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dezembro 31, 2005

Post das 5h35mn da manhã

O borrego estava bom. A companhia excelente. O jantar acabou tarde.

E nem falámos de blogs!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:34 AM | Comentários (9)

Tudo pode ser (re)escrito de novo

Entra a meio da tarde em casa da avó e logo displicentemente se dirige para as bolachas junto à máquina do café, atalhando nos salamaleques que convêm.

- Oh Francisco nem fala à avó? – quase em coro, nós, quase envergonhados.

- Acho que o melhor é começarmos tudo de novo! – reforça a avó, ironizando.

Aí ele pega na mochila e sem réplica sai porta fora, assim, subitamente. Ao princípio sustivemo-nos de o perseguir, até algo curiosos, mas depois, mais inquietos, deliberávamos já segui-lo. Enquanto nisso nos decidíamos ouve-se a campainha. Era ele de novo.

-Olá avó, como está? Vou deixar a mochila aqui. E já agora, posso comer uma bolacha?

(já percebi porque este puto pode comer todas as bolachas que quiser em casa da avó)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:27 AM | Comentários (2)

dezembro 30, 2005

Os meus votos de …

[ E agora escrevia aqui uma coisa gira, daquelas que ainda ninguém tenha escrito sobre o reveillon, e o ano novo - vida nova e tal, e claro, os desejos de um grandessíssimo e intensamente desvairado ano de 2006 para todos os leitores deste álbum de cogitações em formato 126 x 324 ]

… que o imprevisto aconteça muitas vezes em 2006, e que
se deixem surpreender a vós mesmos pelo menos uma vez por semana.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:40 PM | Comentários (7)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:49 AM | Comentários (6)

dezembro 29, 2005

(porque isto hoje anda virado para os trocadilhos)

Às vezes um gajo escreve coisas que o põem a pensar

… “ que pena não ter pensado antes de as escrever”

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:41 PM | Comentários (4)

Sou no que digo, e no que digo que sou

Parte de nós realiza-se com o que somos, outra parte com o que nos ouvimos dizer. Muitos são os que vivem no hemisfério da ilusão onde se entretêm a inventar as palavras daquilo que querem parecer. Eu prefiro habitar o purgatório onde me divirto a desentrelaçar o que sou no que digo do que digo que sou.

(Nota para considerar em eventuais comentários: Não, não faço anos. Mas sei fazer um excelente borrego assado no forno)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:10 PM | Comentários (4)

dezembro 28, 2005

A idade é os dias que se atravessam para chegar onde hoje queremos estar

Há dias em que me sinto um velho rezingão que desesperadamente procura encobrir a vergonha de ter uma criança à solta dentro de si. Sai voz grossa e sensaborona.

Noutros é a criança que me domina e que brinca descarada com os novelos das sisudas barbas brancas que ficaram encarceradas em mim. E saem risinhos e arrepios.

Neste pulsar de personagens devo certamente estar eu, ora novo ora velho, com a idade a fazer-se de impulsos, como quem nunca quererá saber exactamente os anos que tem.

Riem os mais arredados e lastimam os mais chegados, desta avaria que tenho, que não faz de mim a média destas duas criaturas que sou.

De concreto, apenas as velas que se apagam todos os anos. Uma que é posta a mais, outra que surripio e oculto nos confins da minha idade.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:38 PM | Comentários (11)

Olhó striptease, olhó artista que hoje tirou a tanga e tudo

Nunca, mas nunca supus que alguma vez na minha vida iria editar no espólio público da Internet textos de improviso sobre o amor. E o pior é que sempre achei essas pungentes declarações coisas pretensiosas e enfadonhas.

Gastei 5 anos da minha vida a estudar porcas e parafusos, e muitos mais para acentuar o meu resguardado racionalismo à custa de intrincados e orgulhosos raciocínios algébricos, e basta uma noite mal dormida para agora deitar tudo a perder.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:30 PM | Comentários (7)

Com cimento nos gestos e tijolos nos afectos

O amor não é algo impulsivo nem se alimenta de manifestações espontâneas. Nem é essa ilusão de que uma flor, um beijo ou esparsas declarações apaixonadas serão receita para o alimentar. O amor, aquele que se partilha, é cavado no terreno do dia-a-dia, onde mais do que julgamos sentir, é do que somos capazes de mostrar que verdadeiramente se importa. Esse é o amor de todos os dias, dos dias todos, esse que é coisa que não cresce, porque nele não há medida. Nele, somos chamados como operários, vigiando para que se mantenha, às vezes até reconstruindo uma parte aqui ou ali, num labor diário, atento e silencioso. Porque o amor não é uma empreitada que se constrói por uma ou outra vez, nada de assim tão importante e espampanante. Nem ninguém estará lá no fim para aplaudir tal obra. E também não é esse gesto com que nos esmeramos numa determinada altura, essa outra definição do gostar de alguém e de o poder manifestar,  esse tão confortável e aprazível compromisso do “de vez em quando”. Estamos a falar de uma estrutura que continuamente se tem de recuperar, de rebalancear, com a argamassa dos dias que correm numa mão, e na outra, com tijolos fabricados dos pequenos gestos e pormenores no fim de uma tarde cansada, num serão imprevisto, numa noite mal dormida ou numa manhã estremunhada. É uma empresa invisível que lamentavelmente só valorizamos quando falhamos. E é um trabalho nos bastidores dos nossos afectos muito mais árduo e irreconhecido do que as orgias de uma noite apaixonada. O amor é o turbilhão de detalhes com que lidamos todos os dias, e que sobrevive porque somos capazes de nele ter por importante outro alguém para além de nós, e nos sentimos felizes assim. Mas nesse contínuo do que somos junto dos outros, nessa permanente reconstrução, nessa labuta dos pormenores do afecto … é tão fácil distrairmo-nos.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:38 PM | Comentários (4)

E segue mensagem privada (colhendo razões) enquanto a blogosfera vai estando desabitada

"The Camorra is to Naples what the Mafia is to Sicily."

Como vês Eufigénia, eu tinha razão: a mafia é na Sicília; do outro lado, no sul de Itália, na Reggia Calabria, acho que é mais a cosa nostra (ora aí está um sítio onde me apetecia ir jantar), mas em Nápoles é da camorra (cammora) que se trata.

Já sobre o macarroni não consegui tirar a limpo de onde é, mas vejo muitas referências ao “al dente” que quase juraria ser sítio perto de Turim. E o que é que tínhamos realmente apostado que eu já não me lembro?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:01 PM | Comentários (5)

dezembro 27, 2005

E porque para além das prendas, e dos perús e dos SMS, o Natal é também para recordar ...

[ As minhas desculpas por não indicar a fonte, mas esta foto foi surripiada há já um ano e lamentavelmente não a referenciei na altura ]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:38 PM | Comentários (5)

O anacronismo

SMS’s com piadinhas engraçadas, no Natal?

Estimados amigos e outros detentores do meu nº de telemóvel (designadamente aqueles de que apenas tenho notícias justamente por esta altura e que assinam com um apelido que desconheço), não levem a mal - aliás, será sempre um enorme prazer receber um postal v. da UNICEF, ou até um simples telefonema para pormos a conversa em dia, ou porque não, uma visita inesperada, que seja pela quadra ou qualquer outro motivo que todos servem para nos revermos, mas, SMS’s de difusão geral com anedotas sobre as renas e o pai natal ?! Eu até acho piada a algumas mas assim nesta quadra, enfim, não quero parecer ingrato mas

… preferia que deixassem o meu sisudo telemóvel em paz, que para anacronismos da época já me chega a orgia das prendas e a desbunda nos Centros Comerciais.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:16 PM | Comentários (2)

dezembro 24, 2005

Aflição

[ Eu sei que não é um sentimento próprio do natal mas, e até porque o natal é das poucas coisas que não se vive num blogue e não vejo interesse por isso em trazê-lo para cá, deixo aqui um pensamento que me tem preocupado desde manhã cedo … neste quase dia de natal ]

Ora leio aqui que em 2010 poderão existir mil milhões de blogues!

Mas assim, com tanta gente a escrever … quem é que ainda terá tempo para me ler? E eu, que blogues vou ler? Desassossega-me só de saber que por cada um que escolha para passar a minha leitura haverá milhões de outros que mais a mereceriam … isto vai ficar tão diletante como a vida real!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:55 PM | Comentários (6)

dezembro 23, 2005

O Natal é bom porque ...

Ainda bem que chegou o Natal. Caso contrário, já sem debates na TV, desaparecida a oportunidade de os comentar, e a blogosfera pararia. Viva o Natal!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:31 PM | Comentários (3)

Envelhecer é ter todos os dias mais, de coisas que não chegámos a ter

(Para além do que faço neles) os meus dias são também uma infinidade de oportunidades que perco em ser um profissional mais competente, um cidadão mais extremoso, um pai mais presente, um amante mais atento, um homem mais preenchido.

