setembro 06, 2006

Poema Temperamental

Ó caralho! Ó caralho!
Quem abateu estas aves?
Quem é que sabe? quem é
que inventou a pasmaceira?
Que puta de bebedeira
é esta que em nós se vem
já desde o ventre da mãe
e que tem a nossa idade?
Ó caralho! Ó caralho!
Isto de a gente sorrir
com os dentes cariados
esta coisa de gritar
sem ter nada na goela
faz-nos abrir a janela.
Faz doer a solidão.
Faz das tripas coração.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque não vem o diabo
dizer que somos um povo
de heróicos analfabetos?
Na cama fazemos netos
porque os filhos não são nossos
são produtos do acaso
desde o sangue até aos ossos.
Ó caralho! Ó caralho!
Um homem mede-se aos palmos
se não há outra medida
e põe-se o dedo na ferida
se o dedo lá for preciso.
Não temos que ter juízo
o que é urgente é ser louco
quer se seja muito ou pouco.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque é que os poemas dizem
o que os poetas não querem?
Porque é que as palavras ferem
como facas aguçadas
cravadas por toda a parte?
Porque é que se diz que a arte
é para certas camadas?
Ó caralho! Ó caralho!
Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão cruéis
que para comprar anéis
vendemos os próprios dedos.
Ó caralho! Ó caralho!
Falta mudar tanta coisa.
Falta mudar isto tudo!
Ser-se cego surdo e mudo
entre gente sem cabeça
não é desgraça completa.
É como ser-se poeta
sem que a poesia aconteça.
Ó caralho! Ó caralho!
Nunca ninguém diz o nome
do silêncio que nos mata
e andamos mortos de fome
(mesmo os que trazem gravata)
com um nó junto à garganta.
O mal é que a gente canta
quando nos põem a pata.
Ó caralho! Ó caralho!
O melhor era fingir
que não é nada connosco.
O melhor era dizer
que nunca mais há remédio
para a sífilis. Para o tédio.
Para o ócio e a pobreza.
Era melhor. Com certeza.
Ó caralho! Ó caralho!
Tudo são contas antigas.
Tudo são palavras velhas.
Faz-se um telhado sem telhas
para que chova lá dentro
e afogam-se os moribundos
dentro do guarda-vestidos
entre vaias e gemidos.
Ó caralho! Ó caralho!
Há gente que não faz nada
nem sequer coçar as pernas.
Há gente que não se importa
de viver feita aos bocados
com uma alma tão morta
que os mortos berram à porta
dos vivos que estão calados.
Ó caralho! Ó caralho!
Já é tempo de aprender
quanto custa a vida inteira
a comer e a beber
e a viver dessa maneira.
Já é tempo de dizer
que a fome tem outro nome.
Que viver já é ter fome.
Ó caralho! Ó caralho!
Ó caralho!

Joaquim Pessoa

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:36 PM

julho 26, 2006

Leitura de Férias

(prometo que não volto a fazer mais alusões ou citações literárias - até porque os livros se estragam com a areia da praia)

Recomendo veementemente este Bill Bryson e a sua “breve história de quase tudo”, sobretudo para aqueles que se sentem mais confortáveis se tiverem diante de si uma explicação mecânica e indesfocável para quase tudo - Ou seja, que tal como eu acreditam que tudo o que está por trás do (véu da realidade) que vemos é um intrincado de roldanas, moitões, manilhas e cabos que esticam ora daqui ou dali, para que assim se evite que o mundo, por alguma vez, corra o risco de ficar desembrulhado. Além disso, este livro, tem uma introdução fabulosa. E é nele, a abrir, ainda antes da dita introdução, que encontro esta citação:

O físico Leo Szilard anunciou certa vez ao seu amigo Hans Bethe a sua intenção de começar a escrever um diário.
- Não tenho qualquer interesse em publicá-lo. Vou apenas registar os factos para informação de Deus.
- Não te parece que Deus já sabe quais são os factos? – respondeu Bethe.
- Sim – disse Szilard, e prosseguiu - Ele conhece os factos, o que ele não conhece é esta versão dos factos.”

Hans Christian von Baeyer, Taming the Atom

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:21 PM

maio 30, 2006

“As árvores e os livros”

Antes da súbita e desagradável interrupção originada pelos #$%& dos pombos, essa praga imbecil de reservatórios patogénicos (Google dixit) que dá pelo nome de Columba livia domestica e dos quais não se conhece qualquer outro ritual vital que não seja o defecar sobre poetas e estátuas, era mais ou menos isto que talvez quisesse dizer, (… caso, naturalmente, em mim de poeta houvesse mais que de estátua):

“As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas e recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.”

