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fevereiro 03, 2006

Sobre o casamento entre homossexuais e tal

A única coisa que me ocorre pensar é que há um advogado “altruísta”, provavelmente com familiares e amigos espalhados pelas várias cadeias de televisão, que a partir de agora nunca mais terá problemas com a sua carteira de clientes.

Publicado por Eufigénio Lagoa às fevereiro 3, 2006 01:23 PM

Comentários

Ai, ai, mas que desconfiança na natureza humana, Eufigénio - evidentemente que o senhor apenas teve a melhor das intenções, pensou lá agora nisso tudo... ;)

Publicado por: Jill em fevereiro 3, 2006 02:29 PM

Esse Advogado foi convidado a falar sobre o tema no Jornal das 9 na SIC Notícias.
Mário Crespo começa assim o diálogo:
"Eu gostava de dizer as telespectadores que o Dr. xxx é meu amigo há muitos anos, ..."

Penso que tens aqui a resposta.

Publicado por: MB em fevereiro 3, 2006 02:37 PM

Será que esse Advogado é "Apenas (e só) um"?

Porquê este novo nome?

Publicado por: MB em fevereiro 3, 2006 02:40 PM

Jill, eu sempre tive dificuldade em envolver-me em questões muito filosóficas, daí que tenha desenvolvido mais o sentido desmantelador das questões que não compreendo. Primeiro interrogo-me antes das mesmas porque é que elas apareceram. É uma maneira de me safar, embora geralmente contribua para que ninguém goste de ter comigo conversas "sérias"

Publicado por: Eufigénio em fevereiro 3, 2006 02:43 PM

MB, eu nem precisava desse testemunho, mas ainda bem que o trouxeste.

Quando à graça do blog (entenda-se como o termo arcaico), olha, ainda ali em baixo expliquei que ele não é uma resolução mas apenas uma equação. (estes gajos que entram aqui sem ler a história toda ... mais uma dessas e obrigo-te a ir rever tudo desde Outubro de 2004, e olha que são quase mil post's!)

Publicado por: Eufigénio em fevereiro 3, 2006 02:46 PM

E sobre o mais (já coisa mais séria) sugiro que vás ver o que o Zezé escreveu sobre o assunto. Que nisto de todos termos direito às nossas opções levanta-se a razão de outras minorias: e o polígamos? e os incestos?

Publicado por: Eufigénio em fevereiro 3, 2006 03:17 PM

Parece que o cargo de defensor do Saddam já estava preenchido. Vai daí...

Publicado por: Manuel em fevereiro 3, 2006 03:44 PM

(eu estava a brincar, bem entendido... isso do altruísmo é bonito, mas uma raridade)

(quanto às conversas "sérias", nada como desconstruir um argumento pela raiz :) )

Publicado por: Jill em fevereiro 3, 2006 04:50 PM

http://rprecision.blogspot.com/

É o blog do advogado Luis Grave Rodrigues.

Publicado por: bill em fevereiro 3, 2006 05:00 PM

(como seria previsível... toma lá nas orelhas:)))

mas que coisa mais bárbara de se escrever.
tenha ou não amigos nos jornais e tvs o advogado em causa, seja qual for o seu objectivo comercial, o assunto iria originar o mesmo tipo de atenção dos media porque estes sabem que o povo vai comprar porque adora ter assunto para conversar. então se for sobre sexo e orientações sexuais que fogem à norma e à convenção...
versar o facto em questão por esse prisma (da mediatização) que escolheste ou te ocorreu é exactamente o que dizias noutro contexto uns comentários mais acima = tomar a árvore pela floresta.
é como chegar aqui pela 1ª vez, ler só este post e ficar a pensar que não vale a pena ler os posts restantes porque este blogger, tal como os media, só se interessa pelo fogo de artifício, sem ver onde caem as canas.

