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fevereiro 18, 2006

 

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Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:20 PM | Comentários (18)

fevereiro 16, 2006

À minha atenção:

Um belo conto,
e para os ensimesmados, também,
um belo conselho.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:51 PM | Comentários (4)

Da importância da "Avaliação de Desempenho" nas organizações

Na generalidade das Empresas pode constatar-se uma brilhante aplicação da “avaliação de desempenho” enquanto ferramenta de melhoria e de motivação dos seus colaboradores. Esta, essencialmente pode dividir-se em três bases justificativas:

 (Há coisas em que mais valia não mexer)

PS: A visão aqui trazida traduz a sensibilidade de um “avaliador”, mas certamente que os “avaliados” poderiam corroborar das vantagens e efectividade deste instrumento no seu desenvolvimento profissional e do seu alinhamento com a Empresa.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:58 PM | Comentários (7)

Equívocos

Todas as guerras um dia se acabam. Os males entretanto trocam-se por outros. Depois, novas guerras, outros Deuses, e tudo pouco diferente, quase nada. Não fossem os mortos.

Não vale a pena, vamos lá todos a ter calma. Até porque a iconografia recomenda, para ser convenientemente admirada, que haja um pouco de sossego em seu redor.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:56 AM | Comentários (3)

fevereiro 15, 2006

Para que serve um blog?

para desabafos terapêuticos por exemplo?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:02 PM

#$%! para o dia dos namorados e o seu valentim

O exercício que hoje aqui é trazido irá abordar a imprudência da juvenilidade, e os seus nefastos efeitos, se conjugados com efemérides (comerciais) públicas que exagerada e imprecavidamente trazemos para a nossa vida privada. Ressalto para aqui então, num mero desempenho especulativo, uma imaginada situação que localizaremos em redor das 3h ou 4h da noite de ontem, e cujo raio de acção não transcende sequer os contornos da protecção encefálica de um idiota que se entretém em prosseguir naquilo que sustenta ser o melhor paliativo para a desagradável situação em que se deixou envolver. Para melhor compreensão deste exercício teórico irei incorporar a pessoa do (idiota) narrador. Vejamos então.

A experiência da idade já não me deixa cometer certos erros, (o que me leva a adiantar que nunca poderia estar aqui a escrever isto, de olhos esbugalhados na penumbra solitária de uma noite malbaratada). Primeiro, não me deixo ir em modas cujas finalidades são a manipulação sentimental à custa de manifestações embeijocadas que se pretendem adornadas com algo de valor material que se consiga comprar apressadamente entre o trabalho e a chegada a casa mesmo que no comércio local. Depois, nunca me deito demasiado bebido. Se por desatenção isso suceder, (e falo de bezanas), o que é raro, prefiro afugentar qualquer réstia de embriaguês, antes de me deitar. E digo eu, é mais recomendável acordar cansado que ressacado.

Provavelmente se me tivesse visto na noite de ontem nessa situação, o que seria algo insólito repito, poderia dar-se até o caso de me propor blogar até às tantas da madrugada, e isso como estratégica opção para, através do exercício da concentração, amansar os níveis de alcoolémia que neste quadro de ficção me habitariam. Ora assim premeditaria eu que tal prática me entreteria o suficiente ao longo de um largo período de tempo, já que mesmo antes de premir a primeira tecla, teria de me haver com o exigente desafio de encontrar e alinhavar tema que se estimasse ver escrito. Alargava-se tal exercício para jusante, já que depois, (e estou ainda no domínio das suposições já se vê), tendo porventura desistido de tão desgastante exercício intelectual, me lançaria apenas e sem pejo no preceito mais fácil das actividades literárias, isto é, limitar-me-ia a traduzir em texto o que me varresse a cabeça.

É certo que, na situação em que me encontraria, isso de retratar os instantâneos pensares não me levaria muito longe, nem por muito tempo. Mas não esqueçamos a entretanto desabilitada componente senso-motora. Assim, para além do esparso tempo já cumprido com as pressuposições e suposições que esvoaçam à toa numa cabeça inebriada, ajuntar-se-ia ainda a parte mecânica, essa sim, um verdadeiro desafio de concentração. Tecla aqui, tecla ali, nesse tique-taque do bater das teclas como quem faz tiro aos patos aprestar-me-ia a dissipar mais uns minutos, quem sabe, talvez horas, antes de espiritual e intelectualmente me recompor com vista ao esparramanço no já quase deseperado leito. Mas antes do recomendado tempo se esgotar haveria de me haver com outros oportunos emprazamentos ( e aqui gostaria de recordar que continuamos a tratar a remota hipótese de me ver na situação atrapalhada que dá o mote a este texto, a qual, segundo a minha abordagem aconselharia a que extinguisse a bebedeira antes de me entregar ao revigorante – ainda que já inevitavelmente curto - sono).  Seguir-se-ia um profundo exercício intelectual, o qual passaria essencialmente por me entregar ao esforço de não esquecer a palavra que pretendia enquanto a matraqueava soletradamente nas teclas já queixosas. E mais contratempos, como a estratégia recomendaria, se interporiam depois. Que já não a palavra que arduamente era escrita, também a frase que a albergava reclamava da minha atenção, que para que uma se manifestasse a outra teria de estender a passadeira da compreensibilidade.

E assim descrevo o estafado exercício de intelectualismo a que me entregaria, por força da minha presunção de que deitar, antes cansado que embriagado. Desta mera suposição apenas ressalvo o desenvolvimento retórico que até aqui me traz, posto que, tudo isto só viria ao caso se eu não tivesse juízo e idade suficiente para não me deixar enganar por um tal Valentim de quem nem sei o apelido, e que me faria adepto das práticas bacantes a meio da semana.

