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maio 13, 2006
O Mar
“Pode-se lançar prosa desse mar que se cruza pela rota, mas não é assim que saberemos escrever o mar. Talvez as vagas, a fadiga, a embarcação que range, mas não o mar, que esse assim riscado não é mar, é água. Pode-se tentar descrever o mar que nos traz pelo vento, mas nunca o conseguiremos, que esse mar não se escreve. A esteira que aqui borbulha já ali é rumo, as brisas que aí vêm já nas velas se esgueiram. Tudo no mar apenas se deixa escrito, que quando o temos nas letras já ele se foi, já outro mar nos leva. Só há o mar que vem e o mar que foi, não há desse mar de que se saiba falar” ... possa guardar.
Lido daqui, trazido de outro lado qualquer
[ Se eu, num dia de inspiração, conseguisse escrever sobre o mar, acho que não me importaria de "não" o conseguir assim fazer. Talvez estranhasse depois lê-lo, muito mais tarde, num outro lugar, e incapaz de reconhecer o texto, dar por mim a concordar, a dizer para comigo: "é isso mesmo!". A escrita traz-nos sensações muito estranhas, como se por vezes nos olhássemos de fora. ]
Publicado por Eufigénio Lagoa às maio 13, 2006 04:12 PM