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junho 30, 2006

Desta vez interrompo a pausa

Apenas para vos recomendar, caso também tenham este hábito de um textito com o café da manhã, que hoje o tomem aqui. Delicioso!

… sem mais palavras

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:12 AM

junho 27, 2006

Provavelmente teria sido mais conveniente ter ficado por lá com a garrafinha de soro atrás e a fazer a coisa com mais calma

Oh pai, acho que a Tia M. ficou chateada comigo? Deve ter julgado que eu estava a brincar com ela. Ela ligou para o seu telemóvel e eu atendi claro, e depois das apresentações perguntou-me:

- E como está o teu pai?

- Está bem – mas fui logo esclarecendo – só que não está aqui

- Isso eu sei, nem podia estar não é? Então se foi operado ontem!

- Pois. Mas já veio

- Já veio? Já veio de onde? do Hospital?

- Sim

- Já? Mas … Não percebo nada. Se já veio do hospital como é que pode não estar aí?

- Porque foi ali ao café. Mas já vem. Quer que eu lhe diga que …

- Foi onde?

E depois desligou. Sabe, acho que ela deve ter achado que eu não estava a falar a sério. Se calhar é melhor ligar-lhe e explicar-lhe que as suas operações são assim mesmo, sem tempo para nada.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:29 PM

Creio que é a isto que as mulheres chamam d’as “mariquices dos homens”

Cheiro a éter por todo o lado, e tudo em mim é pegajoso, mas continuo a adiar o mais que recomendável banho. Devo dizer que passei por aquilo tudo sem qualquer agitação. Nem as luzes do corredor do hospital a caminharem muito rapidamente por cima de nós, de encontro à sala de operações, nem isso me alvoroçou. Depois, assim que me deram alta, meti-me num táxi e regressei para a vida de todos os dias, como se nada se tivesse passado, autónomo e silenciosamente, sem incómodo quase, assim espantando as vozes baixas que ao telefone me perguntavam cautelosamente do recobro do dia seguinte. Mas, neste momento, perante a possibilidade de ter de arrancar o enorme penso e constatar o que me fizeram, aí, confesso, já baqueio. Aguento a ferida, mas não me mostrem o sangue.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:06 PM

485:46'30''

O mau-feitio estrutural, o desmame ajudando a amargar, e o conforto da psicoviolência sedativa

Para aqueles que perguntarem “então, ainda estás a deixar de fumar?” devemos responder explicadamente “não, eu não fumo, por isso não poderia estar a deixar de fumar”. Depois, no exacto momento em que ele fizer aquele risinho irritante do “pois, tá bem tá”, devemos então aplicar-lhe um soquete debaixo para cima, mesmo no centro do queixo, com força suficiente para ele ficar a mastigar palavras durante pelo menos um mês. Notarão então que não só se aplacará alguma ansiedade que se terá acumulado dentro de nós, como aquele simpático e prestável comparsa, quando daqui a uns anos se arriscar a aproximar de novo de nós, o fará com muito mais respeito, e sem baforadas para cima do nosso nariz.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:45 PM

junho 24, 2006

387

E devo orgulhar-me deste orgulho  
[finalmente encontrei-lhe uma finalidade, e (a)proveito]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:30 PM

junho 20, 2006

Desenvenenamento
(do que resta de mim, algures entre o pessimismo e o optimismo)

Cada hora é mais uma braçada cansada, lançada a custo, e cada dia o princípio de um plano inclinado que tenho repetidamente de subir. Combato uma ansiedade que nunca julguei poder existir. É uma guerra sem inimigos e cujos golpes se desferem dentro de mim, uma contenda que se trava num território que julgava conhecer e do qual tiraria vantagem, mas que afinal está armadilhado. Aos poucos fui refugiando-me no meu corpo, do meu corpo. Combato já só na metade (para ser rigoroso já é menos que isso) que ainda sobrevive, na parte do meu corpo que agora irei habitar, a que resta, e à qual me agarro desesperadamente. Mas, de inconcebível, é o meu próprio corpo que(m) me quer abater. Não é um espectáculo bonito de se ver, e não tem qualquer sentido deixar aqui uma janela para o espreitar. Há coisas que são mesmo para resolver só connosco. Além disso, tudo o que escreva nestas condições será seguramente um desagradável e soturno exercício de leitura a que vos poupo, a que aliás já vos deveria ter poupado, há justamente 13 dias atrás. Para além disso, continuar aqui, assim, seria para mim como uma moinha a lembrar da ferida.