Mas não foi o caso, que eu não vou nessas modas nem cometo já esses imprudentes deslizes. O que aliás se prova no facto de este post aqui ficar editado nesta ensolarada tarde, e não a meados dessa tal noite que eu (de acordo com o acima explicado), teria de outro modo arruinado para curar a bebedeira. Dir-me-ão que ainda assim, nada impedia que este texto não tivesse sido escrito durante a cura que hipoteticamente retrato, sendo apenas agora publicado. Sim, claro que o poderia ter escrito ontem à noite mas, para isso, seria necessário que então estivesse em condições para escrever o que quer que fosse. Ou que pelo menos desperdiçasse já na madrugada várias horas de sono para escrever uma dúzia de linhas assim, quero dizer, como estas poderiam ter sido, mas não foram.

E sublinho: não foram, que de outro modo estaria agora a sofrer os castigos de uma tonitruante ressaca, que não estou. Pois que se estivesse a ser vitima de tão imprudentes actos na noite de ontem ser-me-ia impossível articular duas palavras, pelo que ainda menos saber escrevê-las. Ora isso implicaria que tudo isto teria de ter sido escrito ontem à noite, o que só se justificaria se eu me constatasse ébrio, o que não aconteceu. Repito, não aconteceu. E peço-vos apenas a delicadeza de não me questionarem sobre isto, do quando terei então escrito tal coisa que não hoje nem ontem. Que se há alturas na vida de um homem cujas lembranças se apagam não será certamente para que as forcemos a voltarem a ser o que nunca quiseram ser.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:42 PM | Comentários (8)

fevereiro 14, 2006

Psttt,

Mirsuk Pavlov

Athun pah? Ivan ish ton deskhonsolatush verb brolgs kill baika presckirsniun dun bozada iurks desk berzud brolg. Vork obraits ok, gort niet Natasha ish? Palla brolg, approvetisch!

Baika priken

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:00 PM | Comentários (11)

Hoje é dia de …

14/02/1130 Início do pontificado do Papa Inocêncio II
14/02/1479 O pintor italiano Antonello da Messina assina seu testamento
14/02/1489 Imperador romano Maximilian I e Henrique VII assinam o tratado de Dordrecht
14/02/1602 Nascimento de Francesco Cavalli (compositor italiano)
14/02/1679 Nascimento de Georg Friedrich Kauffmann (compositor alemão)
14/02/1741 Nascimento de David-Maurice de Barreau-Champoulies De Muratel (militar francês)
14/02/1744 Morte do matemático inglês John Hadley
14/02/1760 Nascimento de Richard Allen (fundador e 1º bispo da Igreja Episcopal Metodista Africana)
14/02/1763 Nascimento de Jean Victor Moreau (militar francês)
14/02/1779 Morte do comandante inglês James Cook
14/02/1790 Morte do compositor inglês Capel Bond
14/02/1807 Nascimento de Ernest Legouve (escritor francês)
14/02/1811 Nascimento de Domingo Faustino Sarmiento (escritor argentino)
14/02/1813 Nascimento de John McNeil (general norte-americano)
14/02/1813 Nascimento de Alexander Sergeievich Dargomijsky (compositor russo)
14/02/1819 Nascimento de Christopher Latham Sholes (inventor da máquina de escrever)
14/02/1820 Morte do médico argentino Cosme Mariano Argerich
14/02/1823 Frei Caneca prega o 'Sermão sobre a Oração' na capela da Ordem Terceira do Carmo de Recife
14/02/1823 Morte do pintor francês Pierre-Paul Prud'hon
14/02/1826 Edgar Allan Poe ingressa na Virginia University em Charlottesville
14/02/1831 Primeira Assembléia Geral da Hungarian Learned Society
14/02/1835 Nascimento de François Haverschmidt (escritor holandês)
14/02/1836 Nascimento de Valentine Cameron Prinsep (pintor inglês nascido na Índia)
14/02/1836 Incêndio em São Petersburgo - Rússia (700 vítimas)
14/02/1842 Nascimento de Henri Kling (trompista suíço)
14/02/1845 Morte do político francês Joseph Lakanal
14/02/1848 Nascimento de Édouard Benjamin Baillaud (astrônomo francês)
14/02/1857 Francisco de Rivero assume o Ministerio de Hacienda
14/02/1857 Morte do regente e compositor holandês Johannes Bernardus van Bree
14/02/1858 Daniel Comboni chega ao Sudão - África (canonizado em 05/10/2003)
14/02/1859 Brotas (SP) é elevada à categoria de município
14/02/1859 Nascimento do engenheiro George Washington Gale Ferris Jr. (inventor da roda-gigante)
14/02/1861 Morte do pintor português Francisco Augusto Metrass
14/02/1863 Ambrose Gwinett Bierce é promovido a tenente
14/02/1864 Morte do pintor escocês William Dyce

14/02/2004 Morte do juiz José Abelardo Lunardelli
14/02/2004 O Fluminense vence (2 x 1) o Americano
14/02/2004 Ataque de rebeldes liberta dezenas de prisioneiros em Faluja - Iraque
14/02/2004 O filme turco-alemão Head On vence o 54º Festival de Cinema de Berlim
14/02/2004 Tempestade de neve causa desmoronamento parcial do Muro das Lamentações
14/02/2004 O ciclista italiano Marco Pantani é encontrado morto em um hotel
14/02/2005 Explosão em mina de Liaoning - China (mais de 200 vítimas)
14/02/2005 Casamento de Ronaldo e Daniella Cicarelli
14/02/2005 Explosão de bomba em Beirute - Líbano (morte do ex-primeiro-ministro Rafik al Hariri)
14/02/2005 Renan Calheiros (PMDB-AL) é eleito presidente do Senado
14/02/2005 Explosão de bomba em Manila - Filipinas
14/02/2005 International Chess Open Festival "Aeroflot Open 2005" - Moscou - Rússia
14/02/2005 Lançamento da Rede em Defesa da Liberdade de Imprensa
14/02/2005 Anunciada construção de refinaria da Petrobrás em Pernambuco
14/02/2005 Incêndio em mesquita de Teerã - Irão

Bom, depois de tão apurado e profícuo trabalho de recolha espero não me ter esquecido de nada!

