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dezembro 05, 2005

Pois, faltou-me a bica ao almoço

A boa ceia saboreia-se com o digestivo, o livro resolve-se na última página, a travessia conclui-se no porto. O nosso lado carnal deleita-se na forma verbal das coisas: o comer, o ler e o partir, todo esse fluir que as torna tangíveis. Mas na verdade, não é isso, o caminho das coisas, que admiramos. É o seu fim, o fim das coisas perenes.

Também não somos verdadeiramente capazes de amar algo que perdure para além de nós, nada que não caiba dentro de nós. É porque lhes pressentimos um fim que as amamos. Esse fim que as torna admiráveis aos nossos olhos, como se o amor afinal se resumisse a um breve instante final, ao qual queremos insaciadamente chegar.

Há em todos os homens essa contradição de procurar o mais das coisas que ama no que delas ainda não tem. Há em todos nós essa violência com que precipitamos tudo o que amamos no abismo do seu apogeu, depois do qual as perderemos definitivamente.

Como se amar não fosse o caminho, mas o desespero de um destino que não chegámos verdadeiramente a ter.

Publicado por Eufigénio Lagoa às dezembro 5, 2005 03:51 PM

Comentários

Toma uma bica dupla para compensar.

(sim, que do resto que falas eu não percebo nada...) ;)

Publicado por: cap em dezembro 6, 2005 12:38 AM

Pelos vistos, nem tu nem ninguém

Publicado por: Eufigénio em dezembro 13, 2005 10:16 AM

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