Enquanto não assentar o verdadeiro "pontapé nos tomates" deste bicho que há 30 anos me consome não volto aqui. Não sei quanto tempo vou demorar para isso; se semanas, meses, dizem que talvez anos, mas espero poder voltar.

Um abraço, especialmente a todos os fumadores

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:56 AM

Pessimismo

Fechar isto antes que se torne um comprometedor resíduo testamental.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:27 AM

Optimismo

- E que tenho os pulmões de um homem de 80 anos q fume um maço por dia
- E tu ainda consegues estar com esse ar de agrado?
- Porque não haveria de estar. Já viste se me calhasse o peito da Tia Mª Luisa? Seria bem pior não?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:29 AM

junho 19, 2006

263

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:48 AM

junho 14, 2006

145

Dos cheiros
O mundo para mim era morfológico, uma mera mistura de cores e formas, algo absolutamente físico. Hoje, inesperadamente, voltei a descobrir-lhe a dimensão dos cheiros. Ando maravilhado a juntá-los às minhas antigas memórias dos sítios, dos espaços, das folhas, do velho e do novo, do calor nas pedras, do pólen preguiçoso, do silêncio da canícula, da areia escaldante, da água salgada, da praia toda, aos poucos vou juntando esta colecção de cheiros e destapando ‘lugares’ passados que deixara de compreender, e depois, de visitar, justamente por ser incapaz de lhes associar os cheiros. O mundo dos cheiros é fantástico, algo que eu já esquecera, e que agora faz com que tudo se pinte de novo, como se, entre a objectiva realidade com que vejo e via as coisas que me rodeiam, lhes juntasse agora uma dimensão onírica, um adamascado que dobra o significado de tudo o que nos rodeia. Mas não é só o de hoje que se acrescenta com a recuperação dos cheiros, é também o que foi, o que foi lá muito distante, do tempo em que eu ainda tinha olfacto. Há nisso dos cheiros algo de substancial para as memórias, algo que agora se vai destapando a pouco e pouco, e nisso vou descobrindo as memórias que guardava, muitas delas já só quase vestígios, alguns restos minerais sobrados, e que agora recomponho, como quem revisita o que, sem este elixir dos cheiros, havia perdido. No fundo, os cheiros são a dimensão do mundo que faz as nossas memórias mais próximas e autênticas, e que ao concreto do que hoje nos rodeia o decora até que (o belo também) pareça um sonho.
E da ansiedade
Entretanto não fumo há 145 horas. Precavi-me ao ficar sozinho por estes dias. Não que tenha partido para longe, mas faço-me longe quando eles estão perto. É a única forma de não os tornar vítimas deste processo brutal de desintoxicação. Quando estiver curado logo ‘volto’.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:14 PM

junho 09, 2006

29

de cada vez que 'aquilo' me ocorre, agarro na garrafa de água. tento substituir os reflexos condicionados por outros mais adestrados. se for bem sucedido acabarei com uma vasilha de água na barriga. hoje descobri uma coisa nova: se fizermos movimentos súbitos conseguimos ouvir o entrechocar das ondas de água no nosso estômago. posso já começar a concluir sobre os primeiros efeitos desta abstinência: ganha-se mais ouvido, peso e imaginação.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:53 PM

22

até agora tudo sob controlo. o período de arranque do dia, justamente o que eu mais temia, passou-se sem grandes percalços. vigio-me agora em velocidade de cruzeiro. há em mim uma satisfação moderada - basta que olhe para o diante do dia, (tantos minutos a preencher) , para perceber o que me espera.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:33 AM

junho 08, 2006

Arranjem definitivamente esta treta !!!

