É um intervalo que não se prolongou.
É um almoço que não se acabou.
Não sei o que me faltou,
Nem sei porque me faltou,
- Só sei que me faz falta a porra de um cigarro aqui !!!"

Eufigénio Lagoa, Ai saudoso fumo negro

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:41 PM | Comentários (10)

junho 07, 2005

O Bicho

bicho2.JPG

E um dia hei-de notá-lo distraído, cansado de se fazer fera - nós dois já esgotados
… e a desenlear-se de mim, a deixar-me folgar no que eu quero voltar a ser

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:13 AM | Comentários (8)

junho 06, 2005

O Bicho

bicho1.JPG

Mas deixarei que até isso me leve, que já quase nada fique
… e então adormecê-lo, neste langor que me deixou

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:01 PM | Comentários (4)

O Bicho

bicho.JPG

Comeu-me as letras primeiro, depois a vontade, a fome, até o estar apenas
... deixou-me fúria que para nada serve

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:45 PM | Comentários (7)

junho 03, 2005

A privação do fumo pode dar azia

Se um homem anda com os nervos à flor da pele, e se um blog não é mais do que a pele do homem, o blog fica assim tipo florzinha de estufa, certo?

E vai daí até podia acontecer que, (coisa nunca vista), um gajo mostrasse uma lamentável arrogância ao querer sugerir, (calcule-se), o tipo de comentários que considera lícito fazer-se aqui no blog florzinha de estufa, e os que … não. E (para agravar ainda mais) entender justificar que comentar um post só tem sentido se for para comentar um post. E (insistir ainda) que é um desconsolo (que nestas coisas somos todos muito orgulhosos) um tipo ir todo lampeiro abrir um comentário e descobrir que nada tem a ver com o que andou a escrever com tanto apego. E a sugerir (palavra vil aqui) que para coisas mais privadas talvez o mail, talvez. E depois ainda (que absurdo pedantismo) ter a ousadia de informar que se reserva o direito de quebrar a retribuição de resposta a que se impôs desde o início deste blog florzinha de estufa

Enfim, ao ler alarvidades destas, e outras assim coiso e tal - dada a minha sofrida condição - ninguém ia levar a mal pois não? Toda a gente sabe que em condições normais eu não cometeria tal descortesia não é?

Bom, mas mesmo assim não arrisco. Mais uma pastilha de “Nicotinell” e já está.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:36 PM | Comentários (22)

junho 01, 2005

O cigarro, era o cigarro que mexia a caneta

Estou há quase dois dias para acabar um texto. Quando cheguei à parte em que devia puxar de um cigarro para me ajudar a dar o burilado final ainda antes de aqui o pregar, baqueei. Receio bem que nos próximos tempos sobrem memórias por acabar no disco rígido, e faltem histórias deste lado de fora. Estou a ficar meio homem (*).

(*) adianto que dispenso as piadinhas fáceis, porque se algo mais perdi entretanto terá sido o humor

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:23 PM | Comentários (15)

A comprar pastilhas de Nicotina

- Das de 2mg ou de 4mg?
- De 4 se faz favor
- Tem a certeza? Deixe-me perguntar-lhe quantos cigarros fumava?

Apreciei a forma pretérita da pergunta, a rapar o vício passado. Lá desenrolei o meu ritmo ‘nicotémico’. E a senhora, muito metódica, depois de algumas contas de cabeça, repetidas segunda vez como que a confirmar a estranheza dos resultados, apreensiva:

- Ah… Pois, lamento…. Mas é que ainda não se fazem de 8mg.
E logo depois
- Mas olhe, tente com estas, pode ser que dê.

E lá se foi a simpática forma pretérita. Mas mal sabe ela que aquele seu cepticismo farmacêutico foi o bastante para eu sair de lá com mais umas horas no bolso - que nesta coisa do teimar, do contradizer, nunca há dosagens por metade.

Nem fazem ideia, essas já tantas pessoas 'desajeitadas' no falar com que me cruzei hoje, o estímulo que podem trazer em alturas como esta.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:14 PM | Comentários (11)

maio 30, 2005

Ahhhhhhhhhhhhh

Já me sinto muito melhor

(esta merda é mesmo terapêutica)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:24 PM | Comentários (17)

maio 27, 2005

Alucinação das 20 horas

"Faça você mesmo"
cafecreme51.gif

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:00 PM | Comentários (2)

maio 23, 2005

“Tudo” on-line !!???

Soube hoje pel’«a barca de lyra» de algo que me perturbou profundamente. Alguém que abre um blog para escrever as últimas palavras, antes de se suicidar.

Suicídios são-nos trazidos todos os dias nos rodapés da comunicação social. É fenómeno humano, não tanto tristeza que toque de perto. Em estranhos, já nem é plangente - é algo para o qual, (pela força da despersonalização, da distância e da repetição), nos “endurecemos”. E também não é tanto o acto em si que aqui me choca – o suicídio é uma opção de cada um de nós, legítima, ou talvez não, em determinadas circunstâncias, ou sempre, ou nunca, seja o que for é uma questão demasiado complexa para pretender aqui discuti-la. Não pretendo.

Foi sim a forma como isso foi anunciado ao mundo, pelo próprio. É o constatar como hoje, já não são só as coisas mais privadas, os pormenores da nossa intimidade, as coisinhas miúdas da nossa vivência, mas a nossa própria despedida da vida, a decisão dramática que tomamos quanto à nossa existência, que pode assim ser exposta ao mundo, on-line. E hoje quantas possibilidades ostentosas se nos oferecem, e como é tudo tão tecnologicamente acessível !

Arrepia-me imaginar o título “já vou a caminho” a aparecer numa lista de actualizações de blogs, logo a seguir a um post humorístico, e depois a desaparecer lá para baixo, por sobre novos textos. Aqui a actual questão do referendo, depois o dia que não nos correu bem, lá mais para diante uma poesia que alguém arriscou publicar, e essa a fazer com que, finalmente, o “último post” desapareça lá no fundo da lista, por entre cliques. Desactualizado.

É esta a 5ª vaga da informação ou da comunicação ou lá o que quiserem chamar a isto? Um de nós a anunciar-nos a sua própria morte, e a cada um o poder lê-la ali, até comentá-la, em tempo real, ou deixando para depois, para ler com mais vagar? É isto?

Seja o que for … por hoje chega-me


E tirem-me a merda dos spam’s daqui !!!
Isto não pode ser tudo a mesma coisa, não pode, não deve, não pode

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:36 PM

maio 19, 2005

S'to de and'r co 'vidos t'pados n'é nad'mau

Há já alguns dias que ando com um zzzz aqui dentro que de vez em quando faz plfsssz. Deve ser águinha nos ouvidos que não quer sair e que me traz esta sensação de estar longe de tudo e de todos. É assim como deixar de ver televisão. E quem como eu já experimentou as duas coisas sabe que isso até não é mau de todo (sobra imenso espaço) - é mais ou menos como se tirássemos umas férias sem ter de mudar nada no 'ramerrame' nem ser preciso ir à agência Abreu.

Aliás, estou a apreciar tanto este meu estado ‘desconectado’ que estou mesmo tentado em deixar as coisas assim por uns tempos. Acho que tão depressa não vou ‘ligar’ os ouvidos nem levar a televisão ao 'otorrino'.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:24 PM | Comentários (4)

maio 18, 2005

E eu quero lá saber se não gostam de matadouros

O blog é meu e prontos! Já me chega não saber onde me leva esta história, não preciso cá de lições de moral, ora. Incomoda muito não é? mas o bifinho é que já é outra história, pois.