Mas há quem diga que isso é ganhar experiência. Pois deve ser isso, a experiência será talvez essa propriedade para saber mais … sobre as coisas que acabámos por não fazer.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:24 PM | Comentários (9)

É quase Natal - que fazem logo vcs os quatro ?

Tinha acabado de me lembrar dele. Talvez fosse pela circunstância em si, aquele entre copos, ali impedido a meio da noite numa fila de carros que não se movia, junto ao Chafariz da rua do Século. Já não o via há imenso tempo, e esse folgar na noite em que agora me deixava ir, talvez fosse isso que mo tivesse trazido à memória. Mas mera coincidência, ou talvez não, lá estava ele, dois carros à minha frente, visivelmente num estado ainda mais desaconselhado que o meu, e sentado na capota, gesticulando ao som da música, bem no seu estilo exuberante e alegre. “F !!!”, e ele nada. Esgueirei-me do carro, três lugares atrás, e lancei-me cambaleando na direcção dele, quase eufórico, antevendo já a possibilidade de juntarmos as duas carraspanas noite fora, como nos bons velhos tempos. “F !!!” agora já em cima dele, reclamando-o por um braço, eu quase aos berros também. Por fim virou-se. Não era ele. O tipo trocado olhava-me com uns olhos ocos, da bebedeira certamente, mas também da esquivança de mim ali, desconhecido, ainda rindo, e a puxar-lhe pela manga. Mais do que a decepção de não o ter revisto, algo ali naquele confuso encontro me desconcertou. Acho que o facto de esperar encontrar-lhe a cara bonacheirona e num rompante dar com a face de um desconhecido, como se alguém o tivesse no último instante retirado dali, ou o escondesse sob uma máscara desconhecida. Não sei explicar exactamente porque me tocou tanto, talvez o súbito com que foi desvendada a carranca inesperada daquele bêbedo anónimo, a trocar-se pelo F, mas fiquei inquieto. No dia seguinte tinha-se morto numa moto contra um pilar.

Ele, como quase todos os meus mortos, fizeram-se sempre anunciar na véspera. Isto é inexplicável, bem sei, e nem tenho nem tento fazê-lo, mas é algo tão incontornável e tão inconfundível para mim, que nunca o poderei negar. Não se tratam de desvarios de um espírito desistido nessas alturas difíceis, fraquejando perante as amargas contingências do destino. Não, trata-se de uma íntima e convicta percepção de que eles foram trazidos por uma insondável razão ao meu espírito, antes de morrerem. Uma misteriosa sensação de que algo sorrateiramente escarnece de mim, a fazer-se quase inaudível, uma premonição suficientemente ligeira para que a ignore, para que me abstenha de desfazer esse nó que já está laçado, mas suficientemente evidente para depois vir a constatar não o ter feito. E há sempre um telefonema que calha fazer, mas que não se materializa num encontro por falta de folga de um de nós, ou um simples engano na fisionomia como naquela noite na rua do século, ou um almoço que subitamente me ocorre e que sugiro à última hora mas que tarde demais já não o encontra. E de todas as vezes teria sido tão fácil antecipar-me a essa madrasta da vida, inventar um qualquer pequeno detalhe que fosse o bastante para mudar as agulhas do destino, um ínfimo pormenor, mas bastante para estraçalhar de vez com essas abstrusas fatalidades. É por isso que eu sinto todas essas minhas mortes ainda mais súbitas e injustificadas do que o destino as quer fazer parecer. É por isso também que me sinto tão parte delas, a parte que ficou de as interromper.

Em todas essas vidas que vi partir, em todas elas, bastaria que eu franqueasse a pretexto da minha amizade qualquer outra oportunidade do que aquela que lhes ocorreu. Teria bastado um café. O café que hoje já não posso tomar com eles, onde, quem sabe, desastradamente lhes tentaria explicar, a conter-me dos seus risos trocistas, que estava ali com eles para que eles não estivessem ‘lá’. Ou simplesmente porque era quase Natal, um bom pretexto, como qualquer outro, para nos encontrarmos outra vez.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:17 AM | Comentários (8)

dezembro 22, 2005

!!!

Bem ... agora, ao que parece, terei abusado um pouco da lenha !

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:37 PM | Comentários (5)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:51 AM | Comentários (3)

dezembro 21, 2005

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:40 PM | Comentários (3)

Afinal o que é um blog ?

– um pequeno e útil apontamento sobre a sua estrutura e processos de leitura

1) Para os mais neófitos importa começar por dizer que um blog se deve ler de cima para baixo (correspondendo o “cima” ao seu “fim” e o “baixo” ao seu “princípio", não sei se me fiz entender). É aliás provavelmente o único suporte de texto que se lê ao contrário da sequência natural da sua escrita. (Admito que possa haver uma excepção com os blog’s árabes, esses sim, deverão ler-se debaixo para cima, para seguirem a mesma lógica).

Alguns documentos históricos justificam isso pelo facto de os seus autores estarem compulsivamente a arrepender-se do que escrevem, e assim o poderem justificar, logo na entrada, ao desprevenido leitor.

2) Se procura uma escrita corrida e entrosada, perca as ilusões. Num blog não se devem escrever romances, porque ninguém gosta de saber o final da história antes de a ler primeiro. Enfim, se for um blog policial pode conceder-se isso, afinal não há ninguém que resista a ir vasculhar quem foi o assassino ou qual o móbil do crime.

Mas na generalidade um blog é constituído por pequenas manchas de texto (há quem lhes chame bolsados do ego, outros preferem o mais isento anglicismo de post’s que numa tradução liberal pode ser entendido como postas de pescada) e que raramente são conexas entre si. O seu conteúdo depende do estatuto e da imaginação do seu autor. Assim, é normal encontrar num blogger de menor notoriedade alguns recursos imaginativos, em texto ou imagem. Já nos bloggers mais famosos e obviamente mais enfadonhos é comum encontrar textos mais alongados, que reproduzem notícias da actualidade política sobre as quais normalmente opinam copiosamente (o termo aqui a significar abundantemente e não o censurável acto do plágio). Quando nada se passa no panorama noticioso, (o que pode ocorrer na época em que não há debates televisivos) podem-se também encontrar alguns textos explicativos, por exemplo, da estrutura e processos de leitura de um blog (não clique, não clique, era só para dar um exemplo)

3) Muitos têm sido aqueles que têm tentado ler um blog do princípio para o fim, sem contudo terem tido muito sucesso. Uma das técnicas mais ensaiadas baseia-se em virar o PC ao contrário aplicando depois sobre o seu ecrã um mecanismo previamente construído com um conjunto de três espelhos, através dos quais se procura obter um adequado sistema de refracção e inversão da imagem.

Contudo, caso pretenda arriscar-se nesta experiência, tenha presente alguns conselhos de ordem prática. Evite usar o espelho da casa de banho a menos que o lavatório onde terá de se anichar em posição fetal esteja convenientemente enxuto. Evite também usar como segundo espelho a parte de dentro da caixinha do que elas chamam a “máscara facial”; além de estar cheio daquele pó que faz espirrar, aquilo quando voa não se aproveita nada e evitará deixá-lo corado das coisas que ouvirá a seguir. Finalmente recomendamos que só extraia o mecanismo reflex do telescópio dos miúdos se tiver as instruções de montagem.

E pronto, estamos em crer que sobre blog’s não há assim mais nada de importante que importe saber para melhor os compreender.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:00 PM | Comentários (11)

Finalmente, a mim o que me é devido

Prémio gandula 2005: Análise Política

 
troféu orgulhosamente exposto (só) em 22.12.2005 devido a atraso nos correios, justificável face à azáfama própria desta quadra natalícia mas também ao longo transporte intercontinental a que teve de ser sujeito

Ainda há quem ouse afrontar os lobbies políticos da blogosfera. Obrigado JPT, pela ousada distinção que me concedes, e parabéns pela tua lucidez.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:00 PM | Comentários (13)

Força de vontade

É estar ainda em pijama a meio da manhã de um dia comum, com firmeza suficiente para contrariar o ímpeto que nos empurra a fazer o que não queremos, e entre dentes cerrados repetirmos para connosco: “não, hoje não irei trabalhar!... pelo menos para já

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:07 AM | Comentários (3)

dezembro 20, 2005

Slogans

Um aforismo não é um slogan. Nestes diz-se o que é óbvio, e obviamente mentira, como se fosse a primeira vez que o constatássemos. Num aforismo diz-se o que não é óbvio mas é obviamente verdade, com a petulância de quem julga que nunca ninguém antes o terá pensado. Essencialmente a diferença está na capacidade de um vender bens e o outro vaidade.

