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outubro 28, 2005
Cresce em mim um perturbante sentimento de desapreço para convosco sempre que aqui venho e deparo com vários visitantes ‘on-line’. Admito que alguns até estejam neste momento a viajar pelas catacumbas deste blog (como sucede comigo; e que gozo isso me tem dado), mas outros haverá que ainda desprevenidos - por falta de explicação da minha parte - estarão agora a procurar compreender o vazio desta página.
Por razões que me abstenho de justificar esta é na verdade uma suspensão por tempo indeterminado*, assumida de forma abrupta e deselegante, porquanto me terá falhado não vos ter explicitamente informado disso. Fica aqui o reparo, em forma de esclarecimento e desculpa.
Boas leituras
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:14 PM | Comentários (13)
outubro 27, 2005

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:16 PM
outubro 26, 2005
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:15 PM
outubro 24, 2005
Na blogosfera ou fora dela - Há coisas que um homem não aprende nunca
Deus me livre se me volto a meter com um blog repleto de mulheres (14 ?!!) – e não, não vou linkar, posso ser um imberbe inocente mas não caio duas vezes no mesmo erro.
Eu a julgar que era só uma gracinha, e fica aqui um comentariozinho que é simpático, e … pimba, toma lá pinhões! Um menino, é o que eu sou. Tanto treino e ainda … Menino!!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:45 PM | Comentários (8)
Do sexo - estereótipos femininos que irritam e logótipos masculinos que envergonham
Diria que há outro tipo de homens para além desses que apenas anseiam pelo que está entre as pernas de uma mulher … por muito que isso custe reconhecer às mulheres que reduzem o sexo oposto a um exclusivo e permanente desejo de sexo-seja-lá-como-fôr. Serão estas apenas as margens, as duas margens opostas, e só lamento que não possam elas saborear a água que corre pelo meio do rio, esse belo caudal do prazer. (hoje ando cheio de alegorias; deve ser para esconder alguma irritação sei lá)
Ei!! … fora dessa guerra insana de papéis truncados do tipo “energúmeno-vítima” há muito mais e melhor que isso. O verdadeiro sexo por exemplo, a dois.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:52 PM | Comentários (13)
As palavras que escondem
No portátil tenho aberto o Instant messaging da Empresa. Por detrás dele o portal de informação com as novidades do dia e com um fórum de desenvolvimento de temas e ideias. Claro está que para além desta janela tenho sempre o Outlook aberto com o meu e-mail profissional, se bem que com um click possa ainda aceder a duas outras caixas de correio, estas pessoais, que são outras gentes e outros os motivos aí. E depois ainda há o telefone, como sempre, à esquerda na secretária, descansando agora. Mas só este, que lá no canto, o outro, o telemóvel arrelia-se agora de dentro do bolso do casaco. Para cada intuito, e conforme a pessoa que se pretenda ‘avistar’, há um meio que me fará lá chegar, seja em voz ou escrita.
E contudo, ao fechar de cada dia, sinto sempre que houve conversas que ficaram por haver, e que as palavras que verdadeiramente interessavam nem chegaram afinal a ser escritas, e que todas as coisas simples, desnecessárias, sem lugar neste atropelo de mensagens, se tornaram fúteis.
Será que com tanto para chegarmos onde quisermos, quando quisermos, como quisermos, será que assim tão ‘próximos’, desaprendemos a palavra sã?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:48 AM | Comentários (3)
outubro 21, 2005
Há memórias que não se escrevem
Por vezes escrevo para me deixar conduzir numa viagem às minhas memórias. Coisas lá deixadas pelos outros, do eu que fui com eles. E quando escrevo chego a apoderar-me de alguns gestos seus – alcanço-lhes até a forma das mãos nas conversas mais arrebatadas, ou um tique no andar, as hesitações no rosto antes de uma inconfidência – e aos poucos, nessas pequenas coisas os vou reencontrando. E porque continuo a escrever, vai-me chegando mais deles, e com o que me chega recomponho fragmentos das nossas conversas, e com estas, meticulosamente, interligo e reconstruo alguns dos momentos que passámos juntos. Escrevo porque consigo criar a ilusão de os visitar.
Hoje apetecia-me escrever sobre ele. Mas não o vou tentar. Aliás, faltou sempre o texto que eu poderia ter escrito sobre ele, e acho que o vou deixar sempre por escrever - há em mim um diálogo interrompido que não se troca por saudades, e que não ouso reinventar, que trazê-lo para mais perto era perdê-lo, mesmo que assim incompleto. Há coisas que vivem apenas na dimensão das coisas que se sentem. São lugares que não se escrevem. Na minha infância, lá onde vive, e agora comigo, e nos meus filhos, no que eu quero ser com eles, e assim no meu futuro. Em todos estes lugares o sinto presente, nestes lugares que não são só meus. Por isso nunca os saberia escrever sozinho.
Hoje apetecia-me escrever sobre ele, mas não sei, e acho que não o quereria saber.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:55 PM | Comentários (9)
outubro 20, 2005
E para acabar o dia sem aulas deste blogue… ufff … último episódio
A adrenalina do escrever num blogue
- Oh pai?
- Ainda acordado Diogo! Que é?
- Acha que as suas amigas lá do blogue gostaram da minha lengalenga?
- Não sei. Amanhã pergunto.
- Oh pai?!
- Diogo vê se dormes! Já é tardíssimo.
