« julho 2006 | Entrada | setembro 2006 »
agosto 22, 2006
Tantos 'entretantos' e 'jágoras'
Mas certo é que - e isso é inevitável - este dia há-de finar-se estrangulado pelos ponteiros do relógio
E aí terei entrado de férias
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:15 PM
Desabafo de umas férias por gozar, com uma agulha de croché
Acabo de chegar da fisioterapia e recebo um telefonema em tom alarmado. Acalmo o interlocutor, aquele que afinal tem à sua guarda metade desta minha família, e disso de súbito ganhando consciência sou já eu que me desacalmo. Solícito prossegue então mais rápido. Que parece que o miúdo partiu a perna. Coisa de estar ali à babuja, aos pulos entre a água e a areia, uma cova dessas de baldes de pais, para ali esquecida, e pronto, coisa que julgava só a mim acontecer, coisa de usado portanto. Mas não, mais grave até que o sucedido com a minha pobre figura, que esta foi mesmo fractura e irá para um mês de gesso. Pior é o antes disso, o já, que as férias se continuam comigo logo depois de amanhã, e assim ficam já todas comprometidas. Ou talvez não, que lhe leve uns livros, diz-me ele, até orgulhoso da sua condição, ainda orgulhoso dessa condição. Digo-lhe que sim, que levarei vários, e uma agulha de croché. Que não percebe, para quê isso, que me estranha tais ideias, e eu a pensar nos gessos e nos calores e na raiva das comichões e do coça-coça, e que sim, que ainda assim lhe levarei uma agulha das grandes. E a conversa a desenrolar-se e ele e eu, os dois a normalizar-nos já, e boa noite filho e não te esqueças de agradecer aos tios tantos cuidados. Um beijo meu querido e não te pegues com o Diogo que me diz ele que anda de olho negro, e isso até asseverado pelas primas. Mas pai … e um beijo, clic.
Bem, agora vou eu dormir. Passo pelo quarto deles e não consigo resistir a olhar por cima do armário. Lá está ele, metalizado, a um canto, que bem lhe vejo a testa arredondada. Faço cálculos de desarmar aquilo de adereços, que sem a pala e sem os óculos aquele capacete da neve até se fará confortável. Depois apercebo-me do ridículo da ideia, mas mesmo assim hesito. É que já dificilmente alguém me conseguirá fazer acreditar que, durante a noite, não me irá cair o estuque do tecto na cabeça.
(Mas coitado do miúdo caramba, e eu aqui)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:26 AM
agosto 21, 2006
Desabafo de férias
“ os meus pais devem achar que eu já sou adolescente; deixam-me para aqui sei lá quantos dias, não me vêm buscar, nem sequer me vêm ver … devem achar que eu já sou adolescente”
Mas não se pense que se trata de observação choramingada - será quanto muito lamúria de pésmolhadosàbeirad’água - porque a hipótese do retorno a Lisboa seria logo recebida com um “quem? eu? fazer o quê?"
(E eu aqui a fazer-me forte ... mais dois dias só)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:20 PM
Dizem que faltam fotos aqui
Ria de Alvor, em frente às minhas férias
Pois se as soubesse tirar, se as tivesse, isto não seria esta frígida caixa de texto.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:06 AM
agosto 20, 2006
E por falar nisso de rios, outros rios, os mesmos escoares e correntezas
Deixa lá Zéze, a mim até já me perguntaram se o meu irmão mais novo era meu filho. São dislates de gente sem discernimento naturalmente. De qualquer forma um tipo acaba por resignar-se, não tanto com isso da idade, mas dessas constatações fartas de maldade que outros nos atiram cada vez mais frequentemente para a frente do espelho. E também, há coisas piores, … sei lá, … olha, avelhentar sem esse humor, ou sem esse dote da tua escrita, por exemplo.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:27 PM
A minha vida é um rio ...
Uma B.leza ainda poder ir beber copos com amigos que conservo há 30 anos, e por lá encontrar gente que não via há 25 anos. Tanta idade, tantos anos, e copos, tudo isto aparenta um quadro irrefutavelmente geriátrico, bem sei, mas ainda assim, é bom ir para velho assim, que posso dizer mais.
[E amigo Ai, o nome que inventei aqui para mim é Eufigénio, que pode ser parecido mas nada tem a ver com o Efigénio que alguém já antes desta terá inventado. Se me hiperlincas, hiperlinca-me bem pá (as coisas que um tipo agora escreve!?) ]
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:32 PM
agosto 17, 2006
Porque é para (me) ler que tenho isto
Reedito-me.
