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julho 20, 2005

Foi o bacalhau, estava salgado

Todos os dias me arrependo de não saber amar mais. Que eu amo, mas sofro sozinho esta inépcia de o mostrar. Como se nas coisas que se sentem houvesse o tempo para tratar disso depois. Não, não é um post romântico, falo de mim e de todos.

Publicado por Eufigénio Lagoa às julho 20, 2005 02:35 PM

Comentários

De todos? Calminha ... eu nem gosto de bacalhau.

Mas sim, no que respeita às manifestações dos nossos afectos, temos muitas falhas e penso que podes falar por todos.

Publicado por: karla em julho 20, 2005 04:11 PM

Engraçado, isto também define outra pessoa...
Mas estás bem Eufigénio? Bebe água que isso passa...

Publicado por: Zoick em julho 20, 2005 04:35 PM

Julgo que nunca sabemos se vai haver tempo... então para quê perdermos o tempo quando o temos?...

Parece que há uma vergonha imposta pelo sentido das conveniências de não se mostrar afecto. Ou o medo de se parecer piroso. Estes mecanismos apenas servem para diminuir a agressividade dos outros face à inveja que podem sentir.

O que me questiono é se o facto de demonstramos afecto não pode ser também uma manifestação de egoísmo.

E completamente a talhe de foice e desculpa se fôr egoísmo, mas gosto muito de ti: do que leio e do que se lê de ti.

Publicado por: maria arvore em julho 20, 2005 05:11 PM

Egoísmo, Maria? No sentido em que amar nos faça também felizes a nós mesmos - obviamente. Sim. Então, deixa-me ser egoísta. Mas amar é dar(-se). Acima de tudo. E eu também tenho medo, não tenho tempo de dar / amar / partilhar (aqui está outra palavra nada egoísta!) na medida que gostaria.
E sem vergonhas (nem tabus, já agora). Já antes o disse. Amar é tão bom... Que nunca «passe de moda», chamem-lhe piroso ou o que seja. Porque eu espero viver sempre assim!

Publicado por: Andy em julho 20, 2005 05:50 PM

Karla, só mesmo pataniscas não é? Também creio que sim, que isto se aplica a todos. Mas há uns com uma carapaça mais dura que outros (mas eu não quero entrar por aí que este post como afirmei não pretendia ser um autodiagnóstico)

Zoick, quanto a mim, mantenho, isto define toda a gente

Maria A. não foi há muito tempo, creio, que terei aqui deixado escrito qualquer coisa sobre isso de o amar ser antes de tudo um acto de egoísmo

Andy, agora fiquei atrapalhado, depois de ter confirmado com a Maria A. a opinião que partilho. Mas de facto, como dizes, até o termo "amor" é mais dificil de usar do que pretendemos fazer crer ... será de facto o receio de ser piroso ou simplesmente um quadro de inibições que está por trás do que o post diz?

Publicado por: Eufigénio em julho 20, 2005 06:04 PM

Ambos, julgo eu. Os receios são verdade, e as inibições são tantas, para todos - não sei quais deles terão provocado os outros.

Pode ser difícil de mostrar, mas é lindo. Mas até está lá, sem grandes disfarces, no teu post. Tira-lhe o «que» e lá está: «EU AMO». Agora assim mesmo, em maísculas. Sem receios, mesmo o de ser egoísta!, há que mostrar («usar») o Amor.

Eu amo.

Publicado por: Andy em julho 20, 2005 06:16 PM

Ando tanta vez tão embrulhada no meu umbigo, ou no ritmo de vida em que me perco, ou na crença que já sei enganosa que amanhã também será dia, que me esqueço com frequência dos pequenos gestos que alimentam o amor e a amizade. Não quer dizer nunca que se sinta menos, não é? Apenas andamos a fazer tanta coisa que nos dizem ser importante que só depois, muito depois, quando aparecem as perdas, nos lembramos como teria sido bem mais importante dar um pouco mais. De todas as vezes que me lembro disso - e hoje tu recordaste-mo - penso em redimir-me, erguendo novamente a bandeira do "não vou mais deixar acontecer". E, no entanto, amanhã darei por mim a cometer outra vez os mesmos erros. Resta-me a esperança de saber que, quem gosta de mim e de quem eu gosto, sabe bem que não é pela quantidade de demonstrações do meu afecto que o poderão medir. Resta-me esperar ser capaz de estar presente quando for necessário e que os meus bem-queridos ainda saibam recorrer a mim, como eu recorro a eles quando já não dá para mais.