Publicado por: josé quintas em fevereiro 3, 2006 05:07 PM

José Quintas,

Vejo que concordamos pelo menos (vá lá) com o que digo no post, embora em tua opinião isso não seja o relevante da "coisa noticiosa". E é claro que aqui já discordamos (tinha de ser): para mim esta é que é a questão relevante de todo este alarido - a forma especulativa como o assunto tem vindo à baila - porque sobre a questão em si, falarei dela contigo quando quiseres, mas sem o ruído de fundo que interesses terceiros fazem agora convergir sobre o mesmo. (aliás, essa é discussão permanentemente em aberto entre nós dado que os dois sabemos que sobre o assunto as nossas posições só se tocam numa condição: ambos achamos o casamento irrelevante como peça pactual entre duas pessoas. o que, confessa, me começa por dar logo uma vantagem de partida)

Quanto às primeiras impressões que um desavisado leitor possa ter ao ler isto acho importante, caso ele chegue até aqui, a este comentário, referir que este blog não tem por condição a manifestação da opinião sobre os temas correntes da comunicação social, perdão, queria dizer da humanidade. É mais virado para as frigideiras e outras coisas domésticas como tu bem sabes. Por essa mesma razão, quem o escreve, não se sente minimamente sensibilizado para emitir opiniões avalisadas sobre o que quer que seja, (embora goste lagartamente de por vezes se entreter a comentar opiniões dos outros), nem quando o faz tem presente a reacção de quem o lê. Só assim, deixando que este quadradinho digital se lance para os lados que quiser, e no que lhe der na telha para escrever, é que eu consigo garantir a minha existência, ou melhor, sobrevivência blogosférica. Ou seja, não vejo porque é que alguém me terá de tomar a sério aqui.

Publicado por: Eufigénio em fevereiro 3, 2006 07:00 PM

Ora lá está Bill.
Segundo o MB também já tem mordomias de telejornal. Quer-me parecer que agora só faltará aparecer numa entrevista do Expresso. Aguardo ansioso pelo dia de amanhã.

Publicado por: Eufigénio em fevereiro 3, 2006 07:02 PM

Isso seria a internacionalização Manel

Publicado por: Eufigénio em fevereiro 3, 2006 07:03 PM

O advogado pode não estar a ser altruísta mas a questão é que acaba por mostrar a contradição da legislação.

Se calhar o General Humberto Delgado também não começou uma campanha por razões altruístas mas acabou por ser o General Sem Medo.

Publicado por: maria arvore em fevereiro 3, 2006 08:22 PM

admito que exagerei. podia apenas ter discordado do teor do desabafo e, em vez disso, quase exigi que discorresses com profundidade sobre o assunto em causa.
também me parece que exageras quando referes que o teu blog é mais sobre frigideiras (boa imagem:) do que sobre outros assuntos mais sérios. ao longo de tanto tempo, já te li discorrer um pouco sobre tudo. sinceramente, na maior parte do tempo e dos sítios, prefiro ler sobre assuntos domésticos/pessoais/umbiguistas do que sobre questões da actualidade. lá por isso é muito raro ver tv, ler jornais ou blogs 'políticos'

sobre o ruído de fundo/mediatização, repito que ela, neste caso, aconteceria de qualquer modo mesmo que as moças e o advogado desejassem passar despercebidos.
sendo a intenção principal desta acção revogar o Código Civil, acertando as suas agulhas com a Constituição, o ruído é mesmo necessário. mesmo não concordando com essa intenção, compreenderás por certo que, dum modo mais discreto, haveria ainda menos garantias de a intenção se concretizar.

ainda sobre o ruído: tirando uma ou outra excepção dependente da vontade ou do esclarecimento de raros governantes, ao longo da História conhecida, as minorias têm conseguido aumentar os seus direitos apenas através desse ruído, exagerado para quem se encontra do lado de quem já usufrui desses direitos, mas, ainda assim, única maneira de se fazerem ouvir. ou acreditas que uma discrição elegante e comedida funciona neste tipo de situações?
para não estender isto demasiado: apenas lamento que mais minorias ou grupos sociais segregados em termos de direitos civis ou económicos não sejam tão ruidosos como os chamados LGBT

Publicado por: josé quintas em fevereiro 3, 2006 11:31 PM

Ora essa é que é essa, amigo Efigénio, e o resto são balelas.

