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maio 31, 2006

Decanos

Interessante e louvável este trabalho do apdeites:

Os 100 blogs portugueses mais antigos em actividade

Daqui da minha adolescência cansada, a vénia aos quase-eternos

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:39 AM

maio 30, 2006

Bilhetes para

Dia 4 de Junho vende-se
ou troca-se, sei lá, qualquer coisa
o assunto é sério - está em causa a expropriação da minha paternidade ...
Dia 3 de Junho compra-se

Red Hot quê ?? ah não sei de nada.
Para pormenores da agenda falar com Francisco Lagoa

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:09 PM

“As árvores e os livros”

Antes da súbita e desagradável interrupção originada pelos #$%& dos pombos, essa praga imbecil de reservatórios patogénicos (Google dixit) que dá pelo nome de Columba livia domestica e dos quais não se conhece qualquer outro ritual vital que não seja o defecar sobre poetas e estátuas, era mais ou menos isto que talvez quisesse dizer, (… caso, naturalmente, em mim de poeta houvesse mais que de estátua):

“As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas e recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.”

Jorge Sousa Braga (1957)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:42 PM

Na melhor nódoa cai o pano

Ai belas acácias, essas árvores guindadas à minha preferência. Já o eram ainda antes de se tornarem hoje nestas quatro belas hastes folhadas que todos os dias em mim, desprevenido, se atravessam, que assim obsequiosas me interrompem, do ramerrão do ir e voltar.

Enormes, robustas, ao invés das outras espécies de copas largas que deslaçam o seu verdor na largueza da sombra que dispersam, estas são, dessas imensas, aquelas que mais frondosas se vestem - folhagem de verde mais arrebatado não há do que esta com que lançam a sombra viçosa que se alaga por este céu do Beato. Na meia estação quase só as cumprimento de longe, metido na minha pressa. Mas corre o mundo, avança o ano e os sentidos despertam-se, depois rebenta-lhes o verde e com ele racham o céu, e assim me vejo impedido de resistir-lhes.

Por esta altura ali me quedo então, inventando intervalos mesmo que por breves instantes, socorrido das investidas da canícula. Ali terá alguém pausado antes, assim passareando como eu, e desse desfrute pautado das folhagens abençoada ideia terá tido. E soma-se a sorte, certamente, de ter sido funcionário municipal, desses de outros tempos, escrupuloso e zeloso, que ali terá lançado obra, a fazer bancos e lugares para nos estancar da pressa.

Impossível resistir a esse fingir de campo na cidade. E por ali me fico, mesmo que breves instantes, no repouso dos seus cachos de sombra, e …

 

… mas ??? Sacanas dos pombos!!! Bem podiam ir cagar para outro lado! Caneco, chamem já os falcões para darem cabo destas ratazanas aladas que escarnecem assim da poesia (enfim, também não era lá grande coisa. logo a melhoro).

Alguém me sabe dizer ao menos se isto faz nódoa?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:54 PM

maio 29, 2006

Ei !

Estava a brincar, ok? Queria experimentar apenas algumas elucubrações da raiva, só isso. Palavras destas nunca poderiam fazer parte do guião daqueles que são bons de espírito não é? Aliás, ninguém é assim. Pelo menos nenhum de nós, pois não?

Enfim, aquele post sobre o cheiro a velho - admito que por culpa das cigarrilhas - ainda posso conceder que seja verdade, mas agora este aí em baixo ... por quem me tomam? algum terrorista sentimental não?

... isto é só um blog. Aqui só há palavras. Não nos levemos demasiado a sério.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:36 PM

Ainda sinto o fedor baço

Desse fel dos dias em que não gosto de mim e faço tudo para que os outros comigo concordem. Explosões que vou espoletando à minha volta, na esperança que algum estilhaço me acerte. Depois olho esse lastro das minhas vítimas, e elas a interrogarem-me com olhos caídos, como se a minha amargura alguma vez lhes pudesse dar respostas. Que se apartem para longe de mim, deste cheiro a carne arrependida, também ela a gritar, tardia, detonações de remorso.

É medonho viver comigo assim, nestes dias em que não quero viver com ninguém.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:13 PM

Do meu sofá

Ainda sobre essa coisa importante do futebol, embora sobre os menos importantes sub21

Para tudo basta ser medianamente inteligente desde que se tenha uma capacidade mínima para comunicar. Um tipo que não é capaz de desenvolver um raciocínio até ao fim, nem de declarar as suas razões, e que não consegue sequer articular duas palavras de forma minimamente feliz, nunca poderá ser o mentor de um grupo de miúdos que precisam de uma ideia para seguir, de um raspanete para ganharem juízo e de uma palavra de ânimo para despontar quando for preciso. Diria mesmo que esta faculdade é a única verdadeiramente necessária para lidar com uma selecção de jovens deslumbrados. Era tão difícil perceber isso antes?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:24 PM

Do meu sofá

Que estranho ...