(além disso há sempre o Francis Bacon para concordar comigo, não é Susana?)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:52 AM | Comentários (13)

maio 16, 2005

Enfim, salva-se o sangue

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Hoje temos aqui instalado um banco de sangue. Para informar disso, na 5ª feira foi enviado um mail interno a toda a gente (aqui na sede somos cerca de 60), solicitando inscrição a quem quisesse ser dador. Houve 8 respostas. A esses, e só depois, informou-se que por motivos de restabelecimento físico lhes seria concedida dispensa da parte da tarde.

Esta manhã, quando me dirigia até junto da zona improvisada, surpreendi-me com uma fila que se estendia quase até ao fim do corredor. Comentava-se com obtuso impudor que não se percebia porque não tinham avisado logo da folga da parte da tarde.

Há coisas que me desconsolam. E custa mais quando lhes conhecemos as caras do dia-a-dia. Enfim, salva-se o sangue.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:06 PM | Comentários (5)

maio 15, 2005

Devem arranjar muitos sócios assim, devem pois

A nota prévia

Francisco, se um dia leres isto, e quando o fizeres, espero que tenhas em consciência feito as tuas opções religiosas, com a mesma liberdade com que os meus pais me deixaram a mim tê-las. Eu, como eles, continuarei a tentar que para além de mim, outras crenças possam chegar a ti, mesmo que em nada concorde com elas, e convém que saibas que nisso estou numa incómoda desvantagem em relação ao que os meus pais tiveram comigo.

A justificação prévia

Fui criado numa família católica, praticante, mas de convicções liberais. Segui assim um processo comum de educação religiosa. Quando me foi dado escolher, ainda jovem, escolhi não ser. Lá em casa fui respeitado nisso. Devo dizer que isso não me aplacou do pensar em tudo isso, talvez pelo contrário. Se há coisa que guardo das nossas conversas, quando nos juntávamos os oito ao serão, era este discutir das coisas religiosas, e tão diferentes todos nós, e tanta interrogação lançada. Fiz as minhas opções, mas não foi por isso que não deixei de ser religioso, ou não o ser, mas saber sê-lo. Aprendi a procurar e a aprofundar as mesmas dúvidas que um religioso, e fi-lo num ambiente de referências católicas. Por isso, o que sou, foi o que encontrei das minhas perguntas - não o sou apenas porque não o quis ser. As minhas opções religiosas, ainda que agnósticas, construíram-se em cima de um esclarecimento procurado e de reflexões livres. Sou crismado pela igreja primeiro, e depois pelo que encontrei na minha espiritualidade. Não tenho de fingir o que não sou, e repudio qualquer igreja, pároco, culto, que olhe para mim como alguém que deve ser desconsiderado por isso, e que renegue aqueles que vê chegarem até perto de si com a sua própria identidade religiosa. Sobretudo se nisso estiverem respeitosamente a confiar a orientação do seu filho.

A questão

Vestem-nos com umas enormes túnicas brancas e um fiozinho caído do pescoço. Numa das mãos uma vela, na outra uma flor branca. Certo, cerimónias, símbolos, posturas, até posso perceber tudo isso, apenas estimo o desconforto que isso trará a um rapazito de doze anos por razões que a própria imagem traduz.

Depois, é o pai, um aliado afinal, que é reprovado pela milenar soberba. Que esse “cedo o meu lugar à mãe dele”, a pensar-se que há papeis que por respeito com o culto dos outros se devem emprestar a quem neles se revê, é coisa desviante na fé daquele miúdo, quase causa perdida depois com o crescer. Antes o fazer de conta do costume, ou mesmo o então não vir, mas estar ali, no desaforo de ser quem se crê, noutros creres portanto, esse desplante é ónus do pai que recai sobre o filho.

Finalmente, não vá o miúdo estar a levar aquilo tudo com exagerada interiorização, pespega-se com hora e meia de missa insonsa, tudo tão arrastado, tantas vezes repetido, tanto o enfado, que decerto no fim já só lhe sobrará um entorpecimento nos pés, e no espírito. Sim, não vá ainda haver alguma réstia espiritual. Não tomem eles - nessas coisas de moços ainda - aquilo com demasiada zelo introspectivo, não seja isso coisa evasiva do culto. E a concluir, ainda as repreensões, os avisos à comarca, as colectas, as obrigações mundanas, tudo em prol da alma pois claro. E pronto, o culto fica decorado, o diploma no fim entregue.

Sinceramente, e com o respeito que nutro pela religiosidade de cada um, e em particular pelo culto católico no qual aliás já referi ter sido educado, não acham que está na altura de tirar um curso de marketing e relações humanas? Bem sei que é a profissão mais intrincada do mundo, essa de ser padre, tesoureiro, técnico comercial, juiz e sei lá quanto mais, mas ainda assim, é gente que tendes pela frente, há mais para além do “sim” com que acenam a cabeça.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:27 PM | Comentários (14)

maio 10, 2005

Daddyblog

Nas últimas 4 entradas deste diário conto 3 referências aos meus filhos (ou será que na linguagem própria desta atmosfera devo dizer ‘filhotes’). A que sobra fala de acácias e canteiros.

Não tenho nada contra esse tipo de blogs, embora não os leia. O que me levanta uma questão operacional: Como é que eu faço agora para responder aos comentários?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:13 PM | Comentários (7)

maio 04, 2005

Um bacoco desabafo matinal (e agradeço que não me chateiem sim)

As melhores reuniões, porque curtas e objectivas, são aquelas que decorrem na parte da manhã de um dia em que se acorda mal disposto e sem paciência.

As outras são mais agradáveis, mas quase sempre não servem para nada.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:27 AM | Comentários (7)

maio 03, 2005

Quase no findar da labuta

E aqui a achar que o pénis tema hoje trazido a este blogue poderia ter sido mais bem escolhido, que isto até então ainda se tinha por coisa séria caramba!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:35 PM | Comentários (8)

maio 02, 2005

As enganadoras “regalias” de um fumador

Desde hoje, passou a ser interdito fumar nas instalações onde trabalho … a não ser que todos os utilizadores de um mesmo gabinete concordem unanimemente com a permissão de o fazer.

Aqui, no meu solitário gabinete, essa negociação resumiu-se a um pequeno episódio esquizofrénico onde perguntei várias vezes de mim para mim, se me importaria de continuar a poder fumar. E a resposta veio a mesma de sempre: “tu é que sabes”. Como nenhum dos “eu” percebeu qual deles teria afinal colocado a questão, nem qual a teria respondido, e para não me baralhar mais, passei á frente, isto é, optei por não alterar o meu estatuto de fumador.

Já ali no gabinete da frente, (coisa ampla onde trabalham 8 pessoas e que é contíguo ao meu, e a ele ligado por uma porta interior), a coisa não foi tão pacífica. Foram almoços oferecidos, desesperados ultimatos, docinhos de manhã, e uma série de “deixa estar que eu trago” a que fui assistindo, mas ainda assim, a facção fumadora teve de se resignar.

Quando cheguei hoje de manhã tinha deliberado que tomaria uma decisão antes do fim do dia. Ou me solidarizava com os reprimidos fumadores, evitando que estes se sentissem ainda mais acossados pelo fumo que se esgueira daqui, ou simplesmente faria uso desta normativa interna, ignorando tudo isso a despachar cigarrilhas atrás de cigarrilhas.