- ‘Tá bem, mas oh pai?
- Que ééé ?
- Acha que eu vou sair no jornal?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:58 PM | Comentários (5)
Isto hoje tornou-se ...
... um verdadeiro babyblog !
Já agora aproveito para lançar o Aviso: Este blogue encontra-se temporáriamente ocupado por crianças de tenra idade. Agradece-se o conveniente comedimento. Obrigado 
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:40 PM | Comentários (8)
Lenga-lenga de uma tarde sem escola

Ficou linda Diogo, as duas últimas frases então, ui ui
e vês, a tarde passou-se num instante ! ![]()
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:35 PM | Comentários (5)
Para o Diogo (que hoje não tem escola)
Os outros meninos grandes da internet também podem ver se quiserem
É muito chato hoje não haver escola não é? Nem sequer deve dar muito jeito estar a brincar por aí, eu percebo. Mas olha, hoje depois de deixar o Francisco fui dar uma volta pelo hiperespaço (não sabes o que é? dicionário então) e tirei estas fotos para tu veres:
Clica aqui para veres estas fotografias
Pronto está bem, estava a brincar! Estas foram tiradas quando fui de férias até ao infinito … ah ah ah
Ei, ainda não acabei! Agora vem a parte mais chata. Não te esqueças que me prometeste outra redacção hoje. E desta vez não vale contar que gostas muito de ir à ‘worten’ comigo. Não pode ser sobre “coisas electrónicas”. Tem de ser sobre alguma coisa que aconteceu ou que finjas que aconteceu, ok?
Dá um beijinho à mãe por mim
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:10 PM | Comentários (7)
Dormir(es) como uma pedra
- Então meu querido, ainda dói a perna?
- Nãooo … estou com sono
- Bem sei, mas são horas de levantar. Então … mas do trambolhão do beliche … já não sente nada?
- Que trambolhão pai? Eu não caí?
- Mas não te lembras? Ontem à noite, caíste daí de cima … um estardalhaço, um berreiro, puseste a casa toda em alvoroço?
- Oh, O pai está a gozar comigo
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E este é dos dois o que tem o sono mais frágil. Uma vez, aí há uns 4 anos, acordámos com um enorme estrondo também, como ontem. Não foi imediato perceber de onde tinha vindo esse barulho, aliás porque nada mais se sucedeu. Quando passámos pelo quarto dos miúdos tudo nos pareceu calmo, menos … faltava o Francisco; a cama de cima do beliche estava vazia! A estranheza e depois algum pânico, acabou por dar lugar à nossa estupefacção: o miúdo encontrava-se enrolado no chão por baixo do beliche, num sono profundo. Vá lá, pelo menos ainda se tinha feito deslizar aí uns 50 cm da zona de embate da queda.
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Eu nunca fui assim como eles. Era até bem mais sensível ao despertar; por exemplo, ao contrário deles, conseguia ouvir o despertador. Só que depois dos meus insistentes: Está lá? Estouuu! Está lááa??, e porque ninguém respondia do outro lado, acabava por largar o sapato e enroscava-me de novo no travesseiro. Mas isto são maledicências lá de casa dos meus pais, coisa que não posso asseverar pois desconheço que alguma vez tenha feito tais figuras.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:25 AM | Comentários (15)
outubro 19, 2005
Mulheres, blogue S.A.
Devem haver vários motivos que levam à constituição de blogues colectivos e à definição do seu conteúdo temático. Bom, na verdade a generalidade dos blogues colectivos começa por nem ter exactamente aquilo a que se pode chamar de conteúdo temático (e há blogue que tenha?) embora acabe por resvalar para a questão política, mas pronto, mantêm alguma universalidade na constituição do seu elenco. Bem, pensando bem, a verdade é que o tonzinho político dominante acaba por fazer as suas vítimas acabando por ‘unanimar’ o seu elenco redactorial. Mas pronto, aparte esse aspecto, nada mais encontramos nas características dos seus membros que seja uma qualidade determinante de selecção, e com mais ou menos amplitude nas suas preferências clubistas, e no seu género linguístico, encontramos por lá gente mais nova e mais velha, de perto e de longe, homens e mulheres (atentemos aqui neste pormenor).
Mas, e se o critério de selecção, a constituição desse blogue a várias mãos, implicasse que os seus autores fossem todos mulheres, como seria esse? Se deixarmos de fora deste exercício os blogues escritos por mulheres mas de conteúdo comum, universalista, diarístico, intimista, humorista, seja lá o que for - afinal com as mesmas idiossincrasias de todos os outros blogues - ainda assim, sobram dois tipos de blogues marginalmente “femininos”, e cujo teor pode ser extrapolável e (assustadoramente) magnificado para o que seria um blogue colectivo de mulheres. Sigo então por aí e invoco esses tipos de blogues que se assumem com tendência claramente feminina na sua escrita e no seu conteúdo.
No primeiro tipo, temos os baby blogues, mera necessidade fisiológica que eu respeito embora não tenha nenhuma curiosidade especial em saber se o bebé-mais-bonito-do-mundo já faz gugudádá. Se exceptuarmos honrosas excepções, sobre as quais confesso a minha vigília diária e enternecida sobre o que por lá se escreve, pensar num baby-blogue colectivo é resvalar para a terrível imagem de uma creche de palavras e fraldas, decorada com impulsivos e sensibilizados comentários de mães extremosas que dispensam vaidosamente os seus conselhos a torto e a direito.