Jorge Sousa Braga (1957)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:42 PM

maio 17, 2006

Nuno Fonseca

 

A imagem não cabia toda aqui. Caso pretenda vê-la por completo informo que o resto está afixado no blog que tenho aqui mesmo do lado esquerdo. Elá !!! Nuno, onde é que tu dizes que isto vai ser publicado?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:36 PM

maio 11, 2006

Do que anda por aí a faltar muito

"Mieux vaudrait apprendre à faire l'amour correctement
que de s'abrutir sur un livre d'histoire"

Boris Vian

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:33 AM | Comentários (5)

abril 11, 2006

Nuno Fonseca

A estepe nórdica

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:04 AM

abril 10, 2006

Nuno Fonseca

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:30 AM

abril 08, 2006

Nuno Fonseca

Pssstttt  … favor não tocar aí na obra.  Se pretender algo pode sempre contactar o seu agente comercial para a blogosfera: eu!  

… que acumulo com a condição de irmão frustrado (maldosa injustiça, até na forma como reparte o aparelho circulatório pelos membros da uma mesma família - porque é que esta veia tinha de ir toda para ele? nem falo por mim, mas é que nós, só irmãos eramos seis caramba! )

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:03 AM

fevereiro 10, 2006

 

 

 

Semiramis

 

 

 

 

 

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:04 PM

fevereiro 02, 2006

Dando uso higiénico aos spam's que me chegam por mail

O louva-deus macho não pode copular enquanto a sua cabeça estiver ligada ao corpo. A fêmea inicia o acto sexual arrancando-lhe a cabeça.

("Querida, cheguei! O que é is.....")

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:04 PM | Comentários (6)

janeiro 31, 2006

“Actuação Escrita

Pode-se escrever

Pode-se escrever sem ortografia
Pode-se escrever sem sintaxe
Pode-se escrever sem português
Pode-se escrever numa língua sem saber essa língua
Pode-se escrever sem saber escrever
Pode-se pegar na caneta sem haver escrita
Pode-se pegar na escrita sem haver caneta
Pode-se pegar na caneta sem haver caneta
Pode-se escrever sem caneta
Pode-se sem caneta escrever caneta
Pode-se sem escrever escrever plume
Pode-se escrever sem escrever
Pode-se escrever sem sabermos nada
Pode-se escrever nada sem sabermos
Pode-se escrever sabermos sem nada
Pode-se escrever nada
Pode-se escrever com nada
Pode-se escrever sem nada

Pode-se não escrever”

Pedro Oom (1926-1974)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:49 AM | Comentários (2)

janeiro 05, 2006

Ora tomem

De: Locuaz

“Recordo-me de ser miúdo e de cada vez que abria a boca a minha mãe me corrigir os erros gramaticais e o meu pai ironizar com a razão do que eu dizia. Obrigado por me ter dado esta oportunidade de aqui dizer algo, ao abrigo de tais críticas. Posso agora? Pai !!! Vês como é?! aqui e para toda a gente ouvir: eu sei bem o que digo!!! Eufigénio, pedia-lhe o favor de corrigir os erros que aqui possa encontrar (mas não diga nada à minha mãe).”

Antes de mais deixe-me agradecer-lhe estimado “locuaz” a ousadia que lhe é devida ao desfraldar esse seu génio e assim dar um contributo primeiro e decisivo para a nova linha editorial - mais ecléctica já se vê - deste blog.

Quanto à sua reflexão: sim. Eu também acho que é bom usar isto como saco de boxe, embora pela razão do tempo, (em suma: o desgaste a que estes invólucros de pele enchidos de areia são sujeitos), já deva este estar roto quando lhe desferir tal soco. E também estou em crer que a razão principal porque se cria e usa um blog é justamente essa, a de podermos alardear os nossos recalcamentos fazendo-os ouvidos por muitos mas sem que ninguém nos interrompa. Todavia, convém que os saibamos traduzir numa razoável moldura literária, (como aliás alcança o seu substanciado texto) pois só assim faremos dos nossos cochichos reflexões, e das nossas lamentações longínquos trechos de memória.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:56 PM | Comentários (5)

janeiro 04, 2006

Recolha de Donativos

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:50 PM | Comentários (14)

outubro 18, 2005

Sociedade do conhecimento

Sociedade do conhecimento.jpg

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:30 AM | Comentários (4)

outubro 10, 2005

Como aqui, (para além da chuva), não se escreve sobre assuntos de natureza política

