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agosto 16, 2006
Voltando os sinais da rotina,
se bem que desta ainda eu não tenha chegado a partir
Chove agora em Lisboa, e o Artur até já abriu a tasca onde costumo fazer as pausas do café. O tempo e os hábitos, simpaticamente, começam a parecer de novo mais familiares. O pior, portanto, já terá passado, e afinal, aparte a óbvia impressão de solidão, nem foi assim tão mau ficar a esticar cordas(*) em Agosto.
(*) esticar cordas – gíria que designa um conjunto de operações elementares que são executadas repetitivamente, visando manter em permanente estado de tensão e afinação um emaranhado de cabos, assim sustidos através de um sistema complexo de roldanas, molinetes e mordedores; Por acção deste cordame é assegurado o chamado impulso de rodopio – desta forma referido pela sua similitude com a acção da guita sobre um pião quando este é lançado - e que visa manter de forma estável e continuada o movimento rotacional do planeta; Esta operação de manutenção é normalmente executada por um número incrivelmente reduzido de pessoas, que assim, olimpicamente, asseguram o bom estado deste paradeiro da humanidade, enquanto a restante população do planeta parte de férias, normalmente em Agosto; Deve ainda dizer-se que, em reconhecimento por tão estóica acção a que esta pequena parte da população se oferece, estes heróis - a que este vosso humilde narrador tem a honra e o orgulho de, (até com algumas responsabilidades maiores na cablagem), modestamente, pertencer - costumam ser carinhosamente chamados de Otários.
Publicado por Eufigénio Lagoa às agosto 16, 2006 10:46 AM