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setembro 29, 2006
Emissão simultânea
Isto de andar a mudar de plataformas de blogues faz-me lembrar as bichas na estrada: A nossa é sempre a mais lenta. A não ser que mudemos para a faixa do lado pois nesse caso passará a ser essa, a nossa, a mais lenta de todas.
Assim sigo agora, mas ocupando as duas faixas de rodagem.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:38 PM | Comentários (5)
setembro 18, 2006
o ultimo post para reprodução do ultimo comentário deste blog
"Seja como for, vou deixá-los aqui, aos textos. Não me apetece levá-los comigo, tipo armazem de palavras (...) Entretanto espero que o weblog, quem dele trata agora, conceda que este espaço assim fique, apenas visitável. É (já só) o minimo que espero."
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:54 AM
setembro 15, 2006
Quem me ajuda a trasladar as ossadas por favor
Este blog acaba aqui.
E eu confesso-me aborrecido por não poder ter ficado pela pompa daquelas 4 palavras. É bonito aquilo do “este blog acaba aqui” - tem um ar rijo e marcial, como quem procura esconder com coragem a dor de anunciar a sua partida. Eu gosto, e sempre o tive guardado para este momento - se bem que seja a forma mais recorrente na blogosfera para anunciar o fim de um blog, mas nestas alturas as frases escolhem-se mais como quem escolhe se “o caixão vai ser em pinho ou em carvalho”. Mas se ainda balbucio alguma coisa agora, estragando e estalando a solenidade do tal (este) momento, em vez de simplesmente apagar a luz e fechar a porta, é pelas razões que a seguir explico.
Para se ter um blog é preciso que aconteçam duas condições: que o blog funcione, e que se tenha algo para escrever. Acontece que nenhuma delas se verifica presentemente. Quanto ao que escrevo, do impulso que me falta, que me tem faltado, dou-me bem com isso - assim ausente nem sinto a falta dele, e depois um dia voltará, e então hei-de precisar de um espaço para o escrever, um canto de uma folha ou um bocado de html, o que for - são já muitos anos neste ciclo que se interrompe permanentemente, e é assim que existe a minha necessidade de escrever, essa que nem me importa sequer compreender mas tão somente frui-la. Agora quanto à plataforma onde guardo este blog, já passei todos os limites da minha tolerância; pagar por um blog onde tudo funciona mal e empasteladamente não é algo que pretenda continuar a fazer. Aliás, nem de graça. Portanto, do escrever hei-de voltar, deste blog parto já.
Já ainda não… que chatice, esqueci-me mais uma vez das ossadas. Aliás é esta mesma a razão porque aqui me estendo com os tropeções contradizentes do costume. Tenho um problema técnico, e é aqui que preciso da vossa ajuda, em particular dos que são meus colegas na blogosfera e que disto certamente perceberão mais que eu. Tudo o que aqui deixei - e são mais de 1000 textos - nunca foi salvo. E se é verdade que nalguns casos tenho versões primitivas dos textos que escrevi, na maior parte dos casos isso não se verifica dado que os escrevi directamente em cima da plataforma e depois já na sua versão publica e editada, ainda aí os fui corrigindo e melhorando, como agora mesmo acabei de fazer (alguns leitores terão certamente reparado nisso e muitas vezes dei comigo a matutar que achariam nisso uma falta de ética; certo é que isto para mim foi acima de tudo um caderno de apontamentos onde as coisas que se escreviam ficavam com um ar mais bonito e arrumadinho).
Mas gostaria de os guardar, aos textos que aqui deixei, até porque penso que alguns deles serão um dia apreciados pelos meus filhos, para os quais e sobre os quais aqui fui deixando pedaços da nossa vida, vista por mim, o que no futuro provavelmente lhes trará algum contento de ler. Outros pouco me importam, são mais coisas minhas, ímpetos que logo ali se esgotaram, e essas bem podem ficar por aqui soterradas.
Mas vamos então à identificação do problema que suscita tantas palavras quando eu deveria estar a obituar-me silenciosamente: Não sei fazer backups deste blog; sei que há uma solução para isso, um botão de ‘Import/Export’ parece, que até já experimentei, mas daí obtenho um ficheiro txt muito pouco simpático e nada compatível com as definições e formatações originais. Haverá alguma outra forma alternativa, ou algum tratamento posterior sobre o ficheiro de texto, que volte a deixar aquilo com aspecto menos cifrado e mais próximo de parecer um texto?