Última actualização:
14/02/2006 O autor de um blog sob o pseudónimo Eufigénio Lagoa recebe inesperadamente um pedido de divórcio

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:21 PM | Comentários (23)

Pronto, agora é que está tudo estragado

Projectos profissionais, jornalismo on-line, receitas de culinária até consultas de astrologia, há espaço para tudo e para todos, embora eu (com este mau feitio que Deus me deu), já andasse de pé atrás quanto às tendências editoriais desta blogosfera. Mas agora “lojas de moda”! (*)

Francamente, já me chegava ter uma casa por cima de um restaurante pois agora tenho de ter um blogue ao lado de uma loja de roupa e 'pochettes'? Oh SaDona Gracinda peça aí aos senhores directores desta coisa para arranjarem condomínio mais digno para tal negócio, que isto aqui é bairro de habitação, e modesto. Olhe que aqui ninguém compra nada, é só mesmo para a palheta.

Vou mas é almoçar, (e vai ser a cantarolar Xutos):

As saudades que eu já tinha
Da minha alegre casinha
Tão modesta quanto eu
Meu Deus como é bom morar
Num modesto primeiro andar
A contar vindo do céu

(*) sempre gostava de ver agora soar as definições de blog que tantas linhas ocupam por essa net fora - isso de ser imprensa ou opinião pessoal, de ser lúdico e não negócio, e blá blá blá ...

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:53 PM | Comentários (6)

fevereiro 13, 2006

'Regateando' no Tejo

Numa tarde de domingo sem vento, a regata vai rondando o pilar norte da ponte 25 de Abril quando toca o telemóvel.
- Oláaaa, estás a ver os miúdos aqui na esplanada da margem?
- Não, enfim, talvez, esse pontinho vermelho é o Diogo?
- É. Faz-lhes adeus que eles estão excitadíssimos. Todos orgulhosos de vos verem quase em primeiro.
- Quem, nós???
- Sim, não são esse do balão azul aí à frente dessa molhada toda?
- Ah, estás a falar desses que vêm atrás de nós? Esses são a testa da regata, que já estão a fechar terceira volta.
- O quê? Então ... mas ... isso quer dizer que vcs são dos últimos?
- …
- É?
- Agora não posso, temos de preparar as operações para virar de bordo.
- Mas … é o que digo aos miúdos?
- Não precisas de dizer nada, ora. Afinal, o desporto é isto. Não importa quem ganha, nem muito menos quem fica em últimooooo. Entendes?

portocervo.JPG

Depois, já perto do fim, de onde se extrai esta conversa por VHF, emitida do meio do Tejo:
- Alô, alô alô. ‘Tásebem’(*) chama a Associação Naval,  escuto
- ...
- Alô, alô alô, daqui Tásebem, escuto?
- Tásebem, daqui Associação Naval, over.
- Tásebem pretende manifestar à Direcção da Regata o seu pedido de desistência.
- Mas ?... Vocês acabaram de cortar a linha de chegada?!
- Ah foi? …zlcskhhhhh … um minuto por favor.
(durante a breve interrupção há lugar para uma pequena troca de impressões no deck do barco: ó meu c…. então o gajo está a dizer que … c… me f… olha só o mau asp…)
- Alô Direcção da regata, daqui Tásebem, escuto
- Diga Tásebem
- Era só para dizer que nesse caso pretendemos cancelar o pedido de desistência.
Over and out.

(*) o nome da embarcação foi alterado com o legítimo propósito de proteger o bom nome da mesma e da sua tripulação

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:30 AM | Comentários (22)

fevereiro 11, 2006

Constatações

Ao jantar ouço os miúdos tratarem-me por “Eufigénio”. Isso inquieta-me um pouco pois começo por pensar que nesta casa, se calhar, há blog a mais, quando a intenção óbvia apontava para o contrário. Mas receio sobretudo o dia em que no correr da conversa um perguntará manhoso: “mas pai, Eufigénio não se escreve sem ‘u’?”

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Agora é manhã, já sábado. Estou em cuecas a blogar de frente para as portadas abertas do pátio. A imagem não é bonita bem sei e sugere até algum desleixo matinal, mas era só para dizer que aqui a primavera chegou hoje.

 

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:04 PM | Comentários (9)

fevereiro 10, 2006

 

 

 

Semiramis

 

 

 

 

 

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:04 PM

Dando uso higiénico aos spam's que me chegam por mail

A revista que todas as mulheres deviam ler

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:15 PM | Comentários (10)

fevereiro 09, 2006

Com paciência até se entende(m)

Ao vivo, na Internet , a 30 anos de distância:

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:21 PM | Comentários (19)

Tic-Tac Tic-Tac

(aproveitando enquanto o Auditor está de gatas debaixo de um compressor a verificar se a purga está em boas condições de funcionamento)

Uns queimam bandeiras e apelam à Intifada escorando essa causa terrorista nuns bonecos satíricos com que um jeitoso lá num país qualquer do norte de Europa decidiu fazer humor (e nestes juízos já se englobam todos os ocidentais, tudo gente decadente com imenso jeito para os cartoons e cuja publicação oficial dos princípios do ódio ao credo islâmico consta num jornal dinamarquês). Outros manipulam vídeos demonstrativos, como se se tratasse de uma aterradora barbárie praticada pelas mãos nojentas dos iranianos visando estropiar o braço de uma inocente criança (e nestas coisas são sempre todos os daquele lado, os de turbante na cabeça e olhar maquiavélico, o alvo do nosso inflamado horror, de nós coisa pia e civilizada).

