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fevereiro 13, 2006
'Regateando' no Tejo
Numa tarde de domingo sem vento, a regata vai rondando o pilar norte da ponte 25 de Abril quando toca o telemóvel.
- Oláaaa, estás a ver os miúdos aqui na esplanada da margem?
- Não, enfim, talvez, esse pontinho vermelho é o Diogo?
- É. Faz-lhes adeus que eles estão excitadíssimos. Todos orgulhosos de vos verem quase em primeiro.
- Quem, nós???
- Sim, não são esse do balão azul aí à frente dessa molhada toda?
- Ah, estás a falar desses que vêm atrás de nós? Esses são a testa da regata, que já estão a fechar terceira volta.
- O quê? Então ... mas ... isso quer dizer que vcs são dos últimos?
- …
- É?
- Agora não posso, temos de preparar as operações para virar de bordo.
- Mas … é o que digo aos miúdos?
- Não precisas de dizer nada, ora. Afinal, o desporto é isto. Não importa quem ganha, nem muito menos quem fica em últimooooo. Entendes?
Depois, já perto do fim, de onde se extrai esta conversa por VHF, emitida do meio do Tejo:
- Alô, alô alô. ‘Tásebem’(*) chama a Associação Naval, escuto
- ...
- Alô, alô alô, daqui Tásebem, escuto?
- Tásebem, daqui Associação Naval, over.
- Tásebem pretende manifestar à Direcção da Regata o seu pedido de desistência.
- Mas ?... Vocês acabaram de cortar a linha de chegada?!
- Ah foi? …zlcskhhhhh … um minuto por favor.
(durante a breve interrupção há lugar para uma pequena troca de impressões no deck do barco: ó meu c…. então o gajo está a dizer que … c… me f… olha só o mau asp…)
- Alô Direcção da regata, daqui Tásebem, escuto
- Diga Tásebem
- Era só para dizer que nesse caso pretendemos cancelar o pedido de desistência.
Over and out.
(*) o nome da embarcação foi alterado com o legítimo propósito de proteger o bom nome da mesma e da sua tripulação
Publicado por Eufigénio Lagoa às fevereiro 13, 2006 10:30 AM
Comentários
Então meu, tiveste vergonha de dizer o nome do barco?
Publicado por: Prudencio em fevereiro 13, 2006 11:23 AM
O barco não é meu, e nem sequer tenho responsabilidades de maior na tripulação (basicamente andei a abrir as latas de cerveja). Não me ficaria bem confidenciar coisas que poderiam pôr em causa as nossas estratégias de abordagem em futuras situações.
Publicado por: Eufigénio em fevereiro 13, 2006 11:26 AM
Fazes bem, Eufigénio. Numa narrativa o menos importante são os nomes.
;-)
Publicado por: TheOldMan em fevereiro 13, 2006 12:29 PM
E as classificações TOM, as classificações também não relevam :)
Oh Prudêncio, e para tua informação ficámos em 11º! E olha que ao todo eram mais de 12 na nossa classe. Como vês, não fizeste lá falta.
Publicado por: Eufigénio em fevereiro 13, 2006 12:43 PM
Ainda não percebi.
Foste beber uma jolas à beira do rio.
Por acaso havia uma regata e disseram para tu entrares no barco.
Quando já estavam ligeiramente ébrios, pediram-te para fazeres chamadas.
Esta história terá moral?
Publicado por: MB em fevereiro 13, 2006 01:24 PM
LOL
Tripulação entendida ... ;-)
Publicado por: Karla em fevereiro 13, 2006 06:10 PM
... entendida no assunto, entenda-se :)
Publicado por: Karla em fevereiro 13, 2006 06:12 PM
Não sabia que velejar no rio, era uma "trip" tão grande. Fiquei fã. Tanto mais que experiência em abertura de latas de cerveja, já tenho.
Publicado por: maria arvore em fevereiro 13, 2006 08:18 PM
Regateaste um aceno aos miúdos;
Regateaste uma classificação à Eufigénia;
Regateaste com a organização e restante tripulação;
Não contente, ainda te pões a regatear com os mais prudentes e sábios comentadores que tens!
'tá mal!...
Publicado por: cap em fevereiro 13, 2006 10:27 PM
Marinheiros de água doce, diria o meu avô :)
ehehehheh
Publicado por: alyia em fevereiro 14, 2006 12:00 AM
Para quem se atreve a pôr em causa os créditos náuticos da tripulação, só porque aqui arrisco desenvolver dois instantâneos da regata, devo lembrar que os marinheiros são como os caçadores, exageram sempre. Além do mais, e que isto afiance o que digo, somadas as milhas náuticas de todos os marinheiros que ali se fizeram presentes, provavelmente daria para dar uma volta ao mundo ... enfim, junto à costa, junto à costa que isso do alto mar é outra coisa.