... resta-me citar este excelente e enrubescido post:

"Detesto a política, a maioria das moscas que por lá volteiam e, sobretudo, falar dela. Contudo, é triste constatar que nestes últimos 14 anos todas as eleições têm sido a antítese daquilo a que se destinavam originalmente: a escolha dos melhores para fazer o melhor.
Eu explico: em 1991 votou-se Cavaco (PSD) para continuar o que vinha a fazer, foi o último eleito na verdadeira acepção da palavra. A partir daí, as cruzes nos boletins de voto deixaram de exprimir a vontade de nomear alguém, passaram a manifestar a vontade de impedir que alguém ganhasse. Primeiro, Guterres contra o PSD; depois Durão contra Guterres; Santana contra Sócrates; Sampaio contra Cavaco; Rio contra Gomes e Assis; Carmona contra Carrilho; Seara contra João Soares e por aí adiante.
Os mediáticos proscritos acabaram por dar aos partidos que não os quiseram / puderam manter nas suas fileiras um sinal claro da opinião que os eleitores têm desses mesmos partidos. Não é preciso nomeá-los de novo, vocês sabem de quem estou a falar (não, não é do Octávio).
Não seria uma boa altura de avançar para listas nominais nas eleições legislativas? De que têm medo os partidos? Ah! Pois! Era o fim dos aparelhos, não era? Era! Mas sempre os podíamos mandar sentar aqui, como se dizia n'O Juíz Decide de boa (?) memória
."

Do Cap

Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:30 PM | Comentários (4)

julho 18, 2005

À atenção dos Olivalenses

olivais.gif

Para a malta da minha criação que por aqui vai passando (sim, já perdi as ilusões deste anonimato – como se intimamente alguma vez o quisesse ter conservado … bahhh), aconselho uma visita a este excelente blogue sobre Lisboa - Olissipo (onde roubei este painel de azulejos). É que hoje a “sopa do dia” é a história desta nossa nação da infância – os Olivais! Comecem daqui até aqui, onde acabarão por descobrir que o seu autor é também ele um ilustre Olivalense.

Só não concordo com tanto afecto pelo Olivais Shopping, essa coisa enorme da modernidade que arrancou à bruta as hortas e as silvas que por lá formavam esse oceano de memórias da nossa infância. Mas a verdade é que também já não há onde ir na outra margem. Enfim, ganham as mães, agora avós, ganham os nossos filhos quando as visitam, e a gente acaba por resignar-se com umas compritas e uns jantares rápidos que a vida não anda para grandes nostalgias.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:55 PM | Comentários (3)

julho 07, 2005

Os meus momentos semanais à porta da tabacaria com A. Lobo Antunes

A “Visão” é a única revista semanal que compro com alguma regularidade. Bons trabalhos, diversidade, o distanciamento que convém, e a vantagem de abordar assuntos que normalmente não tenho paciência para consumir a quente durante a semana. É quase um resumo ponderado dos acontecimentos mais significativos, mas é também um mix de leituras que me agradam, embora nos últimos tempos, tenham sido mais as “leituras agradáveis” que o resto, certamente por efeito da “silly season”.

Normalmente leio-a espaçadamente. A fórmula mais corrente é ir deixando-a distraidamente pelos mais diversos cantos da casa, de onde a resgato de tempos a tempos para mais uma nova leitura. Ao fim de algum tempo ela já cumpriu o seu percurso errático pelas assoalhadas todas, acabando invariavelmente no cesto verde alface da casa de banho. Esse ciclo, mais dia menos dia, cumpre-se numa semana, o tempo que é devido para renovar o stock.

Mas há um caso no seu conteúdo que foge a esta regra esparsa. Com esse, a minha voracidade é tal que ainda antes de pagar já me levo maquinalmente por entre as páginas: contracapa, correio do leitor, duas ou três páginas folheadas rapidamente et voilá. Depois estendo a mão para o troco no primeiro parágrafo, o segundo e o terceiro leio-os já sobre a soleira da tabacaria até ser empurrado por alguém que reclama passagem, e assim sigo, sem levantar os olhos, devorando o resto logo ali, do lado de fora, ao abrigo do toldo.

Bem que tento guardá-lo para mais tarde, e quase sempre me acabo a lamentar de ter perdido a oportunidade de o desfrutar no remanso da minha casa, mas acho que nunca conseguirei evitar devorar assim as suas Crónica’s. E mantenho, a “Visão” é uma boa revista, com bons trabalhos, diversidade, e o distanciamento que convém. Possivelmente, se não tivesse estas pérolas do António Lobo Antunes talvez mesmo assim a comprasse. Sim, talvez.


