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julho 11, 2005
O arroto (um post menos próprio para os leitores mais impressionáveis)
Algures na madrugada acordamos os dois ao mesmo tempo, sobressaltados. Os nossos olhos entreabrem-se ainda moles um para o outro a procurar uma explicação. “Que foi isto?”, pergunto-lhe ainda estremunhado. Mas já ela se vira para o outro lado, balbuciando um “assustaste-me”. Assustei-a? Ainda insisto junto dela, mas já dorme. Que tenho eu a ver com tal atroada afinal? Começo a inquietar-me. Quando me apresto a levantar para ver se tudo está bem lá dentro, um desconforto enorme retém-me. Um rasto ardente queima-me a garganta. Aquela acidez … as malditas sardinhas!
Já só me resta esperar que a nebulosidade do sono apague, ou pelo menos desfoque, o estrondo que aquilo foi. Que vergonha! Sempre me avisaram para ter cuidado com o que sai da boca na hora do dormir, só não pensei que fosse tão audível.
[Para os leitores que porventura censurem a exposição desta tanta intimidade assim a cru (cru? é isso mesmo), eu, eu … este é um blogue neo-realista, pronto]
Publicado por Eufigénio Lagoa às julho 11, 2005 12:46 PM
Comentários
Vais pedir desculpa por, como todos nós, não te ouvires enquanto dormes?...
E não te parece que o bolo alimentar já está de alguma forma cozinhado nos sucos gástricos?... ;)
Já agora adianto que se carregares no esterno de um cadáver fresco, ele arrota. É uma praxe habitualmente feita a bombeiros maçaricos. ( O que eu gosto de neo-realismo ;)
Publicado por: maria árvore em julho 11, 2005 01:34 PM
Que neo-realismo tão realista, Eufigénio. Também gosto, pá. Quanto aos gases, pensa nas restantes hipóteses, que te deixariam bem mais embaraçado
... Uma benção, foi o que foi.
Publicado por: alchemist em julho 11, 2005 01:48 PM
Não Maria A., Mas pensei em pedir desculpa (aos vizinhos) por ressoar e até me ouvir enquanto durmo. Quanto a isso de estar cozinhado, no que se refere às sardinhas ... bem, o melhor é ficarmos por aqui. (ainda por cima quem esteve ao fogareiro fui eu)
Dizes bem Alchemist, assim visto, foi uma sorte!
Publicado por: Eufigénio em julho 11, 2005 02:59 PM
O António Pedro nos anos cinquenta vivia em Moledo do Minho. Havia dias que deambulava nas ruas com um saco cheio de bolos e uma pergunta na ponta da língua que dirigia aos "putos": És surrealista ou neo-realista?
Quem respondia “surrealista” ganhava um bolo, se a resposta era “neo-realista” levavam uma galheta! Passados uns tempos os “putos” de Moledo eram todos surrealistas.
Publicado por: bill em julho 11, 2005 03:28 PM
Coitados, mas assim não podiam tirar partido das sardinhas??
Publicado por: Eufigénio em julho 11, 2005 03:33 PM
bem, outra sorte(e grande) foi não te ter dado uma diarreia daquelas que nem dá pra chegar à casa de banho. :)))
Publicado por: riquita em julho 11, 2005 03:41 PM
Eles não queriam sardinhas, queriam bolos.
Publicado por: bill em julho 11, 2005 03:42 PM
Pronto. Está explicado! Então foi isso que me acordou e me trouxe até este blog numa deambulação nocturna que eu própria não percebi. Ahhh, como eu detesto o cheiro a sardinhas para lá das horas em que se celebra o S.João! Mais ou menos como o cheiro do bacalhau cozido que só tem graça na Noite de Natal. Óh Efigénio, contenha-se lá homem que isso dos arrotos só é um bom costume lá para as bandas da China :)
Publicado por: BlahBlahBlah em julho 11, 2005 05:31 PM
genial post!
Publicado por: danirmartin em julho 12, 2005 01:49 AM
8.2 na escala de "mercali".
Se voltas a repetir ainda julgam que és da "Al-Qaeda".
Mas já que por aqui falaram da China, lá os gazes em público são outros. Só ouvido.
Publicado por: MB em julho 12, 2005 10:11 AM
Eu sabia que havia limites para a escrita!!!
Que me perdoem da falta de reciprocidade nos comentários, mas apesar de me afirmar despreconceituoso, estou aqui vermelho de vergonha
(onde já se viu um tipo pôr-se a escrever sobre os arrotos que lhe saem?!)
Publicado por: Eufigénio em julho 12, 2005 10:42 AM
Antes um arroto que outra coisa. (Neo-relismo é bom e o povo gosta).
Publicado por: Ricardo Garcia em julho 12, 2005 12:13 PM