(este por exemplo não é um aforismo; tem mais de 3 linhas. Mas também não é um slogan porque aqui nada se consegue vender)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:50 PM | Comentários (10)

Técnicas para quando não se tem mais nada para dizer

Um aforismo para resultar não deve ter mais de duas* linhas. E para que se alcance nestes um maior esoterismo é conveniente que trate coisas sobre as quais nada se conhece. Falar sobre aforismos é sempre uma boa ideia. 

* enfim, se passar um bocadinho das duas linhas também não é nenhum ai Jesus

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:27 PM | Comentários (6)

Efemérides ,

Nunca liguei a datas. É por isso, para provar que as ignoro, que há dias em que escrevo muito mais do que noutros.

Saudades,

As únicas datas que fixo são os dias em que sinto uma vontade absoluta de dizer o que nunca mais poderei voltar a escutar.

E precauções

Quando alguém se ‘desafronta’, e se o tentar num blog público, convém que antes se lembre de fechar a caixa de comentários.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:30 PM

Desperdício Preguiça

Verter em três aforismos tudo aquilo que há para escrever sobre este blog, quando se poderia tê-lo feito em cem demorados textos.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:00 PM | Comentários (8)

Esquizofrenia Incontinência

Escrever num blog as coisas que não dizemos aos outros, e depois ir dizer aos outros as coisas que escrevemos no blog.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:00 PM | Comentários (17)

Angústia

Tentar desesperadamente escrever um post intimista sobre o amor que tenho aos meus filhos, e os sacanas dos putos não pararem com o berreiro ali no quarto ao lado !

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:18 AM | Comentários (13)

dezembro 19, 2005

Decadência

Pensar que em tempos este já foi o melhor Blog de Análise e Reflexão Política

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:40 PM | Comentários (11)

Pronto, estava mesmo a ver-se …

 

Não me interessa, não devolvo e pronto! Seja Óscar ou Vitor, ou lá como ele se chama já daqui não sai! Está dado, está dado!

E depois dão-me em troca o título de Melhor blog Intimista ! Mas o que é isso? É para me calar, é? Intimista de sossegadinho, de não estrilhes muito, de olha lá fala baixinho, é? E agora com que cara eu vou encarar os meus visitantes? E ainda por cima Sectorial, já nem sequer é da parte toda … Bahh

Isto é uma afronta! Estimado JPP, acautele-se - há um processo de desacreditação para connosco, os blogs de conteúdo político de maior relevo. Hoje fui eu mas olhe que amanhã há-de chegar aí!

E caro Patrick Blese, era só o que faltava ainda ter de o ir lá levar; se o querem lá no Insurgente que o venham cá buscar! (já que são tantos há-de haver alguém que possa passar por aqui, que eu é que não vou lá, ora essa)

E o pessoal aí em baixo não se esteja a rir que eu estou a ver ein!!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:52 PM | Comentários (11)

A emproada hipocrisia das palavras

Às vezes ignoramos o quanto as nossas palavras se afastam do que realmente pretendemos dizer. Depois, inesperadamente, e sem nos apercebermos, vemo-nos transportados para o centro de um conflito, cujo cerne é um combate que se trava já na esfera da dialéctica, onde as bojardas são um presunçoso apuro do vocábulo, e o requinte dos significados que agora arremessamos indignados, e as nuances que deveriam ter sido subentendidas, tudo agora nada mais é que munições para ganhar esse absurdo da razão.

Tudo em nós se transforma em verbo, e embalados pela glote voraz com que teimamos em dizimar os outros, nem damos porque somos para além da ira já só domicílio das palavras que já esquecemos. E depois é já tarde. É sempre já tarde demais. Um qualquer abstruso orgulho impede-nos de corrigir tal equívoco -  as palavras, orgulhosas, tomam de vez conta de nós, e reclamam-se de mais valor do que o afecto e a consideração que temos por aqueles a quem as dirigimos.

E quando mais precisamos delas, as palavras - até então tão grandiosas e instruídas - incapazes de se vestirem de humildade, afinal, abandonam-nos.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:33 PM | Comentários (0)

Melhor Blog de Reflexão e Análise Política (ah pois, qual é o espanto?)

Informo que doravante só serão autorizados comentários que sejam considerados contributos ponderados e pertinentes no que concerne exclusivamente à questão política nacional. Todos os restantes comentários, de natureza lúdica, brejeira ou circunstancial, ou cujo conteúdo e forma possa deslustrar o estatuto deste blogue no âmbito da Reflexão e Análise Política serão liminarmente suprimidos. Mais informo que não permitirei a utilização de vernáculos e/ou o uso de tratamento abusivamente familiar para com o autor deste blog: Eu, o galardoado. Sim, eu.

E agora vou usufruir de mais esta reluzente estatueta enquanto no Anjos e Demónios não se dá pelo lapso

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:26 AM | Comentários (31)

dezembro 18, 2005

Comunicado editorial: aos maiores accionistas deste blog

Aproveitando a pausa dominical dos trabalhos redactoriais a gestão desta chafarica vem agora e por este meio agradecer publicamente aos 3 portais que mais têm contribuído com visitas a este humilde blog, conforme se pode confirmar da nossa lista de “agradecimentos”, no canto inferior direito desta página, e que para aqui transpomos para o merecido destaque:

Ao Google … a quem aproveitamos para manifestar a nossa estranheza por aí constarmos como referência de pesquisa para imagens de gajas boas; contudo, e para que os decepcionados leitores não se sintam mais intrujados devido a esta questão a que somos absolutamente alheios, comprometemo-nos doravante a criar um clima de teor mais lúbrico neste blog;

Ao Frescos … definitivamente a melhor lista de actualizações de blogs – pelo menos funciona, já que o mesmo não é possível assegurar de quase todos os outros telescópios da blogosfera;

E finalmente ao…

Blo.gs favorites for … 100Nada !!! este surpreendente veículo de visitantes, que tem por timoneiro a Catarina, e quiçá talvez um dos maiores portais de navegação da blogosfera !

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:55 PM | Comentários (8)

dezembro 17, 2005

Parto e fico, para começar de novo e continuar

Isto seria um espaço de ficção onde banharia a minha vontade de escrever, sem fidelidades para com a realidade que vivo, nem tiques de franqueza, e apenas tendo por argumento a fantasia que me aprouvesse criar. Foi por isso que o vesti com anonimato, para o desprender de qualquer compromisso para comigo, para também eu, enquanto homem, me poder descomprometer dele.

Mas isso acabou também por arrastar uma outra perspectiva para além desse inventar (d)na escrita, à qual, por alguma razão obscura, tanto pertenço. Assim, oculto da realidade, das gentes que me conhecem, de mim, poderia também nele depositar coisas do indivíduo que sou na vida, e nas vidas dos que me rodeiam, sem pejo de me falar demais, assim livre para me escrever do que quisesse.

Tudo aqui faria parte de uma personalidade inventada, da qual, só eu, na posse de faculdades exclusivas, poderia extrair essa minha realidade, da ficção, ou misturá-la se assim me aprouvesse. A receita parecia excelente: amalgamar um espaço imaginário, anónimo, com a terapia da verdade, (afinal, os dois motes mais fortes que me impulsionam para a escrita), sem me sentir preso a correntes de sinceridade, e ao abrigo de um pseudónimo que esconderia nos confins da Internet a minha intimidade.

-//-

Entretanto, provavelmente a inevitável vaidade, fez com que este espaço se tornasse conhecido por quem me cruza na vida real, de perto e até de longe. De alguma forma isso condiciona-me - por mais coragem que me imponha, pois que é disso que se trata.

Quando me sinto olhado através do que escrevo, como sendo isso parte de mim, perco a liberdade com que o possa fazer. Tudo o que aqui escreva passará a fazer parte do juízo que os que me conhecem têm sobre mim. Nisto, surgem os constrangimentos habituais, e a escrita desimpedida que aqui me poderia ‘acrescentar’, com que ensaiaria extrair outras coisas de mim, acaba por ser afinal a imitação daquilo que julgo se espera de mim na realidade.

E depois há a outra parcela, a do Eufigénio, o tal que era livre de escrever e fantasiar o que lhe aprouvesse, sem condicionamentos de carácter, sem caras que se revelassem de ambos os lados da escrita. Mas há muito que este deixou de ser um pseudónimo para se alimentar da minha própria personalidade. Mesmo para com os leitores que não conheço na vida real também com eles estabeleci já um compromisso, ser eu. Deste personagem que inventei para a escrita já só resta o nome, nem sei aliás porque ainda o mantenho assim fantasiado. A verdade é que ele me imita tão fidedignamente, e se constrói de tal forma sob a minha realidade, que inventá-lo hoje é distorcer a minha própria personalidade, e escrevê-lo é violar a minha intimidade.