Entretanto, agora que se passou já o período da manhã e em que me apresto a partir para o almoço, arrisco já um pequeno balanço. Curiosamente, o que mais estranhei no meio disto tudo, foi a anormal actividade de coordenação de que me vi solicitado hoje. Contabilizo até agora 3 reuniões espontâneas, 2 pedidos de informação que degeneraram numa longa reflexão funcional, e ainda um sem número de inusitados gestos de simpatia, em que até pelos gatos me perguntaram. Claro que no fim, todos se aprestaram a despejar os cinzeiros.

Acho que não precisarei de esperar pelo fim do dia para me decidir. É lamentável não poder fumar no meu local de trabalho quando isso até me é permitido, mas há que ser solidário com eles, caramba. Além do mais, recuso-me a trabalhar numa “sala de chuto” emprestada.

Por isso, quando voltar, pimba …

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(entalaram-me bem)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:18 PM | Comentários (9)

abril 27, 2005

Post farmacológico

A repetir 3 vezes ao dia,
post_it1.JPG
para melhor efeito, gargarejar demoradamente em cada ingestão

[Eufigénia desculpa-me, mas era-me impossível dizer não àquilo. Mas juro, nem que isto esteja a arder eu ficarei mais um minuto]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:57 AM | Comentários (4)

abril 25, 2005

E já só falta mais uma

... bojarda injectada inoculação intra-muscular
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(e eu aqui a pensar onde vou arranjar mais uma nádega até amanhã)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:27 PM | Comentários (5)

abril 18, 2005

Ora bolas, desisto

Esqueci-me de novo do final da história. Já é o terceiro que refaço. Fico por aqui, antes que esgote todos os possíveis desfechos, e esta se torne mais uma história “a rever”, que quase certo, - a julgar pelos exemplos aqui do meu disco rígido - nunca mais (re)verá essa sua condição alterada. Eu não digo?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:43 AM

abril 17, 2005

Uma fraca memória pode trazer finais inéditos

Estou há mais de uma hora a escrever um texto. E a ver-lhe o fim, a querer chegar lá, mas a tropeçar em tudo o que é palavra. Muito me irrita não poder deitar tudo por inteiro cá para fora. Mas pior que isso é saber que quando chegar ao final, onde tinha uma ideia interessantíssima, onde até já tinha construído gramaticalmente a frase que o concluía, saber que quando lá chegar terei já esquecido de como era de facto o final que eu tanto persegui.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:55 PM | Comentários (7)

abril 16, 2005

A minha manhã desportiva de sábado

Deitei-me às 5 da manhã. Acordei estremunhadamente agora, (são 8 da manhã caramba!) com um p*** de uma pestana enfiada no olho que ainda não consegui tirar. Já estou tão irritado com esta m**** que fui fazer um café, que aqui tomo, enquanto fumo uma cigarrilha, ou duas, a sossegar-me.

Às 11 horas tenho um jogo de futebol com os cotas da minha criação. Estou aqui a pensar se fico por aqui a fumar umas cigarrilhas mais e vou depois até lá aproveitando para uma corridinha antes, ou se vou tentar dormir mais um pouco.

A dúvida é sempre o que será mais saudável, se dormir um pouco mais, ou complementar a futebolada com um 'jogging' antes. Se optar pelo retorno à cama, admito que possa sempre fumar umas cigarrilhazinhas ao intervalo. Seja como fôr, nada estará perdido.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:13 AM | Comentários (4)

abril 06, 2005

Atenção: por detrás das letrinhas está sempre alguém

Aviso prévio aos estimados leitores: Texto longo, enfadonho e eventualmente irritante

Para além dos post’s há os comentários. Sendo estes um desenvolvimento dos primeiros, distinguem-se por algumas particularidades que acabam por os tornar mais sensíveis à nossa verve: são quase sempre espontâneos (sai o que sai), não são ‘regressíveis’(nada de voltar atrás) e escrevem-se num ambiente de forte interactividade (com a agitação própria das conversas).

Na maior parte a voz dos comentadores alinha-se, elogia e acrescenta até o próprio post que lhe serviu de porta de entrada. De outras vezes, (e isso já terá a ver com as características do próprio blog), a personalidade e o estilo do seu autor acabam por levar a que cada post seja uma oportunidade para que nos comentários se vá desenvolvendo um diálogo, quase contínuo, que decorre já muito para além do tema nativo do post. Seja qual for a natureza dos comentários, quase sempre têm uma característica comum, são consonantes e moldam um ambiente de unanimidade e simpatia.

Mas há outro tipo de comentários, menos frequentes é certo, mas que quando aparecem ressaltam logo de toda aquela atmosfera de convergência. E isto porque são comentários dissonantes, intenções de ruptura com a linha de aquiescência que se vem seguindo. Se são ilegítimos, impertinentes ou desajustados, diria que isso não depende do que defendem (ou contrariam) mas do tom e da atitude que trazem.

Com efeito, na maioria das vezes, este tipo de comentários são mal-intencionados, gratuitos e malévolos e podem produzir uma reacção despropositada tal, que em alguns casos pode levar à inibição de comentários, ou num limite mais dramático, ao encerramento intencional do blog por parte do seu autor. Há um ímpeto de destruição nesses comentários que é fútil, infame e cobarde (porque quase sempre vestidos sob a capa do anonimato). Compreendo por isso que se lide com os mesmos quase com as mesmas armas, se necessário usando de todo o sentido da grosseria, da provocação reles e da insípida ameaça, afinal, talvez a melhor forma para enxotar os seus autores. Nada a dizer, que cada um varra a sua casa com a vassoura que quiser. Até porque é bem verdade que tive a sorte de até hoje não ter tido um único comentário desses, pelo que não posso com sinceridade ajuizar da reacção que teria ao mesmo. Mas sobre esse tipo de comentários fico-me por aqui, que não creio justificarem mais do que contextualizar a minha opinião para o que de seguida pretendo desenvolver.

Há nesta contra-corrente outro tipo de comentários que nada têm a ver com os que referi acima. Estes outros, apesar de terem algo em comum com estes excessos gratuitos e mal-intencionados, porque também são discordantes do autor, e do post em causa, (e por conseguinte revelam uma inclinação diferente do rol de comentários que depois o sucede), em nada mais se lhes equiparam. Apresentam aliás uma dissemelhança fundamental - não são mal intencionados nem agressivos e alicerçam-se em pontos de vista que se tentam fundamentar. E aqui toda a diferença.

Devo até manifestar que de algum modo reservo uma certa admiração pelos autores desses comentários, que assim se destoando da opinião geral escolhem um papel solitário, de aparência intrusiva, mas de enorme honestidade e coerência. Diria mesmo que, se interpretados com serenidade e com serenidade merecendo a devida resposta, poderiam representar um contributo nada desprezível para aprofundar o tema do post, pelas linhas de rebatimento que podem abrir. Já o invés, a aquiescência, o sublinhado, o repercutir de novo a mensagem original, pouco contributo dará objectivamente ao aprofundamento da ideia inicial, não obstante serem um gesto de simpatia para com o autor do post e do blog e propiciarem outras vínculos de diálogo, igualmente interessantes.