Um @bração do
Zecatelhado

Publicado por: zecatelhado em fevereiro 5, 2006 02:18 PM

José Quintas,
Concordo com tudo. Apenas ponho em causa a elegibilidade da questão. O reconhecimento dos direitos das minorias não passa necessariamente por satisfazer enquanto regra insofismável as suas expectativas. O discernimento e a tolerância é algo que deve estar presente nas maiorias, mas também nessas minorias. Fundamentalmente, e no caso presente, reconhecida a união de facto e sendo esta extensível a casais homosexuais, quando se fala do casamento estamos apenas a falar do famoso contrato pré-nupcial e nada mais em termos civis (que obviamente julgo que não estamos a falar do casamento religioso, pois não?). Ora, esse contrato é uma peça notarial, de minuta feita, reconhecida no dito notário, e que apenas visa definir o direito aos bens em vida e após morte, E NADA MAIS. Estamos portanto a falar de uma questão meramente administrativa, o direito a um contrato. Então não estamos! Em vida essa questão, do desfrute dos bens não se coloca. Em morte, há umas coisas a que se chama de testamento que visam assegurar a transição dos bens segundo a vontade do defunto.
Isto para dizer, caro amigo que, a menos que me escape alguma nuance, estamos a fazer um chavascal por algo que é irrisório nos direitos dos homosexuais. Acho muito bem que se use o que se tiver à mão para agitar as mentes mais conservadoras (como provavalmente a minha), simplesmente acho que isso não nos deve fazer perder o discernimento. E quanto a mim, que me dou tão pouco às causas (confesso), tem de haver o mínimo de selectividade na defesa das mesmas, com riscos de nos saturarmos e saturarmos a sociedade civil para as outras questões que temos (tb) o direito moral de resolver. E posso elencar aí umas cem que considero mais importantes e urgentes que esta do contrato notarial entre dois seres do mesmo sexo que não se dão por satisfeitos com o equivalente testamental. Mas isso sou eu que sou um conservador, (como o outro que deu por si a aparecer em tudo o que era telejornal coitado), para não me chamar outra coisa.
Quer-se agitar, que se agite! Mas com jeito, e sabendo sempre que ingredientes temos dentro da misturadora eléctrica.

Publicado por: Eufigénio em fevereiro 6, 2006 11:04 AM

Admito que haja mais que esta Zecatelhado, mas esta também é ... mera interrogação. Abraço

Publicado por: Eufigénio em fevereiro 6, 2006 11:12 AM

Eufigénio,
Apesar de ainda não ter lido o Expresso todo (acho que ninguém consegue), não vi lá o Digº Advogado.
Concerteza está já na fase da internacionalização. Penso mesmo que está a defender os teus amigos dinamarqueses.

Publicado por: MB em fevereiro 6, 2006 12:36 PM

Desculpa-me intrometer-me mas julgo que se trata de “algo” que não é “ irrisório nos direitos dos homossexuais”. Porque o comum dos heterossexuais tem os direitos de herança assegurados pelo contrato pré-nupcial, enquanto os homossexuais terão de dispender mais dinheiro em advogados para fazer o mesmo através de testamento. Com as devidas distâncias , é como no caso do aborto: quem tiver dinheiro faz onde lhe aprouver, quem não tiver fica a chuchar no dedo.
É claramente uma penalização pela orientação sexual, tal como os condutores de mota são penalizados no seguro.