Ultimamente não tenho lido nada sobre o Quaresma versus birra do Scolari ao não o convocar para a selecção principal. Querem ver que se engasgaram … engasgou … o Scolari, era o que eu queria dizer, o Scolari.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:00 PM

Dos odores

Continuo enamorado. Pelo menos continuo a interrogar-me dessa minha condição, o que é o mesmo. Logo - suspendam-se as dúvidas - aquele cheiro velho no mofo do lençol de banho que partilhamos será o meu. Além disso, dou comigo cada vez mais frequentemente a procurar nos meus filhos as coisas que admiro em mim. Não é só o odor que se torna mais acre com a idade, é também a auto-estima.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:15 AM

maio 26, 2006

Pré-aviso da obituação

Acabei de perceber que não tenho, nem nunca irei ter, uma cópia dos textos que aqui escrevi. Sou incapaz de os desenraizar deste espaço, vá-se lá saber porquê. Talvez porque recuse admitir que haja vida nas palavras, que isso seria presumir que nelas houvesse óbito. Ambos os casos, já se vê, são imagens aterrorizantes. Acontece que de alguma forma isso sobrevaloriza o fim do blog, pois faz com que a perda se torne ainda mais fúnebre. Deixar ficar por aqui, e com ele extinguir-se, tudo o que nele deixei, nutrirá, lamentavelmente, toda a ocasião, de maior solenidade. Já me estou a ver com declarações amarrotadas do nervoso em papéis na algibeira, e de fato e gravata … e com este calor que se avizinha ...

Não me parece por isso que lhe cometa o suicídio tão brevemente, pelo menos nesta estação canicular. Ou se o decidir não o hei-de anunciar a mim próprio. É provável que, abrandecido, se vá vestindo cada vez mais com espaços em branco, até um dia alcançar um estado comatoso, depois a morte súbita, sem pré-aviso, sem deixar vestígios. Provavelmente faltará saldar uma anuidade, uma qualquer imponderável falha interbancária, quem sabe. Será um óbito determinado por razões de natureza administrativa – assim, deixando-se apagar, será mais uma espécie de obituação. Nesse fim não terá então de haver uma vontade declarada - tal como no seu início não houve - e eu terei justificadas razões para não estar presente.

 

[ E um dia, à pergunta recorrente, já poderei retorquir: fechou? Olha, não faço ideia. Eu cá fui-me obituando e por isso já nem reparei ... ]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:06 AM

maio 25, 2006

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:57 PM

maio 24, 2006

Impressos personalizados

Gosto de ler. Mas gosto sobretudo de o poder fazer. Gosto de escrever. Mas não gosto de ter de o fazer.

… e convém que não insista nesta compulsiva mania de “ter de o fazer”. Começo a ficar farto de ler esta série de panfletos de mim. Tanta definição, tanto gesto administrativo, tanta repetição pateta nesta obsessão que me impele a produzir sem fim esta espécie de impressos comprovativos da minha existência.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:04 AM

maio 23, 2006

Inquietação fundamentada - ou se calhar já nada

E nisso, duas fragilidades – são sempre duas, a que há em nós, e a que a motiva. Uma, a desse temor que me alaga, e me tolda, e assim me impede de retornar ao estado de tranquilidade, que daí o expulsaria dessas terras de fantasia com que me sitiou nas cercanias da minha consciência. E mais uma outra, esta da oculta razão que assim me traz, esta que se abriga para além de mim, que da minha debilidade se alimenta e à minha debilidade alimenta, e me faz neste desassossego de recear o que nem conheço. Breves contornos, laivos de imagens baralhadas, o quase nem pressentir, um traço aqui, uma sombra ali, vozes ao fundo, nada que se discirna, talvez misturas vagas de coisas que já foram minhas, mas de longe, quase fantasmas.

E inquieto-me com isso que não me vem de dentro, e porque não me vem de fora também. E porque assim tão fugaz, nesse sendo mas tão sem ser, me leva a pensar que sou eu quem ali vejo, mas já na orla de mim. Nesse quase nada do quando já não for.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:00 PM

“A terra onde fores ter, faz como vires fazer”

Este é, de todos os ditames que conheço, o mais idiota, mais retrógrado, mais não-estrilhes-pá-e-vai-para-o-meio-da-fila, mais conservador, mais acomodado, mais é-por-coisas-assim-que-esta-merda-não-anda-para-a-frente, mais prudente, mais eu-não-estou-cá-para-chatear-ninguém, mais cobarde, mais sonso, mais a-ver-se-ninguém-repara-em-mim, mais risco-ao-meio, mais amorfo, mais eu-também-acho, mais alinhadinho, mais pré-reforma, e provavelmente aquele

... a que esta mula teimosa mais deveria ter dado ouvidos  

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:42 AM

maio 21, 2006

dormitorium

- … então vou ligar para a CML para virem buscar as camas
- Na, na, na, que isso faz falta. Faz muita falta
- Mas para que queres tu isso?
- Para os trabalhos de fim-de-semana
- Como assim?
- Já vais ver …

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:33 PM

maio 19, 2006

“Não estranhes que um dia te sintas mais homem por o veres seguir,

mas menos de ti por o saberes partir”

provérbio inventado por um pai na adolescência

Ontem, pela primeira vez não lhe disse para onde deveria ir,  nem o que teria de fazer,  nem até a que horas isso iria acontecer.  Pela primeira vez foi ele que …

Tinha combinado com um amigo às 9.00h num café da Expo. De mim, apenas se o poderia levar. Que logo veriam o que iriam fazer porque de manhã não haveria aulas. De mim, que ficasse descansado. Que precisaria de dinheiro para almoçar e para o metro. De mim, se o podia dar.