-//-

Isto seria um espaço de ficção, e de confissão. Mas o exercício de liberdade que primeiro ansiava transformou-se aos poucos numa coisa prosaica e constrangida com que me sinto compelido a manifestar apenas o que se espera que eu seja, ou algo assim tão frivolamente próximo da realidade. Este tornou-se um espaço onde ainda obtenho prazer em escrever, mas onde já estou preso ao que sou.

Vou criar outro blog, tentar de novo, esconder-me lá ao fundo, onde possa reinventar tudo. Este deixarei para ser assim, uma plácida e generosa imitação do que sou.

JNF

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:12 PM | Comentários (19)

dezembro 16, 2005

Finalmente,

ao fim de pouco mais de um ano, a glória, a fama, o reconhecimento!!

      "Melhor Blogue de Um Pai de Família"

Neste momento especial, e tendo presente o carácter do prémio, quero aqui publicamente dividir este mérito com os meus filhos, Francisco e Diogo, que muito têm contribuído para a causa deste blogue e também com a doce Eufigénia, que se tem sabido manter resignadamente calada apesar das mentiras atrozes que aqui se insinuam, e com os gatos, e as tartarugas, e o peixe que tinha problemas, e o lobo afilhado do Francisco, e o tigre que o Diogo então também queria apadrinhar mas não houve nenhuma alma caridosa que fosse capaz de se chegar à frente, e aos simpáticos comentadores que têm sabido demonstrar …. e não poderia ainda deixar de registar a isenção com que o JN distinguiu este blog e … este é um momento muito grato para mim … emociono-me … com licença  

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:11 AM | Comentários (9)

dezembro 15, 2005

Micro-causa

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:10 PM | Comentários (10)

Debates, gripes e decisões espontâneas

Nota prévia para melhor interpretação do post: faz de conta que o itálico a azul sou eu a alucinar em voz alta enquanto o Diogo olha para mim estupefacto e preocupado

Apenas um breve e desavergonhado testemunho político – aliás, a primeira e última vez que aqui se falará de debates, que esta trampa já cansa por toda a blogosfera e outras tentaculares conversas. Deriva este de um acidente gripal e subsequentes alucinações febris, e que em boa hora contribuíram para a construção do meu (des)sentido de voto. Deste modo, e após a minha humilde exposição, não vejo nenhuma utilidade em continuar a falar escrever sobre temas áridos, e por isso assim, calado, me ficarei. Até porque (isto já andam aqui justificações a mais … humm), aqui só se arrisca escrever sobre caseirices, mundanices, antiguidades e outras coisas assim de menor empenho, que falta-me estofo para comentador bloguista com aspirações a comunicação social que tem por fito comentar os comentadores da imprensa escrita, que por sua vez comentam os comentadores da televisão, esses mesmos que acabam a comentar os assessores das candidaturas que por sua vez comentam o desempenho do candidato adversário. E além disso estou com febre, e para coisas desagradáveis das quais até o ranho brota já me chega essa … clinck.

Olha, gripei. Mas gripei mesmo. Comecei com aqueles piquinhos nas articulações, a voz a afundar-se, o latejar nas fontes e rebéubéu pardais ao ninho quando cheguei a casa ao fim do dia já nem me conseguia mexer … estaleiro comigo.
Mas o que aqui pretendo que conste nem se centra nisso mas na cena caseira que se desenrola enquanto me estico (ou encolho, já nem sei) no sofá, com o termómetro debaixo do braço a olhar a TV, e na qual se forma (já não era sem tempo) a minha decisão de voto nas próximas presidenciais. E segue a interrupção de que fui vítima, em discurso directo:
- Oh pai
- Schiuuuu
- Mas pai, sente-se bem? Quer que eu vá chamar a mãe?

Empresto-lhe meia atenção, enquanto pelo canto do olho sigo atento ao inenarrável ‘debate’ entre o Soares e o Alegre.
- Vais chamar a mãe para quê?
- É melhor ir sim. O pai não está bem!
- Schiuuuuu, claro que não estou. Mas agora quero ouvir o debate.

E foi entre as interrupções preocupadas do Diogo e as monárquicas interjeições do Dr. Soares que acabei por decidir o meu voto, que afinal são dois. Na primeira volta votarei M. Alegre, coisa inconsequente e poética já se vê, mas ainda assim o meu contributo para derrotar o reaccionário do Soares, que Cavaco assim logo a entrar, sem anestesia, nem pensar. Despache-se assim o não-boa-pessoa Soares e arrume-se de vez com a personagem histórica que merece descanso e que nestes últimos tempos tão mal tratada tem sido por quem a veste. Depois, segunda volta, e aí já entra aquela coisa do voto útil , e como já é mesmo para tratar de coisas sérias já não há ideologias que atrapalhem, e tudo se torna mais fácil e anestésico: vai lá (o voto) pró Cavaco, que não há mais ninguém para bulir, e já o tolerável amigo Alegre pode voltar para a sua excelência literária com uma vitória moral e assim ninguém se ofende, como ao contrário também não se ofenderia, que isto é tudo irrelevante, desde que não me encharquem com mais debates e comentários aos debates e comentadores dos comentários e postas de bacalhau a saírem a todas as horas nos blogues, etc, e etc e tal. E pronto, ‘tá decidido, primeira volta, o voto político (o meu) no voto poético, mando com o aberrante Soares abaixo e não ofendo a minha consciência em ter de apoiar a esfinge de Boliqueime; vai a segunda volta e pimba no Cavaco, que isto agora é para trabalhar e já nem se discute se o outro é poeta e simpático, porque além disso é poucochinho, poucochinho demais, e depois, como não há mais ninguém, fecho os olhos e já está.

E de lá do fundo a voltar
- Ai vou, vou. Vou chamar a mãe sim. Agora já nem me ouve!
- Que dizes? Ah, vai sim, vai lá chamar a mãe. Diz-lhe que …

Ai, que já me ia esquecendo no meio de tanto delírio gripal. Então não é que eles, com a ligação à realidade que cada vez se reconhece mais aos políticos, continuam a querer dividir o eleitorado em esquerda e direita? Mas que merda é esta?, será que eles ainda não perceberam ao fim destes anos todos, qual é o perfil de quem os elege? Acharão que o pobre e desiludido eleitor português é o colunista que lêem no expresso ao fim de semana e que cita Engels de cor? É como o raio das abstenções e votos em branco que nunca têm interpretação política, pois que a maioria votante que está para além destas guerrinhas esquerda/direita é tratada assim, da mesma forma, como se não existisse. E continuam a insistir num eleitor de intenções ideológicas, capaz de identificar estes dois hemisférios, e a querer-se assumir visceralmente por um deles. Bem sei que não sirvo de exemplo, que faço parte das maiorias de que não vale a pena tirar ilações políticas, mas apetece-me gritar a ilusão do meu voto! Começo com Alegre (mais esquerda não há) e acabo com Cavaco (não conheço direita mais composta que esta), para trás deixei as legislativas onde votei BE (verdadeiro trotskismo de direita) e para a Junta de Freguesia lá ajudei a eleger a malta do PC (o comunismo mais exacerbado que ainda se conhece no mundo) que no que toca a arrumar o bairro já se sabe quem é que o faz bem. E agora digam lá, sou esquerda ou direita? Vale mais a parte onde comecei no PC ou onde vou acabar a votar no Cavaco. Incoerência ideológica? Ah, essa coisa de um gajo dizer que o nosso clube de futebol merecia ganhar mesmo quando intimamente achamos que ele jogou bem pior, é isso? E isso serve como quadro moral para o eleitor também, assim a fazer-se coisa tão importante como a camisola do clube? E só mais uma coisa, serei o único? Sou eu a ave rara no meio disto tudo?

- … Olha, diz-lhe que já estou muito melhor agora!

O ‘aspegic’ começa a fazer efeito. É melhor acabar por aqui …

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:40 PM | Comentários (16)

Finalmente …

ascendes a blog colectivo !!

Cumpre-se a tua tão declamada aspiração, e logo com presença feminina, que isso tem os seus frutos no que toca a ter a casa mais composta. E aqui me trago compadecido, e (arrisco confessar) algo cobiçoso, desse novel estado da horta moçambicana, que assim mais apregoa o degredo da minha involuntária condição eremita, quase monja até.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:13 PM | Comentários (2)

dezembro 14, 2005

Há que não dar abébias

- Ena, mais um “Bom”. Isto agora é que está a dar !
- Mas pai, eu não estou muito satisfeito com isso.
- Não estás? Ah ganda Francisco - vai-te a ele, manda-te para o “M.to Bom
- Ou “Suficiente”, também dá.
- O quê?
- Oh pai, já viu se os espertinhos da minha turma me começam a chamar bombom?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:24 PM | Comentários (10)

E tu Bill, que fazes no dia 30 ?