Fico antecipadamente grato pelas vossas dicas nos comentários ou por mail.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:09 PM | Comentários (17)
setembro 12, 2006
Até já ia lá ao fundo, mas ainda assim voltei atrás
... só para deixar a porta entre-aberta. Pois, que de momento não faz nenhum sentido que aqui não exista a tal da caixa de comentários. Este blog é todo vosso (mas spam é que não, isso tenham lá paciência ó viagras)Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:27 PM | Comentários (5)
setembro 07, 2006
Disso das salsichas, cada um que trate da sua
[ Favor não ligar. Eu não tenho aqui comentários e o destinatário desta pequena missiva também os tirou, por isso faz de conta que isto é uma conversa de natureza privada, devendo como tal ser ignorada pelos desprevenidos visitantes que deverão tomar em consideração a asserção (lindo! asserção) publicada antes deste
postepilarete.]
Há dois o quê? Olha lá, se te queres também finar então trata de arranjar uma salsicha só para ti, ai o … (lá dizia o Joaquim Pessoa)
E pronto, com esses abusos já estragaste a solenidade do meu desaparecimento. Assim como vou eu acreditar que de facto já não existo?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:59 PM
setembro 06, 2006
E tenho dito
... no que ele disse
E ainda acrescento, com alguma solenidade, reconheço, um dito muito bonito e que agora me ocorreu, e que assentará muito bem neste momento em que me moribundo por aqui: tudo tem um fim … menos as salsichas que têm dois.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:45 PM
Poema Temperamental
Ó caralho! Ó caralho!
Quem abateu estas aves?
Quem é que sabe? quem é
que inventou a pasmaceira?
Que puta de bebedeira
é esta que em nós se vem
já desde o ventre da mãe
e que tem a nossa idade?
Ó caralho! Ó caralho!
Isto de a gente sorrir
com os dentes cariados
esta coisa de gritar
sem ter nada na goela
faz-nos abrir a janela.
Faz doer a solidão.
Faz das tripas coração.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque não vem o diabo
dizer que somos um povo
de heróicos analfabetos?
Na cama fazemos netos
porque os filhos não são nossos
são produtos do acaso
desde o sangue até aos ossos.
Ó caralho! Ó caralho!
Um homem mede-se aos palmos
se não há outra medida
e põe-se o dedo na ferida
se o dedo lá for preciso.
Não temos que ter juízo
o que é urgente é ser louco
quer se seja muito ou pouco.
Ó caralho! Ó caralho!
Porque é que os poemas dizem
o que os poetas não querem?
Porque é que as palavras ferem
como facas aguçadas
cravadas por toda a parte?
Porque é que se diz que a arte
é para certas camadas?
Ó caralho! Ó caralho!
Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão cruéis
que para comprar anéis
vendemos os próprios dedos.
Ó caralho! Ó caralho!
Falta mudar tanta coisa.
Falta mudar isto tudo!
Ser-se cego surdo e mudo
entre gente sem cabeça
não é desgraça completa.
É como ser-se poeta
sem que a poesia aconteça.
Ó caralho! Ó caralho!
Nunca ninguém diz o nome
do silêncio que nos mata
e andamos mortos de fome
(mesmo os que trazem gravata)
com um nó junto à garganta.
O mal é que a gente canta
quando nos põem a pata.
Ó caralho! Ó caralho!
O melhor era fingir
que não é nada connosco.
O melhor era dizer
que nunca mais há remédio
para a sífilis. Para o tédio.
Para o ócio e a pobreza.
Era melhor. Com certeza.
Ó caralho! Ó caralho!
Tudo são contas antigas.
Tudo são palavras velhas.
Faz-se um telhado sem telhas
para que chova lá dentro
e afogam-se os moribundos
dentro do guarda-vestidos
entre vaias e gemidos.
Ó caralho! Ó caralho!
Há gente que não faz nada
nem sequer coçar as pernas.
Há gente que não se importa
de viver feita aos bocados
com uma alma tão morta
que os mortos berram à porta
dos vivos que estão calados.
Ó caralho! Ó caralho!
Já é tempo de aprender
quanto custa a vida inteira
a comer e a beber
e a viver dessa maneira.
Já é tempo de dizer
que a fome tem outro nome.
Que viver já é ter fome.
Ó caralho! Ó caralho!
Ó caralho!
Joaquim Pessoa
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:36 PM
setembro 05, 2006
3 Meses mais tarde
Regista-se um aumento de 4 kg conspicuamente localizados no abdómen;
Acentuado agravamento da irascibilidade já com visíveis estragos colaterais;
Manifestam-se vagas de ansiedade que ocorrem súbita e inesperadamente,
e que depois se alternam com momentos de apatia profunda;
Suave melhoria na capacidade de subir escadas, e em outras actividades aeróbias (aqui sem relato ou especificação), no que se pode constatar o desaparecimento quase total do efeito silvado na respiração;
Recuperação de alguma capacidade de concentração, embora se constate e lamente a perda absoluta (e receia-se q também irreversível), da inspiração;
A capacidade de compreender os blogues, de saber lê-los e neles porventura também escrever, e disso tirar prazer, essa esvaiu-se completamente
… enfim, coisa que já se sabia: sem cigarros não há vícios
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:16 AM