Depois de me despedir dele, fiquei a olhá-lo. Ia grande, muito maior que ontem. E pela primeira vez não lhe perguntei a que horas iria chegar. Lá partiu. Voltará, mas já não o mesmo.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:52 PM

Há alturas em que … é mais forte que eu, pronto

Eu a tentar mudar de assunto:
- E o tal problema da electricidade estática? Continua por aí?

Ele mantendo o mesmo tom monocórdico e cerimonial:
- Sr. engenheiro, já nem sei o que fazer. Se as senhoras do apoio administrativo vêm de solas de borracha então …
- E já mediram a terra?
- Ainda não, mas …
- Ora. Deixe lá. Daí não virá grande mal ao mundo.

E do outro lado, estranhando-se a ligeireza sobre assunto tão sério, o abuso de tanta leviandade mesmo
- Mas como assim?
- Sabe, o pior que pode acontecer é as suas colaboradoras aparecerem com o cabelo mais desfrisado …. Ah ah ah … desfrisado, compreende? … ah ah ah

O silêncio. A estupefacção certamente. Uma conscienciosa preocupação profissional ali ironizada por quem até agora sempre se tinha mostrado tão solícito ( a resolver as contratempos que ele não desenrascava)
- Desculpe? O sr. engenheiro está …
- Isso mesmo … ah ah ah … olhe que talvez fiquem melhor, assim de cabelo espigado, com mais volume, está a ver? … ah ah ah

Clinckkk !!!

(pronto, este hoje já não me chateia mais. Outroooooooo?)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:23 PM

Daqui do meu sofá

Acho que foi o Arrigo Sachi, na altura seleccionador da “squadra azzurra”, que disse sobre a nossa selecção de então: “Portugal é como o Futre, é capaz de fintar 11 suíços dentro de uma cabine telefónica e depois não dar com a saída”.

Hoje leio de todas as latitudes justamente o contrário (*), que Scolari não gosta do futebol-espectáculo, da arte latina com que tratávamos a redondinha, e que não basta só a eficácia, o saber ganhar, numa nação como esta que sabe jogar tão bonito e gosta de o ver fazer assim. Quando eram artistas eram uns inconsequentes brinca-na-areia, agora que jogam para ganhar já não há futebol-espectáculo.

Lá está. A selecção mudou. Nós, esta nação de treinadores de bancada, de críticos desconfiados, é que ainda não. Pelo menos que o mundial seja menos monótono que as críticas que o antecedem.

(*) quase sempre a propósito do Quaresma, um tipo que ao que parece andou a fazer anúncios de televisão como integrando a selecção, que é como quem diz, eu já cá estou e portanto ... será que nessa troca de argumentos do puto das trivelas dever ou não dever jogar na selecção não se poderão admitir justificações extra-desportivas, designadamente este tipo de abusos de imagem, que qualquer organização não admitiria?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:24 AM

três...entos Anos

Mesmo que aí os estores estejam agora corridos e as portas trancadas, deixo debaixo da porta os meus …

Parabéns e agradecimentos pelo prodigioso tempo e modo da tua escrita

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:57 AM

maio 18, 2006

E que sei eu do que os outros querem de mim?

Mergulho em mim. Por enquanto escrevo sem nada mais querer trazer que o prazer de o fazer. E colho destaques (links) das mais diversas latitudes como até então, quando mais exposto e interactivo, nunca amealhei. Afinal, a escrita, quando é mais nossa, pode também ser mais dos outros?

[ Não sei se a propósito, hoje ouvi que era um expert da introspecção. Passo o exagero, até porque a questão nem é essa. É que vindo de quem tão perto priva comigo, essa é talvez a crítica mais dura que recebi até hoje. Sobro.]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:44 PM

Do que ficou por dizer

Os comunicadores puros preferem o ruído, as vozes, a agitação dos gestos e das expressões, e nisso se saciam e concluem. Os que escrevem preferem o silêncio e o recato, e aí lançam na escrita o que normalmente calam, num exercício onde tentam reconstruir o que lhes ficou por dizer. É um lugar de resíduos do que não chegámos a falar ou a fazer acontecer, um espaço para onde se trazem as coisas incompletas cujo fim não ousámos ou não conseguimos concluir.

A escrita é a linguagem dos tímidos e dos ávidos.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:10 AM

maio 17, 2006

Nuno Fonseca

 

A imagem não cabia toda aqui. Caso pretenda vê-la por completo informo que o resto está afixado no blog que tenho aqui mesmo do lado esquerdo. Elá !!! Nuno, onde é que tu dizes que isto vai ser publicado?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:36 PM

Com uma dobra nas palavras

Aqui não há gente; aqui as pessoas amontoam-se em números, visitas e audiências. Aqui não há realidade; aqui as palavras ostentam-se em outdoors com significados sofríveis mas cuidadosamente arredondados. Aqui não existo; aqui sou mero escriba do que eu julgo que sou. Nada aqui é fiel ao sentido que tem. É um logro da realidade praticado num gaveto que arrendei na internet e encenado no conluio entre a vontade de escrever, o interesse de ler e a compulsiva voracidade das palavras. Escrevo na expectativa que convencerei alguém, para que alguém me convença que sou eu assim. Escrevo interrogações que afirmo para obter respostas. E sigo palavreando por aqui este embuste de arquitectura ortográfica, de pormenores fantasiosos, de peças com que metodicamente constituo uma identidade e realidade que ignoro mas evoco ser a minha.

