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junho 27, 2006
Creio que é a isto que as mulheres chamam d’as “mariquices dos homens”
Cheiro a éter por todo o lado, e tudo em mim é pegajoso, mas continuo a adiar o mais que recomendável banho. Devo dizer que passei por aquilo tudo sem qualquer agitação. Nem as luzes do corredor do hospital a caminharem muito rapidamente por cima de nós, de encontro à sala de operações, nem isso me alvoroçou. Depois, assim que me deram alta, meti-me num táxi e regressei para a vida de todos os dias, como se nada se tivesse passado, autónomo e silenciosamente, sem incómodo quase, assim espantando as vozes baixas que ao telefone me perguntavam cautelosamente do recobro do dia seguinte. Mas, neste momento, perante a possibilidade de ter de arrancar o enorme penso e constatar o que me fizeram, aí, confesso, já baqueio. Aguento a ferida, mas não me mostrem o sangue.
Publicado por Eufigénio Lagoa às junho 27, 2006 06:06 PM