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janeiro 30, 2006
Excessos
As oportunidades mais raras, os ímpetos mais esforçados, os momentos mais desejados, saboreiam-se enquanto os sabemos enumerar. Não são muitos, não podem ser muitos, e há espaço para todos, e cada um se chama pelo seu nome, e traz até nós coisas próprias que degustamos calmamente, distinguindo-lhes as diferenças, evocando os incidentes, as coincidências, e as consequências, uma por uma, cada uma de cada vez puxando a outra por uma ponta que ainda não se perdeu e que as interliga, e que lhes reserva o seu espaço próprio nas nossas memórias.
As mesmas oportunidades, dêem-lhes frequência, os mesmos ímpetos, retirem-se-lhes as dificuldades, os mesmos momentos, banalizem-se estes, quadrupliquem-se, e tudo resulta numa produção massificada sem sentido, uma amálgama de coisas sem valor específico, uma mancha indistinta que já só alcançamos reconhecer e desejar no abstracto, … como um quarto repleto de brinquedos em excesso, alguns nem desembrulhados, sob o olhar enfastiado de uma criança mimada que deixou de saber brincar.
Claro que isto podem ser só as (minhas) memórias a tornarem-se velhas e ressabiadas, sem consentirem ver-se nos tempos por onde hoje ainda espreitam.
E claro que isto não tem nada a ver com o post de baixo.
Publicado por Eufigénio Lagoa às janeiro 30, 2006 01:19 PM