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abril 28, 2006
(mais um) Andarilho
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:45 AM
abril 25, 2006
Sempre!
Sempre. Mas dói esta liberdade,
isto de cada um poder ser
mais só ele, e menos povo
Sempre! Mas cada vez mais só flor
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:20 AM
abril 18, 2006
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:55 PM
Interrompo a interrupção?
Mas uma interrupção destas poderá interromper a interrupção? Coisas destas não interrompem, ou melhor, interrompem. É por isso que nunca interrompem. Ah, e devem ser apanhadas de preferência logo que nos aparecem pela frente - porque as interrupções nascem sempre numa altura certa e podem perder qualidades se adiadas. Agradecendo essa tua breve interrupção Catarina, volto agora para a minha interrupção.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:21 AM
abril 17, 2006
... todos sabemos que a escrita é feita de interrupções, ela mesmo uma interrupção. Ela que aliás só tem sentido porque nos queremos interromper. E de momento, eu, não quero. Estou já suficientemente interrompido numa realidade que é maior que eu. E por isso é improvável que queira chamar-me para as palavras que me levam para fora dela. Pauso. Certamente por pouco tempo, que é como sempre se lançam aqui estes intervalos anunciados. E tantos já ... É tão bom poder ser incoerente.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:26 PM
abril 13, 2006
Diálogos de matar saudades
Treinos 'batraquiais'
- Pai
- Olá. Está tudo divertido por aí?
- Já experimentei o truque que me ensinou
- Qual? o das bolinhas de ar que deves largar se caíres à água
- Sim
- Pois, é uma forma de não te atrapalhares se a água do rio estiver mto turva, não é?
- Se calhar é
- Se calhar? Mas então não disseste que experimentaste isso
- Eu experimentei, mas a água estava tão transparente que foi só seguir o Sol
- Bem, assim de facto não dá para ver.
- …
- Mas podias treinar na mesma. Assim sempre confirmavas para onde elas subiam
- Eu ainda tentei. Mas eles começaram a gozar comigo
- Que disparate. Não ligues
- Diz isso porque ninguém chama agora “sapo” ao pai
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:44 PM
Diálogos de matar saudades
Andam a pedi-las
- Pai
- Allô, então como vai isso por aí?
- Muita giro. Olhe, hoje encontrámos uma cobra no rio.
- Ah foi?
- E sabe uma coisa, ela estava a morrer engasgada
- Como assim? A cobra estava a morrer engasgada?
- O JM viu-a comer um peixe e depois ela ficou muito quieta, quase morta
- Se calhar estava a digeri-lo
- Não, não. Estava tão quase-morta que até lhe mexemos na boca e ela nem fez nada
- Cuidado! Vcs não deviam mexer em cobras
- Nas que estão engasgadas pode-se
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:41 PM
Diálogos de matar saudades
'Semenologias'
- Oh Pai, a mãe disse para vir falar consigo
- Um momento Diogo, deixa-me só …
- É que às vezes saem umas gotinhas brancas da pilinha?
- O quê ??
- Ontem saiu. E acordei assim - a desfraldar-se e a agitar-se, e a rir - todo suado.
- Sim? E como é que isso aconteceu?
- Comecei a sonhar com raparigas bonitas e…
- Humm, Diogo?
- Sim pai?
- Estiveste na conversa com o teu irmão?
- … Estive
- Ah. E ele explicou-te o que é isso?
- Sim.
- E queres saber mais alguma coisa?
- Eu … ainda não.
- Está muito bem. Falamos quando quiseres
- Pois. Se calhar é melhor falarmos só quando eu tiver outro sonho assim
- …
- Sémen
- O quê?
- Isso que o teu irmão te contou e que ainda não sentiste sair é o teu sémen.
- Ah, eu sei. É por onde vêm os espermatozóides não é?
- É
- …
- Mas a outra parte pai, das raparigas que me fizeram suar, é verdade
- Eu sei filho. Essa parte vem sempre mais cedo.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:38 PM
abril 12, 2006
E assim de momento ...
... não me ocorre mesmo mais nadaPublicado por Eufigénio Lagoa às 03:08 PM
Eu sei que sim
... também eu transgrido nisso do engalanar das palavras.
Mas eu não sou poeta. Nem tenho um blog (!?). Ou tenho, mas nunca o deveria ter tido. Porque o mal dos blogs é justamente esse: aqui, até os tímidos falam de si. E como os outros, na ilusão de que estamos sózinhos, também aqui falam(os) demais. (nisso, os poetas que me desculpem)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:00 PM
Por acaso agora até me ocorreu qualquer coisita
E foi logo sobre poesia. Já percebi porque (em geral) não gosto dela: é um exercício fátuo. Raramente se conclui, raramente conclui. Usa a forma, e só isso, sons, às vezes ritmos, rimas, nada mais que pretensiosas piruetas com as palavras, como se elas só por si, na forma como se agrupam, pudessem ser algo - coisa balofa, pura maquilhagem das letras. E devo dizer que me ofende que alguém me dê algo sem significados, sem intenção, como um presente enlaçado em caixa vazada, a fazer de mim enganado no desamarrar de coisa que não existe. Não falo de ti JGF, nem de ti FP, nem daqueles que a usam porque com ela transpõem supérfluos e constroem significados com uma vírgula, um impasse ou uma interrogação. Não. Falo justamente do oposto, da poesia que é usada quando nada se tem para dizer. Da poesia feita de cortinados sem janelas.