E se é verdade que em muitas das vezes esses comentários discordantes têm algo de inoportuno, talvez até em alguns casos de deselegante, não deixo de sublinhar de novo que os mesmos são produzidos de boa fé, e se baseiam em pontos de vista sérios e argumentados. Acho por isso lamentável ver os seus autores serem tratados como se fossem os arruaceiros de blogs que referi inicialmente, como se não houvesse diferença entre estes que manifestam de forma sincera a sua opinião, e os medíocres que apenas visam o insulto gratuito. Sem complacências vejo-os em certos casos serem insultados, escorraçados, vilipendiados, como se o simples facto de não concordarem com alguma coisa lhes retirasse o direito de produzirem a sua opinião. Depois, o que se segue é uma sequência lamentável de rechaças a que todos já assistimos (e se calhar até já participámos).

Vejo nisto a fraqueza de nos sabermos pertencer ao lado forte da barricada, e assim a atirar uma pedra mais, na histeria do linchamento, cegos da adrenalina de sabermos fazer parte dos mais ‘fortes’. Vejo nisto a desproporção com que dispensamos o tratamento a outros só porque não lhes vemos a cara - como se alguém, sentado a uma mesa de conversa se virasse para um anónimo de ar respeitável e o chamasse de filho-da-puta e lhe sugerisse que fosse meter-o-dedo-no-cu, só porque às tantas esse senhor manifestou educada e justificadamente a sua discordância na conversa que corria.

A unanimidade não existe. E isso se calhar mais do que em qualquer outro lado, isso deveria ser reconhecido neste espaço especial de expressão (confrontação?) que é a blogosfera. Já sei, já sei, “o blog é meu, não gosta, passe à frente”. Tudo bem, não gosto, e sigo. Mas por favor, quando se pedir a alguém que saia, façamo-lo com elevação.

Haja respeito. Que por detrás das palavras há aqui gente, dos DOIS lados!

Além disso …
olhem, agora vou mas é responder aos prodigiosos comentadores que tenho a sorte de aqui receber e que felizmente são suficientemente ‘consonantes’ para não ter de pôr à prova a minha lisura :))

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:10 PM | Comentários (27)

abril 04, 2005

Merda de irritação matinal

... ou hipoglicémia, ou o raio que a parta !!.

Qualquer dia arranjo uma cama com rodas, e com uma mola na cabeceira que se activa às 7h da manhã - e Zás, lá vou eu com almofada e tudo parar ao meio da rua. Depois é só esperar que aquilo me passe enquanto faço parar o trânsito, me lanço ao gajo do clube video, e reviro o caixote do lixo. E pronto, depois já mais consolado, lá voltaria com um sorriso envergonhado, para lavar os dentes e dar uns bons dias à família.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:10 AM | Comentários (13)

março 29, 2005

Cansado de férias? Experimente uma boa feijoada e de seguida proponha-se arranjar os estores da sala

Nada como concluir um pequeno trabalho de ‘bricolagem’ de forma expedita e bem sucedida. Além da minimização do incómodo fica-nos a sempre saudável admiração pelos dotes de “homem muito jeitoso”, o que vale para os outros, para as sogras, e para nós mesmos.

Há contudo dentro destes diversas espécies de trabalhos, e uns tantos que devem ser considerados com as devidas cautelas...

... Os casos mais desgastantes, que podem mesmo constituir-se em acidentes traumáticos, são justamente aqueles a que se dá menos importância ao princípio, menosprezando por isso o cuidado ‘aproach’ que estes nos deveriam merecer. Sublinho aqui os pequenos trabalhos domésticos de reparação pois são dentro do seu tipo os mais inquietantes. Normalmente reservam-nos tarefas aparentemente simples, contudo, por uma lei caótica ainda não aprofundada, acabam por se desembrulhar num articulado de pequenos reparos, que envergonhadamente vamos procurando remediar, cada vez mais longe da elementar tarefa a que inicialmente nos tínhamos proposto.

Não raras vezes, o isolamento de uma torneira, um interruptor manhoso, ou mesmo uma tranca de porta preguiçosa, acabam por abanar a serenidade do mais prevenido ‘bricoleur’, já atiçado sobre as ferramentas, estas esbaforidas por cada canto da casa, ele a ouvir estupefacto, já desacreditado, a família a escapulir-se com um “a gente vai só ali e já volta”. Mas no género dos “jeitinhos” mais manhosos coloco indiscutivelmente o arranjo de estores (ou persianas, conforme o ponto do país de onde se leia). Este afazer a que descontraidamente nos podemos lançar mesmo após uma bela feijoada, começa invariavelmente pela tentativa de acesso à caixa dos estores, a qual de coisa simples de “só um jeitinho aqui”, talvez por um ligeiro excesso de diligência, se acaba por transformar num caos de buchas arrancadas e um pouco de massa de cimento que já só amanhã poderemos arranjar para reconstituir o canto que entretanto se fragmenta pelo chão da sala.

Refeitos dessa contrariedade, e perfilados de um espírito filosófico, rapidamente nos propomos remeter esse “pormenor” para o final dos trabalhos. Depois vem então a parte seguinte, o desenvencilhar das cintas. Esta operação, simples, é contudo pouco elegante, já que nos faz retorcer, quase enfiar meio corpo para dentro da abertura que afinal é estreita demais e, por fim, rouba-nos toda a recomendável postura - de pai extremoso e de marido jeitoso, acabamos por sair de lá de dentro brancos de pó, escondidos por entre uma cabeleira de teias, e com aranhinhas bamboleando-se do nariz, enquanto disfarçamos a mão entalada na calha que os guia, aos malfadados estores. Por esta altura já perdemos todo o capital angariado de trabalhos anteriores, esses, porventura melhor sucedidos. Porque nesta coisa dos trabalhinhos de casa, mais do que o resultado final, é a elegância e o preparo que contam para qualquer pai de família.

Chega então a fase técnica. Normalmente é apenas substituir as fitas, reprendê-las no rolo, uns parafusos aqui, uma puxadela ali e fica pronto. Já fiz isto vezes sem conta. E de todas as vezes, como esta, faço-me prometer que nunca mais caio noutra. De todas as vezes, como esta, depois de andar a rebocar a parede, de ter esbanjado o prestígio de pai e marido, acabo aos pontapés ao rodapé e a chamar-me estúpido perante a estupefacção dos meus filhos, dos vizinhos, e já mais ao longe do senhor da sapataria e quase acredito até dos bombeiros lá no virar da esquina. De todas as vezes, como esta, quando já com a caixa fechada, as ferramentas arrumadas e o aspirador nos últimos sôfregos de pó e cimento, experimento a obra acabada, acabo por descobrir que sempre que se arranja um estore, deixamos a fita em baixo em vez de enrolada no tambor!!! O que significa apenas que tudo irá ter de recomeçar.

O arranjo de estores é por isso coisa que me é ingrata. Vejo-me quase sempre a deixar para um outro dia o arranjo, do arranjo que fiz - que por mais brio, já não há espírito para encarar aquilo de novo. Resignado, sei que irá passar o tempo suficiente para voltar a olhar para a persiana com ímpetos de a arranjar. O tempo suficiente para esquecer a lição que me levou a desistir desta vez. Hei-de então lançar-me revigoradamente, hão-de cair de novo os parafusos e as buchas nos remendos de cimento que lá acautelei, hei-de perder a compostura de novo no meio de tanta teia de aranha e tanta contrariedade, e no fim, depois de passar por tudo de novo, acabarei incontornavelmente por confirmar que a fita ficou de novo em baixo.

