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julho 07, 2005
Os meus momentos semanais à porta da tabacaria com A. Lobo Antunes
A “Visão” é a única revista semanal que compro com alguma regularidade. Bons trabalhos, diversidade, o distanciamento que convém, e a vantagem de abordar assuntos que normalmente não tenho paciência para consumir a quente durante a semana. É quase um resumo ponderado dos acontecimentos mais significativos, mas é também um mix de leituras que me agradam, embora nos últimos tempos, tenham sido mais as “leituras agradáveis” que o resto, certamente por efeito da “silly season”.
Normalmente leio-a espaçadamente. A fórmula mais corrente é ir deixando-a distraidamente pelos mais diversos cantos da casa, de onde a resgato de tempos a tempos para mais uma nova leitura. Ao fim de algum tempo ela já cumpriu o seu percurso errático pelas assoalhadas todas, acabando invariavelmente no cesto verde alface da casa de banho. Esse ciclo, mais dia menos dia, cumpre-se numa semana, o tempo que é devido para renovar o stock.
Mas há um caso no seu conteúdo que foge a esta regra esparsa. Com esse, a minha voracidade é tal que ainda antes de pagar já me levo maquinalmente por entre as páginas: contracapa, correio do leitor, duas ou três páginas folheadas rapidamente et voilá. Depois estendo a mão para o troco no primeiro parágrafo, o segundo e o terceiro leio-os já sobre a soleira da tabacaria até ser empurrado por alguém que reclama passagem, e assim sigo, sem levantar os olhos, devorando o resto logo ali, do lado de fora, ao abrigo do toldo.
Bem que tento guardá-lo para mais tarde, e quase sempre me acabo a lamentar de ter perdido a oportunidade de o desfrutar no remanso da minha casa, mas acho que nunca conseguirei evitar devorar assim as suas Crónica’s. E mantenho, a “Visão” é uma boa revista, com bons trabalhos, diversidade, e o distanciamento que convém. Possivelmente, se não tivesse estas pérolas do António Lobo Antunes talvez mesmo assim a comprasse. Sim, talvez.
[ É curioso. Tinha-me ocorrido transcrever para aqui parte do que ALA nos conta esta semana. Corri o texto e não consegui seleccionar uma parte. Como se as memórias que tão deliciosamente nos conta não se quisessem desagregar, como se assim, extraídas do resto, deixassem de fazer sentido. ]
Publicado por Eufigénio Lagoa às julho 7, 2005 07:35 PM
Comentários
Não compro a Visão, mas encontro-a sempre nalguma assoalhada de alguém e lá vou eu à página das Crónicas. Isso pega-se, pelos vistos. ;) (Só uma coisa: o cesto verde alface da casa de banho ficava muito melhor se fosse o papelão azul do ecoponto).
Publicado por: Angela em julho 7, 2005 11:37 PM
também gosto, mas só leio de vez em quando.
um abraço
Publicado por: riquita em julho 8, 2005 01:34 AM
Um ecoponto na casa de banho Angela? não achas que aquilo já tem contentores que cheguem para detritos?
Eu tb Riquita, quando calha, à porta da tabacaria :)
Publicado por: Eufigénio em julho 8, 2005 01:43 AM