Não sei se já aqui tinha dito que sou um amante da vela, já? O silêncio e a distância a que ela nos leva, a noção de que não dependemos de motores nem da vontade de alguém para irmos (por) onde quisermos, mas sobretudo a possibilidade de lançarmos ferro a meio do oceano, e aí se quisermos procurando com rigor a lonjura, o ponto exacto onde nos equidistanciamos das duas margens deste mundo mar. Não sei se já alguma vez aqui tinha dito porque gosto tanto da vela, e porque o mar me traz a serenidade que já não encontro fora dele. Já terei dito isso?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:59 AM | Comentários (3)

Dia de Auditoria

Hoje não se trabalha, nem há blog. Espero ao fim da tarde, com o desfecho desta performance teatral, retomar as minhas responsabilidades. Nesse então já poderei voltar a desapertar o nó da gravata, os dossiers de trabalho substituirão de novo as pastas luzidias de lombada cuidada, e desfolharei por fim os compromissos profissionais que ficaram entretanto arredados da sua importância. A vida ao natural continuará então, sem maquilhagem.

[ a última (quase) foi assim ]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:28 AM | Comentários (0)

fevereiro 08, 2006

As minhas manias nem às paredes confesso

Cecília R., Lyra,

Tenho um blog (dizem) intimista, onde frequentemente realizo sem pejo sessões de strip. Não recearia por exemplo falar do tipo de cuecas que uso, ou das posições sexuais da minha preferência e nisso até, sobre os (frustrados) desempenhos que me sucederam. Sem inibições, arrisco até confidenciar os meus desassossegos do presente, os anseios do futuro e os arrependimentos do passado. Mas as minhas idiossincrasias os meus tiques, o meu eu doméstico, a roupa interior da minha personalidade, (e deixar-me assim tão desencapotado?), essas manias não as revelo nem mesmo perante tão simpáticos desafios … ainda que por remissão me transcenda em confidenciar apenas uma, vá lá, duas, que aliás vos são comuns:

Cecília, essa por exemplo dos macacos do nariz, embora depois, talvez por razões associadas à prática desportiva, me entretenha a enxotá-los através de um efeito de mola que obtenho ao fazer deslizar o médio no polegar. E porque não, esse teu outro Lyra, o do afinco pela lua, que é tanto, que às vezes pouso nela. Isso não faz dele um hábito, é bem verdade, mas já é “hábito” quando de lá venho aos trambolhões respondendo atabalhoadamente ao reparo familiar: “mas tu estás a ouvir?”. Será mesmo de entre todos o meu mais avelhentado e repetitivo hábito.

Ah, e há outra mania cá minha a que também sou incapaz de resistir: quebrar cadeias. Não me levam a mal pois não? :)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:50 PM | Comentários (6)

Acho que preferia não o ter sabido

Ave do Paraíso      Leio na imprensa que terá sido descoberto um novo Éden numa ilha da indonésia, ainda com espécies de fauna e flora nunca antes vistas:          “… vinte novas espécies de rãs, quatro de borboletas, um novo tipo de cangurus e, finalmente, o lendário e misterioso pássaro que dá pelo nome de ‘ave do paraíso’ e que se julgava extinto há mais de 100 anos”, e sendo que ainda agora o começaram a explorar. Ao que parece aí não há vestígios da espécie humana e o acesso só é possível pelo ar.

Maravilhoso! Saber ainda haver lugares assim neste planeta é maravilhoso. Ou talvez nem tanto, que atrás da notícia, já se sabe, neste mundo voraz e cada vez mais exíguo, paraíso achado é paraíso perdido.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:45 PM | Comentários (4)

Receituário da Felicidade (ou seja: em resumo ... )

A felicidade alcança-se quando todos os nossos sentidos estão focados em nós. As coisas que nos rodeiam, essas são meros estímulos para isso. Procurá-la no contexto inverso, (leia-se, centrá-la no mensurável que nos rodeia passível de ser consumido e procurando que daí ela se ateie em nós), é pouco sensato: é uma alternativa mais ‘económica’ mas provoca fastio a longo-prazo.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:20 PM | Comentários (6)

E podia ser tão fácil

A realização de um homem não depende do que ele atingiu. Isso será o seu compromisso, importante certamente - daí advirá parte da sua auto-satisfação, e é provável que daí também granjeie algum reconhecimento. Mas isso tão só não constitui a equação essencial desta vida, e de nada vale se a esse pacto for alheia a felicidade, essa qualidade com que gastamos cada minuto de cada dia, que é isso afinal que conta quando de todos eles tivermos usufruído.

Centrar os nossos anseios no que se pretende alcançar, fluir na vida permanentemente em prol de objectivos esmiuçados, pode resultar num dano irreparável: pode cegar-nos ao ponto de nos impedir de a fruir. E por um absurdo inexplicável, este lapso tende a ser mais frequente à medida que ganhamos experiência como homens, pois nisso nos vamos comprometendo cada vez mais, não tanto connosco e com a nossa felicidade, mas com os outros e com as convenções (tantas vezes irrelevantes) que vamos estabelecendo.

Todos nós nascemos com uma carga de felicidade enorme, é algo que vem connosco e que é patente enquanto somos crianças. Mas é quando crescemos, quando nos abrimos ao mundo, quando este entra por nós adentro, que de alguma forma teremos de guerrear para a manter. E nesta liça esquecemos muitas vezes que a felicidade, aquilo que conta, quase sempre não vem de fora, e é quase sempre uma coisa simples que está ali à nossa mão.