Amanhã vou arranjar o telhado, ou começar os planos da nova cozinha. Hei-de certamente arranjar coisa mais simples do que esta de arranjar estores.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:57 PM | Comentários (1)

março 16, 2005

Reflexão umbilical

Algo que tem o dom da expressão, e que o aplica exclusivamente para falar sobre si mesmo, torna-se uma espiral absurda, um desperdício sucessivamente matraqueado, uma capacidade esbanjada que não acrescenta mais do que as mesmas coisas ao que afinal já é e já disse que é. Uma ostra. Há dias em que encontro pessoas assim. Há dias em que me vejo assim.

E há dias em que acho que esta blogoesfera caminha assim, sentada num poleiro do mundo, onde afinal passa o dia a limpar as penas.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:30 PM | Comentários (6)

fevereiro 27, 2005

Interrupções

(Há interrupções boas …)

Se há coisas com que gosto de me interromper é para ajeitar a lenha na lareira. E das coisas um pouco mais demoradas, para exemplo, lembro-me que também gosto de regar as plantas, normalmente intervalando o fim da tarde. São interrupções que esperam tranquilamente por mim, que aguardam mansas até que em mim ocorram.

(E também há interrupções más…)

Já outras há que me agastam, porque se atravessam à nossa frente, sobrepõem-se-nos, obrigam-nos ao recomeço. Assim de repente lembro-me por exemplo da mudança de uma lâmpada, que se funde a meio da página que líamos abstraídos.

(Mas as piores são as que apenas se interrompem a si mesmas)

Ah, e nestas, também as arreliadas explicações que têm de ser dadas por culpa de uma interpelação de alguém, alguém que se sobrepõe sempre ao que se conta, incapaz de esperar que as coisas se contem completamente. E as coisas que se contam, assim agitadas, ficam irremediavelmente entrecortadas. Metade dita mas aleijada, a outra metade riscada com as interrupções de alguém que nem por breves momentos é capaz de ouvir as coisas contadas por olhos que não são os seus.

(As desinteligências são o ajeitar desnecessário da lareira alardeada de fogo avivado, ou a rega das flores no pino da chuva. Interessam só a quem as comete.)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:45 PM

fevereiro 20, 2005

Porque ainda não consegui ver os resultados do meu voto?

É lamentável, e sinto-me profundamente insultado, como eleitor, e profundamente ultrajado como cidadão, ver branqueados, ignorados e desprovidos de análise política, os votos em branco. Afinal, e nisto terei de concordar com o outro, há um sistema. Um sistema que marginaliza todos os cidadãos que através do direito ao voto quiseram moldar assim a sua voz. Pior que as vitórias e as derrotas dos partidos, é a derrota deste sentir português, aqui chutado para canto, como se não relevasse na acção e nos resultados políticos.

Como pode alguem não sentir, não comentar e não respeitar o sentimento que esteve presente numa franja significativa de portugueses (e aqui especulo, pois ainda não consegui ver divulgado em nenhum lado o peso do voto em branco), no toque angustiado com que empurraram o seu voto para a urna. Haja respeito, aceite-se o nojo de quem como eu assim votou.

O resto ... seja o que Deus quiser.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:12 PM | Comentários (8)

fevereiro 13, 2005

Coisas que me irritam

... ler por aí (aqui):

“As minhas desculpas, mas agora tenho andado carregado de trabalho …”

Mas se não têm tempo porque se dão ao trabalho de o desperdiçar assim, justificando-o? E porque nos levam a perder tempo para os ler a dizer que não têm tempo para perder? Vício de se verem escritos ou pretensão?

Não estou obviamente a insinuar alguém em particular. Senão teria de começar por mim mesmo, aqui, agora.

(e pronto, hoje já está)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:07 PM | Comentários (10)

fevereiro 12, 2005

Não gramo o frio e pronto

Que bela lareira eu arranjei, sim senhor! Designer de Barcelona, da mais fina nata e coiso e tal, sim senhor! … eu também não disse que aquilo era para funcionar, nãaaa snhôr.
questoes1.JPG

(Catarina desculpa, depois mando outro)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:07 AM | Comentários (1)

janeiro 30, 2005

Está a apetecer-me imenso

Escrever um post a explicar que o "C" da temperatura não é de Centígrados, e que esta se mede em Celsius . Talvez depois mandar cópia para as meninas da metereologia via INMG.

E já agora, com o balanço, ainda um outro a explicar que nós não pesamos Kilos mas sim Newtons. Mas explicar a diferença entre massa e peso só mandando alguém para o hiper-espaço... a questão é, quem? todos?

Melhor ficar quieto, que depois de ter sido chamado de loiro, ainda acabo agora a ser acusado de frívolo.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:10 AM | Comentários (9)

janeiro 12, 2005

Eu sei, eu também tenho um blog, mas que diabo...

Tenho visto por aí ecoar notícias como esta do BdE , em que se manifesta a indignação, mais ou menos acirrada, pelo despedimento de alguém que mantinha um blog. Na maioria das vezes estas situações são até cogitadas como a acção de um prepotente poder político contra a liberdade de expressão. Antes de avançar devo dizer que tenho sempre algumas reservas sobre todas as opiniões que se manifestam sem reservas.

Nem me atrevo a incluir aqui o caso em referência, citado pelo Jorge Palinhos, pois este esgrime a precavida comprovação no link que nos remete para a fonte, e que me contradiz assim: “…in the satirical blog he writes in his spare time … Mr Gordon, a senior bookseller who rarely mentioned work in his blog and did not directly identify his branch of Waterstone's …”, nos dois pontos que eu pretendo aqui desenvolver. Tenho-o aqui, apenas porque regista o oposto do que quero dizer, e assim melhor sublinha o meu ponto de vista.

Mas certo é que tenho (temos) lido notícias relacionadas, propaladas pela blogosfera, nas quais a evidência destes dois aspectos não está em claro. E sem as citar, é pela generalização que agora incorro.

Com cautela, saberemos nós constatar em quantos dos casos enumerados:

1. O blogger despedido mantinha o seu blog durante o período da sua actividade profissional, sendo isso objectivamente uma das alegações da entidade empregadora?

2. E em quais desses casos o blogger criticava ainda de forma publica a Empresa/Organização, divulgando aspectos da sua actividade empresarial, municipal, etc (conforme os casos)?

Da interpretação destes casos na notícia que os trazem até mim, ressoam sempre a crítica ao poder político, à liberdade de expressão, e até a perseguição ao meio bloguístico. Pois é aqui que me oponho, é aqui que derivo, é aqui que eu manifesto a minha indignação perante a indignação levantada. Admito que tenha a ver com o que o meu pai me dizia “tu tens de estar sempre no contra”, mas a verdade é que acho que tudo isto, na maior parte das vezes, poderá conter alguma distorção. E a seguir me justifico nos dois pontos:

1. Se a entidade patronal, contratualiza com o seu colaborador o seu préstimo profissional, este determinado num volume de horas de trabalho, normalmente explicitado num regime de trabalho, definido de forma precisa; Se essa actividade é compensada salarialmente por remuneração acordada; Se o empregador constata que no período em que o colaborador presta (ou deve prestar) a sua actividade em prol da organização a que pertence, afinal, despende-o para outros fins, estes de natureza pessoal; Se esses fins não trazem directa ou indirectamente benefício à Empresa; Pergunto: Sou eu que não estou a perceber bem onde falha a justa causa do despedimento? Se quiserem posso pôr a questão de outro modo: independentemente de criticarmos o grau de severidade (que aliás não podemos ajuizar porque não conhecemos com rigor toda a situação) parece pouco razoável que alguém seja despedido por, durante o período de trabalho, se entreter a brincar com um “pokemon”? E se for uma outra actividade de usufruto particular, como por exemplo ter um blog, o facto de esta ser uma actividade de expressão intelectual, atenua a gravidade, deve alterar a decisão?

