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março 28, 2006
Mas, (e prosseguindo nesta coisa do velho que nos vai circundando)
há outros sinais que se perscrutam dos reparos domésticos. Dos mais frequentes recordo o “quem é que se esqueceu outra vez de deixar a vara a escorar a porta do pátio? Estou farto de dizer que assim aquilo ainda empena mais!”. E já noutras conversas ocasionais, mais ao serão, é ver ressaltarem em jeito distraído observações do género: “olha, parece-me que o gato está a ficar grisalho. E tão novo ainda?!” – e logo o desmentido a seguir-se, a trazer a razão de sempre: “Nada. Isso são teias de aranha. Terá é com toda a certeza andado pelo sótão. Por falar nisso, caiu mais uma parte do estuque, já viste?”. E eu a assentir, acabrunhado, com essa sempre e irremediada vetustez do lar.
Má sorte a deste imóvel. O pior que se pode desejar a casa centenária é que esta se aprisione por donos de modestos recursos, obrigados na resignação perante as suas maleitas. E com tanta gente tão folgada, dessa que acha pitoresco isso (isto) das casas velhas, logo haveriam de calhar (a esta minha) uns meros pelintras.
Enfim, que se avenha com o vozeio e o volteio dos miúdos. Que lhe baste nas almas que a habitam o que lhe falta de estuque.
Publicado por Eufigénio Lagoa às março 28, 2006 02:57 PM