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novembro 29, 2005

O teste de inglês: Insuficiente, ele. Eu, medíocre.

Ontem desviava os olhos de mim. ‘Que se passa Francisco? ’ E ele claramente consternado a tentar explicar-se pelo silêncio. ‘Já recebeste o teste, foi isso? ’ e poupando-lhe os dizeres ‘então vai lá buscá-lo, se fazes favor’. Voltou com ele tremendo-lhe na mão, e a deixá-lo pela ponta, como quem daí escorre vergonhas. No mesmo instante em que lhe tomo o teste, subitamente, lança-se num choro. “Insuficiente mais”. A primeira negativa dele, creio. E logo a inglês, que ele julgava saber, que eu sei que ele sabia, eu que até lhe testemunhei o empenho, quase orgulho meu ao vê-lo entregar-se à leitura de um livro escrito em inglês, ‘para treinar’ dizia então brioso. Haveria ali mais do que o desagrado pela negativa, provavelmente porque descobrira assim o amargo sabor do insucesso, essa desconfortável sensação de incapacidade que lhe esparramou no orgulho um insuficiente em troca do esforço em que se tinha empreendido. E eu já acolhendo-o nessa desilusão, que mais desagrados desses haveria de ter, e que não era caso para estar assim, que haveríamos de recuperar aquela nota, e que eu nunca o repreenderia pois sabia que se tinha preparado e …e … a forma como ainda se encostava à parede, minguando-se, e como olhava de viés e media a distância de mim. Não, não era apenas a infelicidade e a sensação de injustiça que o perturbavam. Havia também o temor - era eu, a minha severidade, o que ele ali mais receava.

Ontem, logo no mesmo dia, tivemos os dois uma negativa.

Publicado por Eufigénio Lagoa às novembro 29, 2005 10:42 AM

Comentários

Não me parece que tenhas tido um medíocre. Parece-me, aliás, que os dois, Encarregado de Educação e Educando, tiveram Muito Bom no modo como encararam a antipática classificação. A maior parte das vezes esquecemo-nos de educar os nossos filhos para os inevitáveis insucessos de modo a que o coraçãozito (estima, em linguagem de escola!) não sofra assim. Nem imaginas o que me dói, a mim, que nem sou mãe deles, quando eles se esvaem em choro por causa da maldita classificação. Eu também já estive do lado deles e sei que é duro estar perante os outros com a vergonha do mundo todo e da vida toda. Como se um teste valesse isso!
(Também tenho os outros que não ligam nenhuma. Mas esses, normalmente a vida já se encarregou de os calejar para as notas dos testes de Inglês!)
Um beijo ao Francisco. Um beijo para ti também.
Desculpa esta converseta de jeito profissional, ams eu atmbém sou mãe/EE profissional... Sei o que dói!

Publicado por: madalena em novembro 30, 2005 09:15 AM

Obrigado Madalena pelas tuas palavras, aconchegantes. Mas nota que o cerne do meu lamúrio não se prende com a classificação e as nossas reacções à mesma, prende-se sim com a classificação e a sua (dele) reacção a mim. Isto está para além desses pequenos (in)sucessos escolares, é coisa que provem da nossa própria relação (quando mete estudos) e que ... me assustou (eu assusto?, assusto-me!, nesta se calhar excessiva severidade?, a pensar ... )

Publicado por: Eufigénio em novembro 30, 2005 09:24 AM

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