Porque não os vejo faz mais de uma semana. E porque incompreensivelmente (ou talvez não), a saudade dos meus filhos me traz a saudade de ser filho. Reedito-me porque as saudades são também isto: deixar ficar assim por escrever o que não preciso de poder ler.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:12 PM
agosto 16, 2006
Coisa de "fora de prazo"
“O costume, pente 4” - e no barbeiro nunca fui menos conciso que isto. Hoje, quando de lá saído e vendo-me resvalado num vidro espelhado, inquieto-me com o resultado. Chateou-me nisso não o corte em si, (aliás de pouco para comentar), nem o ver-me reflectido de sobressalto, e assim surpreendido achando-me como se fosse pelos olhos dos outros, velho. Não, o que me arreliou nessa constatação fútil foi mesmo isto, de agora, quando da boniteza já pouco há para remediar, e só agora me dar para isto da vaidade.
Sim, que da vaidade só a tinha a essa, a de não ter vaidade nenhuma. Pois
Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:06 PM
… Folga, folga !!! Oh Manel, então tu não vês que essa manilha está mal armada?! Caramba, que nos ia caindo a Península toda só por causa dessas desatenções. Mais cuidado que o pessoal quando vier de férias ainda quer ter casa! E atenção aí a esse esticador sobre Monsanto, isso não está com tensão a mais? Não me ponham o raio do monte ainda mais bicudo do que ele já é! Atenção, atenção, aiii …
Gozai descansados essas vossas férias. Por aqui tudo controlado.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:36 AM
Voltando os sinais da rotina,
se bem que desta ainda eu não tenha chegado a partir
Chove agora em Lisboa, e o Artur até já abriu a tasca onde costumo fazer as pausas do café. O tempo e os hábitos, simpaticamente, começam a parecer de novo mais familiares. O pior, portanto, já terá passado, e afinal, aparte a óbvia impressão de solidão, nem foi assim tão mau ficar a esticar cordas(*) em Agosto.
(*) esticar cordas – gíria que designa um conjunto de operações elementares que são executadas repetitivamente, visando manter em permanente estado de tensão e afinação um emaranhado de cabos, assim sustidos através de um sistema complexo de roldanas, molinetes e mordedores; Por acção deste cordame é assegurado o chamado impulso de rodopio – desta forma referido pela sua similitude com a acção da guita sobre um pião quando este é lançado - e que visa manter de forma estável e continuada o movimento rotacional do planeta; Esta operação de manutenção é normalmente executada por um número incrivelmente reduzido de pessoas, que assim, olimpicamente, asseguram o bom estado deste paradeiro da humanidade, enquanto a restante população do planeta parte de férias, normalmente em Agosto; Deve ainda dizer-se que, em reconhecimento por tão estóica acção a que esta pequena parte da população se oferece, estes heróis - a que este vosso humilde narrador tem a honra e o orgulho de, (até com algumas responsabilidades maiores na cablagem), modestamente, pertencer - costumam ser carinhosamente chamados de Otários.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:46 AM
agosto 14, 2006
Um mero (enfim, talvez um pouco exagerado) momento de saudades
Discutem lá pelos Algarves quando irá ele dali para acolá, e se pode ser só amanhã, mas que não, que já deveria ter sido ontem. De barlavento para sotavento, assim vou sabendo que tenho um filho disputado ferozmente entre duas veraneantes famílias. Que sorte tem ele em ter assim férias para além das que eu lhe posso dar. E que sorte ele tem, com o seu carácter sedutor, e esse fundo macio onde é bom chegar e ficar, que é sorte ser assim, alguém de quem é tão fácil gostar. E minha a sorte também, que assim o vejo, afinal, já tanto para além de mim, já tão mais do que eu sou.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:26 PM
agosto 11, 2006
O homem mais rápido da ...
