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março 14, 2006
Questões menores da educação menor
É opção de cada um ter comentários disponíveis ou não os ter. Mas se os há, obriga-se quem os dispõe, dentro das normas da boa educação, a responder, se estes evocam ou convidam a essa resposta. Até concedo que não o faça, que os deixe para os leitores, desde que isso como regra generalizada. O que não tolero é a petulância e o snobismo daqueles que a este respondem e ao outro (gente menor, incómodo até, ou talvez mero intrometido a desbotar no nível do diálogo), a esse outro ignoram. Todos os complexos de superioridade me irritam profundamente, mas esta atitude magestática de reservar os comportamentos de resposta só “entre iguais”, este desprezo ostensivo por quem nos dirige a palavra fazendo uso da prerrogativa arrogante de responder a quem apenas se quer, isso confesso que me enfurece. Estes incidentes com egos obesos, quando sucedem na vida real, só acontecem comigo uma vez. Não vejo porque nos blogues deva ter outro tipo de disposição sobre o assunto.
Que não se declare a inocência investindo que isto dos blogues não é a mesma coisa que o cara-a-cara, como se do lado de lá houvessem apenas antenas emissoras accionadas por um misterioso ‘zingromé’ de vocábulos. Pessoalmente não vejo diferença; em ambos os casos há gente dos dois lados, e aqui até talvez mais tempo, maior reflexão, os comportamentos podem ser mais tratados e cuidados. Tudo isto, esta coisa dos novos modos comunicacionais, do inédito, do ‘imprecedente’ que ainda não encaixa nos quadros da cortesia, só me faz lembrar a boçalidade (e desculparão, pois sei que critico situação mais ou menos generalizada) de alguém que partilhando uma refeição comigo se interrompe e me empurra para o lado, por vezes minutos a fio, para entabular uma conversa sobre coisa nenhuma no telemóvel. Bem sei que quando éramos pequeninos não haviam destas coisas sofisticadas e que ninguém nos pôde por isso ensinar os comportamentos convenientes … mas que diabo, a boa educação e o respeito é algo que tem muito de bom senso, e para gente inteligente não é preciso que venha na cartilha.
Publicado por Eufigénio Lagoa às março 14, 2006 10:41 PM