A realização de um homem, para ser tangível, não pode deixar de fora o impulso que se esconde em cada instante que vivemos, e que treinamos para dominar, que aprendemos a esconder em detrimento duma missão ilusória que desempenhamos. Na maior parte das vezes acredito que esta se alcança pela capacidade simples de em determinado momento fazermos o que realmente nos apetece. Mas conseguir ser por vezes imune aos constrangimentos e compromissos que vamos amontoando ao longo da nossa vida (pública) não é fácil. E no fim constata-se que é muito mais difícil ser um homem feliz, praticando a impulsividade, do que um homem resolvido armado de tenacidade.

Também creio que por vezes, para se ser feliz, é exigida muita coragem e, talvez, também um pouco de egoísmo, daquele que não faz mal e que nos ajuda a olhar para dentro.

(E agora fechava aqui o estaminé e ia ali até à esplanada do Campo das Cebolas beber umas bejecas …contigo. Esse seria o meu impulso de felicidade hoje)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:28 AM | Comentários (4)

fevereiro 07, 2006

Vá lá

Na downtown da blogosfera, onde vão proliferando os arranha-céus que já confessei (e expliquei) na maior parte das vezes não me agradar ver germinar, afinal, também aparecem uns belos edifícios!

Já na cidade antiga, onde ainda existem as aprazíveis casinhas de um só inquilino, e por onde mais me apraz passear, constato que há casas que eram incontornáveis nas minhas voltas que se recuperam e se reabitam de novo: Esta por exemplo. E de que maneira!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:16 PM | Comentários (3)

Artes e Ofícios, (ou conjugando: a técnica do desenrasca)

Foi ao Francisco que coube acabar o banho aos gritos. Enrijece dizem, tentei dizer-lho, mas ele não fez caso. Ultrapassado este incidente - e depois de lhe seguir as lamúrias pelo corredor fora e que insinuavam vagamente que por miserável sorte estas coisas do destino o escolhiam sempre a ele - lá avanço para o esquentador. Nada que me inquietasse. Afinal já não era a primeira vez que me havia com aquele bicho. Para além disso, enfrento sempre qualquer avaria ou incidente doméstico com doses reforçadas de “o pai sabe arranjar tudo”. Impante, empinei-me então no banco elevando-me à altura do piloto. Nem tudo são desvantagens com as coisas velhas. Se por um lado sucumbem com mais frequência, também é verdade que as suas avarias são cada vez mais facilmente diagnosticáveis, pois que em cada intervenção se alarga sempre um pouco mais o leque de  “operações técnicas” que temos à disposição assim proporcionadas pelas marteladas abordagens empíricas que vamos experimentando. O esquentador é, nesse aspecto, de entre todos os electrodomésticos, o meu maior aliado. É aquele que mais frequentemente desfalece e que mais vezes me faz brilhar.

São tantas as vezes que se tornou quase uma rotina ouvir-me chamado de lá da cozinha por culpa de mais um espasmo do seu cansaço e velhice. Basta atentar no tom enfastiado e prolongado do chamamento para me munir das ferramentas necessárias ainda antes de lá chegar. Faço-o sem queixumes ou atrasos, diria mesmo, até com algum orgulho convenhamos, que não é todos os dias que um marido e pai se pode fazer de salvador da pátria, e estas coisas dos curativos nas avarias sempre ajudam a realçar o insubstituível território de um homem. Voltando ao teatro de operações, e recordando que me encontro sobre uma banqueta olhando com ar entendido e confiante para o piloto apagado: preparo-me então para aplicar a sucessão de técnicas que quase invariavelmente conduzem ao sucesso na resolução de tal imbróglio. Assim as descrevo:

  1. A primeira acção, passa por uma valente sopradela sobre o piloto. Este sopro deve ser aplicado enviesadamente por forma a tanger o orifício, libertando-o assim de qualquer impureza que se lhe tenha agarrado. Nada. Passo então à segunda fase.
  2. Enquanto com uma mão primo o botão de acendimento, com uma chave de parafusos dou duas ou três pancadinhas no tubinho de cobre. Embora não saiba que designação alguém deu aquele delicado tubo, compreendi um dia que ele conduz ao sensor térmico que por segurança obstrui a chama caso não detecte o calor que o deveria abraçar. Estes toques que imprimo já com um certo à-vontade, costumam aproximá-lo, na sua folga, o suficiente do piloto para que o problema fique sanado. Não foi o caso.
  3. Passo então ao terceiro passo. Aqui não escondendo já alguma inquietação, uma vez que os meus recursos se começam a extinguir. Esta consiste numa intervenção mais radical e também de maior brio técnico. Desmonto a carnagem do esquentador por forma a ter uma área de trabalho mais liberta. Na verdade não é absolutamente obrigatório que o tenha de despir assim, mas a verdade é que isso me faz desfrutar da vantagem de impressionar eventuais observadores sobre o meu discernimento em matéria tão sofisticada. É aqui que entram as limas das unhas da Eufigénia que se consomem a um queixoso ritmo lá em casa. Absorvidamente entrego-me então a umas raspadelas. Uma aqui, outra por ali, e piloto, sensor, e todos os restantes picoletes que me sugerem ter alguma função importante são assim alisados até que apresentem um ar luzidio. Isto vou acompanhando de explicações técnicas (que por esta altura já não costumam ter ouvintes) que explanam a importância do retirar o carvão que por esses sítios se acumulam. Sendo esta última operação mais complexa e de maior impacto, é também aquela cujo êxito conduz a maior regozijo, pois esta evitará o cabo dos trabalhos que é recorrer a serviços externos.