... ?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:16 AM
agosto 09, 2006
Cicatrização
São 3h da manhã. Continuo sem conseguir arrumar o dia. Falta-me a parte do seu termo que me remete para o dormir. De cada vez que fecho os olhos algo repica e me impede de o deitar, ao dia que já vai longo dentro de mim. Sei que daqui a pouco ele se levantará, inquieto e que me levará com ele, como se, apesar de absolutamente fatigado, não quisesse acabar já, não sem antes acabar como deveria poder. E todos os dias se repete esta cena soturna, silenciosamente, onde tento deitar o dia às escondidas da noite. E todos os dias os dois se juntam levando-me com eles em deambulações pela casa. E um fatiga-me e o outro impede-me o descanso. Travamos esta guerra há já para mais de dois meses, ininterruptamente. Resignado, preparo um nescafé fraco e beberico com ele o resto do wisky que ficou no fundo de um copo. Faço tudo isto com uma mão apenas. E levanto-me de novo, e ele irrequieto, a fazer-se pesado no meu corpo. Damos uma volta à casa como se revisitássemos cada assoalhada, colhendo e largando cada uma das peças que casualmente vamos encontrando pelo caminho, assim matando o tempo e as vontades. Mas não chega, nunca chega. Volto a vestir então uns calções, calço umas chinelas e saio para a rua. Uma, duas portas, que destranco, com uma mão apenas. Dobro a esquina, subo o beco e volto a descê-lo, e depois retorno para dentro. Os mesmos movimentos, a repetirem-se, mais cansados espero. Tudo recomeça agora uma outra vez. Sento-me na borda da cama. Mas não preciso de mais que isso para perceber que não vale a pena. Ele continua lá, dentro de mim, e espera que, tal como o sono que havia em mim, também eu desista. Há dois meses que espera. Abro a mão e faço rodopiar o isqueiro que tenho na sua palma. Apago de novo as luzes e fico depois a brincar com a sua chama no escuro. Vou pensando que me habituei a trazer comigo um sono que não consigo curar. Agora já nem me apetece pensar, estou cansado, e a chama já está débil. Tenho brincado muito com ela nestes últimos tempos. Mas agora já não quero pensar, nem no isqueiro sequer. Nem queria sentir nada, como se estivesse simplesmente a dormir. Deixo-me cair para trás e fico de costas na cama. O tecto tem um rendilhado nos cantos, umas cornucópias de gesso em que nunca tinha reparado . Mas não deveria estar a tomar a atenção a isso, nem deveria sequer pensar que não deveria tomar atenção a nada. Já devia ter aprendido a tapar vagarosamente a consciência e a escondê-la por breves momentos o bastante para enganar o dia e a noite, e assim nessa distracção poder finalmente adormecer. Abro a mão e o isqueiro cai. Deveria ser tão fácil assim, penso. E lá fico, eu, e o dia e a noite, e a mão aberta, sem nada, demasiado vazia do desejo que sempre se habituou a segurar. Este impasse repetindo-se permanentemente, assim, há 65 dias.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:12 PM
Esta é uma retractação pública, risível, mas sincera
Considerando que o uso da peúga branca é um direito que assiste a todos, e que denegrir ou escarnecer por alguma forma quem opta por essa tão, hummm, conspícua forma de calçar, por mais que esta possa parecer ridícula, por mais hilariantes momentos que essa visão nos possa propiciar, e por mais justificáveis que sejam os estados de irritabilidade que nos levam a transportar tais situações para o cómico do domínio público, nada pode despenalizar ou mesmo aligeirar a forma ‘escarnosa’ e acintosa como foi aqui a mesma referenciada, atitude aliás que muitas vezes e de forma assaz enérgica, tem aqui sido condenada e combatida quando observada em outros paralelos da blogosfera. Até porque - e agora sobre o busílis da questão - o termo “esposa”, podendo ainda assim ser classificado com algum paralelismo, revela contudo uma maior delicadeza e aplicabilidade social que a expressão “a minha patroa”, essa sim, verdadeiramente aborígene. Mas o que importa é que cada um chamará portanto a sua … como muito bem entender, e sugira esse tratamento um grau de possessão, uma insinuação de submissão ou simplesmente um chamamento piroso, o mesmo não compete a este espaço público (epá, fico todo inchado ao dizer estas coisas) aquilatar, nem tão-pouco arriscar a zombaria sobre o mesmo. Por estas explicitadas razões vem então o corpo editorial deste espaço (e éramos tantos que alguns até tiveram de ficar lá fora, na parte de trás do blog, ao pé dos bidons de html’s velhos), assim como a família mais chegada (que só não está aqui comigo porque foram a banhos pró Algarve, mas mandaram dizer que também eles estão muito afligidos com toda a situação ou lá o que é), lamentar o sucedido e manifestar o seu sincero arrependimento e profunda consternação com o provável impacto que as jocosas observações proferidas sobre as peúgas possam ter nas relações matrimoniais dos portugueses.