Dantes ainda se guardavam envergonhadamente nas gavetas, mas agora … os blogs … que seca!
O nu é bonito, se não se for gordo. Ofendo? Emagreçam.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:39 PM
Assim de momento ...
... não me ocorre mais nadaPublicado por Eufigénio Lagoa às 02:10 PM
abril 11, 2006
Nuno Fonseca
A estepe nórdica

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:04 AM
abril 10, 2006
Tudo controlado
Olá,
Como não te consigo apanhar no telemóvel segue por aqui. Era só para dizer que tudo correu como previsto. Só os raviolli é que não saíram lá muito bem – deixei-os cozer um pouco mais que os cinco minutos e ficaram um bocado borrachosos. Depois, como pensei que fosse por falta de fervedura, deixei-os ficar mais um pouco e ficaram um pouco menos borrachosos - mas usámos as facas serrilhadas e lá nos safámos muito bem. (A propósito, os miúdos andam sem apetite nenhum, temos de ver o que se passa). E agora a boa surpresa: não temos de nos preocupar com o jantar, sobrou o suficiente, enfim, se os conseguires convencer a encararam de novo aquela experiência espiritual.
Quando voltei para o trabuco ficou tudo mais ou menos sossegado - (ah, se puderes traz tintura de iodo, já não há) - e eles prometeram-me que se iriam vestir e que entretanto tiravam as peças de lego de dentro das garrafas de cristal e que não partiam mais nenhum candeeiro (oops, é verdade, lembras-te daquele candeeiro que herdaste da tua avó? Não te preocupes, aquilo tem arranjo, depois falamos).
Mas o importante é que eles ficaram bem almoçados e ainda há muita farinha cérelac. Olha, convém que saibas que já falei com a vizinha de baixo, portanto, se ela te interpelar, diz-lhe que nós já tomámos conta do ocorrido (eu depois digo-te que tipo de ocorrência, que isto aqui, enfim … é que pode servir de prova, percebes?)
Já agora … sabes quando é que eles recomeçam as aulas?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:11 PM
Nuno Fonseca
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:30 AM
abril 08, 2006
Nuno Fonseca
Pssstttt … favor não tocar aí na obra. Se pretender algo pode sempre contactar o seu agente comercial para a blogosfera: eu!
… que acumulo com a condição de irmão frustrado (maldosa injustiça, até na forma como reparte o aparelho circulatório pelos membros da uma mesma família - porque é que esta veia tinha de ir toda para ele? nem falo por mim, mas é que nós, só irmãos eramos seis caramba! )
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:03 AM
abril 07, 2006
Blogoterapia
Tudo o que fizeres não é tão importante como tudo o que quiseres não é tão importante como tudo o que fizeres não é tão importante como tudo o que quiseres não é tão importante como tudo o que fizeres não é tão importante como tudo o que quiseres não é tão importante como …
… importante é, esteja eu onde estiver, poder receber o telefonema preocupado do Diogo: “oh pai houve um problema! A semente de girassol que plantámos, lembra-se? aquela que agora já era uma flor grande? foi arrancada !”
… importante é o Diogo. Importantes são as flores. Importante é o Diogo achar que as flores são importantes. E agora vamos lá repetir de novo:
Tudo o que fizeres não é tão importante como tudo o que quiseres não é tão importante como tudo o que fizeres não é tão importante como tudo o que quiseres não é tão importante como …
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:27 PM
abril 06, 2006
Cacos
Insistentemente, caem-me letras por todo o lado. Oiço-as distintamente, e sobretudo nestes dias em que não as quero, em que não tenho tempo para elas, tornam-se ainda mais barulhentas. Enquanto se alvoroçam na queda arranham ruídos de pontas aguçadas. (Os “r”, mais retorcidos, são os piores). Outras vezes interrompem-se cedo demais e sei que terão ficado presas em galho de neurónio cansado, provavelmente num balouçar desesperado, assim a verem-se limbo, que nem ideia, nem coisa que já não é. Mas quase sempre seguem o mesmo caminho até se depositarem já detritos, aqui mesmo, na base da nuca. E tudo se repete permanentemente. Enquanto brotam em ritmo alucinante novos resíduos com pontas reviradas de coisa ortográfica, já outros se amontoam no fim da queda (esta moínha que sinto tão bem) no cemitério das coisas que hoje não tive tempo para pensar. Acidentalmente há algumas que ainda se enrolam em outras, duas, três às vezes quatro letras - noto-lhes o estrídulo mais inteligível - são sílabas, quase formando palavras. Mas nada mais que isso: mero silvo silabário, repentes que nem chegaram a acontecer, interjeições de pensamentos.