[ É curioso. Tinha-me ocorrido transcrever para aqui parte do que ALA nos conta esta semana. Corri o texto e não consegui seleccionar uma parte. Como se as memórias que tão deliciosamente nos conta não se quisessem desagregar, como se assim, extraídas do resto, deixassem de fazer sentido. ]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:35 PM | Comentários (3)

julho 01, 2005

Sem mais, transcrevo mail chegado

Alertar para as diferenças nunca fez mal a ninguém,

pensem nisto

...E se a nossa realidade fosse diferente?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:23 PM | Comentários (5)

junho 08, 2005

"Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga:"Vem por aqui!"
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou.
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
-Sei que não vou por aí!"

José Régio, Cântico Negro

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:42 AM | Comentários (2)

maio 23, 2005

Há post’s que leio com tanto prazer como se os tivesse escrito

Ainda há pouco, num intervalito, estive quase para vir aqui pedir-vos (depois veio o café e entretanto o tempo esgotou-se) que me ajudassem nas "minhas voltas" de hoje. É bem verdade que a vida “cá fora” não anda folgada para mim, e se isso pode fazer desacelerar este blog onde escrevo, (afinal não tem mais compromisso que isso, o estar aqui para quando fôr, não havendo nisso medida e ritmo), não dispensa o que antes dele já fazia, e depois dele certamente farei - o saborear outras prosas. São necessidades diferentes, e esta segunda tornou-se quotidiana e obrigatória. Não se trata de um anestesiante nem de um combustível, nada tão dramático assim, mas apenas de prazer.

E chamava-vos a este gesto de caridade, (para além do que já referi - a falta de tempo que hoje tenho para andar por aí a blogar, mas ainda) porque cada vez mais me tenho dado menos bem nesta demanda. A verdade é que vejo cada vez mais a blogosfera como uma espécie de fórum, onde são submetidos periodicamente novos tópicos que são explorados, confrontados, esmiuçados até ao limite. Tem sido assim com inúmeras coisas, como a do referendo (importante sem duvida), ou a do livrinho de educação sexual (ainda mais importante), ou agora sobre o Benfica campeão (esta seguramente a mais importante). E depois há outras coisas, menos importantes, mais pessoais, mas que muitas vezes, também elas entre si, escritas de forma diferente, se parecem uma repetição. E esta repetição permanente das mesmas coisas, este ecoar de blog em blog, esta cadência informativa, pode ser importante assim, mas torna a blogosfera que procuro mais pequena, tira-lhe espaço. E certo é que nenhum destes tópicos, todos eles importantes e todos juntos se calhar o grande capital desta blogosfera, nenhum destes tópicos contribui para aquilo que me faz dependente de aqui estar, já o disse, o prazer.

Não há desencanto nisto, apenas constato que os meus interesses na blogosfera, se afastam cada vez mais da sua natureza dominante e, (repito, não é isto uma crítica), apenas a noção que tenho de que preciso cada vez mais de vasculhar mais fundo, e porventura mais “ao lado” da blogosfera que conheço, também eu fugindo da rotina, do percurso de todos os dias. É cada vez mais raro fechar o browser depois de ler algo e dizer para comigo, com ar saciado, “já está! Hoje já está”. Mas curiosamente, talvez por saber que hoje me seria ainda mais difícil o tal “já está”, presenteou-me o destino com este belíssimo texto, como que a dizer “vá lá, vai lá à vida hoje, que até amanhã já te aguentas com isto”.

E “isto” é um texto simples, como se tivesse ali sido deixado por mero acaso, apenas querendo crivar em palavras momentos que alguém quer guardar como seus. E daí ressalta genuinidade, e impulsividade, e tão espontâneas que ao lê-lo é como se o tivesse acabado de pensar, de viver e de sentir. E é isso que aqui gosto de encontrar, que encontrei hoje, já o disse, esse prazer:

"A crescer

Encosta-se a mim e mede-se. Põe a mão em cima da cabeça e encosta-a a mim e depois olha e diz antes eu estava aqui (põe a mão mais abaixo) e agóia já estou aqui! E depois subo paia aqui (estica-se e põe a mão mais acima) e paia aqui (e estica-se mais) e depois já não é em mim, é com as mãos atiradas ao ar e vou ficai assim, muito alto. Vai. Vai ficar muito alto, os miúdos agora crescem muito e tem esse gene, o dos homens altos de pele clara. O resto desse lado nórdico esbatendo-se no gene latino, loiro com moreno, estoicismo com impaciência, pressa de crescer, vou ser muito gande, vais ser muito grande, filho. Crescem tão depressa, sobram pernas no meu colo, tão pequeno ainda quando chora e me ajoelho para o abraçar, tão bebé ainda quando passa tudo tão depressa e de repente já se distraiu e já se ri e já fugiu, de repente uma criança já tão grande.
E eu, uma mãe tão pequena
.”