Depois há os do outro tipo, mais guerrilheiros, emancipados, normalmente até com um picantezinho, embora não dispensem as habituais ‘cusquices’ que trazem da vida real. Nestes, um dos temas predilectos são os homens, esses animais produzidos em série, descuidados, ingénuos e desatenciosos e que têm por único fito dar quecas como quem lê o “record” e deixar o lençol de banho esparramado no chão da casa de banho. Mas faça-se justiça, há neles uma diversidade de conteúdos bem maior do que nos monocórdicos baby-blogues. Um blogue de mulheres constituído neste quadro mais aberto, provavelmente versaria diversos assuntos de interesse universal, como por exemplo: os tampões e as dietas, os temores da adolescência e os namorados imberbes que não deixaram saudades, os filhos pois claro, e os homens de que não há muito mais a dizer porque são todos iguais mas de quem há sempre qualquer coisa mais para dizer. Em suma, num blogue colectivo de mulheres, de tema aberto, haveria muito blá-blá-blá, perdão, matéria, para preencher vários anos de vida bloguiana.
Pensar num blogue colectivo de mulheres a partir dessa condição obrigatória, e presumi-lo como a forma amplificada do que atrás retrato, é atemorizador para um pobre leitor (homem) como eu. A menos que por lá se encontre uma refinada dose de humor, uma escrita dotada, e um elenco promissor. Ah, aí a coisa muda de figura. E este parece que tem tudo isso! É certo que, (ainda que pé-ante-pé), por lá hei-de andar.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:02 PM | Comentários (11)
Memo salomónico
Todos os motivos são válidos e nenhuma estratégia deve ser à partida censurável
(E pronto, está cumprida a minha boa-acção de hoje. Siga)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:45 AM | Comentários (7)
outubro 18, 2005
Uns furinhos no monitor e já está !!
<img alt="portacanetas.JPG" src="http://apenasmaisum.weblog.com.pt/arquivo/portacanetas.JPG" width="325" height="291" />
Estou radiante; Acabei de inventar este prático porta-canetas para blogues !!!
Eu sabia, eu sabia que haveria de ter um destino para cumprir aqui.
PS: Afinal já não gosto muito deste WYSIQSEVAHLIXAR que já me estrangalhou as imagens!! E agora?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:51 PM | Comentários (6)
Upgrading
deixa cá experimentar este WYSIWYG
também com este nome não havia eu de ficar assustado em usá-lo (olha os headings funcionam)
e agora , ganda pinta, o lettering, le letteringue, et voilá
- e uma bolinha antes
e mais uns imoticons: 

perfeito
- finalmente
- os numeros
e pronto, acho que de html vão ser já só precisas as cores
Finalmente a última questão:
Para que quero eu isto?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:25 PM | Comentários (6)
Este post é só para mim, por isso está escondido. Por favor não ler
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:41 PM
Sociedade do conhecimento

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:30 AM | Comentários (4)
Secção Comercial
Estimado leitor,
Correm tempos difíceis: a blogosfera está cada vez mais concorrencial e os custos com o imóvel desta SA têm-se agravado de dia para dia. Perante a ameaça que paira sobre a continuidade deste blogue, a direcção, denotando uma louvável flexibilidade e num acto de gestão inédito, decidiu despedir o cobrador das cotas e fazer um ultimato à equipa redactorial, assim como, ainda antes da celebração do primeiro milénio de existência desta casa, inaugurar uma secção comercial que, estamos crentes, será um primeiro passo para a recuperação deste espaço.
Colabore. Compre um carro (com 185.000 Km mas como novo) ou venda a sua casa (se esta não for nos olivais sul, à babuja dos ‘olivais shopping’, arriscamos sugerir que a venda na mesma por forma a poder permutá-la com outra sita no referido bairro para assim poder colaborar com a nossa secção de imóveis). De caminho passe nas massagens ayurvédicas (verá que quando sair de lá tudo o que aqui ler passará a fazer sentido). Para aqueles que optarem pelo package total (carro, casa e massagem) asseguraremos descontos especiais no trespasse do indivíduo que ainda temos em carteira (retocado, como novo).
Contamos consigo.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:10 AM | Comentários (0)
outubro 17, 2005
Uff, juro que não volto a fazer mais festas de aniversário
(nem mesmo com letras pequeninas)
Nunca tive jeito para receber parabéns. Fico logo acabrunhado, sei lá porquê, e acabo a balbuciar qualquer coisa com ares mal fingidos de quem não dá importância nenhuma. Será daqui e de longe que me vem a fama de mal-educado, de mau-feitio e de outras coisas mal-acabadas, como quando encravo no momento de abrir as prendas e deixo fugir para longe o mau olhar mariquinhas, ou ao levantar-me todo encaniçado no topo da mesa e por lá me fico a engasgar em gestos rápidos de agradecimento aos hip-hip-hurra’s.
Ainda assim a coisa escrita é mais fácil, escondem-se rubores, aclaram-se engasgos e há mais tempo para preparar o discurso - tirar-lhe as vírgulas de hesitação, as pausas e as petulâncias. Não foi portanto por tudo isso que antipaticamente me furtei a agradecer até agora as vossas amáveis palavras, mas apenas por um conjunto de circunstâncias que me levaram para longe do teclado. A verdade é que aqui, escondido dos olhares mais comprazidos que tanto me incomodam, vos devo confessar que é uma delícia receber e ler os vossos simpáticos e em não poucos casos exagerados comentários.