Mas desta vez nada resultou. Ferido nos meus méritos, mas consciente da delicada situação, (e logo a um fim de semana), solicito ainda que relutantemente os serviços de um profissional.  (Benditos cartões de crédito que trazem uma série de pechisbeques agarrados que normalmente nem nos lembramos). Ao final do dia lá chega o técnico, esfalfado, e fazendo-se acompanhar de algum falatório habitual: “Hoje ainda não parei, nem almocei. É sempre mais no Inverno, é sempre mais frequente isto e a gente sem mãos a medir” e os desabafos e confissões depois, “Não sou técnico certificado de gás mas já faço disto há 14 anos. Anda aí gente cheia de diplomas que não sabe nem metade do que eu já esqueci”. Aí está o verdadeiro know-how português pensei, o “desenrasca” continua a ser o atributo profissional mais honrável. Mantenho-me ali à parte, atento, pretendendo aprender e ampliar os meus dotes neste domínio que até então era só meu. Para meu uso futuro, e para que não soçobre amanhã ainda mais a boa reputação angariada, eis como passo a descrever a operação que testemunhei:

A julgar pelo expedito técnico não são necessárias muitas nem sofisticadas ferramentas. Com ele faz-se acompanhar de uma caixa do tamanho de um estojo de lápis que abre embora de nenhuma das ferramentas se apreste a fazer uso, pelo menos para já. Retira a carnagem do esquentador. Até aqui nada de novo, eu segui exactamente os mesmos passos do “colega” e até arrisco alguma intimidade nisso falando do mau jeito dos camarões que o seguram. A cavaqueira inicial entretanto dá lugar a um ar sério e compenetrado. Nem parece manifestar o mínimo interesse na descrição que lhe vou fazendo. Concluo portanto que a fenomenologia e o diagnóstico não é uma abordagem relevante para este mister.  Noto que nem tão pouco experimenta o acendimento, preparando-se para evoluir directamente para a acção de reparação. Experimento algum orgulho ao constatar que nisso temos abordagens semelhantes.

Um minuto depois, munido de uma chave de fendas, tira o bloco do piloto para fora. Três gestos e ei-lo desmanchado em cima do balcão da cozinha. Eu nunca o houvera arriscado com receio que saltassem de lá molas e parafusos de afinação, pelo que me agrada saber que a partir de agora já poderei estender as minhas intervenções em domínios mais complexos e certamente impressionáveis ao meu pequeno pecúlio de admiradores (na verdade é só um; aparentemente acima dos 13 anos estas lides já não impressionam ninguém).

Sou interrompido pelo técnico: “Por acaso não me arranja uma agulha? ”. O pedido é-me estranho, “Uma agulha?”. Satisfeita a bizarria observo-o agora, executando gestos que até então considerava  inimagináveis assim associados a este tipo de intervenções especializadas. Ele é dos que trinca a língua quando se vê com uma agulha na mão. Passa-a de trás para a frente através do orifício no topo do piloto, enquanto balbucia qualquer coisa que entendo ser uma explicação. Certamente terá notado o meu espanto e até desacreditação de o ver ajudar-se com tão impróprias ferramentas. Dois sopros, e mais uma vez a agulha a fazer-se passar de um lado para o outro. Depois bate com a peça no bordo do balcão e aponta para um montinho minúsculo de impurezas, “vê?”. Mas nessa altura já pouco lhe ligo. Aos meus olhos aquele homem ficou desacreditado.

Mas a injúria maior, aquilo que retirou a réstia de dignidade do ofício que até então concedia partilharmos, veio a seguir: “Por acaso não tem aí forza?”. Já não queria acreditar. Fi-lo repetir três vezes o pedido, por incredulidade mas também para o obrigar a expor-se ainda mais no seu propósito. Depois certifico-me junto da Eufigénia. “que não, que no fogão não usamos forza”. Ele encolhe os ombros achando isso estranho, quase sugerindo a minha má vontade, depois olha em redor e improvisa. “Dá-me licença que use aqui um pouco deste detergente líquido”. Assenti, mostrando já indiferença e decepção para com os seus propósitos. Enquanto bombeia o detergente para dentro do tubinho, vai batendo com o mesmo na borda do balcão e soprando-o insistentemente. Depois passa-o pelo fio de água que deixou a correr e volta a repetir as operações. Faz tudo isto com ar desenvolto e confiante. A forma delicada como agarra na peça entre dois dedos mantendo os restantes esticados e lança sopros enérgicos sobre o orifício manifesta uma experiência já adquirida de há muito tempo.

Terminadas estas operações, volta a encaixar o mecanismo, dá uma varridela com uma trincha sobre o queimador e coloca a carnagem de novo. Dois cliques e aí está o esquentador a funcionar. Demorou exactamente 12 minutos. “São 14 euros então se faz favor. O senhor não paga a deslocação, vantagens do serviço X”. Ficara tão desconsolado com ele que estive quase para me armar em engraçado e perguntar se não me descontaria no preço os materiais utilizados. Reconsiderei a tempo. Além disso, se por um lado me sentia ultrajado em verificar que tudo aquilo não passaram de operações de carácter amador tão equivalentes às que eu usaria, por outro lado reconhecia facilmente as inolvidáveis vantagens de ter testemunhado toda a execução anterior.

Doravante nunca mais precisarei de recorrer aos serviços externos, tão incómodos e tão nefastos para a minha credibilidade familiar. E isso tem um valor inestimável. Da próxima vez que o estafado esquentador decidir fazer das suas já terei oportunidade de alargar o âmbito da minha intervenção. E já não para desenrascar, dessa vez será um desempenho profissional, devidamente munido de agulhas de coser e detergente liquido.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:26 AM | Comentários (7)

fevereiro 06, 2006

O problema dos sonos leves

Acordei quando ouvi alguém gemer a meio da noite. Era eu. Melhor, era um sonho que era meu. Anda algo em mim, por desfaçatez, e ao abrigo da noite, que se põe a chorar de coisas que nem existem. Folgo eu e logo esse algo se exagerando exagera, exagerando-me. Isso angustia-me, porque eu sou um homem feliz. Eu sou um homem feliz. E não choro, durante o dia (na parte que pode responder por mim) eu não choro.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:03 AM | Comentários (13)

fevereiro 03, 2006

Sobre o Euromilhões

Não contribuo.

