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março 21, 2006
Blogambulando
[e para acabar de vez com (a história) dos comentários]
Afinal os trackback’s funcionam JPT; toma lá um tu agora. E sobre o tema com que me linkas, perdão, queria dizer elas (elas?), porque haveria eu de ter os comentários abertos, e assim obrigar-me a essa etiqueta do comentarismo com que ambos concordamos, se tu com muito mais propriedade que eu, fazes o obséquio de atender aos mesmos. Eis a forma ociosa de comentar: sobre este post, o que eu poderia desenvolver nos comentários, está aqui. E sublinho, reforço, o que tu sublinhaste e reforçaste, a propósito do uso dos telemóveis; acho mesmo que devemos insistir nisto juntos, aqui já entrelaçados neste ping-pong de hiperligações: façamos disto uma cruzada como aquela que a Catarina quer empreender contra a caca dos donos dos cães da caca.
Mas já que estamos nos comentários, permito-me responder também a ti Jorge Morais (um tipo quase te perde o rasto, assim sempre a saltar de casa, não te cansas de tanto mudar a mobília?). Pois quanto à razão da inibição dos comentários deixa-me esclarecer-te que não há melindre nem constrangimento por trás. Não arranjei nenhuma má empatia com a blogosfera nem muito menos com os meus sempre simpáticos comentadores. Aliás, orgulho-me de aqui guardar comentários que são verdadeiras pérolas. A decisão trata apenas de encontrar um modo mais ocioso de me relacionar com este espaço, mais próprio à minha disponibilidade, talvez até mais identificado com o exercício que quero dele tirar. Hoje, mais ligeiro nisto de vir aqui, uso d’um toca-e-foge que não seria possível se, abertos os comentários, me sentisse na obrigação de os receber e retribuir. Lá está a tal etiqueta. Mas adiantas: “Porque acho que o teu blog é um blog de discurso directo, onde há alguma interacção entre ti e as pessoas que te lêem.” Pois, talvez, talvez seja esse o único modo da escrita que consigo experimentar, e sairá assim, para alguém no lado de lá. Mas eu sou mau conversador Jorge Morais, são demasiadas as vezes em que faço perguntas das quais não espero respostas, e outras tantas em que me pergunto porque espero respostas.
E nada disto afinal é assim tão importante. Escreve-se, tira-se disso prazer, e tudo o resto, os templates, as hiperligações, os comentários e as estatísticas, são apenas invólucro para a razão elementar de ter um blog. Hoje assim, amanhã de outra forma, as regras mudando, a incongruência a ressaltar em cada post, até ao dia em que se deixará de ter prazer em aqui escrever, e se o fará provavelmente noutro sítio qualquer. O resto, o que rodeia isso, é acessório. O próprio blogocírculo de onde nos dependuramos é algo suplementar, um espaço onde, se o quisermos, não temos de nos obrigar abrigar. Quando tacteio por entre blog’s (já menos, agora) leio coisas fabulosas, e outras que são completamente inócuas e gratuitamente agressivas (às vezes até muito bem escritas), na maior parte das vezes por culpa daquilo que assim tão bem descreve com a argúcia a que nos habituou a Mª Marques do Azul Cobalto: “Piu piu & cia: A blogosfera contribui, de forma exemplar, para a validação das teorias pavlovianas. Ainda que a campainha toque por acaso. “
Nuns desejo poder afirmar a minha admiração, nos outros sinto uma quase irresistível vontade de mandar o seu autor às urtigas. Não o fazendo, em nada se reduz o efeito dessa escrita. Ou seja, ter e não ter comentários, nada disso é afinal importante no prazer do que se escreve, e do que se lê.
Publicado por Eufigénio Lagoa às março 21, 2006 12:36 PM