Embora alugar aí uma casa com bar aberto e discos de vinilo, nem que seja só para ver se este gajo se estica mesmo na dança ou se é (já) só barriga garganta?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:15 AM | Comentários (36)

Check-list

gula, ok
avareza, ok
soberba, ok
luxúria, ok
preguiça, ok
inveja, ok
ira... ira? ... ira ?!!

"A Ira ou cólera é um intenso sentimento de raiva, ódio, de rancor, normalmente dirigido a uma ou mais pessoas em razão de alguma ofensa, insulto etc.
A palavra ira é proveniente do latim "iram". Ira é um sentimento mental e emotivo de conflito com o mundo externo ou consigo mesmo, que controlamos pouco e manejamos pior ainda, deixando-nos fora de nossas acções. Essa explicação quer dizer que a ira é uma emoção que surge na nossa mente devido a um acontecimento especial ocorrido, seja no meio em que a pessoa está ou com ela mesma, diante de alguma situação qualquer. Ou seja, a ira pode reflectir-se tanto contra os outros quanto em si próprio, dependendo de como se desenha o ocorrido. Quando surge a ira, somos tomados pelas emoções de tal forma que perdemos a racionalidade, deixando-nos fora de nosso juízo normal, podendo levar-nos a cometer erros da qual nos arrependeremos posteriormente.
Por ter componentes irracionais, a ira não deve ser confundida com o ódio, que pode atingir seus objectivos destrutivos somente pela racionalidade. A ira é uma explosão forte de um sentimento ruim, proveniente de uma contrariedade, de uma desilusão, de um acontecimento inesperado, de uma inconformidade ou de uma culpa. Essa explosão, quando ocorre, faz o indivíduo perder a noção dos seus actos, fazendo-o agir irracionalmente. Quando muito forte, a ira pode converter-se em ódio, o que faz a pessoa querer, pelo uso da razão, vingar-se e compensar o que sente de ruim, sentindo prazer ao obter êxito. A ira é um sentimento breve, enquanto o ódio pode durar até uma vida inteira. Apesar disso, num ataque de ira, pode-se cometer erros até mais graves que as vinganças movidas pelo ódio, tal o tamanho do seu poder de estimular os ímpetos maléficos de uma pessoa."

[ Não estou agora a ver porque razão terei extraído isto, mas foi daqui, desta torre de babel ]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:59 AM | Comentários (15)

dezembro 13, 2005

Desculparão,

mas ainda que opine em casa própria cometerei a imodéstia de o dizer:  esta lição de bricolagem é infinitamente mais didáctica que esta, e na prática produz um maior enfeite efeito. Poderá é não ser tão útil.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:50 PM | Comentários (4)

E crucifixos ...

( não me posso esquecer também de editar um post sobre crucifixos ! )

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:19 AM | Comentários (4)

Também, quem é que queria um lago natural no meio da cidade?

Havia um tipo, que dava pelo nome de Zé Tuga, que era tão desajeitado que em coisa onde punha as mãos estragava. Dizem que andava sempre com um plaina gigante atrás, à qual chamava carinhosamente ‘progresso’, e era vê-lo abarbatado sobre ela a cortar tudo a eito.

 

Pç. Marquês de Pombal - anos 30  (?)
                 fonte desconhecida

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:55 AM | Comentários (7)

Que belo debate, o desta noite

Quando parecia que um ia cilindrar o outro eis que este se alenta com novos argumentos. Mas depois dei pelo adiantado das horas e foi com muita pena minha que tive de os interromper para os mandar para a cama. Amanhã há escola cedo.

(este é um blog alinhado com as tendências mais audíveis da blogosfera, e se é de debates que se fala, falemos então de debates até ao fastio total ... blerckkk)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:14 AM | Comentários (0)

dezembro 12, 2005

Como criar um blog de sucesso

Reavendo uma rubrica antiga deste blog, vamos hoje tratar de mais uma disciplina da bricolagem, esta com particular utilidade para a construção de uma identidade digital, tão imprescindível nos dias que correm. O leitor será assim convidado a seguir alguns passos que o levarão ao âmago de uma actividade bloguista de sucesso.

1.Comece por criar o blog

clic clic
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Mau, já voltou? Isso quer dizer que não estará a seguir com rigor estas recomendações. Tudo bem, sente-se então confortavelmente e aproveite o melhor possível as restantes indicações que se seguem.

2. O título e o nickname, dois atributos fundamentais

Procure adoptar um nome atraente e que possa despertar um verdadeiro interesse intelectual aos seus futuros fãs. Poderíamos sugerir-lhe a título de exemplo a passarola, a pombinha ou qualquer outro nome assim mais chamativo, mas corre o risco de os ver a todos já escolhidos. Use da sua imaginação, mas não muito, porque ainda vai precisar do que lhe sobrar para os conteúdos (essa é a maior maçada) que vai ter que criar regularmente.

Se pretender ser um pouco mais arisco(a) – sobre o feminino ou o masculino do seu pseudónimo recomendamos desde já que escolha o primeiro, pois está provado que os homens são mais sensíveis ao sentido apelativo dos projectos femininos do que as mulheres no caso contrário; a verdade é que os homens se sentem mais atraídos por conteúdos íntimos criados por mulheres, e as mulheres também. A bisbilhotice aqui não escolhe sexos; aproveite os dois, e o sexo também - verá o quão valioso lhe será este tema. Mesmo que tratado superficialmente, ele tornar-se-á um recorrente termo de busca que levará (na intimidade dos seus PC's) os mais relutantes puritanos da Internet até ao seu blog, pese embora o possam vir a desmentir recorrentemente.

Mas dizíamos nós que se pretender soar de forma mais arisca, deve procurar um nome para o blogue que não seja demasiado evidente: luxúria em brasa, abraça-me toda, ou mesmo um já mais arriscado adoro pirilaus, são hipóteses já um pouco mais explícitas mas que ainda assim não hipotecam o carácter intelectual que possa querer associar ao seu projecto.

3. Não deixe de colocar a sua foto

Claro que o texto pode ser importante num blog, mas não exageremos. Para arrebatar uma babada exigente audiência será seguramente mais importante a imagem que possa sugerir. É fundamental criar um emblema de proximidade, sobre o qual os seus visitantes possam sempre projectar as suas fantasias. Não se esqueça por isso de colocar a sua foto, mesmo que não seja sua. Isso é absolutamente indiferente para os propósitos que levarão até si os visitantes - os internautas têm uma fabulosa capacidade de confundir o virtual com o real, pelo que para eles lhes é indiferente se a foto é verdadeiramente sua. Sobre esta: o tom de cabelo, a postura, o tamanho e forma dos seios, tudo isso são pormenores que ligarão esse caracter com a imagem literária que pretende adoptar. E seja sóbria: evite colocar uma foto de nu integral, ou qualquer outra que possa induzir um ar demasiado lascivo ao seu blog. Não se esqueça que se pretende criar um espaço de interesse intelectual e com claras aspirações literárias. A título de exemplo aqui deixamos esta hipótese:


Repare na preocupação em não apresentar nunca o gratuito das formas femininas, repare também no sorriso reservado, prenunciador de alguma seriedade, evitando que os embasbacados selectivos visitantes confundam o seu blog com outros de menos dignificantes propósitos. Mas isso não deve significar que não possa insinuar ligeiramente alguma exultação e desprendimento, que aqui ninguém está para coisas muito sérias e austeras. Os subentendidos são um excelente exercício de retórica e podem até fazer valer junto das suas alegres visitas mais do que aquilo que vc pode e consegue significar. Deixe correr meias palavras e meias imagens que eles tratam do resto. E sobretudo, nunca os desdiga, ou esclareça, verá como o vazio que lhe é familiar se tornará alvo das maiores fantasias.

4. Traga toda a blogosfera até junto de si

Como?, perguntará agora quando ainda nem sequer editou um único post. Ora, fazendo-se anunciar. A quem? A todos! Não vale a pena estar a linkar este ou aquele blog que provavelmente nem se dará ao trabalho de a visitar. Além disso, se ainda insistisse em estabelecer critérios de linkagem isso significaria que teria de visitar antes cada um dos potenciais blog’s e, mais grave, exercer o seu sentido crítico (que chatice que isso seria já viu). Linque toda a blogosfera! Ok, deixe de fora os blogs estrangeiros, linque só toda a blogosfera nacional. Dará um certo trabalho ao princípio é verdade, mas repare que há um bip bip que vai soar em casa de todos os felizardos que linkou, e que curiosos (estamos sempre a falar das coisas do ego aqui na blogosfera e não há quem resista a visitar quem o assinala) irão certamente retribuir-lhe a visita.

Agora é só esperar que eles cheguem, prepare-se. Oh … ainda não, ainda não! faltam os conteúdos (uma maçada, mas essenciais). Vamos então ver como.