2. Sobre o segundo ponto: A empresa tem o direito de exigir o sigilo profissional aos seus colaboradores, assim como a sua exclusividade profissional por exemplo, neste segundo caso esta deve ser explícita contratualmente, mas já no primeiro caso não creio precisar de tanto, pois a não confidencialidade constituiu objectivamente um dolo para a Empresa; Se um colaborador utilizar formas públicas para divulgar bens, estratégias de gestão, dados, conteúdos da empresa, não incorre numa tentativa consciente de prejudicar a empresa rompendo o princípio da confidencialidade? Quando expõe publicamente no seu blog, criticas declaradas à organização a que pertence, identificando-a, fundamentando estas com o testemunho (confidencial ou não) da actividade da mesma, não está a lesar a empresa? É isso eticamente e profissionalmente aceitável?

Reconheço que não sou um especialista da jurisdição laboral, por isso alguém me diga o que estou eu a ver mal? Ou será que sou um beneficiado sem o saber, será que o facto de ter um blog, (e de lá dizer o que entender, de o trabalhar durante o período da minha actividade profissional) me iliba deste tipo de ónus que tenho para com a empresa? Ter um blog é afinal um caso de excepção, no plano ético e profissional? Insisto, alguém me pode esclarecer?

Eu sei, eu também tenho um blog … Mas que diabo, haverá assim tanto despropósito nisto tudo ??!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:38 PM | Comentários (10)

dezembro 16, 2004

Eu não merecia “tanto”

JPT, Bill (como não tens um blog arranjei-te um lugarzinho aqui perto, clica, clica), não posso deixar de me sentir comovido por se terem emprestado ao trabalhoso intuito de encharcar isto de jocosos comentários. Mais adianto que este vosso exaustivo contributo empírico veio atestar de forma decisiva e curial aquilo a que apontava no post debaixo ( e que, por aqui tão perto, me escuso de linkar). Ainda no âmbito deste exercício científico, e propondo que persigamos o princípio da redundância na comprovação da tese em causa, aqui sugiro mesmo que prolonguemos esta experimentação em sede do Ma-Schamba. Neste propósito, e tendo presente o desgaste a que certamente este vosso mister aqui vos terá consumido, arrisco sugerir que desta feita não devamos ser tão exigentes no nível intelectivo dos comentários a postar, ao invés da amável preocupação que por aqui foi tida por V. Exas, e que por mim, emocionadamente, foi notada

Agora, se não se importam ...
103699m1.jpg Podem começar !!!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:56 PM | Comentários (16)

dezembro 13, 2004

Desculpem ...

Mas este gajo aqui põe-me sempre assim. E depois aquela mania de tirar macacos do nariz quando a gente o contraria. Que irritação! Prometo que da próxima vez não vou arrastar a cadeira com tanta força

PS:
Acabei de saber que afinal a culpa não foi do gajo. Parece que foi mesmo um sismo. Por favor, ignorem as minhas desculpas ...uff

PS do PS: ( o que deve dar aí para os lados do Almeida Santos, M.el Alegre, mais ou menos por aí)
A julgar pelos já inumeros relatos que por aí vou vendo, vide aqui o adufe no quadro das observações de natureza mais científica, vou constatando que o tremor de terra não foi sentido ao nível da rua, mas apenas em andares altos. Daí o pôr-me a pensar, será que foi um sismo com epicentro a meia-altura?

PS do PS do PS: (este já muito próximo do BE)
Ou muito me engano ou também há quem trate estes abanicos por “abalo telúrico”. Pois, pois, tratamento respeitoso, ciciado com esse tonzinho poético, a ver se o amansam não é? Canininhos que nós somos não é?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:15 PM | Comentários (11)

dezembro 02, 2004

Afinal era só uma gotinha de óleo ?!!

A1, a caminho do Porto. Apita uma luzinha. Sabendo-me bem de gasolina, assola-me o receio. Acabo por o confirmar no ‘tableau’, lá estava aquela espécie de lâmpada de Aladino vertendo uma lágrima amarela:
- Porra, que se passa com o óleo… para atrasar ainda mais. Que raio! - poucos quilómetros à frente, lá me vou vendo parado na estação de serviço, seguindo a vareta, confirmando-lhe o fundo molhado muito aquém da zona recartilhada do que seria o limite aceitável.

Coisa simples pensei, disfarçando a raiva do atraso e das imprevidências. Não seria difícil verter uma garrafa de óleo que ali mesmo compraria. Mas nestes dias nada é simples, e tão pouco vale a pena ter uma atitude filosófica, porque quilómetro a quilómetro (falamos de auto-estradas faço notar), já estão riscadas no chão as contrariedades que haveremos de sofrer. Faltava a documentação técnica do carro, impossível por isso encontrar a especificação do óleo. Decido-me a ligar para os tipos que me alugaram o carro, no entretanto já me preparando para o regateio.

- Bom dia, “LusoCarroças”, queira …
- Olhe, estou no meio da auto-estrada, e ao que parece o carro está com pouco óleo. Talvez se me desse a refer….
- Ahhh, olhe, fazemos assim, compra o óleo e põe-o, depois pede a factura que nós devolvemos o dinheiro …

Não!! Sei que parece inconsistente, sei que soa a contradição, mas uma coisa era eu propor aquilo, outra coisa era esta simpática senhora sugerir-me tal, como se, não por incumbência profissional, mas por mero obséquio seu. Em poucas sílabas, naquela eterna lógica do desenrascanço, acabava de me retirar do estatuto de cliente para fazer de mim um compungido mecânico improvisado, e ainda assim devendo-se grato pela sugestão. Nem a deixei terminar.

- Minha senhora, eu paguei o aluguer deste carro para o conduzir, não para lhe fazer a manutenção. Peço imensa desculpa mas isso não vou fazer – e começando já a enervar-me – Aliás, que digo eu, quem me devia começar por pedir desculpa era a senhora. É absolutamente inaceitável que me entreguem um carro sem sequer lhe fazerem uma inspecção básica, como ver o óleo.
- Mas então como sugere que façamos ?
- Quero um carro de substituição, caso não tenha ninguém para aqui vir resolver isto! – sou um diabo de um mau feitio, não mau cliente, apenas mau feitio, quando me tratam mal como cliente.
- Mas não disse que estava no meio da autoestrada ?

Agora era o tudo ou nada, nem que tivesse de ir ao Algarve. Pensei rápido, mas não muito bem. Estava a afundar-me nos meus compromissos, não apenas por culpa deles, mas porque agora obstinadamente iria levar esta coisa até ao fim.

- Olhe, vou ter de fazer um desvio por Aveiro. Sugiro que na vossa filial de lá tenham um carro preparado para trocar. De outro modo seguirei caminho, tal como ele está. O que não farei? não vou sequer abrir o capot de um carro que aluguei para me facilitar a vida e cujo propósito era fazer-me chegar a horas aos compromissos que tenho no Porto, e se possível com as mãos limpas.
- Bem … se prefere assim … combinarei com os meus colegas de Aveiro.
E lá me dei as indicações necessárias.