Poderia agora negar tudo, bastaria enumerar e asseverar todos os episódios que aqui se acumulam. Mas para isso teria de me consentir para além das palavras, e isto deixaria de ser um logro. E nem tenho a certeza que o quisesse fazer. Porque, convenhamos, pensar que nos podemos redesenhar é um logro delicioso.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:06 AM

maio 16, 2006

Obituação

(in 'Dicionário Inventalhado' - Aut: Tal de Lagoa)

do Lat. obituatione

v. tr.,
perder o hábito de existir;
realiviar-se; póscomatar-se;
exercitar o desaparecimento;
anunciar oficiosamente o seu falecimento;
partir dengosamente e sem estrilho;
falecer de forma inconspícua;
processo de habituação prévia ao óbito;
v. refl.,
amolecer-se;
desaparecer-se;
s. f.,
acção de obituar ou obituar-se;
Psic.,
desaparecimento progressivo de uma resposta a um estímulo repetido regularmente;
Sex.,
cessação de processo masturbatório de forma cautelosa visando a não estimulação de impactos psicológicos negativos;
Med.,
aumento gradual da resistência aos efeitos de determinada droga administrada durante longos períodos (observada tipicamente com substâncias que originam dependência- vd blogs).

Casos patológicos registados


 

Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:00 PM

A mania de ser diferente sei lá

Eu acho que o governo tem tido uma acção positiva e decente e faço questão até de elogiar a mesma face ao passado político recente sem ter vergonha de o dizer

Eu gosto da selecção de futebol mas estou-me marimbando para que esta seja ou não campeã do mundo o que aliás acho improvável sendo que nem vejo que tipo de implicação grave ou ligeira daí possa advir para os portugueses 

Eu considero já agora que a minha opinião sobre as escolhas dos jogadores vale menos do que a do Scolari e não sei que sugestão ou crítica válida eu possa fazer junto de quem passou dois anos a estudar jogadores e tem por profissão o futebol no qual aliás já angariou o título máximo a que qualquer seleccionador pode aspirar

Eu adoro o trabalho que faço e admiro muitos dos meus colegas e não me sinto totó em o afirmar 

Eu admito que os portugueses têm algumas características especiais e que essas são mais importantes e estão para além do enquadramento macro-económico desta nação moribunda 

Eu não me lamento de ganhar menos do que gostaria e não acho que a culpa seja de alguém em especial e embora ande com um carro de 1996 nunca senti falta de nada que fosse absolutamente essencial para a minha felicidade e a dos meus filhos já que temos legos e podemos ir à praia e sempre temos um pátio e uma sala onde nos entretemos uns com os outros e não sentimos que algo mais que isto possa contribuir para a nossa felicidade

Eu estou mas é farto de tanta picuinhice presunção e pessimismo !!!
(Nota pessoal para autoleituras de lá de longe: entretanto, depois de experimentada, tirei a bonecada. Carinhas com icterícia a que hoje chamam imoticon - até a concatenação do nome 'cheira' a berloque - que punham em causa o ar circunspecto deste blog e era enganador quanto ao genuíno sentimento de irritação com que escrevi este post)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:52 PM

Circunflexões de mim

Aqui, ainda antes de agarrar no trabalho de novo, e a pensar:

quantas vezes usei eu as palavras “minhas”, “tenho”, “sou” e outros derivados do “eu”? Acho que mais que eu, na blogosfera, só mesmo aqui.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:55 PM

O estrelato internacional ... ok, ibérico, pronto

Incontido orgulho este de ver “obra” minha a emoldurar um post espanhol. E depois um outro, ainda de terras vizinhas, agora com foto das minhas “nautiquices”. Sou além do mais um artista polivalente. (isto já para não falar dos irrepreensíveis decalques da minha personalidade que a sr.ª directora continua a ensaiar)

Ai, soubessem eles do que escrevo …

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:41 PM

Gritar ao vento não é o mesmo que um sussurro

Claro que por SMS não é a mesma coisa que postar aqui! Além de dar muito mais trabalho e no meu telemóvel nem ser possível pôr o “~”, ficam a faltar as testemunhas para (nos) caucionar - ainda que em silêncio - aquilo que escrevemos hesitantes.

Isto aqui é mais como se fosse o estendal das mensagens privadas. Camisas, calças, cuecas, cada trecho sua forma, cada impulso mais uma peça de roupa interior suspensa na marquise da nossa intimidade.

Os transeuntes passam, por vezes desapercebidos, outras olham e até exclamarão “olha, ele também usa boxers”. Entretanto aquilo seca e depois de passado a ferro fica como novo. E aí sim, logo que engomados os impulsos, assim cumprida a higiene doméstica, fecham-se as janelas da marquise e já os poderemos voltar a usar entre nós.