Apesar da irreversibilidade desta acção, reconhecendo-se que nada trará a remissão de tão lamentável lapso, mas ainda assim, e numa decisão inédita nos últimos meses, decidiu o corpo redactorial (lá está, aquela malta toda lá atrás a fumar uma cigarrada, (?) pelo menos parece, ao pé dos bidons dos fundos) disponibilizar aqui a sua caixa de reclamações comentários para assim se sujeitar ao apedrejamento com vitupérios e outro tipo de arremessos linguísticos que o estimado leitor, em particular o de peúga branca, entender. (Catarina, eu estou a fiar-me em ti, tu vê lá mas é se afinal aqui os comentos funcionam! Isso é que era uma granda bronca pá)
(e agora vou ver se preparo aquele post enorme para aqui pôr a seguir ao almoço e empurrar esta mania de armar ao Egas Moniz lá para baixo)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:19 AM | Comentários (16)
agosto 08, 2006
Isto é que é uma chatice ein. Nunca mais volto a tentar o humor negro
Mic, mic to all: Segue desmentido público - Era tanga pá! Insisto, era tudo tanga! Allô, allô, repito, eu nunca quis suicidar-me!
(Até porque, como diz o meu irmão: a vida são só dois dias, por isso nem vale a pena.)
Pese embora já o tenha esclarecido anteriormente, mas face às condoídas e atormentadas manifestações de carinho que continuam incessantemente a chegar, e pelo apreço que estas me merecem e que muito sensibilizadamente tenho recebido, e sobretudo por isso, é curial que não infunda falsas informações sobre os destinos pretendidos pelo homem por trás do Eufigénio. Por isso aqui afirmo, de forma veemente, na plena posse das minhas capacidades, e com a pujança física que os médicos, as entorses, os quistos, os enfizemas e demais maleitas ainda me deixaram ficar, repito, aqui afirmo, que não é nem nunca foi minha intenção por termo à minha existência carnal (a espiritual, essa já tem longevidade assegurada através deste blog, e só não arrisco falar da suprema eternidade porque receio, pelo andar da carruagem, que a plataforma weblog não se aguente até lá). E mais declaro, para maior sossego de todos, que em meu redor as únicas armas de aspecto mais letal que vislumbro são as duas canadianas que agora me acompanham para todo o lado mas que não constituem perigo, uma vez que se o pretendesse (atenção, eu disse se, eu disse se) nunca escolheria suicidar-me à bengalada, por se tratar de uma forma demorada, desgastante e dolorosa de o fazer.
Posto isto, e sobretudo àqueles que se sentiram ultrajados pela mentira que aqui fiz passar no blog, quero apresentar as minhas sinceras e arrependidas desculpas, dizendo ainda o seguinte: por favor, acreditem apenas no que o v. bom senso vos sugerir, e lembrem-se, aqui, onde me escrevo, vale tudo, e tudo vale o que vale. Mas aprendi a lição: afinal num blog pode-se falar sobre quase tudo, sendo que este quase faz toda a diferença. Do quase deve ser intuído como excepção o suicídio, mesmo que este assente numa tétrica experiência literária. Desse não se deve falar, e sobretudo se for o nosso. [Ah e também não se deve falar do problema da falsa réplica que ainda afronta o Pacheco Pereira e o seu Abrupto. Parece que com isso (porque dizem, é política) também não se pode brincar]. No resto, já se sabe, vale (quase) tudo.
(Uffffff, onde eu me fui meter)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:01 PM
Neurótico e mal-criado
Já teve melhores dias este blog
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:12 AM
Não sei. Mas não soa bem, pronto
Nunca mais lá volto! “A minha esposa”? Já ouvi-lo faz doer os ouvidos, mas alguém é obrigado a escrever “a minha esposa”? Não. Há limites para tudo, e havendo tantos, nem sequer sou obrigado a ler blogues de peúga branca.
