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junho 20, 2006
Desenvenenamento (do que resta de mim, algures entre o pessimismo e o optimismo)
Cada hora é mais uma braçada cansada, lançada a custo, e cada dia o princípio de um plano inclinado que tenho repetidamente de subir. Combato uma ansiedade que nunca julguei poder existir. É uma guerra sem inimigos e cujos golpes se desferem dentro de mim, uma contenda que se trava num território que julgava conhecer e do qual tiraria vantagem, mas que afinal está armadilhado. Aos poucos fui refugiando-me no meu corpo, do meu corpo. Combato já só na metade (para ser rigoroso já é menos que isso) que ainda sobrevive, na parte do meu corpo que agora irei habitar, a que resta, e à qual me agarro desesperadamente. Mas, de inconcebível, é o meu próprio corpo que(m) me quer abater. Não é um espectáculo bonito de se ver, e não tem qualquer sentido deixar aqui uma janela para o espreitar. Há coisas que são mesmo para resolver só connosco. Além disso, tudo o que escreva nestas condições será seguramente um desagradável e soturno exercício de leitura a que vos poupo, a que aliás já vos deveria ter poupado, há justamente 13 dias atrás. Para além disso, continuar aqui, assim, seria para mim como uma moinha a lembrar da ferida.
Enquanto não assentar o verdadeiro "pontapé nos tomates" deste bicho que há 30 anos me consome não volto aqui. Não sei quanto tempo vou demorar para isso; se semanas, meses, dizem que talvez anos, mas espero poder voltar.
Um abraço, especialmente a todos os fumadores
Publicado por Eufigénio Lagoa às junho 20, 2006 11:56 AM