5. Está na hora dos conteúdos

Esta é a parte mais complicada, naturalmente, pois exige ao estimado blogger que empreste o suficiente da sua qualidade literária e, mais grave, que empreste à blogosfera os seus saberes ortográficos (embaraçoso isso, bem sabemos, mas olhe, experimente usar os k's e os X's do telemóvel que assim ninguém repara). Porque esta é uma etapa de grande delicadeza, aqui optaremos por prescindir de expor as nossas recomendações de forma abstracta, para seguirmos algumas boas práticas que poderão por aí ser testemunhadas. De forma a não ferir susceptibilidades (eis outro aspecto que merece a maior atenção mas que só exploraremos no curso avançado de nível 2) iremos trazer um caso anónimo. Saliente-se que continuamos a alvejar um tipo de blog que vai recolhendo um absoluto sucesso por estas lides, como o comprova a forte adesão que todos os dias traz mais devotos e embalsamados entusiasmados admiradores:


E deste exemplo retiremos as excelentes ilações sobre uma prática de sucesso !!

6. Seja sempre cordial e não abuse nos conteúdos exageradamente intelectuais

Comecemos então por analisar a perícia que está por detrás do caso trazido. Irá o estimado leitor reparar como o post usa de uma linguagem simples para que todos o compreendam, e procura abordar assuntos comuns e de interesse generalizado, e como a autora suaviza a sua mais que provável vocação intelectual.

Repare agora como a autora, exímia protagonista deste tipo de blog, procura entrar em discurso directo com os seus fãs, através do género interrogativo que adopta no post, mote este de que se serve para convidar habilmente os seus adeptos a partilharem das suas dúvidas e convicções através da caixa de comentários. É fundamental que o/a blogger evite o pedestal em que os seus babados visitantes a pretendem colocar. Isso poderá manifestar-se uma tarefa árdua devido à libidinosa infinita admiração que os seus visitantes manifestam por si, mas é essencial para que estes possam alimentar a fantasia de um dia poderem até, numa oportunidade de felicidade suprema, vir a tocá-la, virtualmente, claro.

7. Entre sempre em discurso directo com os seus fãs

Repare na forma airosa como a blogger é capaz aqui de se misturar com os seus comentadores, onde há claramente um notório défice cultural. Ainda assim mantém a compostura, tratando o mesmo (na caixa de comentários) com elogiável elegância, e procurando cuidadosamente elucidá-lo sobre a personalidade a que se refere, evitando expô-lo ao lapso.

Numa curta troca de palavras é notória a preocupação da autora em não menosprezar os visitantes mais enfadonhos e que manifestam uma fraca bagagem intelectual. Quem assim actua sabe perfeitamente que o seu blog é algo de significativamente exigente para o comum dos mortais, e por isso manifesta a devida complacência para com as calinadas que lamentavelmente tem de suportar nos seus comentários.

8. Envolva a sua prole de admiradores nos seus dilemas e apoquentações

Claro que será pouco provável que alguém tenha algo a dizer contra este seu projecto cultural, mas o desdém e a cobiça existem por todo o lado não é verdade? Mas caso venha a ser vítima dessas invectivas maldosas não hesite em partilhar a sua indignação com a sua entusiasmada audiência, como é mais uma vez supremo exemplo o caso que aqui trazemos:


Repare então nas felicíssimas expressões utilizadas, no tratamento “mal criadinho” que não sendo ofensivo mantém (até com algum carinho) as distâncias, e isto apesar do execrável e gratuito insulto de que a autora fora alvo. Aqui a blogger terá talvez exagerado um pouco em utilizar palavras complexas como “hemisférico”, mas repare na elegância com que depois até se apresta a explicar a mesma, sem contudo se elevar na sua superior esfera de conhecimentos.

Caso duvide do sucesso deste género de técnica veja como desde logo a autora recolheu a complacência de um seu acólito.

9. Seja exigente consigo mesmo

Não deixe nunca de escrever o que lhe vier à cabeça. Mantenha sempre uma linha editorial consistente e conteúdos de elevada qualidade, e sobretudo não caia em futilidades. Que para desgraça de tão acarinháveis leitores já chegam esses blogs mortiços que por aí proliferam que só sabem falar das mãos a tremelicar do Cavaco, mais a postura olhos-nos-olhos do Louçã ou ainda lançar mera insinuação sobre a atitude menos democrática do Soares, quando não se põem a comentar a cor da gravata operária do Jerónimo, e outras mundanices assim.

E agora não se esqueça de ir por aí visitando todos os blogs que puder e de deixar comentários simpáticos. Bastará um “gosto muito do seu blog, venha conhecer o meu”. Vai ver que como essa simpatia lhe será rapidamente retribuída.

Votos de um grande e longo sucesso, e desforre-se da falta de popularidade que a vida real ainda não lhe quis reconhecer !

Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:32 PM | Comentários (38)

Esta postagem foi removida pelo autor

Acabou de ser banido um post daqui, porque ...

... desta àgua não beberei! ... ou assim coisa que o valha.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:40 PM | Comentários (13)

Mordeduras de blog

A ler os post’s do passado dia 9 …

O devaneio da libido, a impudência, prosápias de adolescente, públicas vaidades, que se adjective aquilo com todos os vitupérios da personalidade, pois que por aí (aqui), desgraçadamente, já se brama o falo e grita-se a virilidade. Vejo a réstia da minha dignidade ser varrida pela vontade alarde do auto-elogio, e logo nesse absurdo que acena com o desempenho dos genitais, essa púbere aspiração que se escreve retardada e sem pejo de me trair. Hoje, a vergonha consome-me, e até o meu ego se ensombra com tanto e tão incauto arremesso de si próprio.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:31 PM | Comentários (8)

dezembro 11, 2005

De onde apareceu este tipo?

Chego ainda estremunhado à casa de banho e dou de caras com um tipo. Meço-o: é novo, magro e relativamente baixo, (não terá mais de 1,65m), e quase imóvel em frente ao espelho  concentra-se a rapar o bigode. Ainda perplexo, dou-lhe assim tempo para reparar na minha presença, e surpreendentemente acabo por receber dele uma simpática saudação. Afinal, a voz não me é estranha, e o cumprimento até vagamente familiar. Já recomposto, lá retribuo:

- Olá filho, bom dia.

Caramba!, ainda dizem que estas coisas do crescer não são abruptas. Como se a descoberta de que subitamente deixei de os poder anichar nos joelhos, e que agora me vejo compelido a dividir com eles o meu território tribal, fosse coisa que pudesse ser suavizada.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:05 PM | Comentários (9)

dezembro 09, 2005

Oferece-se / Procura-se

Que isto de emitir neste éter digital é quase auto-anúncio. São águas passadas, aspirações por cumprir, são gentes que já não víamos faz anos e outros que nunca chegámos a encontrar. A fantasia que se mistura com a realidade, e o de dentro com o de fora. Tudo aqui, mesmo o desconhecido, ganha foros familiares e nostalgicamente remotos. E mesmo quando só o parece, por vezes é !

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:10 PM | Comentários (4)

O que é isso de “admirável, sã e virtuosa performance sexual” perguntam agora

Quer tão simplesmente qualificar um desempenho sexual pujante, concretizado durante um prolongado período de tempo, mas praticado exclusivamente na posição de missionário.

Pelo menos em parte da blogosfera e em todos os recatados e públicos espaços é assim. Quanto ao resto, outras ninharias da intimidade, continuaremos com a mesma franqueza.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:50 PM | Comentários (6)

Glup … quero dizer, pretende-se proceder a um esclarecimento

Aquela coisa que digo ali em baixo sobre a minha sexualidade … era só para esclarecer os leitores que essa aberrante parte do texto é, curiosamente, o único trecho em que não falo absolutamente verdade. Por acaso sempre tive uma saudável sexualidade: nunca tive nenhuma ejaculação precoce, não vejo nem nunca vi filmes pornográficos, do viagra nem lhe sei a cor azul, fiz sempre sexo com preservativo e nunca tive fantasias com duas mulheres na cama.

O medo, a mentira ou a traição, isso são tudo ninharias da nossa natureza, fraquezas com que um homem se pode até declarar publicamente. Agora não iriam acreditar que eu viesse para aqui expor enredos mais desventurados da minha latitude sexual pois não?  … que aliás, felizmente, nunca tive, repito, nunca tive !

Admito até que algo idêntico se passará com todos aqueles que como eu, e com igual franqueza e honestidade, (e semelhante conformidade sexual, insisto nisto), se entreguem por aqui a confissões públicas (que raio me terá passado pela cabeça camandro) desta natureza. Até porque não vi ainda ninguém na blogosfera declamar qualquer tipo de idiossincrasia sexual … ou outra qualquer lamentável singularidade que transcenda o seu íntimo, esse sim, corriqueiramente clamado.

E pronto, era só isto, só para confirmar que apesar de cobarde, mentiroso, traidor e coisas assim que sou, no tocante à minha questão sexual, detenho uma admirável performance, coisa essa aliás sã e (sublinho) virtuosa.