Há outra coisa contra a qual as palavras nada podem: uma plataforma de blog que não as deixa editarem-se!!!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:23 AM

Quando as palavras são catapultas da coragem que não temos

Não é preciso ser um bom homem para se escrever um bom texto, mas é certo que os maus homens só produzem maus textos. Escrevendo pode-se quase tudo, mas, se há coisa a que as palavras não resistem é ao cheiro a fel.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:15 AM

Blogambulando

Da cidade, ao fundo, só lá vou a compras de tempos a tempos, ou para assistir a um espectáculo, ou então para comprar jornais. Para passear prefiro aqui a rua, não mais de dez/doze casas por onde gosto de passar. Agora, até já me atrevo a alargar o raio de acção dos meus passeios. Volto a deambular pelo bairro e constato que já há persianas subidas e quintais de novo arranjados. Aos poucos a minha blogosfera vai voltando.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:08 AM

“Então é tolerância de ponto? Não, não, mas é greve”

[da importância de um bom planeamento (e da praia) na luta política]

A discussão lá nos fenprofexes sobre a greve da semana que vem deve ter sido mais ou menos assim: “Devíamos marcar numa sexta como sempre; Espera tenho uma ideia melhor, na semana que vem temos feriados à terça e à quinta; Ah pois é; Na sexta deve ser tolerância de ponto, por isso se marcarmos a greve para quarta, já viste, são seis dias de férias, de terça  a domingo; Ena pois é, e quem precisar pode sempre pedir a segunda, ou alegar o artigo não sei quantos e fica com a semana toda para si; Está combinado, será uma clara vitória desta nossa luta democrática, uma greve com adesão para ser lembrada.”

Tenham paciência mas, com estratégias destas não me falem de causas nem de razões por favor.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:33 AM

junho 07, 2006

Obrigado

O facto de ter retirado os comentários não pretende impedir o prazer de receber um elogio. Seria hipócrita negar encómios. Quando recebo mails, quase sempre inesperados, e escritos de forma espontânea e generosa, e que simplesmente me fazem saber que gostam de ler o que escrevo, irradio. É como se subitamente alguém batesse palmas por trás da cortina. Não faz de nós grandes actores, mas sempre nos faz perceber que não representamos apenas para a lua.

(eu gosto de escrever para a lua, mas que diabo, também gosto que ela sorria para mim de vez em quando)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:40 PM

E lá se foi o frigorífico novo por causa do raio dos hemogramas

Com 720 Euros de análises e exames médicos só não me encontrarão maleitas se forem completamente incompetentes. Acho que até me sentiria roubado se me dissessem que não padecia de nada.

(Mas oh sorte que daí me escutas, não te estiques. Que seja coisa pouca, assim uns pontinhos de castrol colesterol, daqueles que sugerem não mais que ligeira dieta e, vá lá, por um período de sacrifício não superior a dois meses.)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:58 AM

junho 05, 2006

Do que escrevo que digo quando digo o que escrevo

Confesso que acabo sempre por estranhar quando me dizem que escrevo com humor. Sinceramente. Eu olho para o que escrevo e o que vejo é nostálgico, arrependido, de um estilo confessionário até um pouco depressivo. Claro que nos intervalos tento o exercício de me trazer à superfície. Mas chamar humor a essas braçadas de sobrevivência?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:48 PM

Viva com orgulho: antecipe(-os)

Que mania esta. Ofendo-me. Como se ao fazê-lo primeiro comigo me desculpasse de tudo o resto, e perante todos os outros. Como se o que depois viesse já pouco relevante fosse. “eu sei, eu sei, já pedi desculpa”. Foi assim que sempre me escapei daqueles que me queriam dar bons conselhos. Imitava-os antes, antecipava-os, para não os ter de ouvir depois. Acho que ainda sou assim. Deve ser por isso que ainda tenho um carro de 1993 e um enorme mau feitio. O mais curioso é que ambos vão funcionando quase sem falhas. Enfim, talvez precise de uns estofos novos. E o carro, se calhar, também.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:28 PM

Um livro é um mero???