Publicado por: maria árvore em fevereiro 6, 2006 03:17 PM

Ora aí está outra "boa" causa MB

Maria A., aceito a observação, até concedo no pormenor formal (se bem que o casamento também onere na mesma a escritura que lhe está por trás), contudo, insisto, acho tudo isto uma valente e exagerada insignificância. Ou seja, o que está em causa afinal não é o contratozinho mas um reconhecimento social (que não pretendo discutir) que deve imperar. Estamos a falar de outras coisas então, e não do mediatismo manipulado com que estas são trazidas à luz. É legítimo, provavelmente sim. Como é legítimo tirarem-se outras conclusões, (olha, por exemplo as que eu tirei). Sobretudo se estiver farto de ser manipulado de forma enviezada e quanto a mim pouco escrupulosa, nas bases que me são servidas todos os dias para que eu, cidadão-telespectador-aliado forme a minha opinião.

Publicado por: Eufigénio em fevereiro 6, 2006 05:48 PM

O q eu penso é q a forma escolhida, de duas pessoas do mesmo sexo se dirigirem a uma CRCivil para casar, foi claramente um golpe publicitário, pois já se sabia de antemão q a nossa legislação não prevê este tipo de contrato - pese embora a Constituição proibir a discriminação com base no sexo.

Não acho q haja aqui contradição entre a legislação e a Constituição, na altura em q a uma e outra foram publicadas e/ou revistas. Não se imaginava era q a 'discriminação' pudesse servir a questão do casamento entre homossexuais.

Claramente deve (?) haver 1º uma alteração à Constituição através de um referendo, por ex - no entanto, sob o ponto de vista dos interessados (leia-se casais do mm sexo q pretendem casar ou assumir sem medos a sua orientação sexual), este 'golpe' pode servir a mediatizar e a dar voz a uma realidade escondida, rejeitada e incómoda. Assumo q para mim é incómoda a questão e acho q vai contra as leis da natureza e ao mesmo tempo não posso condenar q se lute por uma legalização de uma possível felicidade. Se o casamento leva à tal equiparação, não sei.

("Legalizar a felicidade?", ou alertar a sociedade para realidades q existem e se sobrepõem à natureza? a dignificação de orientações diferentes passa por aqui, por alertar, por consciencializar e não por folclores...capitalizados por múltiplos agentes)


Publicado por: vague em fevereiro 6, 2006 07:12 PM

Concordo que o contrato é apenas uma parte do reconhecimento social que se pretende.
Agora deixa-me contar-te uma história: a primeira mulher que votou em Portugal, quando tal não lhe era permitido, fê-lo na I República, aproveitando o facto de a legislação permitir o voto a chefes de família e ela ser viúva com filhos. Os jornais e revistas sufragistas publicitaram tal facto amplamente.
O "folclore" é a melhor forma de captar a adesão da maioria, do homem comum.

Publicado por: maria arvore em fevereiro 6, 2006 11:21 PM

Concordo contigo na parte do folclore, daí as tvi's e 24 horas - q não teria pejo em usar, por uma causa nobre - como já fiz, não por mim, mas por outras pessoas.

Só q a questão do folclore remete-nos para uma outra questão perpendicular - lembras-te qdo o presidente da opus gay se lembrou de publicitar quais as casas de banho públicas do santuário de Fátima onde se davam encontros?

As conversas são como cerejas , mas isto do folclore mtas vezes volta-se contra o feiticeiro.
E neste caso do casamento não sei se tb não será o caso.

Publicado por: vague em fevereiro 7, 2006 10:16 AM

Concordo contigo na parte do folclore, daí as tvi's e 24 horas - q não teria pejo em usar, por uma causa nobre - como já fiz, não por mim, mas por outras pessoas.

Só q a questão do folclore remete-nos para uma outra questão perpendicular - lembras-te qdo o presidente da opus gay se lembrou de publicitar quais as casas de banho públicas do santuário de Fátima onde se davam encontros?

As conversas são como cerejas , mas isto do folclore mtas vezes volta-se contra o feiticeiro.
E neste caso do casamento não sei se tb não será o caso.

Publicado por: vague em fevereiro 7, 2006 10:16 AM

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