(olha, vês? ainda agora acabei de engomar mais este!)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:18 AM

Bricolar entre o jantar e o café

O que mais me fascina no Ikea não é tanto o design inteligente das suas soluções, nem a ténue mas ainda presente qualidade nórdica, nem tão pouco os seus preços agradáveis. O que mais me fascina no Ikea é a reputação que este oferece a um pai de família ao montar um beliche em 1h 34 min!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:42 AM

maio 15, 2006

Enervam-me as personalidades engravatadas e sem defeitos de fabrico

Eu cá meço a vivacidade da minha existência pela frequência com que alterno de temperamento. Gosto de saber que tenho amolgadelas no meu carácter - fazem-me sentir mais autêntico.

Já a distinta firmeza e a asseada coerência são para mim as características mais insalubres da nossa personalidade. Representam a ausência de humores,  o excesso do zelo no que parecemos, as certezas e convicções inabaláveis.  E nada mais para diante.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:49 PM

O segredo da renovação ...

Os melhores almoços são aqueles que acontecem com a pessoa mais próxima de nós, e dos quais saímos exaltados perante a possibilidade de a poder ter mais próxima de nós, ao jantar, outra vez.

… é sentir permanentemente que esta é a primeira vez

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:49 PM

Blogambulando

“O fim-de-semana

Uma ilha rodeada de tempo por todos os lados
Onde dá à praia o náufrago dos dias inúteis”

In “A Memória Inventada

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:58 PM

A nossa humanidade sobressai sempre que somos interrompidos pela resposta que nunca nos chega

Hoje comovi-me com um homem áspero pelo qual não sinto qualquer afecto e mantenho uma fria relação profissional. Conservava o habitual ar hirto e arrogante, mas chorava. A morte, quando nos rodeia, é o que mais avizinha os homens.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:14 PM

maio 13, 2006

Auto-citações desgovernadas

Não há vaidade em seleccionar e publicar trechos do que já escrevemos só pelo prazer de os reler como se de nós tivessem agora surgido. Se não visamos com isso a opinião dos outros sobre nós, se não são os outros que nos motivam essa (re)publicação, então nunca poderá ser vaidade. Onanismo intelectual? Ou simplesmente um acto caduco. Solitário. Talvez não mais que um mero gesto de decadência.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:03 PM

Viajando por aqui, e sobre o mar ainda ...

Velejar é isto, escrever sem parar, sem querer chegar,
é fingir que se escreve o mar que não se sabe contar.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:37 PM

O Mar

“Pode-se lançar prosa desse mar que se cruza pela rota, mas não é assim que saberemos escrever o mar. Talvez as vagas, a fadiga, a embarcação que range, mas não o mar, que esse assim riscado não é mar, é água. Pode-se tentar descrever o mar que nos traz pelo vento, mas nunca o conseguiremos, que esse mar não se escreve. A esteira que aqui borbulha já ali é rumo, as brisas que aí vêm já nas velas se esgueiram. Tudo no mar apenas se deixa escrito, que quando o temos nas letras já ele se foi, já outro mar nos leva. Só há o mar que vem e o mar que foi, não há desse mar de que se saiba falar” ... possa guardar.

Lido daqui, trazido de outro lado qualquer

[ Se eu, num dia de inspiração, conseguisse escrever sobre o mar, acho que não me importaria de "não" o conseguir assim fazer. Talvez estranhasse depois lê-lo, muito mais tarde, num outro lugar, e incapaz de reconhecer o texto, dar por mim a concordar, a dizer para comigo: "é isso mesmo!". A escrita traz-nos sensações muito estranhas, como se por vezes nos olhássemos de fora. ]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:12 PM

Sem comentários

Pouco me importa neste momento a forma da escrita, ou que desta transpareça uma permanente hesitação (tira-não-tira-comentários). Para o caso em nada me interessa agora a ortografia e as questões da minha personalidade instável. A verdade é que os textos que escrevo e os comentários que os sucedem, (a eles associados ou não), são duas formas distintas de me relacionar com (n)este espaço. E estas duas ligações que estabeleço são tão distintas entre si que chegam a tornar-se antagónicas. A primeira liga-me à minha escrita, a mim, seja lá o que isso for. A segunda … bem, prefiro a primeira. É por essa que (ainda) aqui estou. Não me levem a mal por favor.

[Zezé e Catarina, (sem links, que já não têm onde pousar) - prometi a mim mesmo não aludir nestas justificações ao outro elemento de ligação com tudo isto. O que se estabelece com o lado de fora de mim: O prazer da leitura, que agora, em boa parte, e de forma insubstituível, acabei de perder ]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:03 AM

maio 12, 2006

Hoje

não estou

para grandes conversas

ou melhor

nem grandes nem pequenas ...

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:36 PM

maio 11, 2006

Olha,

Se vais deixar de fumar também eu deixo. Um compromisso mútuo tem sempre mais força.

(Curioso. Hesitei na categoria onde deveria associar este post. Ainda agora estou na dúvida se nas "bloguices", se nas "proximidades", se nas "irritadices".)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:29 PM | Comentários (14)

Fixem bem os olhos em mim!

Vou comer só uma tosta. Tenho de ganhar tempo para ir num pulinho estender uma máquina de roupa.

(Dispenso a piadinha sobre o estender a máquina? pois talvez não saibam mas esta é uma gíria que nós domésticos utilizamos frequentemente. Sim, que eu também vos ouço dizer vou calçar a máquina, e toda a gente sabe que a máquina não se calça. E pior, ainda têm a mania de dizer que a lâmpada se fundiu, quando toda a gente também sabe que quando elas pifam ninguém diz Olha, fundeu-se. Fiquem lá com as vossas que eu fico com as minhas que me dão já muito que fazer.)

