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janeiro 31, 2006
Vá lá, pelo menos já arranjaram o mictório
Não teço nem rebato críticas ao Vasco Pulido Valente (agora devia escrever VPV, é assim não é?) porque acho coisa esvaziada essa do zurzir ou adular furiosamente indivíduos que escrevem sobre indivíduos e as suas ideias. Ou seja, o meu mundo regra-se de forma simples e económica: tudo se pode dizer uma vez, e depois concordar ou discordar, e até discorrer, justapor, acrescentar, contradizer - é informação nova, para quem gosta do género e se identifica com o tema; agora dizer do que se disse de quem o disse, comentar-lhe o carácter humano, investigar-lhe as contradições, insinuar do seus maus genes, escarafunchar-lhe o curriculum, isso é uma mera sopeirice intelectual. Não que ache isso grave. A sopeirice pode ser uma agradável condição de modéstia e fica com quem a tem, mas a verdade é que não é coisa que me ajude à disposição e fico atrofiado só de pensar, (e isso é que é grave), que posso parecer um intelectual assim. Por isso, do VPV este modesto blog não tem nada para assinalar. Do que lhe leio, por vezes gosto, e nada mais sei dizer sobre isso.
Também não vou papaguear o anúncio da sua entrada na blogosfera, (enfim, acabei de abrir uma excepção) até porque não me agrada tudo o que possa promover este éter digital enquanto réplica deferente (eu disse dEferente e não dIferente, infelizmente) do jornalismo/política português. Por trás deste espaço de palavras pode e deve haver mais para além disso, e na verdade lamento profundamente constatar que este nicho onde me assoalhei com o único intuito de dar que fazer aos impulsos da escrita, se veja cada vez mais circunscrito num espaço assoberbado das inférteis e ressabiadas investidas da guerrilha dos desmentidos, dos açoites intelectuais, das panaceias dos amigos, dos autojustificativos dos autoglorificados titãs da literatura e do jornalismo português, ou ainda desse titubear das notícias do mundo que já todos ouvimos reproduzidas no noticiário do trânsito da manhã. Venderam-me este condomínio como um espaço em que a grande virtude era justamente essa do preencher-se no “para além de”, e afinal todos os dias se monta aqui à porta uma “feira do relógio” com as comezices de sempre. E que chinfrineira, desde manhã até à noite, que já nem um homem dá conta do zoar do seu teclado!
A verdade é que já mal saio aqui desta assoalhada, e se o faço é com a cautela de ir ao encontro do que já sei, e gosto. Mas ainda assim, inevitavelmente, lá me deixo escorregar desprevenido por um link que me leva até ao meio de uma qualquer escaramuça de egos. Que gente tão desinteressante! Mas …
… mau, perdi-me! A que propósito é que vinha tudo isto ao caso? E o que é que o inocente VPV (pelo menos em termos blogosféricos) tem a ver com este desassossego todo? Ah, já sei! Bem, continuo sem encontrar relação, (talvez dos caminhos que tomei para lá chegar? Falo da paisagem da viagem e não do destino, enfim, do que me aprouver afinal). Mas ide ler isto que vale a pena.
Publicado por Eufigénio Lagoa às janeiro 31, 2006 03:46 PM
Comentários
Comentário a vestir-se de nota de rodapé:
Que forma tão deselegante de destacar um post/texto. A verdade é que a minha irritação se fez com o trajecto que me levou até lá, e de ambos me merecendo falar (do post e do por ondei andei para lá chegar) acabei por confundir tudo.
Do que releva (que o resto são encrispações minhas) queria destacar a confissão o texto do VPV, a sua entrada prometedora (e quase certamente enriquecedora) na blogosfera, e a excelente companhia da CCS, que foi antecipando caminho.
E os meus desejos pessoais é para que uma vez ou outra se possa (continuar a) lá alvejar para além do tema político.
Publicado por: Eufigénio em janeiro 31, 2006 04:13 PM
1. (a sério) a questão crucial é quando e como passará o homem de VPV a Vasco
2. (mais a sério) não gosto nada deste teu tom: assoalhei-me aqui ... etc Aqui não é lado nenhum, mas isso é transformar isto em conversa realmente séria. cada um como cada qual, se não gostas disto ou daquilo clic clic ou deixa-te por cá. não tens razão de protestar cmo o circundante
Publicado por: jpt em janeiro 31, 2006 04:33 PM
1. ou Vpulvalent
2. Isso é que era bom. Nesta terra (já sei que não posso dizer "terra") onde tudo se comenta, não posso eu lamentar-me do itinerário (já sei que não posso dizer "itinerário") que levo nos meus passeios? A verdade é que não me é indiferente a blogosfera onde gosto de fazer as minhas caminhadas, nem me é indiferente essa blogosfera enquanto espaço que envolve o espaço onde escrevo (não, não vou dizer comunidade - nisso já concordamos). E claro que posso comentar que as rosas do lado direito estão um pouco encrispadas, que as iucas não têm crescido tanto como era de esperar, que as hortênsias estão com um azul eléctrico invulgar, ou que desponta a nordeste um diospireiro do qual tenho fé vir a colher bons frutos. Posso até dizer que já não gosto tanto do passeio e posso até dizer que já não gosto de o fazer pelas veredas que utilizava. Posso dizer isso tudo aqui nesta assoalhada (já sei que não posso dizer "assoalhada" mas isso é a tal conversa séria que entre nós já leva muitos post's). E se não posso particularizar faço-o de forma geral, e se posso particularizar falo-ei, como já o fiz antes. JPT, aqui posso tudo, e esta não seria certamente a única coisa que afinal me seria impedida de escrever neste blog.
Publicado por: Eufigénio em janeiro 31, 2006 04:51 PM
É sempre este ruído todo quando algum VIP entra na blogosfera. É bem ler, comentar mas é mais bem ainda, linkar. E os gajos cagando para as nossas opiniões.
Publicado por: Alves Fernandes (Pre para @s amig@s) em janeiro 31, 2006 08:26 PM
Fico imensamente mais descansada por saber que os nossos deputados já se podem aliviar em melhores condições - vá-se lá a saber o que isso andava a prejudicar o país...?
Publicado por: Jill em janeiro 31, 2006 09:15 PM
Começo por dizer que descobri um blog que me faz uma "assessoria de imprensa" espectacular e por lá leio os "recortes da blogoesfera" pelo que entendo que o clima de dizes tu, digo eu, me fazem rir muito, como se estivesse a lutas medievais pela dama. Tem também um lado de coscuvilhice que me lembra o ditado "zangam-se as comadres, descobre-se as verdades".
"É bem" ter um blog e a maioria dos jornalistas e humoristas da nossa praça passaram a ter um blog. O que não impede que aqui caibam toda a espécie de projectos e isso é que me parece fascinante.
Quanto ao texto recomendado, a minha questão é: melhoradas que foram as mordomias porque não se lhes exige mais?... A tradição são quintais por todo o lado?... ;)
Publicado por: maria arvore em janeiro 31, 2006 10:48 PM
Ainda bem que não tenho opinião sobre a coisa Alves Fernandes.
Ao que parece nada Jill, nem a prejudicar nem a melhorar.
Diz-me lá qual é esse banner da blogosfera Maria A. enfim não para lá ir, que eu ...cof cof ...já se sabe não sou de gostar dessas coisas, mas ´só por uma questão de cultura geral.
O texto recomendado acho que responde às tuas questões Maria A.
Publicado por: Eufigénio em fevereiro 1, 2006 10:37 AM