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maio 30, 2006
Na melhor nódoa cai o pano
Ai belas acácias, essas árvores guindadas à minha preferência. Já o eram ainda antes de se tornarem hoje nestas quatro belas hastes folhadas que todos os dias em mim, desprevenido, se atravessam, que assim obsequiosas me interrompem, do ramerrão do ir e voltar.
Enormes, robustas, ao invés das outras espécies de copas largas que deslaçam o seu verdor na largueza da sombra que dispersam, estas são, dessas imensas, aquelas que mais frondosas se vestem - folhagem de verde mais arrebatado não há do que esta com que lançam a sombra viçosa que se alaga por este céu do Beato. Na meia estação quase só as cumprimento de longe, metido na minha pressa. Mas corre o mundo, avança o ano e os sentidos despertam-se, depois rebenta-lhes o verde e com ele racham o céu, e assim me vejo impedido de resistir-lhes.
Por esta altura ali me quedo então, inventando intervalos mesmo que por breves instantes, socorrido das investidas da canícula. Ali terá alguém pausado antes, assim passareando como eu, e desse desfrute pautado das folhagens abençoada ideia terá tido. E soma-se a sorte, certamente, de ter sido funcionário municipal, desses de outros tempos, escrupuloso e zeloso, que ali terá lançado obra, a fazer bancos e lugares para nos estancar da pressa.
Impossível resistir a esse fingir de campo na cidade. E por ali me fico, mesmo que breves instantes, no repouso dos seus cachos de sombra, e …
… mas ??? Sacanas dos pombos!!! Bem podiam ir cagar para outro lado! Caneco, chamem já os falcões para darem cabo destas ratazanas aladas que escarnecem assim da poesia (enfim, também não era lá grande coisa. logo a melhoro).
Alguém me sabe dizer ao menos se isto faz nódoa?
Publicado por Eufigénio Lagoa às maio 30, 2006 02:54 PM