E agora já posso ir continuar a labuta, que afinal já escrevi li post que me chegue até ao fim do dia …

… que não linko, nem identifico, porque à autora assim me fiz prometer. Mas posso sempre deixar um agradecimento aqui e partilhá-lo convosco. E “mãe”, que belo álbum lhe estás a criar, que belas fotografias tuas por lá tens deixado.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:45 PM | Comentários (9)

maio 13, 2005

Nem mais!

“… E ao fim são pouquíssimas as coisas
que em nossa vida a sério nos importam:
poder amar alguém, sermos amados
e não morrer depois dos nossos filhos.”

de Amalia Bautista

[Acabei de o ler no Murcon, e antes de fugir da caixa de comentários ainda tive tempo de lhe passar o ‘mouse’ por cima. Sei que não fica bem usar o génio alheio, e por isso tento sempre impedir-me de ‘repostar’ os outros, (embora aqui tambem se 'retextando' no post de origem). Mas quando leio coisas ditas assim, desta forma simples, com uma tão sublime eloquência, fico incapaz de lhes resistir.]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:19 PM | Comentários (12)

maio 11, 2005

Destacarei

Quando criei este blog, mantive naturalmente as minhas voltas regulares pela blogosfera, só que agora vestido de “Eufigénio”. Mas passou a haver nisso alguma inquietação, inibia-me, e comentar já não era algo impulsivo e desprendido como antes, onde apesar de assinar com o meu nome me sentia menos exposto. Era como se antes espiolhasse pelas outras janelas a partir do recôndito da minha casa, e agora, com o blog a traçar caminho, o fizesse do meio da rua, a espreitar mas a saber-me observado.

Daí que comentasse menos, e muito mais escrupulosamente. Era diferente também a forma como seguia caminho. Não tinha vícios de passeio. Largava por um linque e por outro seguia. Perdia-me no acaso dessas ligações e raramente sabia o caminho de regresso. E isso, ao contrário de hoje em que parto pelo carreiro já marcado de todos os dias, eram trilhas que me levavam a sítios incógnitos na blogosfera, a maior parte já esquecidos. Desastradamente esquecidos.

Foi assim, acidentalmente, que cheguei até junto da “Senhora do Sul”. Foi tal a admiração, tão grande o gosto em a ler que, apesar de somítico de comentários, não me impedi de deixar por lá (talvez o meu primeiro) comentário como “Eufigénio”. Chamei para pretexto a coincidência de termos nascido (os blogs) quase no mesmo dia, e também próximos na identificação (interrogação) do escrever. Pelo menos assim o achei, e assinalei isso neste post que aqui trago dos primórdios deste blog.

Mas havia ali algo mais que me prendeu. Até hoje. Um lugar profundamente feminino, mas sem aquelas tonalidades cor-de-rosa que me afugentam. Uma atmosfera suspensa, quase etérea, nostálgica, mas traçada com o vigor de quem sabe o que tem dentro de si. Mas sobretudo o tom, o som, a harmonia com que escorre aquela escrita encantadora de que sou admirador confesso.

É também um dos sítios mais íntimos que eu conheço na blogosfera, onde entro pé-ante-pé, quase sentindo-me intruso. É desde sempre um lugar que conservo nas minhas visitas, como se um recanto escondido a que recorro para fugir ao reboliço.

Obrigado Senhora do Sul. Eu lá continuarei a ir espreitando, sem fazer barulho.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:52 PM | Comentários (8)

abril 19, 2005

É por isso que sou fã dele

“Sou contra essa ideia de especialização. Gosto de diversificar o meu trabalho, quero e tenho feito um pouco de tudo. Não se pode fazer bem um bairro social ou um museu sem ter feito casas. A arquitectura é só uma. As mãos que desenham e as mãos que constroem, seja o que for, são sempre as mesmas.”