Enfim, dá-me sempre esta mania de engenheiro: quando não percebo nada ponho-me a fazer contas. Mas há-de sair a alguém não é? Isso sim, é um verdadeiro pensamento abstracto. Olhe, boa sorte!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:56 PM | Comentários (5)

Sobre o casamento entre homossexuais e tal

A única coisa que me ocorre pensar é que há um advogado “altruísta”, provavelmente com familiares e amigos espalhados pelas várias cadeias de televisão, que a partir de agora nunca mais terá problemas com a sua carteira de clientes.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:23 PM | Comentários (25)

Dando uso higiénico aos spam's que me chegam por mail

O orgasmo de um porco dura 30 minutos.
(Na minha próxima vida, quero ser um porco!!!)
A pulga pode pular até 350 vezes o comprimento do próprio corpo. É como se um homem pulasse a distância de um campo de futebol.
(Trinta minutos...o filha da mãe do porco! Dá para imaginar?)
Alguns leões acasalam até 50 vezes num dia.
(Ainda assim preferia ser um porco)
Uma barata pode sobreviver 9 dias sem a cabeça até morrer de fome.
(Ainda não consegui esquecer o porco)
Seres humanos e golfinhos são as únicas espécies que fazem sexo por prazer.
(E aquele porco???)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:57 PM | Comentários (5)

Apanhado nas mãos de uma talhante alucinada

A voz é meiga, e o corpo singelo e asséptico move-se com uma suavidade enganadora

- Olá como está. Vamos então deitar aí por favor
- Como está Senhora Doutora
- Ora vamos lá ver aqui o narizito, cá está o malandrinho … oh senhora enfermeira vamos fazer aqui uma excisão, está a ver?
- Senhora Doutora, -eu já inquieto - isso quer dizer exactamente o quê?
- Ah ah ah, não se preocupe. Olhe nem vai sentir, é uma pequenininha cirurgia para tirar daí esse tricioepitelioma
- Esse quê? … bom, deixe estar. Faça então o favor de continuar
- Senhora enfermeira tem de apertar o nariz com mais força
- Hum… huuummm
- E agora é só um pontinho aqui. Espere, é melhor dar mais um. Não o estamos a aleijar pois não?
- Huummmmmm
- Pronto, já está. Que diz
- Eu … arf, arf … respirar …
- Vê que não doeu nada, vê ?!
- Certo. Então muito obrigado
- Mas onde é que julga que vai?
- Não acabámos?
- Espere lá um poucochinho, e isso aí no pescoço ein?, não disse que lhe tinha aparecido aí uma bolinha amarela?
- Ah isto? Oh, não vale a pena, nem me incomoda!
- Não, não, não. Com estas coisas não se brinca. Ora deixe cá ver isso.
- Mas …
- Pois é …
- É?
- É, é. É um quistozinho cebáceo. Convinha ir fora, não quer aproveitar?
- Bem, se acha mesmo que é de tirar
- Oh senhora enfermeira prepare-me aí outra agulha
- Ai é mesmo com anestesia e tudo outra vez?
- Não se preocupe, vai ver que ainda demora menos tempo que o outro. E oplá
- Hum… humm
- Vê, nem notou? e agora vamos fazer aqui uma excisão …
- E isso doi? Ai
- Oh senhora enfermeira agarre melhor na cabeça do Sr. Engenheiro se faz favor. Isso, assim está muito bem
- Aiiiiiiiiii
- Ena, este era bem fundo. Vamos lá ver se não ficou nada. Ah pois, temos de dar aqui mais uma raspadelazita!
- Ai…aiiiiiiiii
- E pronto. Agora é só fechar isto com uns pontinhos e já está. Aqui vai precisar de mais alguns.
- Huummmmmm
- Vê que não custou nada.
- Olhe que …
- Ora, estes homens!
- Está bem. Foi, digamos, suportável. Nesse caso devo despedir-me e …
- Ai mas que pressa. E o outro?
- Outro? Mas qual outro?
- Tenho aqui registado na fichinha. O que me disse na última consulta.
- Ah, esse. Mas esse nem se vê?
- Ah ah ah, ai este paciente que me saiu na rifa … Olhe, baixe lá as calças e vire o rabo para cima
- Mas … agora?
- Com certeza, não acha que está no sítio certo para vermos isso
- É que, enfim, aquilo nunca me incomodou
- As cuecas também por favor
- Mas olhe que tenho este desde que nasci e nunc…
- Elá, mas que mau aspecto
- Como??
- Não se assuste, eu só disse que tinha mau aspecto. Não disse que era problemático.
- Ah, então nesse caso, e dado que aí não incomoda ninguém …
- Espere lá! Espere lá! Não quer mesmo aproveitar e tratamos desse também?
- O quê assim com as facas e tudo, como os outros?
- Ora, deixe-se disso!
- Mas hoje não me dá muito jeito … Eh, já são 8 horas !!! Hoje não vai dar mesmo
- Olhe que não paga mais por isso. Sabe que o que é caro é o equipamento e o material
- Não é por isso. Eu é que …olhe, nem tinha reparado nas horas e como tenho um compromiss…
- Vá lá, que se resolve já isso também
- Bem que devia Sra Doutora, mas já estou atrasado e não gosto de…
- Cinco minutos … mas, deixe lá as calças homem! Vista-se só no fim da consulta
- Mas a consulta acabou!
- Nada. Deixe lá ver isso que despachamos já tudo.
- Tenha paciência Sra Doutora, mas hoje não. É lá fora que devo acertar contas?
- Mas …
- Depois passo cá para tirar os pontos certo? Daqui a 8 dias foi o que disse?
- Mas …
- Muito boa noite então
- Mas tem a certeza que …
- Até para a semana então Catrapummm !!!!!

