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agosto 07, 2006

O cheiro da desgraça

É curioso. Um tipo inventa as mais diversas tolices que depois aqui edita. Reacção natural, amena, aparentemente sem se importar com os aspectos da credibilidade. Depois, numa outra variante, debita quase todas as dimensões e cores das suas emoções, e ao longo de vários meses destapa os mais diversos pormenores da sua intimidade, assim se deixando espalhar, às suas entranhas, pelos sete ventos da blogosfera. Recolhe apenas alguns comentários, mais até sobre a forma, a estética, que sobre o conteúdo, e vai anotando que também aqui o juízo sobre a veracidade do que escreve continua a não relevar nas diversas apreciações. Um dia, hoje, subitamente, num momento de fantasia mais idiota, revela então que se vai suicidar ao fim da tarde, pese embora ainda sem hora marcada. Os comentários estão inibidos mas apesar disso as ‘vozes saltam a cerca’, e quase de imediato, chovem mails (*) profundamente consternados, outros, repletos de humanidade, lançando apelos, e coragem incitam quase todos, solidários.

O tétrico, pois.

(*) esta parte dos mails é inventada também. Na verdade não recebi nenhum mail, mas faz parte da fantasia julgar que sim. Fazei o favor portanto de acreditar nisso também para que este post, mesmo que baseado numa verdade inventada, possa ter algum fundamento

Publicado por Eufigénio Lagoa às agosto 7, 2006 05:55 PM