E um poema, talvez um pargo? Oh Hemingway, meu caro, manda aí uma dourada fáxavor! (ah, é mais pesca de alto mar, pois é verdade, atão pode ser um espadarte)

“Um livro é um mero”!? - Está bonito isto … está, está.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:53 PM

Questão de fôlego

Escrever é como mergulhar de apneia. A princípio é fácil. Primeiro lançamo-nos na vertical, o fôlego sustém-nos e o profundo atrai-nos. Tentar cinco a sete metros, com o  fundo ao perto é o ideal, mas com águas transparentes. Sai a primeira frase. Mesmo que lá não cheguemos, poderemos sempre deliciar-nos com esse planar que nos envolve no que nos rodeia, a sentir na pele que não há cimo nem baixo. O fôlego começa a ir-se. Começamos a investir ideias, coisas sem terminação, apressadas. Sentimos o pulsar do coração, e a água começa a ser-nos mais pesada. Já não nos sentimos parte dela, mas a parte que ela quer tomar. Mas tencionamos ficar ainda. Agora teimamos escrever qualquer coisa, ou acabar o que quase começámos. E assim arriscamos deixar-nos naquela suspensão por mais um pouco, e essa coisa que queremos escrever está quase em nós. É um mero, enorme!, é um mero que agora nos prende a atenção, com olhos redondos, rente ao fundo. Mas já não há fôlego. Justamente agora, quando queríamos ali ficar a (escre)vê-lo. Ainda arriscamos afundar-nos um pouco mais, quase rabiscamos a frase de forma completa. Há uma embriaguez quando nos atrevemos a arriscar o limite da nossa respiração que nos faz escrever mais depressa. Mas, a partir dali, definitivamente, não há fôlego que aguente. Ou ficamos, e mergulhamos num texto desconexo sem olhar para trás, sem ligar às reservas que já não temos, ou regressamos de imediato. Voltamos. Nada justifica que fiquemos nas palavras, que só elas - nós sucumbidos - de nada valem. E já na superfície, engasgados com a água que nos entrou nos bofes, lá vamos gesticulando. Falar, agora, é impossível. Nem eles ali perceberiam o desagradável que é ter quase algo para dizer, e não saber. Ficar a um fôlego de o poder dizer. É por isso que ninguém fala do que sente quando está no fundo do mar. Assim se escreve, e se cala. Tem-se tanto para dizer sem saber. Escrever é também assim, não escrever. Ás vezes é como se houvesse um limite de tempo para a nossa respiração. Sem perceber porquê, zarpamos para cima, expelindo no ar as letras desconstruídas, tudo ali misturado numa agitação de bolhas de ar e pressa de chegar.  Escrever é na maioria das vezes assim, quase, e acabar por não o fazer. Um mero enorme que nós quase tocámos no fundo do mar, mesmo antes de nos faltar o fôlego.

[ Percebes porque escrever um livro é para mim um projecto de suicídio? Ninguém escreve com garrafas de oxigénio. Ou se sabe suster a respiração, ou subitamente deixamos de perceber que estamos ali, no fundo de tudo, a ver um mero. Além disso, quando mergulho não o faço para contar, mas apenas para estar ali. E um livro é um mero; prefiro sabê-lo no fundo do mar, e sempre que mergulho, não o saber contar.]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:36 PM

Blogambulando

Caramba, não me conformo, fica sempre a faltar qualquer coisa nas minhas voltas oh seu grande mau feitio | Felizmente ainda há super-produções destas, senão já nem saía de casa | Ter um blog há três anos já não espanta, (embora ultrapasse já o prazo de validade normal), o que verdadeiramente espanta é ‘blogar’ e saber ‘blogar’ assim há 3 anos | Ah, nem sei com que propósito, mas lembrei-me agora: gosto do branco sujo. Fica aqui a nota pessoal

Acrescento: Vá lá, um belo acaso! Ao menos tu ainda consegues ser mais desobituada que eu.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:35 PM

Garfadas pedagógicas. Ou nem isso. Mas esparguete.