Publicado por: Eufigénio em fevereiro 14, 2006 09:24 AM
Com tanta milha percorrida, podemos inferir daí uma correlação positiva com muito litro bebido?
Publicado por: MB em fevereiro 14, 2006 09:40 AM
A terminologia correcta MB é lastro, que é coisa que todos os barcos precisam para controlar o adernar, e que pode facilmente derrapar linguisticamente para o adornar, que também é. A litragem de que falas é portanto não apenas uma premissa técnica para a arte do bom navegar, como é também uma posição esteta que qualquer marinheiro com brio deve saber cumprir. Pois que é ela que nos leva a procurar a balaustrada de vez a vez, para em frémitos que nos vêm de dentro, vorazes nos deitarmos ao mar, fazendo-nos liquido na mistura com que nos procuramos nele, enquanto ao longe varremos com a nossa vista a exaltação das gentes que fervilham no fiozinho de terra que alcançamos. E portanto, à tua questão pernitente resumo que a litragem de um barco é elemento essencial para o seu bom lastro, que da tripulação assim mais pesada melhor se organiza o contrapeso do adernamento. E que os efeitos secundários que por vezes dessa prática surgem ocorrem alguns alargados períodos de reflexão, onde em síncopes e estremeções, deixamo-nos dependurados das amuras da embarcação comprazendo-nos em largar esse tão belo nectar, agora riscado por fios dourados, que com olhos embaciados, talvez até toldados, perseguimos numa elipse que os deita ao mar ... não sei se me fiz explicar bem, ou se fui demasiado técnico?
Publicado por: Eufigénio em fevereiro 14, 2006 09:53 AM
Fiquei elucidado (o que ganharia se dissesse que não).
Como já li num blog lá para as bandas do Índico, por vezes também se escrevem posts ou comentários em estado um pouco ébrio.
Pela tua verve mais parece.
Publicado por: MB em fevereiro 14, 2006 10:06 AM
Talvez te tenha induzido a isso pelo parágrafo final que por lá se deixou ficar indevidamente no comentário. Foi um lapso meu e que pode de facto levar a que aparente que recorro ao dito nectar agora para melhor o poder explicar. Mas creio que se o ignorares (aliás, com a tua autorização vou já apagá-lo) certamente reconsiderarás essa tua apreciação, pois do que leio da minha explicação, apenas deduzo uma rigorosa (imodestamente o reconheço) explicação técnica.
Publicado por: Eufigénio em fevereiro 14, 2006 10:11 AM
É curioso que tragas essa aventureira forma de escrever sobre os efeitos etílicos, vindo isso das bandas do ìndico. Pois que (noutro blog certamente) desse meridiano me chegaram críticas ao modo reprovável como ao sabado de manhã em me atrevia a postar em cuecas. Não poderemos estar a falar da mesma coisa. Talvez que a diferença se encontre na experiência de marinhagem do espírito dos seus autores, ainda que vizinhos lá no Sul.
Publicado por: Eufigénio em fevereiro 14, 2006 10:15 AM
Eu de marinhagem conheço pouco. Ainda.
Mas relaciono-me mais com o Índico (vivi lá) e com a cerveja.
Publicado por: MB em fevereiro 14, 2006 12:27 PM
Arriscaria então dizer que no teu caso estão reunidas todas as condições (na verdade é só uma)para uma mais que bem sucedida vida nautica. Pelo menos tens perfil para isso. Temos de combinar aí uma esplanada para fazer um briefing sobre estas coisas da navegabilidade
Publicado por: Eufigénio em fevereiro 14, 2006 01:00 PM
Combinado.
Eu lovo jolas e histórias do Índico.
Publicado por: MB em fevereiro 14, 2006 03:06 PM
Melhor que ganhar uma regata, só mesmo o prazer de baralhar o Amaral via VHF! heheheh
Saudaçõs Náuticas!
PS: Não ligue às bocas, que eu sei bem o trabalhão que dá ser trimmer da super bock numa tripulação sedenta. Não é coisa que se aprenda num dia, não senhor; são anos de treino até que, do proa ao skipper, todos tenham a cerveja na mão em tempo útil!
Publicado por: boia de espera em fevereiro 15, 2006 12:19 AM
Finalmente alguém que compreende o fundo (não, não é da garrafa seus ...) das minhas palavras e sabe usar o mesmo léxico. Bem hajas boieiro, bem hajas que eu já me via a pregar no deserto! E parabéns pelo alcance de tão superiores funções na embarcação, que mais que isso, no mar, só o adamastor
Publicado por: Eufigénio em fevereiro 15, 2006 12:40 AM
Amaral? Mas não era o Ramada? bem, para ser sincero, quanto a nomes, na altura, tanto me fazia ... que eu estava em funções, já se vê
Publicado por: Eufigénio em fevereiro 15, 2006 12:41 AM