« Está na altura dos postes amaricados | Entrada | Delírios náuticos ( ... 12) »

agosto 12, 2005

O sítio das saudades

Há um dias expurgava assim as saudades do Francisco

Primeiro um estava no Algarve, com a tia. Depois voltou. Mas quando voltou já tinha partido o outro para o acampamento de escuteiros nos Açores. Pensava eu que assim fosse menos espinhoso, uma espécie de só meia saudade. Esqueci que pelos olhos de um também falam as saudades do outro.

Agora somos quatro os que estão por fora. O escuteiro e cada um de nós, os outros três, que enquanto estamos já quase só estamos para o lugar dele, ali vazio, na mesa.

Hoje acrescento mais saudades, e do sítio onde estas vivem

Poderia também falar de outros que estão de férias, ou do meu pai. Mas não vou falar. Há em todos nós um diálogo interrompido que ninguém ousa reinventar, com receio que lhe perca o rasto. Como quando escrevemos, e vemos algo a vir, e o vamos burilando, tanto e tanto, que quando voltamos para onde nos interrompemos já não encontramos o caminho que seguíamos. Há coisas que vivem apenas na dimensão das coisas que se sentem. É por isso que tenho imensos lugares vagos na minha vida. Para lá me poder sentar de vez em quando, onde guardo e reabro as saudades que tenho dele. São lugares que não se escrevem. São lugares que nem são só meus. Por isso nunca os saberia escrever sozinho. E deve ser por isso também que nunca se apagam.

Publicado por Eufigénio Lagoa às agosto 12, 2005 11:40 AM

Comentários

...

Publicado por: catarina em agosto 12, 2005 11:58 AM

E aqui me sento vírgula

Publicado por: maria árvore em agosto 12, 2005 12:38 PM

Tão bonito, Eufi.

Publicado por: Mar em agosto 14, 2005 03:17 PM

Comente




Recordar-me?

(pode usar HTML tags)