Meia-hora perdida de combinações. Depois meia-hora para me acercar do dito stand em Aveiro. Uma outra exasperante meia-hora - mais tarde altivamente justificado com o “estou só a atender o cliente que estava primeiro” – e finalmente estava a receber nova chave. Dizia-me o rapaz com ar de quem já se quer intimo, por culpa do desafogo que me oferecia:

- Mas afinal que tem o outro carro ?
- Parece que falta de óleo.
- Teria sido mais fácil se o senhor tivesse posto uma gotinha.
- Caro amigo, eu aluguei o carro para chegar ao Porto a tempo e horas, e sem nada de imprevistos, é isso que espero num carro de aluguer. Não espero, ter de lhe por óleo. Aliás, acho tudo isto perfeitamente inaceitável da vossa parte.
- Da nossa ??? calma, eu nada tenho a ver com isto !
- Tem razão, enganei-me. Falava da organização a que pelos vistos não pertence. Farei questão de dizer isso quando em Lisboa for preencher o livro de reclamações.

Olhava-me esbugalhado, via-o tentado a retirar-me a chave da mão, agastado, depois de tanto préstimo.

Enfim, lá cheguei 2 horas atrasado à reunião, rasgado em desculpas, raivoso, sem que tivesse conseguido varrer mais um pouco desta bandalhice que é este luso mundo de profissionais. Eles lá ficaram, uma em Lisboa, outro no Stand, provavelmente comentando a hipocrisia de um cliente, continuando sem perceber absolutamente nada.

Eu já o tinha dito à “menina da caixa” – tenho um granda mau feitio!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:52 PM | Comentários (7)

novembro 25, 2004

Viva !! Ganhámos a Taça Ibérica !!!

Como ? Não de facto não foi em seniores. Mas foi em juvenis !
Como ? Não, não foram os lampiões nem os lagartos, foi o ‘Técnico’
Como ? Não, não é um clube de futebol, é um clube de rugby
Porquê ? Olhe porque é o clube onde andam os meus filhos
Porquê ? Olhe porque me interessa a mim
Porquê ? Olhe, estou já tão irritado que juro, mas juro mesmo, que vou criar o post mais longo deste blog, sobre o verdadeiro desporto, sublinho, o desporto.
Porquê ? Olhe, para lhe enfiar com ele pela garganta abaixo!
Como ? Claro que pode, a seguir pode continuar a ler o ‘record’

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Não ligues Francisco, são conversas de adultos

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:29 AM | Comentários (6)

novembro 23, 2004

O que hoje ficou por dizer ao Auditor

(ele - o Burocrata) - Então diga lá que projectos técnicos desenvolveu este ano?

(eu - o Iludido) - Foi um ano excelente. Olhe, investimos imenso na área da organização, da rede interna … também implementámos soluções de “groupware”, obtivemos francas melhorias no sector de fresagem …

(ele - o Burocrata) - Não é isso, isso não é importante para agora. O que eu quero saber é onde estão esses projectos registados ?

(eu - O Corroborativo) - Ah bom, ainda bem que pergunta. Na verdade nós temos uma ficha de acompanhamento muito detalhada, como pode ver aqui. Sabe, por vezes gastamos horas e horas a desenvolver as coisas e depois esquecemos a sua implementação, por isso aqui …

(ele - o Burocrata) - Não me fiz entender. Eu quero ver a evidência da actividade realizada. Os resultados não são para aqui chamados !

(eu - o Desavisado) - Os resultados não são para aqui chamados ?? E além disso acabei de lhe entregar quatro dossiers ! Quanto a mim até são demais. Já viu quantas horas de desenvolvimento técnico sacrificamos só para …

(ele - o Burocrata) - Desculpe mas estamos a desviar-nos. Há que cumprir os aspectos normativos …

(eu - o começo a passar-me) - Espere lá, diga-me lá para que é que existem as normas …

(ele - o Burocrata) - … E ainda os aspectos legislativos ! Voltando à questão de relevo, mostre-me lá as evidências.

(eu - o Esgazeado) - Mostro o quê ?!! As evidências ??! Eu até lhe mostro o produto final !!! Prefere levar com ele no toutiço ou nos tomates ???

[e o que mais me irrita é que ainda por cima somos nós que pagamos o almocinho a estes gajos]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:47 PM | Comentários (10)

novembro 20, 2004

A menina da caixa, o “ferrador” e os sacos de plástico

A menina da Caixa (hoje, no Supermercado)

- Vou ter de ficar a dever-lhe 2 Cêntimos.
- Não.
- Como não ?
- Não quero que me fique a dever 2 Cents
- Mas eu não tenho 2 Cents para lhe dar !
- Nesse caso fico eu a dever-lhe 3 Cents.
- Ai desculpe, mas …
- Terá de resolver o problema como entender.
- Humm... então vai ter de esperar
...
- Olhe, ainda aqui estou
- A minha colega já aí vem
...
- Pronto, aqui tem os seus 2 Cents.
- Obrigado. Passe um bom dia.
- Hummm

Pois tenho, pois tenho, tenho mau feitio!

- //-

A culpa é do “Ferrador” que nos educou mal (há uma data de anos)

Pois, é provavelmente por culpa dele que me saí hoje tão despropositado. Quem não se lembra do famoso slogan “corra Portugal de lés a lés, com meias Ferrador nos pés”. Uma verdadeira rede de lojas, antecipando-se ao modelo de negócio que hoje prolifera - méritos não reconhecidos em outros tempos.

Outros tempos sim. As moedas a chocalharem no caminho para o recado, esperando-se troco ainda. Pois aí, nessa digna loja, por entre as nuances de cheiros a sabonete, a cordel e a lençóis, havia sempre alguém de imaculada bata cinzenta, que respeitosamente me atendia, apesar de fedelho.

Pois bem, naquela retrosaria apostava-se uma estratégia comercial muito agressiva, hoje sem significado, porque se baseava nos tostões e terminações, para os quais hoje já não olhamos. Todos os preços acabavam sem arredondamento, nos 9 Centavos. As famosas peúgas por exemplo, poderiam custar 2$99. O cliente assim nem achava caro, achavam eles.

Mas quando íamos a contas ninguém ficava a dever nada a ninguém. Nem que o trocado viesse em rebuçados ou molas da roupa, para o efeito ali ajeitados em cestinhos de verga ao lado da máquina registradora. Mas era conta que acertava sempre. Ninguém ficava a dever nada a ninguém.

Outros tempos. Deve ser daí que veio o meu mau feitio com a menina da caixa”.

-//-

Os sacos de plástico (de um tempo que já não era o meu)

Claro que já não sou do tempo da minha avó, fui apenas vítima disso. Passava-se bastante mais tarde, na fase em que hibernava por lá, por sua casa, numa tentativa desesperada de recompor um semestre desastroso no Técnico. No meio daqueles mimos todos, sobrava-me a parte das compras domésticas. Nessas alturas ela estendia-me os 4 sacos de plástico e eu, não disfarçando o embaraço, lá os ajeitava no bolso. Entendia ela que assim é que era, porque era assim que sempre fora.

Era no mínimo uma situação invulgar para uma época em que a economia já engolira os tostões, e já havia passado uma adolescência inteira desde os rebuçados do “Ferrador”. Mas obviamente não a contrariava. E lá me via, encavacadíssimo, a desemaranhar os saquinhos, sob os olhares cómicos da fila do supermercado. E se a situação não é de todo invulgar, quando muito susceptível, naquela altura parecia-me definitivamente desajustada - um atentado grave contra as minhas hormonas de rapazola, e tudo por causa de uns míseros 2$50.