(Mau-feitio? Arrogante e afectado? Olá, sou eu sim)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:27 AM
Sugiro cautelas: que hoje nem um isqueiro acendeis
Quem foi criado em bairro por trás da Refinaria de Lisboa sabe bem que este cheiro a couve que infesta o ar é o odor próprio do gás. Dantes libertava-se do emaranhado de enormes tubagens que lhe víamos ao longe e acompanhava-se de um silvar que nunca vim a saber se era aviso propositado ou se apenas provocado pelo passar estreito do escape. Depois tudo aquilo foi ficando ferrugento e hoje já nem há Sacor - desses seus tempos esplenderosos a única coisa que lhe resta é uma torre deixada como curiosidade arqueológica no meio do parque Expo, por isso nem desconfio de onde vem agora este cheiro a couve. Mas insisto, hoje Lisboa parece uma horta.
(pode até nem atingir níveis tóxicos, mas agonia qualquer um ... e além disso leva a que concidadãos mais desconfiados se cruzem na rua insinuando fungadelas com olhar reprovador)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:50 AM
agosto 07, 2006
A "nossa" primeira vez
- E também serão só mais 30km depois do Francisco sair em Albufeira.
- Pois
- Quase nem irás sozinho
- Pois
- E de qualquer forma depois vai lá estar o tio C para te receber
- Pai
- E se por acaso houver algum problema tu também já te desenrascas não é
- Pai …
- Sabes o meu número de telemóvel não sabes? diz lá qual é
- Paiiiiiiiiiiii
- Sim?
- Eu não estou nada nervoso
- … não?
- Não. Nada
- Ah …mas olha, telefona assim que chegares, não te esqueças sim?
- Sim pai
[neste breve extracto da nossa conversa é notório o efeito da minha serenidade sobre a compreensível inquietude do Diogo nesta sua primeira viagem de camioneta a solo]
… e será que já chegou? também não dizem nada e uma pessoa depois fica em cuidados pois claro
Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:30 PM
O cheiro da desgraça
É curioso. Um tipo inventa as mais diversas tolices que depois aqui edita. Reacção natural, amena, aparentemente sem se importar com os aspectos da credibilidade. Depois, numa outra variante, debita quase todas as dimensões e cores das suas emoções, e ao longo de vários meses destapa os mais diversos pormenores da sua intimidade, assim se deixando espalhar, às suas entranhas, pelos sete ventos da blogosfera. Recolhe apenas alguns comentários, mais até sobre a forma, a estética, que sobre o conteúdo, e vai anotando que também aqui o juízo sobre a veracidade do que escreve continua a não relevar nas diversas apreciações. Um dia, hoje, subitamente, num momento de fantasia mais idiota, revela então que se vai suicidar ao fim da tarde, pese embora ainda sem hora marcada. Os comentários estão inibidos mas apesar disso as ‘vozes saltam a cerca’, e quase de imediato, chovem mails (*) profundamente consternados, outros, repletos de humanidade, lançando apelos, e coragem incitam quase todos, solidários.
O tétrico, pois.
(*) esta parte dos mails é inventada também. Na verdade não recebi nenhum mail, mas faz parte da fantasia julgar que sim. Fazei o favor portanto de acreditar nisso também para que este post, mesmo que baseado numa verdade inventada, possa ter algum fundamento
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:55 PM
Dúvida ontológica
Pode-se falar aqui destas coisas de suicídios e tal, não se pode?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:10 PM
[Moleza #3] (*)
As dúvidas de um suicidário meticuloso
(Pronto, já decidi.) Os miúdos seguiram para baixo de camioneta, e por isso agora nem sentirão a minha falta. Depois há isto aqui, onde trabalho, e onde agora só estão mais duas pessoas que nem sequer pertencem ao departamento que dirijo, e por isso pouca falta lhes farei. E a Eufigénia, tal como eu, estará ocupada com os seus afazeres profissionais, e para já certamente não dará pela minha falta. É portanto o momento ideal para me suicidar. Na melhor das hipóteses só será notada a minha ausência logo à noite, e por essa altura já não precisarei de me justificar.
Agora só me falta decidir onde o devo fazer, (deveria escrever ‘cometer’, nestas ocasiões diz-se sempre ‘cometer’ embora eu não faça ideia da razão disso), e porquê.
Sim, é importante que arranje uma razão para me suicidar, mesmo que não tenha de informar ninguém sobre a mesma. Convenhamos, seria idiota não saber porque o faria. A menos que me suicidasse justamente por ser idiota, mas isso já seria uma explicação, o que faria de mim um não-idiota, apesar de poder suicidar-me na mesma, embora não veja para que quereria eu suicidar-me, mesmo tendo uma explicação, não sendo eu afinal um idiota. Já vi que terei de pensar melhor em tudo isto. Este assunto requer mais precaução. (Já decidi; se me suicidar será só amanhã.)
