« Voto de Castidade | Entrada | Informamos »

janeiro 23, 2006

"Todos podem escolher o carro da cor que quiserem desde que o escolham preto"

Abro uma breve interrupção na interrupção deste blog para …

Depois de ler diversos comentadores da esquerda relativizar a vitória do Cavaco por este só ter tido metade do eleitorado português e mais uns míseros pózinhos, em vez de procurarem ler os sinais que o eleitorado (a maioria … allô?! Sabem o que é a maioria?) entendeu dar …

Depois de ter assistido incrédulo à vergonhosa e ressabiada atitude do Sócrates em avançar com a sua declaração (na qualidade de não interveniente directo nas eleições, note-se) no momento em que falava o segundo candidato mais votado …

Depois de ter verificado que, inacreditavelmente, todos os canais de televisão retiravam do ar a declaração do Manuel Alegre, para a ela sobreporem de forma cúmplice esse gesto vergonhoso do ressabiado secretário geral do PS …

Depois de ler vários (muitos) blog’s candidatos a estalactites políticas não se conterem de verberrar que a maioria dos eleitores que votaram CS são isto e aquilo e que não percebem como é que há gente que não pensa como eles, e mais isto e aquilo, coitados, e agora vão ver como é que vai ser …

Depois de todas estas “provas” democráticas dos políticos, das televisões, de alguma comunicação social escrita, e dos aspirantes a “opinion makers” que alimentam alguns blog’s …

Ocorreu-me um chavão muito antigo, do tempo do primeiro grande fenómeno da produção em série de automóveis (Ford T, creio), em que dizia assim um tal de Sr. Ford:  “todos podem escolher o carro da cor que quiserem, desde que o escolhem preto”. A ‘ligeira’ diferença reside no facto de esses carros só os comprar quem queria, já a este tipo de distorção ‘democrática’ somos todos obrigados a assistir.

Votei Manuel Alegre, ou melhor, antivotei Soares, mas lamento profundamente que, por culpa disso, possa de alguma forma ver-me representado por este tipo de pensamento reaccionário, que só não o é porque vem dos meridianos da esquerda, essa zona que se arraiga na verdade, no verdadeiro espírito democrático, na tolerância, e no reconhecimento das outras vozes … bardamerda para isto tudo!

… Envergonhadamente, fecho agora a interrupção da interrupção deste blog.

Publicado por Eufigénio Lagoa às janeiro 23, 2006 01:28 PM

Comentários

Pois é.
Já sinto o mesmo. Penso que algumas pessoas alimentaram esperanças demasiadas e têm dificuldade em compreender a Democracia e os seus contornos.

Vamos ter calma, não é o fim do mundo.

Publicado por: João Norte em janeiro 23, 2006 02:27 PM

badamerda mesmo!
Foi inacreditável a situação de interromperem a comunicação do tão só 2º candidato com mais votos. Espelha o quão tendenciosas são as esta~ções televisivas!
Fora isso, mesmo não tendo votado CS, era mais que óbvio que passaria à 1ª, muito pela falta de união da "esquerda" e todo o jogo feito na campanha , quem beneficiou foi o CS!

Publicado por: Luna em janeiro 23, 2006 04:13 PM

...Ay, ay, ay, ay
Take this waltz, take this waltz
Take this waltz with the clamp on it’s jaws...

Publicado por: bill em janeiro 23, 2006 04:34 PM

Até parece que a maioria de Fevereiro do ano passado foi maior que esta.
Ai, desculpem... essa foi (é, dizem) legítima. Quem se fica a rir com estes modelos de civismo e de espírito democrático "desta" esquerda são eles... os da direita.

Publicado por: Manuel em janeiro 23, 2006 04:39 PM

Eu também votei Alegre, consciente assim como tu, que não votaria nos outros dois. Não me sinto envergonhado na medida em que fi-lo consciente de que não queria nenhum dos outros e que ambos seriam uma má medida para o país. Agora, existiram erros na votação e pelo que entendi de todo o processo o Cavaco deveria ter 49,6% dos votos e não os 50,9. Ao fazerem os cálculos retiram os votos em branco e nulos? Nas votações anteriores isso não aconteceu.
E quem tem vergonha compra um cão...

Publicado por: roque em janeiro 23, 2006 04:42 PM

Plagiando-te, antivotei Cavaco, Soares e Sócrates.
Não se fazem omeletes sem ovos e os ideiais de estabilidade e messianismo que o Cavaco personifica receberam a adesão da maioria do povo português. Se neste país não se pede a participação activa da população nas decisões, a não ser nas eleições, as pessoas agem em conformidade.
Se a esquerda não se uniu para contrariar o resultado previsto nada mais podia acontecer.

Quanto à orquestração televisiva esteve afinada a colocar o Sócrates a falar por cima do Manuel Alegre e a janela de Cavaco sobre Jerónimo.

Grosso modo, este país continua a valorizar o chico-espertismo de cada um puxar a brasa à sua sardinha e tomar os outros por parvos.
Quem não fizer isso está a ser muito intelectual e todos nós sabemos ;), que esses são como os independentes, muito imprevisíveis. ;)))

Publicado por: maria arvore em janeiro 23, 2006 08:37 PM

Concordo plenamente com a ultima frase! Aliás acho que bastava essa para dizer tudo o que disse neste post

Publicado por: alyia em janeiro 23, 2006 11:41 PM

Afinal conclui-se que NÃO HOUVE TAÇA.

A minha preocupação é se a próstata do outro ainda está boa daqui a dez anos. Porque se estiver, temos o jovem aí outra vez.

Publicado por: MB em janeiro 24, 2006 04:45 PM

cuidado com os ares escandalizados em certas matérias. Repare neste post de um apoiante confesso de Alegre, logo insuspeito
http://galarzas.blogspot.com/2006/01/quem-corta-quem.html

Publicado por: xx em janeiro 26, 2006 02:59 PM

Comente




Recordar-me?

(pode usar HTML tags)