Ufff

(raios partam este blog)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:20 PM | Comentários (9)

ou dito por quem sabe: de bom e de vilão todos temos um pouco *

* Somos feitos de fragmentos que chocam entre si, pequenos asteróides em órbitas incoerentes, trechos de um passado que teimamos em juntar ao redor de uma enorme ilusão egocêntrica

Repartíamos o orgulho de termos tirado a melhor nota. Dele não sabia nada a não ser que viera do Douro interior para fazer por cá o exame nacional e que agora que soubera as notas lá voltaria para ajudar o pai nas vindimas. Estendia-me que ainda assim se demoraria mais dois dias pela metrópole, que mal conhecia, e que bem podíamos … quando me pediu o telefone, pensei que não tinha nenhum sentido que nos viéssemos a encontrar, mas não lho disse. Dei-lhe o primeiro número que me veio à cabeça.

-//-

Na frente corríamos todos que nem loucos. Quando o vi atrasar-se, com um corpinho ainda mais miúdo que o meu, e a ser envolvido por aquela multidão furiosa, estanquei o passo e fiz-me ao seu lado. Ainda levantei a voz enquanto o escondia por trás das minhas costas … depois levei com uma paulada na cabeça, e passei a gozar da fama dessa ousadia.

-//-

Por duas vezes me perguntou se aquela revista ordinária que estava caída no quintal não era minha. Por duas vezes lhe disse que não. E avançava que tal descuido e com irmãs mais novas por ali sempre a brincar … e eu mantinha que não. Sabia quase as páginas de cor. Nunca me ocorrera que pudesse rebolar do telhado para onde a tinha atirado. Por duas vezes me perguntou, e por duas vezes renunciei a consenti-lo. A fúria da minha sexualidade adolescente tornou-se uma prática obscura e condenável, e durante anos culpei-o a ele.

-//-

Escutava no quarto ao lado o estertor das chineladas. Ainda me corriam as lágrimas puxadas da zona das costas onde antes ele me enfiara uma biqueirada. Tudo começara por uma teimosia minha, ele a fazer-se de irmão mais velho e eu como sempre a desafiá-lo. Ouvia-o agora em choros aflitos ali ao lado e ainda me ocorreu intervir, dizer que a culpa era também minha. Em vez disso, deixei-me ficar consolado com um sorriso traidor.

-//-

Quando jovem tive um barco à vela. Aparelhei-o e desaparelhei-o vezes sem conta. Numas zarpei, nas outras olhei o mar e fingi ter perdido a palamenta.

 

( e agora, Eufigénio, já podes fazer de pai virtuoso se ainda assim o entenderes)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:20 AM | Comentários (16)

dezembro 07, 2005

Oh Cristianinho

Vai tu !!!

fuck_you.gif

Só por isso já me congratulo que a coisa tenha caído para o lado do Benfica.

Mas só por isso! Parabéns oh lampiões

 

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:56 PM | Comentários (12)

Memórias Frágeis

Tão d’outrora. Tão cristalinamente reconstruídas. Tão saudosamente repercutidas.

A vetustez a comemorar-se ?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:38 PM | Comentários (5)

dezembro 06, 2005

Porra pá, arranjaste-me um 31 !!! Tu mais os teus conselhos...

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:40 PM | Comentários (11)

Porque é um lúcido e avisado conselho, para aqui trago comentário ao post debaixo

São amigos assim que importam quando um homem, mesmo que por breves instantes, se deixa esmorecer. Comovido, agradeço teres-me trazido à razão de novo:

“Florzinha de estufa... é o que tu és. Homem que é homem quando se levanta, pisa a trampa do gato, dá um pontapé no gato, uma lambada na mulher, um calduço no puto, sai porta fora, pára na primeira tasca, bebe uma ginja e vai trabalhar.
Qual ardor, qual carapuça!”

Obrigado Bill, não voltará a acontecer.

Eufigénia !!!!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:28 PM | Comentários (0)

Mais dúvidas numa manhã já inevitavelmente perturbada

Poderá alegar-se dispensa do trabalho devido a indisposição provocada por indução do regurgitamento de um gato? Pode-se provar clinicamente que o ardor que era sentido na base do pé se desenvolveu comichosamente até á zona abdominal e que aí se tem feito sentir estimulando um forte efeito de náusea que indispõe o trabalhador para o uso pleno das suas capacidades profissionais? Poderá complementarmente evocar-se que o colaborador manifesta forte ansiedade ao pensar que se o vomitado pode ter este efeito nele poderá então neste momento estar a corroer-lhe o soalho de surupica? O atestado veterinário serve como documento comprovativo e justificativo da ausência ao trabalho? Que horas são, ainda falta muito?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:30 AM | Comentários (4)

Dúvida numa manhã ainda não concertada

Poderá o vomitado de gato, mesmo depois de lavado … não sei, talvez pela acidez … provocar uma sensação de ardor na planta do pé?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:05 AM | Comentários (9)

Se o dia começasse logo adernado a culpa seria do gato que se julga vegetariano

Ainda enrodilhado no calor mole da cama, lá me ia tentando fazer esgueirado, aos poucos, morosamente, e muito criteriosamente, do fim anunciado do sono. Lançaria então uma perna para fora do edredon, a hastear-se no ar gélido da manhã, como quem vai procurando a dose férrea de vontade para prosseguir. Mas tudo bem, quer-se que o acordar de Inverno se faça por etapas, entre as quais nos vamos revelando à sua realidade glaciar. Mas por enquanto mantinha-me dentro do casulo da noite, só a perna se adiantando, e eu voluntariando-me nela para assim me retirar ao sono. Baixava-a depois então, articulando o joelho, ela descrevendo um arco até que o meu pé quase tocasse o chão. Mas no último instante iria fazer uma ligeira rotação do corpo, o suficiente para desviar a zona de assentamento no tapete por escassos milímetros, apenas o razoável para não pisar … o vomitado no chão. Por isso nunca iria ouvir um flckkkssh, nem iria sentir o desconforto daquela golfada viscosa e fria a espremer-se na planta do pé. Nem iria sentir nenhum arrepio de nojo a estropiar-me a ainda estremunhada consciência, essa que requer indolentes minutos sem qualquer dissabor idiota que a interrompa, até que se disponibilize completamente para o dia. Ora, nestas circunstâncias, absolutamente naturais, em que nada de estranho se terá ainda passado, não encontraria então nenhuma razão que me obrigasse a ir num pé-coxinho irritado a caminho da casa de banho, enquanto praguejaria nauseado pelas várias assoalhadas da casa.

E nunca me teria ocorrido, nestas circunstâncias naturais, repito, bater com a porta da rua. Provavelmente sairia até trauteando os emerson lake & palmer, desafiando com o meu desajeitado dote o sossego próprio da manhã. É pois claro que no hall do prédio nunca se teria ouvido qualquer estrondo, que isso nem teria sentido, mas tão só a alegria com que ia cochichando piadas sobre o despertar esgrouviado do Francisco. E é também evidente que nunca haveria de me lançar escadas abaixo vituperando coisas sem importância ao infeliz miúdo.

Isto claro, se não houvesse um gato preto zarolho lá em casa que passa a noite a comer as folhas das plantas.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:17 AM | Comentários (14)

dezembro 05, 2005

Vitriolica Webb’s Ite

Este blog onde por vezes me refugio para desfrutar de traços como este,
madge1.JPG

 

é o vasto e admirável mundo da criatividade da Madge


madge3.JPG

e é,

justamente,

candidato a melhor blog europeu do ano.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:41 PM | Comentários (3)

Retractação

Caros leitores e comentadores (os poucos que restam …rs):

O post debaixo não pretendia ser um descarado convite aos v. comentários. Até porque para os mesmos, mandam as regras da minha boa educação …cof, cof … terei de ter a disponibilidade de retribuir, o que nos tempos de azáfama que por aqui correm é deveras um impeditivo de ordem prática.

Era apenas um daqueles bocejos de trabalho que por vezes se largam aqui, que aliviam mas que, não poucas vezes, trazem agarrados à escrita embaraçosos pensamentos. Não que os pensamentos sejam embaraçosos, entenda-se, só o são quando os formalizamos sem o menor cuidado na interpretação que outros deles fazem.

E prosseguindo dentro desta linha de raciocínio aloirado devo até acrescentar que, aqui onde me sento, e tendo presente as continuadas críticas que tenho tratado provindas do lado direito, os comentários que me chegam pela frente, e as observações que me alcançam do lado esquerdo, e já que nem sou capaz de imaginar o que se comenta por trás, considero até que este blog está um sítio muito sossegado e aprazível, assim descomentado como tem andado.  