(*) fascículo em redondel, integrante da saga neo-depressiva dali debaixo e que ao que parece irá decorar as paredes deste blog durante todo o mês de Agosto, como processo autopunitivo, e que dá pelo título de “nunca mais se atreva a ficar quando os outros partem de férias, e se tiver de ficar evite almoçar sozinho!”
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:51 PM
Porque Agosto é um bom mês para escrever estes dislates sobre a preguiça neo-depressiva
E porque, enquanto não tiver tempo para o ajeitar nem sítio onde o arrumar, este me parece local acertado para pousar isto, isto da pretensão da inépcia, esse sítio que há em nós, este nós onde tudo espera languidamente pelo que nunca virá a acontecer.
[Moleza #1]
Todos os homens têm em si esse buraco secreto onde vão cometendo o seu suicídio silencioso. Alguns, mais enérgicos, ainda vão entretanto dando sinais de si e construindo coisas em seu redor, supérfluas é bem verdade, mas contudo, algo. Os mais langorosos, como eu, esses já pouco mais procuram que um canto em si onde se possam acomodar para, sem pressas e comodamente, poderem manobrar essa lamina da indolência com a qual, um-por-um, como quem apara as unhas, vão arrancando todos os bocados da sua vontade. Uns mais fulgurantes e ostentosos, outros mais desencorajados e acanhados, hão espalhado por todo o lado bocados da vontade dessa tanta gente que, antes de se resignar, já foi homem.
[Moleza #2]
Devagarinho vou contando as horas, os dias, os anos
Devagarinho vou repetindo os gestos inúteis de todos os dias
Devagarinho vou perdendo o contacto com os meus amigos
Devagarinho vou deixando de fazer tudo aquilo que tanto queria fazer
Devagarinho vou esquecendo tudo aquilo que reuni à minha volta
Devagarinho espero já a minha vez, sem ilusão, sem curiosidade sequer
Mas sobretudo sem pressa, que já não tenho onde ir
Só este sítio, que sou eu, onde espero
Devagarinho
o fim
(está a começar bem, este mês de degredo, está-está)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:47 AM
agosto 03, 2006
"A renúncia é a libertação. Não querer é poder" F.P.
Ah ganda Bill! Bem vindo ao clube dos TA. São só os primeiros 4 (dias, meses, anos) que são os mais difíceis, depois a coisa alivia e só pensas nisso de 10 em 10 minutos, e às vezes até por períodos de tempo ainda mais alongados.
Tu no quarto dia sem fumar e eu no primeiro dia com canadianas, e o mundo será nosso! Que a força esteja contigo.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:24 PM
Ou estou a ficar um velho carunchoso,
ou estou a ficar um hipocondríaco piegas, ou ando com um galo do caneco, mas que elas me estão a chegar todas ao mesmo tempo, ai disso ninguém duvide.
Fim da tarde e a sair pela cedinha do escritório, que a coisa já estava prometida aos miúdos desde ontem. Apesar do trânsito insuportável da 25 de Abril (já não estou habituado às bichas), acabou por saber bem chegar à Costa da Caparica, lá para os fundos (continuo a achar que é uma das melhores frentes de praia que eu conheço; que pena, assim; mas ainda assim). O bafo que corria do fechar da tarde e o afluxo de gente em sentido contrário eram premonitórios de um belo mergulho de fim do dia. Chegámos, eu, eles e mais dois primos, que nestas coisas de improviso há sempre balanço para mais. Como que por milagre, quase à beira mar, em dois segundos apareceu um monte emaranhado de roupa, e já as vozes deles lá ao fundo a chapinhar. Eu a querer acompanhar-lhes o passo mas logo a esmorecer. E recomendações a disfarçar o meu atraso na entrada bbrrrrrr, que não vão para tão longe brrrr, e que entrem devagar que água está gelada brrrr, “qual água?” - recebo em troca, assim mesmo, sem ironia. Vou entrando vagarosamente e não mais que pela linha dos joelhos. Enquanto eles chapinham, e se lançam em carreirinhas e mergulhos e perseguições eu vou vasculhando em mim a coragem suficiente para sair daquele impasse, ou melhor, para ir além da água pelas pernas. Acabo, em desespero de causa, por usar a técnica de sempre. Trata-se de uma decisão kamikaze, já que depois de os respingar (o que, note-se, para eles, molhados, é absolutamente indiferente) se torna praticamente impossível aplacar as suas réplicas, sobrando de recurso apenas dois ou três passos de corrida em fuga, antes do mergulho fatal. Assim faço, e como sempre arrependo-me e amaldiçoo-me enquanto largo a correr naquela maré vazada. Os joelhos a erguerem-se para melhor vencerem a água; uma passada, duas, puooock … que é isto, uma pedra? Que coisa é esta a bater-me na barriga da perna? Mas como pode ser uma pedra tão pesada se nem está corrente que a leve… e seguindo o ritmo das passadas, puoock … outra vez? Será peixe? Peixe, porra, ‘bora daqui, se é peixe é enorme …. mais uma passada a lançar-se e, nada. Nem barulho, nem pancada, nem sequer passada. A perna não voltou a mexer.