Álvaro Siza Vieira, na “visão”

Da arquitectura dele gosto, muito. Sobre a coerência técnica do que aqui afirma, infelizmente, não me posso pronunciar. Mas sei que (ou acho que sei, pouco importa se aqui o posso dizer na mesma), ao chegar lá acima, seja onde for, seja no que for, e saber conter os nossos deslumbramentos, esse vírus da fama, e saber preservar a essência do que sempre fomos, isso sim, é uma grande qualidade.

E acrescentaria ainda (mesmo que pouca entenda das artes arquitecturais): um homem que pensa bem, assim, só pode ser bom no que faz.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:10 PM | Comentários (1)

abril 01, 2005

As minhas leituras de Férias (2)

“Memórias das minhas putas tristes”

Vivo numa casa colonial no passeio do sol do parque de San Nicolás, onde passei todos os dias da minha vida sem mulher nem fortuna, onde viveram e morreram os meus pais, e onde me propus morrer só, na mesma cama em que nasci e num dia que desejo distante e sem dor. O meu pai comprou-a em hasta pública nos finais do século XIX, alugou o andar de baxio para lojas de luxo a um consórcio de Italianos, e reservou para si este primeiro andar para ser feliz com a filha de um deles … a mulher mais formosa e de mais talento que houve alguma vez na cidade: a minha mãe.”

Se eu um dia soubesse escrever, era assim que o gostaria de fazer. Dotado, mas imune à tentação de enrodilhar as palavras. Simples, mas com a plenitude da narração. Real, mas tão aureolado do imaginário incredível. Este homem escreve como respira. Tenho para mim que talvez não haja hoje quem escreva assim - o saber levar-nos para dentro o suficiente para percebermos até o que ali fica por ser escrito, mas sossegadamente longe para podermos apreciar tudo com o confortável espectadorismo. Como ele, assim de repente, só o Hemingway, mas esse já tem a obra concluída.

(bem, antes que me tomem por presunçoso vai já de preparar a próxima “crítica literária”)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:19 AM | Comentários (11)

março 18, 2005

Dito por quem sabe dizê-lo

Nos tempos que correm oiço um pouco por todo o lado murmurar os mimos e a sobreprotecção que se dá aos filhos, pois que os tempos estão difíceis, a vida perigosa, e blá blá blá que ele é amoroso. Confesso que me indigna perceber nisso a presunção de que quem não elevar estes afectos ao seu máximo, - mesmo que em detrimento de todas as outras variáveis educativas – revelará uma censurável falta de amor pelas suas crias, ali bem implícita naquelas trocas de palavras. Que hoje, a inquietação pedagógica fundamental é o “tudo de bom que eu lhe possa dar”, a que facilmente se junta um perverso “nós, e os outros”.

E assim, proscrito da conversa, quase sempre saio calado. Eu, pai irresponsável, alheado, talvez mesmo ignóbil, a reter a vontade de perguntar como é que um dia aqueles leõezinhos irão partir para a caça sozinhos.

Mas se soubesse dizer tudo isto sem ser eventualmente ofensivo. Se o soubesse dizer com a economia e a estética com que se escrevem as coisas essenciais. E se o soubesse dizer com o amor que tenho aos meus filhos, diria assim:

E no entanto...
... Se os bordarmos às almofadas com "ferocidade amorosa" - ou desespero solitário? - arriscamo-nos a tornar muito mais árdua a sua caminhada para a indispensável autonomia. Porque são nossos e contudo não nos pertencem
.”

Júlio Machado Vaz

Bravo Professor !!!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:56 PM | Comentários (12)

fevereiro 14, 2005

Ó pá, um homem também não é de ferro

SENTENÇA PROFERIDA EM 1487 NO PROCESSO CONTRA O PRIOR DE TRANCOSO
(Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5.º, maço 7) (*)

"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos. Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres.

El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou pôr em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487 e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo".

(*) Não confirmado, ou seja, a mim custa-me um pouco a acreditar mas há cada líbido

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:37 AM | Comentários (6)

fevereiro 11, 2005

As palavras do Alexandre …

… são também as minhas (e aqui abuso)

"Escuto-a, escuto-me, escuto-te e não encontro palavras melhores... talvez encontre, mas gosto destas. Por isso deixo-as por aqui, como as poderia deixar noutro lugar qualquer... na dobra de um livro, numa sebenta negra, numa parede deserta, num vidro embaciado, na areia molhada da praia ou simplesmente no ar..."

E isso não será a necessidade de (nos) escrevermos naquilo que vai para além de nós, como se assim o quiséssemos garantir perene, mais que as nossas emoções, como se assim nos quiséssemos deixar riscados, como trilha do que algum dia fomos e sentimos? Não será isso Alexandre apenas a vontade de nos recordarmos?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:33 AM | Comentários (11)

fevereiro 04, 2005

E como hoje estou em dia de citações

Não resisto a esta fabulosa troca de comentários aqui, na simpática casa do CAP

"- Cap, hoje entrei aqui e estava encerrado. q fizeste ao blog?"

