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agosto 07, 2006
Porque Agosto é um bom mês para escrever estes dislates sobre a preguiça neo-depressiva
E porque, enquanto não tiver tempo para o ajeitar nem sítio onde o arrumar, este me parece local acertado para pousar isto, isto da pretensão da inépcia, esse sítio que há em nós, este nós onde tudo espera languidamente pelo que nunca virá a acontecer.
[Moleza #1]
Todos os homens têm em si esse buraco secreto onde vão cometendo o seu suicídio silencioso. Alguns, mais enérgicos, ainda vão entretanto dando sinais de si e construindo coisas em seu redor, supérfluas é bem verdade, mas contudo, algo. Os mais langorosos, como eu, esses já pouco mais procuram que um canto em si onde se possam acomodar para, sem pressas e comodamente, poderem manobrar essa lamina da indolência com a qual, um-por-um, como quem apara as unhas, vão arrancando todos os bocados da sua vontade. Uns mais fulgurantes e ostentosos, outros mais desencorajados e acanhados, hão espalhado por todo o lado bocados da vontade dessa tanta gente que, antes de se resignar, já foi homem.
[Moleza #2]
Devagarinho vou contando as horas, os dias, os anos
Devagarinho vou repetindo os gestos inúteis de todos os dias
Devagarinho vou perdendo o contacto com os meus amigos
Devagarinho vou deixando de fazer tudo aquilo que tanto queria fazer
Devagarinho vou esquecendo tudo aquilo que reuni à minha volta
Devagarinho espero já a minha vez, sem ilusão, sem curiosidade sequer
Mas sobretudo sem pressa, que já não tenho onde ir
Só este sítio, que sou eu, onde espero
Devagarinho
o fim
(está a começar bem, este mês de degredo, está-está)
Publicado por Eufigénio Lagoa às agosto 7, 2006 11:47 AM