Mas se é verdade que o despudor da distância, do anonimato (cada vez para menos) e desta miraculosa capacidade revisiva da setinha do backspace que nos deixa retocar as hesitações e vestirmo-nos melhor do que o que na realidade somos é meio caminho andado, falta o resto. E o resto é a inspiração. E a inspiração (cá está) foge-me sempre nos momentos do discurso. Por isso não levem a mal que eu repesque coisas que por aqui fui deixando (e garanto-vos que me é mais custoso calcorrear este blogue que enchê-los de post's, pelo que gostaria que não considerassem isto como um gesto displicente para com as vossas palavras).
"E por vezes fico assim, a constatar quantos estão on-line, e a fantasiar quem são. Dou-vos nomes até, invento-vos caras, depois tento perceber-vos o balanço e lá sigo a acompanhar-vos pelo último post, sílaba a sílaba. Há alturas em que tenho mesmo a sensação que ambos trilhamos o mesmo parágrafo, e quase consigo seguir-vos as pausas na acentuação das frases.
É normalmente assim, acompanhado, que releio os textos. Já não me agrada fazê-lo sozinho. Se encontro um erro lá me lanço a corrigi-lo. Não é perfeccionismo, é apenas porque gosto de pensar que assim me posso revelar. Gosto de me sentir anfitrião invisível das palavras que lêem. E depois fico algum tempo por aqui, F5, F5 … às vezes falam, e aí confirmo quem são. Outras vezes não, falo só eu.
Não sei o que é, mas isto é mais que texto - se fosse só isso não teria coragem, que eu não sei escrever para tanto, nem tão pouco sei tirar prazer do escrever apenas. E não falo só do que daí se entrevê. Sei que é mais que texto visto daí, mas não sei o quê. Falo também do que daqui me deixa pressentir-vos, sei que é mais do que saber-vos a ler, mas também não sei o quê."
Sei apenas que se eu fosse texto nunca quereria ser um livro, aprumado, arrumado em tempo incerto. Antes blogue, que isso era saber que vos tinha ali por perto, habitando o mesmo tempo, comunicando-nos. Que um blogue é mais do que nele se escreve. Depois de escrito as suas palavras já nada valem, que ao blogue, já história, lhe falta a ilusão do que se sentiu. As suas palavras já não se lêem como se escreveram, ao som dos dias, e já não têm por quem ser lidas, lá na história já, quase livro, sem significado, sem vós.
Em jeito de agradecimento final, e com bem menos salamaleques, deixo-vos a melhor definição que alguma vez li de um blogue:
"a rapaziada não sabe que um blog é como bater uma punheta à janela com todo o bairro a olhar".
(cuja autoria, como na altura foi pedido, mantenho anónima, mas a quem não dispenso um pequeno apelo pessoal: vê se voltas depressa!)
Mais uma vez, muito obrigado
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:47 PM | Comentários (7)
Amor no Messenger
…
Eufigénia diz: ah a propósito, penduraste a roupa
Eufigénio diz: Simmm, pendurei sim
Eufigénio diz: mas aquilo eram só lençóis e guardanapos
Eufigénia diz: Pois eram. Pronto, era só para saber
Eufigénio diz: para caberem ficaram todos ao atravessado
Eufigénia diz: não dobraste?
Eufigénio diz: pode-se dobrar? e depois como secam?
Eufigénia diz: demoram mais, mas secam
Eufigénio diz: ah, depois vês então
Maravilha, esta coisa das cartas de amor em tempo real
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:24 PM | Comentários (7)
Post-it
os agradecimentos pá! que vergonha,
amanhã sem falta não esquecer post de agradecimentos!!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:51 AM | Comentários (2)
outubro 14, 2005
Ai é, ai é, então já agora:
Apraz-me saber que a iniciativa que o Altino Torres lançou através de uma petição para que a FIFA considerasse uma versão portuguesa do seu site, e que ganhou ecos para além da blogosfera – e já não só imprensa escrita mas ao que sei até sumptuosa televisão, tenha acabado por receber o tratamento merecido e a devida resposta.
Mas depois de ler a tal dita resposta (desaforadamente escrita em inglês) exige-se que se faça de imediato uma nova petição para que a FIFA edite os seus e-mails correio electrónico em português, ou até que seja esta a língua oficial daquele organismo. Vamos lá malta, agora que eles deram o flanco.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:38 PM | Comentários (5)
Portugal ...
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:10 AM | Comentários (0)
(vai agora que ninguém está a ver)
ontem este blogue fez um ano
ante-ontem passou a inexplicável barreira das 1000 visitas num dia
hoje irá chegar perto dos 5900 comentários
e convém não dar muito estrilho para não ter de pagar já a próxima anuidade
é por isso que estou a escrever 'baixinho'
e também porque não gosto de festas de anos (minhas)
anda até por aí quem pode testemunhar que já fui ao ponto de faltar à minha própria festa de aniversário
e sim, é verdade, isso de "eu estou aqui porque gosto de escrever e não ligo nada a essa coisa das visitas e da estatística" é uma bela patranha minha
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:40 AM | Comentários (32)
outubro 13, 2005
Ao cuidado da
... MarketMark:
Parvo é quem vos fez as orelhas ... e essa campanha idiota !!!
