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agosto 03, 2006

Ou estou a ficar um velho carunchoso,

ou estou a ficar um hipocondríaco piegas, ou ando com um galo do caneco, mas que elas me estão a chegar todas ao mesmo tempo, ai disso ninguém duvide.

Fim da tarde e a sair pela cedinha do escritório, que a coisa já estava prometida aos miúdos desde ontem. Apesar do trânsito insuportável da 25 de Abril (já não estou habituado às bichas), acabou por saber bem chegar à Costa da Caparica, lá para os fundos (continuo a achar que é uma das melhores frentes de praia que eu conheço; que pena, assim; mas ainda assim). O bafo que corria do fechar da tarde e o afluxo de gente em sentido contrário eram premonitórios de um belo mergulho de fim do dia. Chegámos, eu, eles e mais dois primos, que nestas coisas de improviso há sempre balanço para mais. Como que por milagre, quase à beira mar, em dois segundos apareceu um monte emaranhado de roupa, e já as vozes deles lá ao fundo a chapinhar. Eu a querer acompanhar-lhes o passo mas logo a esmorecer. E recomendações a disfarçar o meu atraso na entrada bbrrrrrr, que não vão para tão longe brrrr, e que entrem devagar que água está gelada brrrr, “qual água?” - recebo em troca, assim mesmo, sem ironia. Vou entrando vagarosamente e não mais que pela linha dos joelhos. Enquanto eles chapinham, e se lançam em carreirinhas e mergulhos e perseguições eu vou vasculhando em mim a coragem suficiente para sair daquele impasse, ou melhor, para ir além da água pelas pernas. Acabo, em desespero de causa, por usar a técnica de sempre. Trata-se de uma decisão kamikaze, já que depois de os respingar (o que, note-se, para eles, molhados, é absolutamente indiferente) se torna praticamente impossível aplacar as suas réplicas, sobrando de recurso apenas dois ou três passos de corrida em fuga, antes do mergulho fatal. Assim faço, e como sempre arrependo-me e amaldiçoo-me enquanto largo a correr naquela maré vazada. Os joelhos a erguerem-se para melhor vencerem a água; uma passada, duas, puooock … que é isto, uma pedra? Que coisa é esta a bater-me na barriga da perna? Mas como pode ser uma pedra tão pesada se nem está corrente que a leve… e seguindo o ritmo das passadas, puoock … outra vez? Será peixe? Peixe, porra, ‘bora daqui, se é peixe é enorme …. mais uma passada a lançar-se e, nada. Nem barulho, nem pancada, nem sequer passada. A perna não voltou a mexer.  

Quando cheguei à praia eram 7 horas da tarde. Quando arrisquei entrar no banho seriam talvez umas 7.30h. Ora, meia hora depois já tinha conseguido arrastar-me até á esplanada junto ao passadiço da entrada na praia. Finalmente pelas 8.30h lá chegámos ao carro. Afinal os miúdos nem têm com que se queixar: uma hora e meia de praia ao fim do dia até que nem é nada mau. E lá seguimos devagarinho para casa e a fazer de conta que o carro até tinha umas mudanças semi-automáticas, daquelas que nem precisam ser desembraiadas.

Bem, vamos lá à CUF Descobertas buscar umas muletas.

Publicado por Eufigénio Lagoa às agosto 3, 2006 11:31 AM