Publicado por: Hipatia em julho 20, 2005 06:32 PM

Hipatia,
Pois é isso mesmo que dizes, o que eu acho que na maior parte das vezes está por trás, o tal "amanhã também se pode resolver isso". É isso mesmo que dizes, na minha opinião, a grande razão para as coisas que tantas vezes ficam por dizer e mostrar, como se fossem para um montinho de coisas urgentes para despacho para aguardarem a sua vez ... e o tempo, esse é semore a nossa desculpa.

Andy,
Não creio que seja preciso verberar que amamos, por vezes basta apenas ter "espaço" para o mostrar

Publicado por: Eufigénio em julho 20, 2005 06:47 PM

Eu amo!
de amor carnal, natural,
filial ou paternal.
Amo!
ao longe, ao perto,
decerto, por
mais errado que esteja
ou seja, eu
Amo!


[foi do bacalhau, pá! :))) tiveste direito a uma estreia!]

Publicado por: cap em julho 20, 2005 07:57 PM

Ena pá, esse bacalhau caíu-te bem Cap !
E agora, comento ou aqui ou comento lá?

Publicado por: Eufigénio em julho 20, 2005 08:46 PM

Comentas onde te aprouver, já começaste... ;)

Publicado por: cap em julho 20, 2005 11:03 PM

Coincidência! Também me deu para isto hoje!
Beijinhos

Publicado por: madalena em julho 21, 2005 12:17 AM

venho por este meio comentar um post seu de maio, intitulado, já nem me lembro tal a bezana de chop em que encontro neste momento sobre o equilibrio de coriolis. este seu "colega" poderá esclarecê-lo em bem aqui, http://cognosco.blogs.sapo.pt/arquivo/577776.html
estou no brasil pela segunda vez na vida, e com uns copos a mais acabei por repetir a experiência umas 3 vezes (essa da banheira mas no lavatório). como a casa não é minha, não acho possível repeti-la outras 3 vezes deixando a água no lavatório um dia inteiro em cada uma delas (vide link acima para entender o contexto, fiz copy paste de parte do meu comentário anterior)... tal é a minha bezana que vim pesquisar o coriolis encontrando neste santo post! e outros claro
quanto à pila, já reparou que a maioria de nós não somos canhotos? porque razão não sei, talvez simples influência dos pais e da sua educação, por vezes obrigatória em escrever com a mão direita, mas se o acto de escrever se corresponder ao acto da punheta, então a concavidade das nossas mãos, fará, com o tempo, a pila tomar uma inclinação bloquista. espero que a minha acha tenha ateado ainda mais a sua fogueira. mas, não tomo como exemplo eu próprio, pois só corroboro esta regra, sendo eu próprio o exemplo da excepção à regra pois bato com a esquerda apesar de me ter iniciado com a direita... NB: ela ainda continua inclinada para a esquerda, o que me leva a crer que os comportamentos em fase de crescimento nos deixam marcas que deverão perdurar uma vida inteira... diga à sua amiga para se deixar de sondagens, ela que estude a fundo a questão, nem que para isso, se tenha de ajoelhar... lol

Publicado por: alarvo em julho 21, 2005 06:45 AM

Ok, Eufigénio, desatenção minha ao ler suas palavras. Reli e noto que se aplica a toda a gente. Acontece que, por vezes, acabamos por ler da forma que nos apetece ler, inconscientemente, claro...

Publicado por: Zoick em julho 21, 2005 10:16 AM

É bem verdade...

Publicado por: sofia em julho 21, 2005 10:59 AM

Queres beijinhos, é? Anda cá ao tubarão, senta aqui no meu colinho...
Andas feito um meloso, méne. :)

Publicado por: sharkinho em julho 21, 2005 11:03 AM

Alarvo,
Só posso desejar uma boa ressaca, e agradeço a URL que me deixa, que efectivamente é uma abordagem bem mais cuidada ao dito coriólis. (a parte final irei ignorá-la e atribui-la ao "chop").