(e pronto, está devolvida a simpatia)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:08 AM | Comentários (9)
outubro 12, 2005
"Allô Telepizza boa noite queira fazer o seu pedido"
Os putos põem a mesa, a mãe prepara o jantar e eu ponho a loiça na máquina. Assim é que é, e é assim que sempre foi. Cada um cumprindo com as funções do seu posto de trabalho e dedicado ao seu papel no seio desta organização doméstica eficaz, que resulta de pragmáticos ‘improvements’ ao longo dos anos.
Então, o que raio me terá hoje passado pela cabeça para querer trocar estes papéis caramba?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:00 PM | Comentários (4)
Meta-blogs
Alguém faça o favor de me dizer qual é o meu blogue que eu já me baralhei todo !!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:34 PM | Comentários (6)
Recolhendo destroços
Algum dos presumíveis familiares silenciosos visitantes deste blogue, porventura destinatários das 3 SMS (*) sobre a viagem de circum-navegação que eu emiti em fase de delírio argonáutico poderá fazer o favor de as reenviar para mim, para eu poder juntá-las ao portfólio da viagem.
Beijos e Abraços
(*) é que aquilo, agora em terra, já não sai da mesma forma
PS: Em sinal de agradecimento prévio deixo aqui testemunho de um dos seus pontos de emissão, no “caminho” que então se fazia rumo à Córsega. Já repararam na temperatura indicada no ‘PlotChart’? Não minha querida família, não é a temperatura do ar, é lá mais para baixo do casco.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:35 PM | Comentários (5)
Acontece que ...
te esticas nas memórias para além do que eu retenho anoso* amigo. E esse que citas até pode ter sido grande despique, mas mantenho que no memorial da F1 lavra-se aquela tarde de ’79 em Dijon, que teve como protagonistas o Arnoux e este Senhor:

E foi tamanha a amargura em saber que tinhas perdido (andavas em ensaios no concurso da “Vaca Cornélia”?) aquelas épicas 3 (!) voltas, que te trouxe para aqui o Vídeo … delicia-te.
Ah, e naquele tempo quando se era pela Lótus-JPS não se podia reconhecer publicamente qualquer mérito nesse Tyrr(iv)el adversário, por isso, de entre os quatro … viva o Peterson !
* palavra gira, respeitável e cheia de propriedade esta, conhecias?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:07 AM | Comentários (15)
outubro 11, 2005
O que está para além do: "Quando mija um português mijam logo dois ou três" ?
Vejo-os aos três (pairou por cá um amigo do Francisco, este fim de semana) na sala da televisão em amena cavaqueira enquanto jogam ‘playstation’. Falam, falam, falam. A discussão está ao rubro quando dois deles argumentam sobre os dotes do Van Nistelroy e o seu papel fundamental no Manchester, equipa que o Diogo escolheu e que por essa razão lhe terá trazido vantagem. Apesar da velocidade supersónica com que saltam de tema para tema, aqui da outra sala consigo acompanhar-lhes as notas de fundo (o facto de poder auscultar a conversa deles e de esta ser para mim minimamente inteligível é um aspecto fulcral para tudo o que se seguiu).
Em determinada altura reparo que um de cada vez se vai levantando, sem que a algaraviada se interrompa. É aí que noto (tenho a certeza disso) que em momento algum se interpôs na acelerada conversa, uma expressão, gesto, ou insinuação que fosse, que indiciasse a intenção de subitamente se erguerem. Pensei na altura que isso não seria assim tão estranho, que eram reacções maquinais, réplicas de gestos que podem bem acontecer quando as pessoas estão suficientemente absorvidas em alguma coisa – e os miúdos quando conversam estão absolutamente absorvidos – as recorrentes interjeições do “tá bem pai já vou” a que se sucede “mas eu nem ouvi chamarem-me” são bem prova disso. Ainda assim ficou-me uma nota de curiosidade, o bastante para passar a segui-los com mais atenção.
Vejo-os então encaminharem-se na direcção da sala em que me encontro sem que tivessem interrompido a algazarra que agora versa o jogo da selecção nacional e a caricatura do Ricardo vestido de frango. Aqui a minha surpresa torna-se maior. Posso garantir que não proferiram uma única palavra entre eles que os pudesse trazer ao subentendimento da razão, do destino, que seguem agora. E lá vão, já passados por mim, a dobrar a esquina do corredor, quase se atropelando uns aos outros. Não resisto e sigo-os por ali fora, sem os perder de vista.
Lá no fundo tudo continua a acontecer da mesma forma maquinal, cúmplice até, numa tal harmonia com que repartem os pequenos gestos que têm de fazer que, dir-se-ia, seguem um guião. Tudo se passa num ápice, como se fosse um único e fluido movimento, como se os três fossem parte da mesma criatura: o Francisco empurra a porta da casa de banho, o Diogo intromete-se primeiro e levanta a tampa da sanita, e já o amigo se desembrulha com a braguilha. Nada, mas absolutamente nada foi trocado entre eles desde há uns minutos atrás, quando ainda estavam agarrados aos controlos do jogo até agora, momento em que atónito os vejo, ao mesmo tempo, numa mesma vontade que contudo nunca precisaram que fosse declarada entre si. Na minha frente lá os vejo gesticular por entre palavras enquanto distraidamente as suas fiadas de urina se cruzam e deambulam em diagonais douradas que tilintam na zona côncava da retrete.