Fica então feito o reparo editorial  

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:45 PM | Comentários (4)

Algumas anotações sobre (a falta de) comentários

A produção de comentários está directa e proporcionalmente associada às cavalgadas de que deixamos rasto em outros blog’s. É afinal e acima de tudo mera transacção de simpatias entre blog’s.

Bem, excepção talvez aos blogochats, ou aos blog’s onde costumo ler grandes textos, mas nesses normalmente não são permitidos comentários. Ok, eu redijo de novo, os comentários que recebemos aqui têm a ver directamente com o número de comentários que deixamos algures. A não ser que se trate de um bom blog.

Isso não devia importar a quem escreve um blog que se arregimenta em pensamentos pessoais, distorções da escrita e episódios caseiros. Neste blog tenho dito que é o escrever que me apraz. Mas importa.

Ver a caixa vazia após um post faz-me sentir como naquelas situações em que vou à conversa com alguém pelo passeio, e acabo de dizer algo que me parece interessante. Olho então, disfarçando algum orgulho nisso, para o meu companheiro do lado, e descubro que este ficou lá atrás a apertar o sapato.

Ao princípio julguei que conviveria mal com os comentários, agora vejo que convivo mal sem eles. Será que deixei de ser o autor de um blog centrado na escrita, para me tornar um ‘balconista’ sedento de vender rifinhas?

Já pensei em comentar como anónimo aqui neste blog. Deixava passar uns tempos até me esquecer disso, e depois já poderia responder com o entusiasmo que isso me daria. Mas receio que possa enquanto comentador ser demasiado agreste.

É lamentável como nos habituamos a só fitar a superfície das coisas. Este blog tem algumas centenas de visitas por dia (outra ilusão). A maior parte dos seus leitores não comenta nem nunca comentou. Contudo, o facto de agora ter menos comentários, afinal a manifestação (ou falta dela) de uma pequena minoria dos seus leitores, traz-me a distorcida sensação de não ser lido.

Por outro lado o facto de não ter comentários dá-nos uma sensação de impunidade, de invisibilidade, que é bom recato para se poder escrever levianamente todos os disparates que nos ocorrem, como estes aqui por exemplo.

E pronto, assim sobre experiências importantes e umbilicais não me ocorre mais nada para dizer agora.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:00 PM | Comentários (21)

Pois, faltou-me a bica ao almoço

A boa ceia saboreia-se com o digestivo, o livro resolve-se na última página, a travessia conclui-se no porto. O nosso lado carnal deleita-se na forma verbal das coisas: o comer, o ler e o partir, todo esse fluir que as torna tangíveis. Mas na verdade, não é isso, o caminho das coisas, que admiramos. É o seu fim, o fim das coisas perenes.

Também não somos verdadeiramente capazes de amar algo que perdure para além de nós, nada que não caiba dentro de nós. É porque lhes pressentimos um fim que as amamos. Esse fim que as torna admiráveis aos nossos olhos, como se o amor afinal se resumisse a um breve instante final, ao qual queremos insaciadamente chegar.

Há em todos os homens essa contradição de procurar o mais das coisas que ama no que delas ainda não tem. Há em todos nós essa violência com que precipitamos tudo o que amamos no abismo do seu apogeu, depois do qual as perderemos definitivamente.

Como se amar não fosse o caminho, mas o desespero de um destino que não chegámos verdadeiramente a ter.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:51 PM | Comentários (2)

dezembro 02, 2005

Um pastel de nata demasiado viscoso

Ontem, enquanto tentava disfarçar o terror de tragar mais um incomestível bolinho sob o olhar atento e enternecido da minha avó e preparava já os meus óbvios e abismados elogios, lembrei-me dele, do T, e daquela inesquecível cena de antanho, numa festa de anos, num 8º andar lá do bairro.

As festas de aniversário naquela altura eram usufruídas como oferendas de fartos lanches e pouco mais. Serviam essencialmente para guarnecermos a barriga e forrarmos os bolsos com reservas que transportávamos depois tão rápido quanto possível para a rua, onde, aí sim, se desenrolava toda a acção relevante. Claro que essa voragem arrasadora com que nos apetrechávamos, nunca permitia grandes hesitações sobre o que nos vinha à mão, e depois à boca, e por vezes daí vinham agruras.

Ocorria assim por vezes uma ou outra vítima mais desprevenida ver-se surpreendida com um pedaço menos tragável do festim. Fora aqui ao T, moço expedito, a quem coubera a má sorte de inaugurar os pastéis de nata, os quais, aparentemente, nem para os nossos pouco exigentes palatos teriam proveito. E lamuriando-se de tal azar, atrapalhava-se no inventar a melhor forma de se aliviar do estorvo de tal carga. Angustiado, rodava a cabeça de um para o outro lado em demanda de esconderijos, e depois, em passo matreiro, cirandava pelos sítios menos conspícuos da sala com o propósito de se poder desfazer de forma desapercebida do intragável pastel, esse acidente gustativo que entretanto o impedia de prosseguir no repasto.

Entretanto o horroroso bolo - quase por inteiro ainda, a menos de uma interrompida dentada - escorria-se na sua mão. Tentou largá-lo primeiro num canto de uma mesa baixa, mas logo lhe saíram à atenção um “oh menino que não se faz isso à comida”. Depois num outro flagrante, e logo pela mãe do aniversariante, repreensiva, a olhar para o montinho de smarties com que o tentara esconder ao lado das limonadas. Afinal, aquela operação de descarte, tão vezeira e pacífica de se resolver normalmente, fazia-se agora um incomodativo e frustrado contratempo. Nada lhe estava a sair bem, e o borrachoso pastel de nata, tão rápido quanto se aliviava da mão que o segurava, assim voltava, de cada vez mais esbodegado e pegajoso, de cada vez mais incomodativo.

Por cada tentativa que arriscava para se folgar de tal contratempo, logo um adulto lhe saía a caminho. E por isso, da vez seguinte, mais olhos o policiavam, e mais árdua se tornava essa sua tarefa. Ora, posto isto, até o desembaraçado T teve de capitular, já receoso que tantos flagrantes pudessem vir a constituir-se em mais provas da sua grosseria, mais tarde, junto da sua progenitura. Assim, e vendo-se alvo desta apertada vigília, depois de mais duas ou três trajectórias cruzadas pela sala com que ainda supôs iludi-los, acabou por se acercar de novo junto de nós, que entretanto nos agrupáramos junto ao enorme envidraçado da sala. Lá se foi acomodando à roda que ali fazíamos, escolhendo o lado do vidro para, encostado, se deixar indolentemente ser visado pelas nossas observações e risos trocistas. Vencido, cerrava nas mãos que agora se cruzavam nas suas costas o mal de todo o seu incómodo, e por ali se deixava ficar, cabisbaixo, deglutindo estoicamente a chacota que cada vez se tornava mais ruidosa, mas mantendo negar-se a fazer o mesmo com o estuporado pastel de nata.

Sustinha-se assim este hilariante ambiente quando subitamente todo este alvoroço se viu interrompido por um enorme estrondo. Um estrondo forte, um shmaaacck primeiro, que depois se perpetuou por uns instantes em vibrações mais roucas, e que distintamente provinha do local onde estávamos, junto à janela. Saltam alguns de nós para o lado, assustados, e quedam-se todos os restantes confrades. Todo o festejo, por um momento, se interrompe. De todos os lados provinham olhares perplexos, que incidiam sobre nós. Ainda hoje me rio desbragadamente ao recordar a cena: Um silêncio profundo. A mãe do H fitando-o furiosa, e o T, enrubescido, a balbuciar baixinho, a desculpar-se inutilmente de que não tinha reparado que a janela estava fechada. A cara dele, enrubescida de vergonha, e por trás dela, numa descida pegajosa da qual se iam soltando pequenos nacos de creme, o pastel de nata a escorrer lentamente ao longo da enorme vidraça, largando um viscoso rasto amarelo.

O T. é hoje homem importante numa dessas multinacionais da alta-fidelidade, pelo que acredito que tenha tido mais sorte do que a que lhe sobrou naquela tarde. Ou talvez tenha descoberto que até as pequenas batotas requerem que se estude bem o terreno em nosso redor. Volto aos dias de hoje. Constato que ainda tenho o borrachão na mão. Depois olho carinhosamente para a minha avó e, num único impulso, engulo o borrachão que me tinha sido oferecido, e de imediato o chá todo, a uma só vez. Custa menos o sacrifício de um “humm, que delícia” do que a trigésima tentativa de lhe explicar que não gosto daqueles bolinhos duros feitos com aguardente. Até porque aqui onde me encontro, não há janelas nem vidraças, felizmente.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:35 PM | Comentários (9)

dezembro 01, 2005

Estendendo a pressa pela vida

Que horror

Já é dia 1 Dez. 2005

E eu ainda com tanto por fazer !

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:06 AM | Comentários (2)