É assim comigo, quando a inspiração agoniza. Nunca morre de uma vez só. Vai se deixando estraçalhar aos poucos, amontoando-se depois - cadáver - em cacos de letras.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:44 PM
abril 04, 2006
‘Oh meu tenente, oh meu tenente, um passo atrás e dois à frente’
Regresso a pensar nos miúdos, que queria ver com eles o jogo do Benfica com o Barcelona, e depois o Sporting, o título em causa, e é já o mundo todo cheio de coisas importantes que vou estimando. As prestações da casa vão subir, dizem, e quanto? E lá sigo, trauteando a calçada, absorto, contando as bocas de incêndio, sete desde ali do café do sr. Zé, e sigo folgado, a acabar a folga, essa parte em que fico sem nada que fazer, e fico só com o que tenho cá dentro. As acácias estão cheias de folhas amarelas e já é primavera, que diabo. É intervalo de qualquer coisa, talvez almoço, deve ser, é sempre almoço quando dou por mim a desviar-me da caca dos pombos e a amaldiçoar os silos das farinhas que os sustentam. E lá sigo de novo cogitando sobre o futuro, de novo. Rememorizo as coisas que ainda ontem esqueci, que assim brinco como todos os dias com as expectativas que lanço para amanhã que ontem foi hoje. Olá boa tarde, nem o vi, desculpe. Pronto, interrompi-me, mas pouco importa que já estou chegando. Deve ser por isso que me ocorre o provir da conta bancária, como quem de súbito regressa a este caminho de santiago. Chegar, voltar, interromper-me, é sempre duro. Há coisas que não evoluem apenas com reflexões, há coisas que nos prendem. Não percebo o que quero dizer com isto mas sei que é assim. E sigo já, nesta ancoragem a terra firme, ou melhor, subo, subo as escadas porque estou finalmente chegando ao local de trabalho. Ainda não ajeitei o nó da gravata, ainda tenho tempo, ainda tempo para assentar no telemóvel dois compromissos próximos - dos que não são de natureza profissional nem são minudências do dia-a-dia doméstico - casamentos, IRS, computador dos miúdos, essas coisas. Assento-os sempre no telemóvel, que hão-de voltar com folga para as tratar, no bip-bip do costume (vivemos com tanta coisa a repicar à nossa volta caramba), coisas que assim tão tenho de me lembrar. Entretanto chego. Chego de onde ainda agora parti, de onde parto todos os dias, a mesma caca dos pombos, as bocas de incêndio, os comes do sr. Zé. É bom sentirmos rotinas e compromissos quando não sabemos exactamente o que fazer com o tempo. Outras vezes não. Mas agora voltei, ‘engenheiro’, ‘tosco’, ‘tão pá’, ‘senhor director’, visto o fato que serve a todos e recomeço. Recomeço sempre que começo por aqui: sento-me à secretária e escrevinho duas ou três acauteladas notas sobre os afazeres improrrogáveis da tarde, nos habituais post-it’s amarelos. Pronto. Olho em frente. Trabalha-se lá ao fundo. Subitamente percebo o meu atraso. Sou sempre o primeiro e o último, e embora seja assim quando faço intervalos para almoço, eu nunca almoço. Sigo, siga. apresto-me agora a abrir o Outlook, que de lá hão-de troar (e os alarmes de novo, o ar saturado de avisos, sempre), uma meia dúzia de solicitações, hoje talvez mais, que é dia de planning.
Mas, incompreensivelmente, desorganizo-me. Logo agora que estava a tomar nota de tudo! Nesta altura já deveria ter retomado as coisas do dia e por isso há já quem olhe para mim à espera de me ver prestável para despachos. Mas não. Um imponderável laivo ainda perdido da hora de almoço ressalta fora de tempo: tenho de dar prioridades a esta vida, o meu futuro não se pode escrever assim tão facilmente num ‘blackboard’, ou pelo menos, eu tenho de ser mais que giz que risca. Amanhã, já decidi, não vou anotar nada, vou apenas vogar. E para me fazer mais peremptório nisso puxo da folha A4 que tenho aqui sempre à mão, e escrevo em maiúsculas esta determinação nos “to do” de amanhã. Não vá eu esquecer-me também disso.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:52 PM
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Agora sim, isto é um verdadeiro Cacifo :

e com a vantagem de não precisar que eu edite post's todos os meses para ver o calendário actualizado
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:18 AM
Plim
E escusam de embravecer que isto não foi para chamar clientes. São 2h59m da manhã e aqui, a esta hora, não mora ninguém senão eu. Então porque foi? Porque estava farto de ver o calendário ali na direita ainda com a folha de Março, e não há nada pior do que ter uma coisa dessas com a playmate do mês já envelhecida. Como, não há playmate? Pois não. Mas isto também não é um cacifo, é só um blog ...
(enfim, se calhar até é um cacifo, mas não tem calendários da playboy pronto)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:57 AM