Entretanto interpõe-se no meu raio de visão a Eufigénia que os apanha em pleno disparate: “Francamente mas que ideia é essa de virem os três ao mesmo tempo à casa de banho? Não se está logo a ver que isso vai dar asneira ?! E depois há-de vir alguém limpar não é?”, e virando-se para mim: “ E tu Eufigénio, aí especado, não podias ter repreendido os miúdos antes do disparate acontecer”. Talvez porque eu nem insinuasse articular palavra, e porque estava obviamente demasiado perplexo para intervir, voltou-se de novo para eles, e insistia “Mas que ideia foi essa de virem logo os três, expliquem-me?”.
E continuo observando aquela misteriosa simbiose de gestos que se desenvolve de forma tão implícita entre eles. Ainda agora, apanhados em flagrante reagem como se fossem um só corpo, ou melhor, como se fossem três corpos controlados por um mesmo instinto, uma mesma vontade: Enquanto o Francisco descarrega o autoclismo e o amigo tenta compor o “disparate” fechando a tampa da retrete, já o Diogo os justifica aos três: “Oh mãe, apeteceu-nos fazer xixi!”. E a mãe já irritada. E eu absorto sem conseguir explicar-lhe o extraordinário da situação. Pois já ela incrédula, voltando a sua exaltação para mim, que “pareço um miúdo, um deles, que ás vezes não ajudo nada”. E já aí os desafiava de novo a explicarem-me como é que tinham combinado chegar até ali, assim tão subitamente, e ao mesmo tempo, e sem sequer terem conversado entre eles. Obtive um simples encolher de ombros, um nada mais a acrescentar a algo que para eles era absolutamente natural, e a mesma resposta desinteressada de quem não percebeu sequer o alcance da minha pergunta: “então, apeteceu-nos fazer xixi”.
A mãe cada vez mais irritada comigo, e com razão que assim não estava a ajudar nada, e eu querendo prestar-lhe atenção, a querer redimir-me mas incapaz de tal. Na minha cabeça continuava a ribombar a mesma pergunta: “Porque idade é que os homens perderão esta tão admirável capacidade de agirem como um todo?”, e sem resposta, a lamentar a perda desta qualidade do inconsciente dos homens, algures na sua adultidade, e a pensar em como tão diferente poderia ser o mundo.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:50 PM | Comentários (2)
Só me rio
Micro-causas ... concursos ...
... Oh JPT, não queres experimentar agora uma votação? Olha que é uma bloguice irresistível!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:25 PM | Comentários (4)
outubro 10, 2005
Vá lá, podia ter sido um eucalipto !
Ainda agora ao jantar, nas raspas do dia:
- Então e aquele menino com quem dividias a carteira ?
- O Jorge? Que tem o Jorge?
- Ainda te distrai muito ou já se acalmou?
- Não, já nem me chateia. O Professor mudou a flor da sala.
- A Flor? Mas o que tem a flor a ver com a conversa?
- Então … mudámos todos.
- Já não percebo nada. Então não foi só ela?
- Não, foi a flor toda.
- A Flor?
…
- Diogo! Planta. Tu queres é dizer a planta!
- Ai é?
(agora ainda rio, mas começo a ficar preocupado com tanta trapalhice)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:19 PM | Comentários (6)
Como aqui, (para além da chuva), não se escreve sobre assuntos de natureza política
... resta-me citar este excelente e enrubescido post:
"Detesto a política, a maioria das moscas que por lá volteiam e, sobretudo, falar dela. Contudo, é triste constatar que nestes últimos 14 anos todas as eleições têm sido a antítese daquilo a que se destinavam originalmente: a escolha dos melhores para fazer o melhor.
Eu explico: em 1991 votou-se Cavaco (PSD) para continuar o que vinha a fazer, foi o último eleito na verdadeira acepção da palavra. A partir daí, as cruzes nos boletins de voto deixaram de exprimir a vontade de nomear alguém, passaram a manifestar a vontade de impedir que alguém ganhasse. Primeiro, Guterres contra o PSD; depois Durão contra Guterres; Santana contra Sócrates; Sampaio contra Cavaco; Rio contra Gomes e Assis; Carmona contra Carrilho; Seara contra João Soares e por aí adiante.
Os mediáticos proscritos acabaram por dar aos partidos que não os quiseram / puderam manter nas suas fileiras um sinal claro da opinião que os eleitores têm desses mesmos partidos. Não é preciso nomeá-los de novo, vocês sabem de quem estou a falar (não, não é do Octávio).
Não seria uma boa altura de avançar para listas nominais nas eleições legislativas? De que têm medo os partidos? Ah! Pois! Era o fim dos aparelhos, não era? Era! Mas sempre os podíamos mandar sentar aqui, como se dizia n'O Juíz Decide de boa (?) memória."
Do Cap
Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:30 PM | Comentários (4)
O post egocêntrico blogocêntrico infra-gauchista
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:06 PM | Comentários (10)
Deve ser da Chuva … deve ser da chuva …
Há tanto tempo que não ouvia a chuva a cair assim tão forte que me desacostumei a senti-la. O ar está pesado, e sinto um nó na garganta, como se algo desagradável estivesse para acontecer. Sinto-me inquieto e não consigo desempestar-me desta agitação que me envolve. (Como é possível aquela mulher ganhar as eleições e ainda vir para as televisões proferir palavras assim?). Chove e eu ando às voltas pela casa, confirmando ter tudo fechado, vezes sem conta. Estou a aprender de novo a chuva, acho que deve ser isso. (Que povo é este que a elege?). Sinto-me inquieto e só pode ser da chuva, que a televisão está desligada e tudo o resto nem existe.