Sua calor por todo o lado. Nós lá fora no abrigo do toldo pedinchando as aragens descuidadas que se esgueiram ao fim da tarde – como se o dia assim fugisse, silvando ao de leve - ventos térmicos, dizem. Come-se uma bolonhesa – mimos da mãe. O calor traz disparates já se sabe, embora seja coisa que só o género masculino é capaz de reproduzir em todo o seu esplendor a fazer fé nas palavras da mãe. Rola a conversa.

- Oh pai, eu sou alfacinha não sou?
- Humm, quase Diogo, Quase és.
- Quase??? Mas então eu não nasci em Lisboa?
- Nasceste. Mas com os banhos que te recusas a tomar …
- Ohhh. E que tem isso a ver?
- Alguma coisa. Na verdade nunca poderias ser exactamente uma alface.
- Porquê?
- Porque esse pivete …talvez couve … snif snif … Sim, quase alface, mas mais couve.

Cava-se um amuo profundo. Já do outro lado da mesa se arreia esganiçada a risada que entremeia um “Oh coitadinha da couvinha de Bruxelas”. Eu sorrio, contrariado, quase arrependido da graçola. Disfarço com olhos de faísca sobre o irmão. Atrapalho-me, e vou inventando para mim que se pretendiam no gracejo intentos pedagógicos. Felizmente não houve tempo para mais: soa um “oh Zé, francamente” e interrompe-se o riso, calam-se as minhas interjeições de “vá lá Diogo”, e o vento pousa completamente. Nesta folga, viro agulhas para o mais velho. Distribuindo.

- Pronto, agora vamos ter de gramar com os histerismos do alho francês.
- Alho francês? Quem? eu?
- Tens razão. Alho francês não. Talvez mais rabanete. Esse repolho que tens em cima da cabeça e que teimas em não desbastar tem mais ar de folhas de rabanete!

E pronto. Trocam-se papéis. Arrufos de onde vinha jactância, a euforia da contrapaga de quem se folga agora da humilhação já vencida. “ahhh, olha o rabanete, ahahhh”, e a coisa assim a alternar-se. Duas garfadas, a conversa a desenvolver-se mais macia já, talvez sobre o Rock in Rio que ouvimos dali do pátio, e a tachada de esparguete e esgotar-se.

O outro lá foi ao banho antes de se deitar, e este já me pediu dinheiro para cortar o cabelo amanhã. As bolonhesas cá da casa, assim saboreadas em família, são sempre muito conversadas e estimulantes. A gente lá vai cavaqueando, entre duas garfadas, e assim se dando a entender.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:05 PM

junho 02, 2006

Aviso:
Esta nação encontra-se fechada para cumprimento de festividades

Irrompe no meu intervalo do café aos berros: “Olhás bandeiras! Quem é que quer bandeiras da selecção?!

E repete, entusiástico – “Olhás bandeiras da selecçãaoooo!!

Já não somos um país de 10 milhões. Subitamente reduzimo-nos a uns meros 50 mil, a lotação de um estádio de futebol.

Estamos cada vez mais pequeninos, cada vez mais pequenininhos ...

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:41 PM

Passo a imodéstia

Mas confesso que estou a obituar-me muito bem aqui. Sem textos grandes (demoram muito a escrever) e já poucas interioridades (demoram muito a pensar) é verdade, as caseirices (demoram muito a fotografar) são cada vez mais raras, e as nautiquices (demoram muito a descrever) nunca chegaram a ser. Em obituação é certo, mas ainda assim com todas as vírgulas e muito garbo.

(Pode não parecer, mas há modéstia num texto curto.)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:18 PM

Da presunção de Aladino

Tinha coisas tão importantes para escrever ... desculpem, hoje não vos posso deixar nada. Mas estejam atentos.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:21 AM

Dos absurdos do vício

Vim só aqui dizer que agora não posso vir aqui. Estou cheio de pressa

(profusa prática bloguista)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:19 AM

Das antinomias da birra

Se não jogo não apito! Pronto

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:02 AM