Recado pós lides: Eufigénia, não pendurei as tuas meias. Tive receio que pudessem esgarçar (digo bem?)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:19 PM | Comentários (3)

Do que anda por aí a faltar muito

"Mieux vaudrait apprendre à faire l'amour correctement
que de s'abrutir sur un livre d'histoire"

Boris Vian

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:33 AM | Comentários (5)

maio 10, 2006

No fim de um cabo lançado ao mar (warmup)

Já tenho título e sei o que quero escrever. Falta-me o tempo e a oportunidade, e a expectativa de que hoje possa ocorrer a tal fase em que os dedos esvoaçam escravos das ideias (a tal da inspiração). Mas já tenho tudo programado - logo á noite, quando chegar da consulta com o cirurgião, telefono ao Bill e peço o contacto lá do tipo dos ‘dionísios’ (ou de outro bacante qualquer). Depois, vou esvoaçar por aí, ou seja, por aqui, ou melhor, por mim ...

Post post-scriptum do dia seguinte: Não deu. Ainda escrevi o fim, mas depois não encontrei os ombros para lhes pôr asas. (Seja como for, tenho um título e um final, o resto, o que falta, é só caminho.)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:28 PM | Comentários (7)

E isto ...

esta película: vidro ou espelho ?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:39 PM | Comentários (4)

O texto que tem de ficar para depois

Fico impressionado com aqueles que têm por profissão escrever. Como é que eles fazem para ligar o interruptor? Quando é preciso tomam uma dose de 5 ml de “entusiasmo criador” com o café da manhã? A minha vénia.

[ Eu, amador, sofro as agruras da falta de tais artes. A maior parte das vezes em que me apetece escrever, e por mais que abra as janelas de par-em-par, não sinto chegar nenhuma brisa de inspiração. Nas outras, poucas, quando inesperadamente me sinto insuflado por uma breve aragem de imaginação e o pulso se palpita mais ligeiro, não me apetece ou não posso gatafunhar. Essencialmente sou o pai de uma infinidade de textos que ficaram por escrever. ]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:33 AM | Comentários (21)

maio 09, 2006

Vaidade e desconforto

Este blog atingiu as 150.000 visitas, tantas quanto os sócios do Benfica, só que não precisei de andar por terras de Cabo Verde e do Canadá para isso, nem do Simão. Viva a Internet … viva o Google, vivam os postes/chamariz de “gajas nuas”! E obrigado aos 5 visitantes que me têm acompanhado com os seus ‘clics’. De entre estes, um beijinho especial para si avó.

(os comentários voltam. o silêncio é higiénico mas faz muito barulho)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:54 AM | Comentários (33)

Coisa antiga

Por razões imperativas, este blog ver-se-á impedido de editar durante as próximas horas … dias? … semanas?

(olha JPT, sem pretender ser faccioso acho que ficaria bem uma atenção especial para com os admiradores dos idos ainda pré-blog. Senão esses, aqueloutros que pela tua “roupa velha”, agora dita “ao balcão da cantina”, iludidos por esse teu tanto, se viram eles próprios mergulhados nesta pública e desavergonhada geração da sua auto-biblioteca. Ia até sugerir uma edição para amigos, lombada de couro, assim oferecida ‘entre-wiskies’ – disso poderia tratar eu – tu depois ‘versejavas’, a gente discutia sobre o belenenses com o MB, mais além o Bill já a rondar as palavras, o Prudêncio a esfumaçar ideias prudentes de cigarilha cansada, o Vilão punha a malta em dia nas crónicas da sociedade lisboeta mais chegada e, lá mais para o fim talvez uma lerpazinha, só para avivar o ambiente, e acompanhada claro dos belos acepipes que o Ruivo certamente prepararia. Assim, num contexto mais materializado, é que o teu “balcão” ficaria com a dedicatória certa e uma mui digna lombada)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:20 AM

maio 08, 2006

Sobre a membrana que nos afasta o mundo

Como sempre, Tati, delicio-me com o seu poder de análise e com a forma como o decompõe e o expõe. Mas neste caso considero que incorre num erro quando estabelece uma mulher dominadora como contra-ponto ao tímido, no princípio dos opostos que leva a que por ele se sinta atraída. E isto porque ninguém vive com um tímido, pela simples razão de que a timidez não é um estado de permanência, mas sim um fato que acaba por se despido assim que ultrapassada a primeira fase de um relacionamento. Por trás de um tímido há sempre uma personalidade imprevista que mais tarde ou mais cedo se assomará. Subitamente, transmuta-se, para melhor ou para pior. Deixe-me por isso que acrescente: a timidez num homem, porque o esconde, serve a mulheres de afectos aventurosos.