Ainda hoje de manhã o Diogo me perguntava se não ia “eleitar”. Fui, claro, fomos todos. Mas agora chove e eu sinto-me inquieto. E talvez, (admito que também possa ser isso), talvez, ligeiramente envergonhado por não saber responder-lhes quem queria que ganhasse, e por não saber também responder-lhes porque estou então triste com o resultado e por não saber responder-lhes depois porque fui então “eleitar”. E agora chove. E eu sinto-me inquieto. “Eleitar” é uma palavra bonita …
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:18 AM | Comentários (13)
outubro 07, 2005
Eu, entre eles
O dedo mindinho arqueado, o mesmo movimento das mãos … ontem, num gesto distraído do Diogo, reencontrei-o. São cada vez mais as vezes em que o descubro nos miúdos. E é como se olhasse para as duas partes da minha vida – para o mundo onde fui filho e para esta nova vida que construo agora com os seus netos – e ver nuns o outro. Será isso ser homem, ser a parte que os une. E poder ser pai e filho, e unir estes dois mundos pelo mesmo fio invisível de felicidade, (que ele teve-a, que eles têm-na), já é bastante para o que eu quero da minha vida.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:28 PM | Comentários (3)
Estou aqui intrigadíssimo
A tentar perceber que sopa de html's fiz eu para conseguir ali em baixo colocar uma caixa que vai para além do fim do post
… mas lá que fica giro, fica
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:08 AM | Comentários (11)
Na vaga de anúncios
Surge de outro meridiano familiar,
Vende-se carrinha
Citroen Berlingo
1998 com 185.000 km
Revisão e Inspecção OK
963853113
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:00 AM | Comentários (0)
Analisando o espectro de visitas deste blogue …

É trazido à evidência que estamos perante uma ferramenta de óbvia relevância a que se acede com intuitos profissionais durante o período de trabalho. Já lá vai o tempo em que gente menos informada considerava um blogue como um mero exercício ocioso com que se preenchia os dias de descanso … cof cof
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:43 AM | Comentários (3)
outubro 06, 2005
Vai tudo muito depressa …
Já na semana passada se queixou que as chuteiras não lhe serviam. E quando o vou buscar ao treino e o vejo a treinar com ténis volto a recordar-me disso. Há torneio de rugby no dia seguinte e por isso no fim do treino logo nos dirigimos à loja
- Não sei bem, talvez um 40
Ela lança um olhar avaliador para os pés dele e de imediato me corrige:
- Estes pais! Então acha que com esta pata ele calça 40?
- Mas certamente que sim – disse-lhe – olhe que ele só tem 12 anos!
- Olhe, vá por mim, menos de 42 não é – e já com o Francisco se aliando, corroborando com a cabeça.
- Oh que exagero! E tu Francisco tem calma que tens muito tempo ainda para crescer. Faça o favor de me dar um 41 para ele experimentar.
- Se insiste, mas olhe que menos de 42 não é.
E depois ajudando-o a calçar, e já incrédulo empurrando-lhe a perna, forçando a entrada do pé onde visivelmente não cabia.
- Bem – disse eu contrariado – vamos então experimentar o 42.
E cada vez mais acossado com o sorriso zombeteiro dela:
- Mas olhe que isso deve ser um erro da fábrica, o miúdo só tem 12 anos.
- Pai, olhe que …
- Espera Francisco, não vês que eu estou a falar com a senhora?
- Mas pai …
E eu sem o ouvir, já pegado de razões com a minha antagonista neste juízo do calçado.
- Mas como é possível que ele calce tanto como eu se nem tem perto da minha altura. Aí há erro certamente.
E ela acentuava o sorriso trocista, depois de nos comparar alturas. Entretanto ele insistia:
- Oh pai.
- Sim? Pronto, diz lá.
- Não me servem.
- Não te servem o quê?
- As botas.
- Ah, vê que lhe estão grandes?!
E antes que ela pudesse contra-argumentar, ele de novo.
- Não é isso.
- Então – e premia-lhe os dedos por sob a biqueira - magoam-te de lado?
- Não … Apertam-me à frente.
- Ora – e continuava a palpar já irritadamente o dedo na biqueira – mas está quase bom!
Depois já mais sereno, e temendo que esta minha teimosia me viesse a sair cara, lá fui continuando a ceder, neste caso, a subir números:
- Eu não lhe disse que não era o 42? Dê-lhe por favor o 43.
E ela contida de tanto rir, a seguir-me as pisadas, literalmente, aproveitando a deixa de ironia que eu próprio havia usado:
- Mas tem a certeza? Olhe que ele só tem 12 anos.
… Engraçadinha. E ele logo a desembravecer-me lançando o braço por cima do meu ombro. E lá seguimos, ele de chuteiras novas e eu já mais resignado. Mas ainda estranho um pouco como foi ele capaz de me pôr o braço por cima do ombro. Estaria em bicos de pés certamente !!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:01 PM | Comentários (10)
outubro 04, 2005
Aqui a pensar nestes pequenos pecados blogosféricos anúncios …
Isto já parece o correio da manhã!