De outras vezes ainda pensei deixá-los, aos sacos, esquecidos no bolso. Mas acabava por me sentir sempre fortemente revoltado comigo mesmo. Não me peçam para explicar porquê. Sabia apenas que as avós são só avós, não têm idiossincrasias, e portanto, nós também não.

-//-

É por isso que tenho mau feitio

Enfim, mas o tempo da minha avó era outro tempo. Um tempo que já não se encaixava no meu. Provavelmente como o meu já não se encaixa no tempo da “menina da caixa”.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:49 PM | Comentários (12)

novembro 19, 2004

Fazia-me espécie

... Fazia-me espécie? Fazia-me espécie?

Olha, a mim também me faz espécie as expressões das quais não consigo tirar nenhum sentido. Sinto-me um verdadeiro ignorante ao ver toda a gente a 'espeçar' e eu aqui, sózinho, sem espécie alguma.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:49 PM

O efeito “caramelo” nas estradas portuguesas

Com as auto-estradas nota-se menos, mas ainda assim o fenómeno mantém-se. Era mais visível de facto na antiga Estrada Nacional para o Algarve. Fatalmente, fosse lá que dia fosse, um tipo iria esbarrar com uma procissão de carros. Sem alarido, lá me punha no meu compasso. Primeiro um, depois mais 2 ou 3 carros, por vezes o braço levantado agradecendo a entrada na fila, fingindo-me daquela calma exasperante com que o ritmo seguia, depois de novo, até deixar para trás o chefe de fila dos empandeirados automobilistas. Depois era só seguir, estrada aberta até ao Algarve.

Mas eles não, eles por lá se mantinham. O primeiro nem tentava a ultrapassagem, o segundo hesitava pois era-lhe exigido mais arrojo, e o terceiro, como os restantes, remetia-se à sua vez, que nunca aconteceria.

Ao princípio ainda estranhava aquelas histórias tão dissonantes do “que raio de trânsito hoje apanhei para o Algarve, foi um stress”. Confirmava mesmo que se tratava da mesma hora em que nós seguíamos, da qual aliás a única coisa que nos lembrávamos era a mancha de calor transparente, boiando sobre o alcatrão, que os meus filhos ainda insistem ser miragens. Mais tarde acabei por assumir, para não causar polémica, que apesar de todos chegarmos ao mesmo sítio, não vínhamos certamente pelo mesmo caminho.

Agora o que eu não percebo é como ainda hoje, numa auto-estrada, vou constatando o mesmo fenómeno. Mais encorpados, com a formação espraiando-se já por duas faixas, eles lá seguem, angustiados, uns sobre os outros, até ao destino final.

E não me venham chamar de “acelera inconsciente” e coiso e tal. Porque o que eu de facto tenho medo, e nem sei mesmo se alguma vez ousarei, é fazer uma viagem inteira no meio daquele “ encaramelanço”.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:51 AM | Comentários (7)

novembro 18, 2004

Socorro !!!

Tenho este trambolho de m... a azucrinar-me o juízo!!

De cada vez que abro uma página lá vem mais um, é matemático. Agora estão a ver o que isso significa nas blogadas deambulações, não é ? Quando dou por mim tenho o IE empastado com 15 coisas destas.

Não quero celulares !! Não quero violões eléctricos !!! Não quero impressoras !!!! Não quero ténis !!!!! E já agora, antes de fazerem o upgrade dessa caixa de m... vou avisando já que também não quero bonecas suecas!!!!!! Quero é que me deixem em paz ouviram ?!!! ai se eu lhes encontro o mail …

Pleaaaseee, alguém que me ajude !?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:41 PM | Comentários (15)

novembro 02, 2004

Leram os últimos post‘s ? Agora façam o favor de usar ali à direita o “scroll” e vão até lá abaixo, ao primeiro post. Depois voltem …

… é inevitável pensar como em 20 dias um blog mudou tanto não é?

Acho que já estou a perceber qual é o próximo post

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:30 PM | Comentários (1)

outubro 29, 2004

Halloween … mas que merda é esta ?!

Pergunto-me se foi o grande comércio quem teve esta abjecta ideia, e tudo me leva a crer que sim:
"A animação é tanta que dia 31 de outubro é feriado nos Estados Unidos e o comércio registra alto volume de vendas, superior somente ao da época de Natal. De acordo com estatísticas, no dia 31 os mais empolgados com as compras gastam um total de U$S 2,5 milhões em fantasias, presentes e acessórios."
É lamentável que se manipule o fértil mas tão permeável mundo de fantasia das crianças, com intuitos meramente comerciais.

Por outro lado, interrogo-me se não terá sido uma consciente e articulada estratégia do ensino de inglês em Portugal, sob a aliada cobertura dos programas curriculares do ME. A “americanização” de novo a reconstruir-se pelo mundo fora. As culturas “fortes” sonegam as fracas …..grrrrrr. Ter de levar com os resquícios da política internacional americana, ou gorgolejar uma coca-cola é uma fatalidade, agora o que acho afrontoso é que no quadro do nosso beneplácito ensino público se institucionalize um acontecimento que nada tem a ver connosco, e que já tão pouco lhe falta para se propor como um feriado nacional.

É desonesto pretender marcar de forma indelével nas memórias dos nossos filhos, no imaginário lusitano de amanhã, esta coisa das caraças e do mau olhado, tenha ela origem nos celtas ou no raio que o parta. Mas o que mais me irrita é fazerem de arremesso as lágrimas desiludidas dos nossos filhos, quando estoicamente lhes tentamos explicar aquilo que já não é possível.

É altura das comunidades portuguesas nos EUA, paulatinamente, irem instaurando nos seus círculos o “dia da Nossa Senhora de Fátima”, assim mesmo, sem tradução. Que se faça lobbie com o pequeno comércio de Newark, mas que se não resfolegue até ao dia em que este será um feriado nacional nos EUA, quiçá em todo o mundo anglófono.

Portugueses, uni-vos ! Contra os hamburgers, feijoada ! feijoaaaada

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:18 AM | Comentários (2)

outubro 15, 2004

Mau acordar – ou a história de um ciclo dramático

Todos os dias me deito cansado, gasto, falido de esforço.

E isto porque quando acordo sou invariavelmente uma besta! Nesses 15 minutos fatais vocifero, lanço impropérios contra opiniões que ninguém produziu, rebato com argumentos lamentáveis as perguntas que ninguém formulou, insinuo. Sou abjecto para com ela e os miúdos.

Quando finalmente recupero a minha humanidade eles já se foram para o dia deles. As horas comuns passo-as num reboliço: às coisas que cumprem o meu dia junto as investidas para procurar resolver os disparates que fiz e disse ao acordar. Tento ressarcir-me dessas primeiras horas. Por vezes consigo-o.

Depois chega a noite que me traz outra vez cansado. A consciência apoquenta-me o sono. Acabo desfolhando as horas no sofá, apático, fugindo daquele impulso que me levará de novo para a cama, inquietado pelo novo despertar que se lhe seguirá.

Mas cedo ao sono, combalido e remediado das asneiras que fiz naquela manhã. Preciso de dormir bem. Espera-me a prorrogação de todos os dias. Amanhã vou ter de passar o dia a resolver os absurdos que pela matina irei deitar ao mundo.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:35 AM | Comentários (1)