"- Não sei de nada, Vague. (Como ninguém ligou ao meu ocaso, desisti de desistir)"

uma delícia

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:45 AM

A(s) crítica(s) ao debate JS – PSL

Eu não faço a minha. Eventualmente nem leio mais nenhuma. Afinal, já encontrei esta…

“Acho extraordinário e até provinciano, quase analfabeto, que os portugueses esperem que de um debate televisivo de hora e meia venha algum esclarecimento. O que se discute, afinal, é quem falou melhor, quem esteve com melhor cara. Entretanto, nesse vício, José Sócrates falou como se já fosse primeiro-ministro de um governo PSD e tivesse vindo a correr de S. Bento atarefado. E Santana Lopes como se nunca tivesse sido primeiro-ministro e não o fosse agora. Parecia ter estado um mês inteiro, a preparar o debate na televisão. Pareceu também um debate de consciência de uma só pessoa, como os anjinhos e os diabos dos desenhos animados”
Miguel Esteves Cardoso, DN, 4 Fev.2005

[E aproveito para perguntar: alguém me sabe dizer se este homem tem existência ‘on-line?’]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:35 AM | Comentários (3)

fevereiro 03, 2005

(Na morte de Manuela Porto) - JGF

"Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados,
fartos do mesmo sol a fingir de novo todas as manhãs,
convocaríamos os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer:
"Fulano de tal comunica ao mundo que vai transformar-se
em nuvem hoje às 9 horas. Traje de passeio."
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos escuros,
olhos de lua de cerimónia, viríamos todos assistir à despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio."Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes… (primeiro, os olhos
…em seguida, os lábios…depois os cabelos…) a carne,
em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se em fumo…
tão leve…tão subtil…tão pólen…como aquela nuvem além (vêem?)
- nesta tarde de Outono ainda tocada por um vento de lábios azuis…"

José Gomes Ferreira

Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:14 PM | Comentários (4)

janeiro 27, 2005

Felizmente não sofro de 'onicofagia'... cof cof

Desculpe, quer falar do quê? Sport…quê? Penalties? Olhe, não quer arriscar primeiro esta "quase adivinha" lançada pelo Cap?:

"Afinal parece haver algo mais poderoso que o vício de blogar. Tem formas de Terra-mãe, faz jurar pela saúde de todos os antepassados sobre aquilo que mais ninguém viu, exorciza recalcamentos e excita uma catarse tribal. Ah! Também promove a onicofagia."

Então, já adivinhou? e a 'coisa', já está mais calma? E desculpe, nós íamos falar de quê?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:51 AM | Comentários (2)

janeiro 22, 2005

Gripes citadas, citações engripadas (*)

Caro Zola,
Hoje leio-o das citações ali na coluna da direita:

"O sofrimento é o melhor remédio para acordar o espírito" - Zola, Émile

Devo então perguntar se a minha gripe, face ao já longo período em que me tem refém, pode ser considerada cota bastante de sofrimento. E se assim é, e no pressuposto que então o meu espírito irá acordar, preocupa-me que ele se assuste, se afogue até, no meio de tanta ranhoca. Melhor no caso presente deixar o espírito a dormir, não?

É que gripes e raciocínios ascéticos vão mal se tomados em conjunto amigo Zola, … e dependem tanto de quem os tem e de quem os profere!

E aqui me explico, pelo respeito que lhe tenho - é que por cá há esta moda agora das citações soltas. Olhe, tivesse esta que abordámos sido proferida por um dos seus mineiros do “Germinal” e certamente que eu engoliria já a ironia, envergonhado até. Mas se ao invés derivasse de um garganteio teatral de um qualquer “dandy”, lá dessas festas de paris, da sua “Nana”, e logo diria que a juntasse (à citação) no mesmo saco onde guardo os cantarolos dos homens daqui da terra, e que também dizem coisas assim, interessantes … e aqui a ironizar já de novo, bem se vê.

É que gripes e raciocínios ascéticos dependem tanto de quem os tem e de quem os profere amigo Zola!

