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março 20, 2006

E ainda por cima o raio do creme é caro que se farta

Título alternativo, (escolher o que mais convier):
Das cosméticas e do seu impacto nos pêlos do peito

Há uns meses atrás era um tipo normal, acho. Não ligava muito ao corte de cabelo e no espelho só me olhava para fazer a barba. Ainda assim julgo que tinha um aspecto saudável, quase normal, não fosse uma pequena coisita branca na ponta do nariz. Segui então conselho e fui à dermatologista. Hoje falta-me um naco de carne que me encova a ponta do nariz, e se bem que não seja particularmente vaidoso acho isso desagradável e dispensável (já perguntei se não me poderiam voltar a pôr a tampinha branca que não fazia mal a ninguém). Inquietações estetas? Nada disso, falo das consequências concretas que esse detalhe passou a ter na minha vida e na minha própria identidade. Acontece que hoje tenho de pôr todos os dias um cremezinho para cuidar daquilo. Deste pequeno pormenor da higiene matinal decorre então que acumulo um atraso diário de cerca de 5 minutos que se manifesta em todos os meus compromissos matinais, dado que tenho dificuldade em recalibrar essas actividades mas, mais grave, ganhei um pânico até então insuspeitável ao horror das “coisinhas, que temos de ver isso melhor” da pele, dessas que todos os dias escrutino nas mais variadas zonas da minha epiderme.

Mas esses são os efeitos mais visíveis, porque aqueles que verdadeiramente me inquietam manifestam-se no meu lado mais íntimo, quando me lambuzo com aquela cremalhada toda ao mesmo tempo que repito para comigo mesmo, “eu não sou abichanado, eu não sou abichanado, eu não sou abichanado”.

Publicado por Eufigénio Lagoa às março 20, 2006 05:13 PM