Zoick, agora sou tratado por "si"? olham'este!? E apenas para dizer que, "não por vezes", mas "sempre", devemos ler da forma que nos apetece ler. Também eu sou leitor da minha escrita, não por presunção, mas porque não me vejo sobre ela com qualquer propriedade. Apenas transmiti a minha opinião, do que interpreto do texto, o que não era um "afastar" da tua opinião

Publicado por: Eufigénio em julho 21, 2005 02:12 PM

Pois é Sofia, e às vezes não será por isso que as "as pessoas chocam entre elas" ?

beijinhos de Tubarão? tá bem, tá

Publicado por: Eufigénio em julho 21, 2005 02:16 PM

Eufigénio,
Sim, tratei-te por um "si bemol" (que raio de piada sem graça!), mas não foi intencional.

Sofia,
suponho que esta falta de "saber amar mais" não cause choques. Quanto muito afastamento em alguma situações extremas.

Publicado por: Zoick em julho 21, 2005 02:34 PM

Ups, o ultimo comentário, afinal, não se dirige à Sofia, mas ao Eufigénio. E acrescento: explica lá esse "choque", que eu não entendi bem, se calhar.

Publicado por: Zoick em julho 21, 2005 02:36 PM

"choque" ? Foste tu quem falou em choques Zoick.

Publicado por: Eufigénio em julho 21, 2005 02:58 PM

já que referiste «bacalhau»vou armar-me em carapau.
nesta coisa da expressão de sentimentos, quando as palavras deixam muito a desejar, use-se o olhar.
se não chegar o olhar, tente-se o gesto.
não sendo o gesto suficiente, porque não as mãos, elas mesmas?
depois de tudo tentar, nada funcionando, é porque o amor se foi.
talvez o significado do estupor da palavra seja mesmo esse: tudo tentar.

Publicado por: jose quintas em julho 21, 2005 03:06 PM

Zoick, o "choque" vinha de outra casa, não é Eufigénio? ;)
E és bem capaz de ter razão. Afinal de contas, polir os feitios também é amar mais. Só que nem sempre o sabemos ou conseguimos fazer.

Publicado por: sofia em julho 21, 2005 03:15 PM

José Quintas, que lascivo homem, este era um post platónico, nada da mãos!

Agora a sério, é bem verdade o que dizes, felizmente temos mais que a palavra, (e já o tinha dito em cima), ela aliás nem me parece essencial. Mas são tantas as vezes nos faz escravos dela, como se nos quisesse convencer que, se não a proferissemos, estivessemos a perder a última oportunidade.

Publicado por: Eufigénio em julho 21, 2005 03:15 PM

Ai, isto está a transformar-se num forum do amor (olhem que eu não me sinto nada à vontade a tratar assim estas coisas, lá está). É isso mesmo Sofia, eu não tinha reparado que era daí a referência. Zoick, relacionei o comentário da Sofia com algo que ela escreveu na casa dela. Não o devia fazer, bem sei, é pouco simpático, as minhas desculpas por isso e pela confusão que lancei.

Sofia, provavelmente isso (polir feitios) é o maior segredo do amor, essa guerra entre nós e os outros (que amamos)

Publicado por: Eufigénio em julho 21, 2005 03:19 PM

há coisas que só se aprendem na inevitabilidade da perda.só quando sentes que esse tempo ja não existe,quando és assaltado por pensamentos sinistros do género e se amanhã já não me ouve? sentes aquela compulsão de dizer gosto muito,muito de ti.
há coisas, Eufigénio que por muito que tentemos, nunca aprenderemos antes.
um beijo
(desculpa este desabafo)

Publicado por: riquita em julho 21, 2005 04:32 PM

Ora essa Riquita, aliás, desabafos (fundamentados ou não) é o que temos andado todos a deixar por aqui.

[É um absurdo quando se descobre que as coisas seguiram assim só porque não houve 'tempo' para tratar disso, mas ainda assim, somos muitas vezes capazes de teimar na nossa 'mudez']

Publicado por: Eufigénio em julho 21, 2005 04:51 PM

Obrigado pelo Post.

Publicado por: Santa Cita em julho 21, 2005 05:21 PM