(*) O título deste post, visa homenagear assíduo comentador desta casa: Bill - caso tenham dúvidas sobre o seu significado queiram fazer o favor de se dirigir ao mesmo

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:49 PM | Comentários (4)

janeiro 06, 2005

A melhor definição de blog que já li

Aos mais pudicos as minhas desculpas prévias, com a sugestão de que passem de imediato para o post anterior, o do Shumacker. Para os outros então continuo …

… depois de ler dezenas e dezenas de definições sobre o que é um blog, e de eu próprio ter procurado burilar as minhas, acabei de encontrar a melhor de todas: "a rapaziada não sabe que um blog é como bater uma punheta à janela com todo o bairro a olhar".
Depois do devido tempo para que a leiam bem, e se necessário afastarem algum preconceito pergunto, alguém é agora capaz de contrapor alguma definição melhor?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:28 AM | Comentários (41)

dezembro 29, 2004

Antigamente as pessoas sorriam com vírgulas

Este post é para a Madalena, porque o acho relacionado com este "O presente, esse é tão volátil que nem damos bem conta dele. Quando o conseguimos apanhar, já é passado. Se vamos atrás dele, ainda é futuro." com que por lá nos recebeu, porque acho que tem muito a ver com a sua sensibilidade, e porque por lá, se bem que tente, nunca consigo deixar comentário.

" Antigamente as pessoas eram mais demoradas. Diziam as palavras sílaba a sílaba, sorriam com vírgulas, mostravam nos dentes um ponto de interrogação à laia de uma flor. Quer isto dizer que não faziam uma pergunta exigindo de imediato uma resposta. Esperavam esbeltas no tempo, os olhos isentos de qualquer desafio ...

Hoje, não. Hoje não nos sabemos demorar nos patamares, nos varandins eventualmente ainda existentes, nas margens desta ou daquela situação ...

Estamos em fuga, ultrapassamos todos os possíveis encontros - e cada vez, embora de muitas coisas acompanhados, nos sentimos mais sós uns dos outros. Sem nos apercebermos vamos tendo o deserto à nossa frente...

Antigamente, pois as pessoas eram menos súbitas ... e porque eram a noite e o dia, e tinham dentro de si uma longa tarde, lentas se davam, lentas sorriam, e lentas (uma a uma) entardeciam. "

Pedro Alvim, in Diário de Notícias

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:01 PM | Comentários (2)

dezembro 03, 2004

Virgílio Ferreira ... e Óbidos

moinho1.JPG
"(...) Assim, as coisas,
quando as fitamos até ao insondável delas,

moinho2.JPG
começam a emergir da sua indiferença e é
como se nelas nascesse uma pessoa oculta,

moinho3.JPG
uma realidade que as anima,

moinho4.JPG
um modo de serem vivas
que estabelece connosco uma inquietante comunicação (...)"

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:29 AM | Comentários (14)

dezembro 01, 2004

Análise política "ComTudo"

Este é só para se alguém me perguntar o que é que eu acho desta coisa do Santana e coiso e tal, eu me lembrar do que tenho para dizer sobre o assunto.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:47 AM | Comentários (2)

novembro 03, 2004

As nossas crianças

"Esta juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura."

Citação descoberta recentemente sobre um vaso de argila, nas ruínas da Babilónia, com mais de 4000 anos de existência.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:33 PM | Comentários (4)

novembro 01, 2004

Hoje só mesmo uma voltinha rápida

E lá encontro o suficiente:

Esta porque me pôs um sorriso na boca, a desafiar mais um feriado esbanjado a trabalhar.

E a do negão porque ... porque ...

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:42 AM | Comentários (2)

outubro 30, 2004

Sobre os Blogs

Coisas que todos pensamos, mas só alguns o sabem dizer assim.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:22 PM | Comentários (1)

outubro 25, 2004

" Portugal ...

... foi a rapaziada que se conseguiu arranjar."

Ramalho Ortigão

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:15 AM

outubro 21, 2004

Ruy Belo, Boca Bilingue

No meu país não acontece nada
à terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o céu consente
às casas com que o frio abre a praça

Dezembro vibra vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul

Que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente cala-se e mais nada
A boca é pra comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol

No meu país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente

E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transistor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol

Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?

Há neste mundo seres para quem
a vida não contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe,
atenta a gravidade do momento

O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz do dia
pois a areia cresceu e a gente em vão requer
curvada o que de fonte erguida já lhe pertencia

A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:07 AM

outubro 16, 2004

O princípio do fim d'semana

Creio que foi o Oscar Wilde que disse,
mas nem sei se exactamente assim:

" Hoje trabalhei imenso.
De manhã pus uma vírgula num poema,
Á tarde voltei a tirá-la "

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:10 AM | Comentários (2)