Quando cheguei à praia eram 7 horas da tarde. Quando arrisquei entrar no banho seriam talvez umas 7.30h. Ora, meia hora depois já tinha conseguido arrastar-me até á esplanada junto ao passadiço da entrada na praia. Finalmente pelas 8.30h lá chegámos ao carro. Afinal os miúdos nem têm com que se queixar: uma hora e meia de praia ao fim do dia até que nem é nada mau. E lá seguimos devagarinho para casa e a fazer de conta que o carro até tinha umas mudanças semi-automáticas, daquelas que nem precisam ser desembraiadas.
Bem, vamos lá à CUF Descobertas buscar umas muletas.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:31 AM
agosto 01, 2006
Em compensação
Há tipos que me põem a rir desbragadamente em cada linha que leio escrita por eles. Não só pelo que escrevem, mas pela forma como põem a ridículo o sisudismo, a soberba, aquela coisa da superioridade intelectual que habita no lado mais poeirento desta blogosfera. Isto sim é blogar. É que eu também gosto muito de cinema mas levar com Ingmares Bergmanes todos os dias, Deus me livre. Viva a blogosfera dos tiros em carros às cambalhotas, dos cowboys, dos filmes pornográficos, dos monty-phytons, e dessas coisas assim com que tanto se exalta este meu espírito simples e plebeu … que se para autor já pouco dou, pelo menos como leitor disto, por cá me vou assim deixando ficar.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:44 PM
Frente-e-verso (auto-colisão)
Como pode alguém manter um blog se cada linha que lê escrita por si o enfastia?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:45 PM
Ora repita lá outra vez Sôtor se faz favor
Lembro-me, de quando era miúdo, e em me vendo a braços com aquele tipo de actividade repetitiva e ‘irritativa’ (cortar a sebe por exemplo; o que pesavam os braços ao fim de algumas ramagens mais grossas), me treinava galhardamente para pensar que, de cada vez que iniciava nova investida, o fazia sempre pela primeira vez. Assim nunca esmorecia porque não antevia o que ainda me faltava, e o fulgor de cada impulso, inocente no que encontraria de cada vez, mantinha-se constante e vigoroso. Pois assim também o termo de tão pesado ofício, porque assim me fazia mais entretido, acabava por chegar mais cedo do que, se na inversa desta disposição, o estivesse sempre a ruminar. Resultava.
E há-de resultar agora. Bem me invisto hoje, já homem maduro, para recuperar tão ilusionista estratégia. Da técnica recordo pequenos passos com que agora me vou aos poucos instruindo, e que levam à negação do que acabei de vivenciar. Para já estou na parte em que já interiorizei nunca antes ter visto a cara daquele médico, e aparentemente pode resultar. Quase consigo acreditar ter saído da primeira consulta e não estar por isso a viver um dejá vu absurdo. Agora só me falta a parte em que vou fazer de conta que ele nunca me terá dito antes:“bem, parece que temos de fazer aqui uma pequena intervençãozita”. Não há-de ser difícil. Até porque seria absolutamente despropositado que o mesmo médico arriscasse sugerir a necessidade de uma intervenção cirúrgica que há pouco mais de um mês já teria realizado em nós pelo mesmo motivo. Há certamente incidentes da nossa realidade que não se podem repetir segunda vez como se estivéssemos a aparar a sebe do quintal. Sobretudo quando não somos nós que temos a tesoura da poda …
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:35 PM