Posso já não parecer quem lá entrei, mas pelo menos ainda saí com o mesmo andar

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:30 AM | Comentários (11)

fevereiro 02, 2006

Dando uso higiénico aos spam's que me chegam por mail

O louva-deus macho não pode copular enquanto a sua cabeça estiver ligada ao corpo. A fêmea inicia o acto sexual arrancando-lhe a cabeça.

("Querida, cheguei! O que é is.....")

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:04 PM | Comentários (6)

Aos três,

muito obrigado

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:30 AM | Comentários (0)

fevereiro 01, 2006

Oh Bill (não és tu pá, é o outro) se quiseres vir cá beber um medronhozito apita

Familiar amigo e vizinho alertava-me ontem à noite:
- Sabes que hoje somos o bairro com maior PIB per capita da Europa?
- O quê?
- Então não sabes que o Bill Gates está a jantar ali em baixo no Convento do Beato?

(Estou naturalmente todo orgulhoso. E o senhor João da mercearia também)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:27 PM | Comentários (8)

Não sei

mas só sei que hoje não me estou a sentir nada bem

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:05 PM | Comentários (3)

E entretanto o mundo gira e avança … e eu, eu também, eu também

O telefone toca. Nada sugere que interrompa o labor administrativo, mas é preciso mão que o segure. Suspendo então distraidamente a caneta entre-dentes. De um lado a conversa resolve-se, do outro enjeito a papelada que tenho pela frente. Concluídas estas etapas quase simultaneamente restabeleço as tarefas anteriores. Mas antes vejo-me avançar com a mão na direcção da boca e agarrar de novo a caneta, entre o indicador e o médio. O trabalho prosseguirá então. Nesse preparo bato então com ela duas vezes na borda do cinzeiro, pretendendo escorrer-lhe a cinza, e por lá a deixo depois a repousar. Mas o telefone toca agora de novo. Ao invés de me anunciar mantenho-me calado, enquanto escrevinho o bocal. Entretanto vou ditando, de olhos fixos na folha de papel o texto que pretendo escrever a um colega de trabalho

… ???, acabo de reparar neste perturbante distúrbio, e enquanto coço o tampo da mesa, e já num esforço de comportamento mais vigiado, tomo a recomendável decisão de fechar a loja por hoje. Agarro na mala do portátil, ponho-a na cabeça, despeço-me da porta, e saio dali para fora a caminho de casa. Mas depois estranho a penumbra. E era suposto estar a caminhar em vez de estar assim anichado. Apercebo-me que me baralhei de novo em algum lado, e isso irrita-me. Saio então do armário do arquivo morto, volto ao gabinete e retiro a caneta do cinzeiro. Agora sim, tudo está no seu lugar. Procuro enfiar o agrafador na algibeira, pois bem sei que está frio lá fora. Nunca tinha notado ser tão difícil esta tarefa do final do dia, e incomoda-me que ela me leve tanto tempo; o tempo é dinheiro. Por falar nisso amanhã não me posso esquecer de tratar da questão do barulho do candeeiro de que já muita gente se queixou. Respiro fundo e acalmo-me, afinal, não há razão para tanta agitação. Vem-me à memória aquela letra que diz que “se o macaco gosta de bananas eu gosto de ti”. De facto não tem sentido que sacrifiquemos a nossa saúde e a nossa vida só para que tudo se resolva mais depressa. Mas ainda assim procuro ser rápido, pois não gosto de fazer esperar ninguém e há dois dossiers de cartão canelado que aguardam já impacientemente à porta de olhos esbugalhados e fitos em mim. Reparo agora nela, na porta, e estranho: aquela porta ali com quatro pernas metálicas, quase juraria que era um tripé com rótula ao meio. Assim sendo não sei como lá iremos caber todos. Mas que importa isso, aqui tudo muda, são os tempos, e não havemos de ser nós que iremos ficar para trás.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:23 PM | Comentários (4)

O blog lá se vai mantendo

… só o título anda sobressaltado à procura de casaco que lhe sirva

 

Na sua presente versão ainda a dúvida, o desconforto dos últimos tempos:

Apenas (e só) um … blog deste autor?

Apenas (e só) um … autor deste blog?

E à medida que se interiorizam, a aumentar a complexidade das suas pendências:

Apenas (e só) um … blog neste blog?

Apenas (e só) um … autor neste autor?

E o tempo que passa. Já 13:09 p.m.

tosta mista?

bacalhau com grão?

(caramba, um homem também tem de saber interrogar-se de coisas plausíveis)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:09 PM | Comentários (5)

Quando as Tecnologias de Informação servem para amodernar o que não precisa existir a relevância dos conteúdos desaparece mas pelo menos ficamos com a sensação do trabalho (bem) cumprido

Estive exactamente uma hora a discutir por telefone se uma notícia interna deveria aparecer à esquerda ou à direita na página principal do nosso portal de informação interno. O assunto não ficou resolvido, e acabámos por agendar uma reunião para discutir o layout geral da página. Agora vou fazer um intervalo pois a seguir deverei ter de dispensar o resto da manhã a assinar umas fichas de imobilizado que um dia alguém terá de introduzir na base de dados que suspeito nunca ninguém irá utilizar.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:46 AM | Comentários (4)