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outubro 24, 2005
As palavras que escondem
No portátil tenho aberto o Instant messaging da Empresa. Por detrás dele o portal de informação com as novidades do dia e com um fórum de desenvolvimento de temas e ideias. Claro está que para além desta janela tenho sempre o Outlook aberto com o meu e-mail profissional, se bem que com um click possa ainda aceder a duas outras caixas de correio, estas pessoais, que são outras gentes e outros os motivos aí. E depois ainda há o telefone, como sempre, à esquerda na secretária, descansando agora. Mas só este, que lá no canto, o outro, o telemóvel arrelia-se agora de dentro do bolso do casaco. Para cada intuito, e conforme a pessoa que se pretenda ‘avistar’, há um meio que me fará lá chegar, seja em voz ou escrita.
E contudo, ao fechar de cada dia, sinto sempre que houve conversas que ficaram por haver, e que as palavras que verdadeiramente interessavam nem chegaram afinal a ser escritas, e que todas as coisas simples, desnecessárias, sem lugar neste atropelo de mensagens, se tornaram fúteis.
Será que com tanto para chegarmos onde quisermos, quando quisermos, como quisermos, será que assim tão ‘próximos’, desaprendemos a palavra sã?
Publicado por Eufigénio Lagoa às outubro 24, 2005 10:48 AM
Comentários
Tens toda a razão, Eufigénio.
Quando a comunicação era mais dificil, não se desperdiçavam palavras.
Hoje em dia, ao toque do telemóvel, a primeira coisa que ouves é "Onde estás?". Nem precisam de se identificar, porque o visor indica.
Bem, ainda há quem diga "Bom dia".
Publicado por: Karla em outubro 24, 2005 11:59 AM
Eufigénio,
"Sã" saiu completamente do nosso dicionário. Temos formas cada vez mais eficientes de comunicar, e cada menos capacidade para conseguirmos - efectivamente - comunicar.
Em termos de trabalho, apesar da quantidade absolutamente ridícula de interrupções com que se tem de lidar, penso que se comunica mais rapidamente.
Por outro lado, em termos pessoais... há cada vez mais dificuldade de se comunicar cara a cara.
"Another brick in the wall", como cantavam os Pink Floyd. Nunca foi tão verdade.
Publicado por: rjm em outubro 24, 2005 01:16 PM
Pois é isso mesmo, confundimos a facilidade e acessibilidade com a espontaneidade e a genuinidade (e há coisas tão simples de dizer que nem precisam de "gadgets")
Publicado por: Eufigenio em outubro 24, 2005 01:23 PM