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julho 27, 2005

I - Para se ser inocente é preciso conseguir parecer ...

Quando o Agente B me telefonou, ainda não tinha terminado as apresentações e já eu me ouvia ripostar com toda a veemência que a minha revolta me estimulava. Tratava-se certamente ainda do carro que me tinham rebocado na véspera, do passeio do S. Luís, e ao qual tinham descuidadamente rebentado com o escape. Estava furioso, e mais uma vez arrazoei que se eu civicamente paguei e calei a multa, a eles cabia-lhes ressarcir-me dos custos com o escape que tinham estragado. Talvez por saber que seriam nulos os resultados de tanta argumentação, insistia naquela terapêutica ininterrupta de o massacrar com o meu desagrado atropelado de palavras. Mas assim que me calei, por breves momentos, o tempo apenas de ganhar novo fôlego, logo me vi interrompido por ele, que com um tom exemplarmente paciente, e mantendo um impávido distanciamento de toda aquela verborreia que lhe tinha lançado, logo me foi esclarecendo que não se tratava de nenhuma infracção ao código da estrada, pois, que ali na Judiciária não tratavam disso.

Foi assim que um dia fui notificado para prestar declarações sob a acusação de supostamente ter cometido seis crimes.

(…)

Publicado por Eufigénio Lagoa às julho 27, 2005 10:58 AM

Comentários

Seis?...

Publicado por: sofia em julho 27, 2005 12:44 PM

E quando contar do que tratava cada uma delas ainda mais dificil será acreditar ;)

Publicado por: Eufigénio em julho 27, 2005 12:52 PM

Quero ver esse registo criminal. :)

Publicado por: maria árvore em julho 27, 2005 01:35 PM

Lá chegaremos, lá chegaremos ... mas tem de ser devagarinho que são memórias já cheias de poeira, e além disso esta caneta anda com o aparo empinado

Publicado por: Eufigénio em julho 27, 2005 02:06 PM