E olhe que sei do que falo.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:26 PM

maio 07, 2006

Claro que a rapariga lá na Multiópticas já me trata pelo nome

- Pai, um menino lá no rugby amolgou os meus óculos
- Mas tu jogaste de óculos? Olha que …
- Não, claro que não! Foi quando os deixei no banco
- Vá, não faz mal. Traz lá os óculos que eu dou-lhes um jeitinho
...
- Estão aqui:

- Mas ??? …

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:54 PM

maio 06, 2006

Um dia triste para mim

Levaram-me o Nilfisk de 3.000W! Sendo este aspirador, (devido à sua invulgar potência de sucção), um instrumento auxiliar importantíssimo para a criação de tartarugas, (e ainda que na condição de emprestado), não posso deixar de o lamentar. Só faltava agora que levassem também as colheres da salada. Uma tristeza. É óbvio que nunca mais poderei ter tartarugas.

Que diabo, a gente ganha afeição aos bichos e depois levam-nos o aspirador!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:06 PM

maio 05, 2006

Dia Nacional da Cortesia ao Volante

Porque estamos em guerra Civil ! …Falemos então de coisas sérias, da nossa hipocrisia, do nosso sub-civismo, desta nossa guerra, desta que mata mais (segundo se diz por aí) que as vítimas do conflito israelo-palestiniano, e que desde o 11 de Setembro (e isto é fácil de comprovar) já fez mais vítimas  do que aquelas cujo óbito chocou o mundo.

Os 15 Mandamentos da Cortesia ao Volante

  1. Não utilizarás o veículo como instrumento de ameaça ou de agressão.
  2. Se conduzires, não consumirás bebidas alcoólicas ou produtos que alterem o teu estado normal de consciência.
  3. Darás sempre prioridade aos peões, mesmo fora das passadeiras ou antes de nelas entrarem.
  4. Zelarás pelo transporte seguro dos ocupantes do teu veículo, em especial das crianças.
  5. Aceitarás o ritmo de condução dos outros condutores e respeitarás os limites de velocidade legais.
  6. Não utilizarás o telemóvel durante a condução.
  7. Não estacionarás onde prejudicares a passagem e visibilidade dos Peões, em especial crianças, idosos e deficientes.
  8. Vigiarás o estado do veículo de modo a contribuir para a segurança e respeito de todos os utentes das estradas.
  9. Não perderás a paciência quando a via se encontrar obstruída e não impedirás a ultrapassagem por outro veículo.
  10. Pararás sempre nos sinais de Stop e abrandarás com o aparecimento da luz laranja.
  11. Não estacionarás nas passadeiras de peões, faixas BUS, lugares de deficientes e saídas de emergência.
  12. Manterás a calma quando circulares atrás de um veículo de instrução.
  13. Reduzirás a velocidade em locais de trânsito de peões.
  14. Em auto-estrada ou via rápida, não conduzirás encostado à traseira do carro que circula à tua frente.
  15. Adequarás a tua condução às condições atmosféricas e condições da via.
Ideia original: Association Française de Prévention des Comportements au Volant  http://www.courtoisie.org/ ;  Mais informação consulte www.sobreviventes.org ou www.estradaviva.org

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:18 AM

maio 04, 2006

Não há paciência, é que não há mesmo paciência

Há blogs que não leio há meses. Por vezes esqueço-me, e lá me reclino na sua direcção. Depois …

Façam favor, tirem lá os penduricalhos e mais as odes e os bonequinhos que dançam e riem, só para ver se por uma ou outra vez eu ainda vou sabendo o que por aí se escreve. Já agora, escreve-se?

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ADENDA (de remissão):Admito que me terei excedido neste post, sobretudo pelo tom, o que só posso justificar por uma momentânea irritação ou talvez um mais permanente (e arreliante) estado de irritabilidade. Manda a ética, assim, depois de tais agravos, que exponha o flanco e assim me sujeite à vossa justa indignação. Para tanto aqui (me) disponibilizo o acesso aos comentários. Mandai de v. justiça … se e no que vos aprouver.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:33 PM | Comentários (20)

Aviso (ok, é só para mim; lembrete então)

O d’antes, esse estado mental lastimoso, também aqui se vai esparramando. No dia em que forem mais os blogs listados na coluna da direita com o [!] (simbologia que assinala o seu estado defunto), do que os que o não têm, fecho a loja. Que aqui escreva o que normalmente calo, ou mesmo que me cale, daí nada interpreto; talvez lassidão, impedimento, não-vontade, nada, espera. Agora a última coisa que pretendo que isto pareça é a casa de um zombie - género fúnebre de gente que se ancora no que já foi - navegando por mares esvaziados.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:25 AM

maio 03, 2006

Mais um para «as minhas voltas»

Trago e destaco: Uma bela causa, com temas pertinentes e palavras acertadas

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:22 PM

Acho que andei a ler demais sobre o assunto

Parece que aquilo pode ter restos de dentes, cabelos, e sabe-se lá que outros restícios embrionários do ainda antes de … há em mim vida pré-natal !!!! Não consigo sequer conceber isto de me ter a mim preso dentro de mim … e o pior é antever o cirurgião a estraçalhar aquilo (que afinal sou eu, sim, que aquilo sou o eu que está ali bem concentradinho naquele alto que dói que se farta), com as navalhas trucidantes … e eu …. eu ainda vou pagar o serviço … eu … mas assim, sou cúmplice do meu assassínio! … suicida?! … ai, estou tão confuso … isto já nem vai lá com almofadinhas … com licença … com licença

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:58 PM

Preciso de uma coisa mais ou menos assim

 

Não, não é uma bóia! Não, tb não caro leitor, tb não é um donuts, é uma almofada, acredite! E confesso que não vejo onde está a piada!!!

