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agosto 19, 2005
O ritmo, o tempo e a vetustez na blogosfera
Com tanto blogue a fechar, começo a ficar receoso sobre a melhor atitude a tomar relativamente a esta casa. Uns porque aproveitaram a época de pousio para assim suavizarem o seu desaparecimento, os outros porque, quando voltarem, e dando de chofre com o resultado desta súbita fúria de eclipses, são bem capazes de se sentirem confrontados com o seu tempo, com a inevitável velhice, e verem nisso o relógio biológico da blogosfera a tiquetaquear o seu fim. Reconheço que, talvez porque fui assistindo a este fenómeno de apagamentos de forma espaçada neste mês, ou talvez porque este é ainda um espaço adolescente, não me sinto rebocado por esse fulgor de despedidas.
Mas tenho de me declarar apoquentado com tudo isto, especialmente com a altura escolhida pelos defuntos. É que está quase aí a vir o dia em que deixarei esta pequena parcela de terreno em pousio, e durante um longo mês, uma eternidade portanto aqui por estes lados. Ora, não seria nada agradável que quando voltasse a pôr as chaves na porta, descobrisse que o vilarejo onde a fundeei, a blogosfera, era agora sítio fantasma, cheio de novelos de palavras mortas a rebolarem ao vento, qual terra de cowboys abandonada. E é disso que muito receio que já se sabe que nestas coisas de debandar, nunca se é o primeiro, mas ninguém quer ser o último.
Mas depois constato, por quem nos traz as notícias de mais um abandono, que esse fenómeno, pelo menos na parte que mais aflige, é coisa que assola apenas os mais idosos, blogues ancestrais, com quase dois anos, calcule-se, ou ainda mais, coisa da pré-história afinal. Os mais antigos, resistentes, sítios criados por exemplo lá nos remotos inícios de 2003, falam, sem esconder uma ponta de nostalgia é certo, no natural e inevitável processo de regeneração. E aliviam-me referindo e identificando um leque bastante confortável e auspicioso de novos blogues, ainda neófitos é certo, mas onde seguramente já estará a germinar a semente que me regozijará no futuro, e de entre os quais certamente assistirei, com enorme alegria, a algumas ressuscitações.
Quando voltar, este blogue estará a fazer um ano. Ora, isso no ciclo de vida da blogosfera não fará de mim, pelos vistos, um enérgico jovem, mas também não me deve apontar ainda para o caminho dos meus últimos dias. A meio do que venho a constatar ser a “esperança de vida” na blogosfera, estarei por essa altura talvez a atingir a maioridade, ainda uma réstia de pujança, mas já miscida com alguma anciania que certamente maior distanciamento me há-de trazer para averigurar estes blogofenómenos.
Mas isso é mais tarde, que agora ainda não expulsei de mim completamente o receio de que, à velocidade com que o tempo aqui acontece, com que nos empurra para a velhice e nos cansa as palavras, não possa acontecer que, quando voltar, esteja a regressar tarde demais. É que aqui tudo se faz depressa demais, tudo se sente em excesso, e cada palavra que aqui se lavra acrescenta mais um trecho de idade. O meu receio caros leitores é que, quando voltar, venha de lá habituado a esse estranho tempo biológico, mais distendido, e que sem dar por isso, retorne aqui distraidamente a pousar palavras num sítio já moribundo, como um velho lunático que por aqui se debruça a tentar ainda pôr as ossadas de pé, no meio de um enorme cemitério que o rodeia.
Publicado por Eufigénio Lagoa às agosto 19, 2005 02:32 PM
Comentários
O tempo e a maré não esperam por ninguém.
Publicado por: bill em agosto 19, 2005 02:58 PM
Venham é as palavras depois das férias, que leitores novos e "velhinhos" vão ficar à espera...
Sejam as palavras escritas à velocidade que te apetecer ;)
Beijocas
Publicado por: sofia em agosto 19, 2005 06:27 PM
Eu, que sou da tua geração blogueira, comprometo-me a fazer-te companhia until the end de um de nós. Temos é que arranjar mais dois para podermos bater umas suecas para desenjoar do xadrez e da bisca...
Publicado por: sharkinho em agosto 20, 2005 04:16 PM
(Também não desdenho outras nacionalidades escandinavas) :)))
Publicado por: sharkinho em agosto 20, 2005 04:18 PM
Há que continuar...
Mudar a agulha para N e Tá a Caminho.. O Navio!
Publicado por: luis villas em setembro 25, 2005 10:32 AM