Acho que vou aproveitar e … momento … ora nem mais:
(assim é mais fácil e como já estou habituado a trespassar-me ...)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:51 PM | Comentários (11)
Bom, e já que isto se transformou num blogue comercial ...
( Pode ser em qualquer zona desde que seja na Av. Cidade de Bolama ou nas Torres do Olivais Shopping)
Dá-se alvíssaras a quem …. Ãh? Isso é só para cães e gatos? Ok, ok
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:00 PM | Comentários (3)
O nome pode ser difícil de pronunciar mas …

… se até em mim resultou qualquer outro pode ainda ser “recuperável”
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:47 PM | Comentários (0)
Cena 1 – (Reeditando)
Nos inícios deste blogue, há quase um ano (um ano?!) vangloriava-me assim das circunstâncias que me permitiam usufruir em passadas calmas aquilo que para quase todos os outros é o mais temível período do dia:
“Num dia qualquer, saído do emprego, encontrei por mero acaso a casa onde passei a viver. Era a casa dos meus sonhos, velha, generosa e rústica, encostada ao rio Tejo, cheia dos tons velhos de Lisboa e do ranger das gruas de que se vislumbram os pescoços briosos por cima dos telhados. Mas a sua maior cortesia é o facto de distar exactamente um quilómetro do meu trabalho.
Porventura nem conseguirão conceber o que é sair de casa, sem carteira nem temores; apenas as chaves tilintando distraidamente no bolso, as mãos baloiçando desajeitadas de nada se verem incumbidas, e partir, caminhando apenas. Nem sequer me ocorre já o habitual e hesitante pensamento do “será que me esqueci de alguma coisa?” antes de fechar completamente a porta. Não, saio apenas caminhando.
Depois é ver-me balanceado pela trilha de todos os dias. Começo por descer a rua ladeando os muros da manutenção militar. Dentro destes, por entre o reticulado das suas janelas, alcanço ainda o correr do rio da manhã e pressinto os barulhos mecânicos dos afazeres no porto. A seguir passo em frente aos bombeiros, e lá os encontro sempre mitigando o ócio no banquinho vermelho onde se sentam do nascer ao fim do dia ao comprido no passeio.
Logo depois da primeira esquina compro o jornal e as cigarrilhas na tabacaria do popular tesoureiro dos bombeiros. As conversas por lá são muitas mas o negócio é curto, e por isso, homem de muitos lavores, também se vai desenrascando no arranjo dos relógios do bairro. Por trás da montra que instalou num canto do estabelecimento, vai laborando encurvado naquela arte. Quando o interrompo, fingindo enfado - como se esse negócio jornaleiro, mister de outros tempos, pusesse agora em causa a distinção que todo o bairro de forma justa e evidente lhe devota - lá larga com aqueles jeitos minuciosos de relojoeiro a luneta que ostenta, assim me permitindo que o suspenda de tal arte por troca de outras coisas menores.
Aí, a meio caminho, me fico um pouco, bebendo a bica no café do sr. João, mesmo do outro lado da rua, onde invariavelmente encontro a Srª Doutora da farmácia do lado – “então continua sem fumar ? ajudaram as pastilhas?” – enfim, de pouco custa esconder a mão, e o rubor. Três travos, a vista a resvalar pelos cartazes do totoloto que todas as semanas escreve esmeradamente em toalhas de papel, e já as despedidas a quererem escapulir-se da conversação com que todos os dias rebusca cavaqueira comigo.
Agora já finalmente desperto reinício a caminhada e passo em frente ao talho e às duas mercearias que entre si concorrem quando ao fim do dia recolho em papel de embrulho pão, fruta, cervejas e o que mais faltar. Hasteiam-se desde sempre ali, lado a lado, disputando a idade e a mesma traça - as portas forradas de fruta e lá mais dentro, na penumbra dos fundos, os tampos de mármore manchados do roxo acre dos copos de três por ali pousados.
Sigo então pelo jardim do Beato e deixo-me passar distraído por baixo daquelas quatro enormes acácias que à hora do almoço darão abrigo aos mesmos de sempre, com os fatos de macaco cremes, uns debicando a merenda, outros noutra mesa, mais adiantados, jogando umas copas ou simplesmente gozando ociosamente o que resta da pausa. Pouco depois, cheio desta Lisboa antiga, entro a cantarolar pelo trabalho adentro.
Todos os dias é assim que viajo. O meu ir e vir tornou-se subitamente na mais serena e pacata actividade do dia. Algum tempo depois vejo chegar os outros com ar alvoroçado e olhar envidraçado, interrompidos, como se o trabalho que todos os dias iniciam fosse apenas um intervalo na fila de trânsito da qual emergem por entre buzinadelas e que depois, ao fim do dia, os voltará a mastigar. Olho-os chegando e partindo depois, trazendo e levando consigo o cheiro a escape e o barulho das arrelias, e é aí que ganho consciência: sou seguramente o mais afortunado Lisboeta."
E agora quase que vos vejo a vós concluir: “coisas recicladas que se trazem para aqui! Assim não vale, que isso podemos nós visitar lá nos confins do blogue”. Têm toda a razão, ou teriam, se eu não precisasse de trazer para aqui este primeiro episódio de uma epopeia em três actos, em que este, malogradamente, representa já cena pretérita.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:09 PM | Comentários (4)
outubro 03, 2005
Ah bom, assim está melhor

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:36 AM | Comentários (7)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:45 AM | Comentários (6)