... e agora, onde diabo vou encontrar uma coisa "mais ou menos" assim ?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:48 PM

De como uns restinhos de tecidos embrionários podem formar uma tumescência qualquer só para que me arrastarem o nome na lama

Venho de um fim-de-semana grande em estado lamentável. Sou obrigado a trabalhar de pé o dia inteiro por culpa de uma coisa esquisitóide qualquer que nem percebi o nome mas que, “ah tem de ser mesmo com anestesia geral … e sabe, o pós-operatório não é fácil, mas tem de ser”. A talhante bem me avisou. De momento - e assim será enquanto tiver de me arrastar por mais uns penosos dias - vejo-me incessantemente observado. Os risos quase impossíveis de se esconderem ao olharem para mim e a verem-me naquele estar ao balcão, de portátil em cima da estante.

Mas o que mais me irrita nisto nem é o raio da operação, nem tão pouco o incómodo que agora sinto, mas sim presumir o que aquela gente andará a pensar que terei eu feito no fim de semana para andar assim sem me conseguir sentar! Tantos anos … e num instante se me vão os pêlos do peito.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:13 PM

maio 02, 2006

Blogambulando ... ou mais que isso

Fecha-se um blog com um dos registos mais originais que aqui descobri. Também aqui os tempos são cada vez mais de normalidade Maria Árvore, mesmo para os indefectíveis como tu.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:06 PM

Ganhei mais um dia, será isso?

Acabo de publicar o meu 1001º texto aqui.

Quem diria, eu Scheherazade?! Isto, artifício de sobrevivência?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:48 PM | Comentários (9)

Alcoutim

Onde esquinam o Algarve, o Alentejo e a Estremadura espanhola há um rio sobre o qual pendem os voluptuosos cânticos das aves na compita do mais belo. Aí as margens são curvas e logo íngremes, fazendo da paisagem intermitente uma beleza de quase se tocar, tanto esta, de socalco em socalco, se nos acerca dos olhos. Mas para quem alcance vistas mais altaneiras sabe que o longe não é ali como o perto, que quando se lança para o horizonte se vão adoçando as suas arestas nos contornos morosos e inertes das planícies do Sul. Do topo de um dos morros, do lado de cá - onde os miúdos combinam agora que lá se montará casa com semanadas minuciosamente registadas -  a vista balança por cima do braço de água, arriba nos morros da outra banda, alcança as terras por sobre estes, e assim se concentra lá longe nos últimos contornos antes do céu. É já noite, que o tempo aqui escorre depressa, e as cores tornam-se sombras, e as montanhas penumbra, riscando perfis em terras de Espanha. Nessa linha que ondula, outra se eleva, paralela, acompanhando socalcos e curvaturas, agora ali subindo para logo se quebrar mais à frente, e assim acidentada preenchendo o horizonte, cobrejando a natureza, dela distando exactamente um dedo se a este o reclinarmos com o braço estendido em mira. É um traço estranho esse que contorneia semi-elevado os movimentos das curvas ao fundo, quase inverosímil, avivado num riscado vermelho que não pertence aos azuis negros e sonolentos da noite. E estranha é também a sua intensidade, assinalando-se mais forte que tudo o resto, luminescente, mas ao mesmo tempo interrompido, tracejado. Vogam os olhos outra vez, vagarosos, que ali a noite e tempo são coisas macias pelas quais se deixam guiar. As interrogações são interregnos com que nos vamos deixando ficar, e as respostas, quando chegam, uma consequência de por ali nos demorarmos. E a cobra rastejante sobre a natureza, essa mesma que brilha encarniçada, vai se decifrando com vagar. São pontos que se alinham numa trajectória curvilínea, e esses pontos são luzes, umas que se atrelam nas outras, como se o mundo tivesse sido decorado com as lâmpadas de uma árvore de natal. Agora já não é mais a vista que alcança porque desse mister já se cumpriu, mas alguém que conclui: são luzes de sinalização, é o parque eólico da Estremadura de nuestros hermanos que se pintalga lá naquele fundo. E são centenas, talvez milhares, assim a tecnologia se instalando na noite, fingindo dormir nos contornos da natureza.

Do lado de cá, nada. Apenas nós, e de onde se espreita; o sítio onde se pousa e se alcança a natureza, essa terra que nunca se rendeu e que a tecnologia não abraça. O mundo visto daqui é orgulhoso e primitivo, a deixar-se ficar no que sempre foi, e nisso retendo os homens. Não os que partem (partimos) agora esbaforidos para as cidades do Norte, nem os outros cruzando rio com pressa de se deitarem do outro lado, mas aqueles que com ela ficaram para trás, que como ela pouco nisso se importam das cobras lacrimejantes, dos moinhos metálicos, ou dos contornos vermelhos de imitação. Uns vão ficando com a calma da terra, os outros partindo com a pressa do progresso, que aqui é só para ver, lá para viver. Assim, como de cada lado das margens do Guadiana, tão diferentes são Portugal e Espanha.

Entretanto eu perco-me entre as duas margens, querendo ser hoje esta, amanhã, do outro lado, aquela.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:09 PM