« “A terra onde fores ter, faz como vires fazer” | Entrada | Impressos personalizados »
maio 23, 2006
Inquietação fundamentada - ou se calhar já nada
E nisso, duas fragilidades – são sempre duas, a que há em nós, e a que a motiva. Uma, a desse temor que me alaga, e me tolda, e assim me impede de retornar ao estado de tranquilidade, que daí o expulsaria dessas terras de fantasia com que me sitiou nas cercanias da minha consciência. E mais uma outra, esta da oculta razão que assim me traz, esta que se abriga para além de mim, que da minha debilidade se alimenta e à minha debilidade alimenta, e me faz neste desassossego de recear o que nem conheço. Breves contornos, laivos de imagens baralhadas, o quase nem pressentir, um traço aqui, uma sombra ali, vozes ao fundo, nada que se discirna, talvez misturas vagas de coisas que já foram minhas, mas de longe, quase fantasmas.
E inquieto-me com isso que não me vem de dentro, e porque não me vem de fora também. E porque assim tão fugaz, nesse sendo mas tão sem ser, me leva a pensar que sou eu quem ali vejo, mas já na orla de mim. Nesse quase nada do quando já não for.
Publicado por Eufigénio Lagoa às maio 23, 2006 06:00 PM