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junho 18, 2005

Um blogue também pode ser isto – uma alarmante ficção do que somos

Em conversa de comentários trocados, a propósito de mais uma minha contrição pública, esta aqui no post debaixo, dizia eu que:

“Pois Karla, isto dos blogues tem destas coisas. Um gajo mete um post e vai logo mais aliviadinho para casa. E se alguém disser alguma coisa eu é logo: "E já leste o post que eu pus hoje? já? Pois, tu nem lês o Blogue e depois chegas aqui a dizer que eu sou isto e aquilo, olha que eu sou muito boa pessoa, e quando faço merda escrevo logo um post a seguir para me retratar"

Agora a continuar, já com a ironia posta de lado, e a pensar mais nisto, que esta coisa de ter um blog pode trazer-nos a ilusão fácil de fantasiarmos quem somos e, numa determinada perspectiva, que editar um post pode até ser uma desonesta tentativa de dar por feito, ou dito, ou até mesmo reparado, o que de facto não chegámos a fazer.

E nesta aparência fantasia que aqui pouco a pouco construímos com palavras até prevejo o risco de a nossa realidade se poder transformar numa almiscarada manta de retalhos de coisas que não chegaram verdadeiramente a acontecer, e nós, cada vez mais, numa construção ficção do que somos.

Publicado por Eufigénio Lagoa às junho 18, 2005 10:29 AM

Comentários

subscrevo e mais não digo...aliás, já te disse que gosto de ti?

Publicado por: Luna em junho 18, 2005 11:52 AM

Então, em que ficamos? ainda no post de baixo disseste que já não gostavas

Publicado por: Eufigénio em junho 18, 2005 02:18 PM

Vês Eufigénio, é por essas e por outras, que eu não tenho um blog. Para não ficcionar. ;-)

Publicado por: karla em junho 18, 2005 07:56 PM

Não somos nós a construção que de nós fizemos?...

As tuas prosas fazem-me pensar porque questionam sempre o porquê de fazermos o que fazemos. Nesta só me de que: o poeta é um fingidor (...) finge até que é dor a dor que deveras sente.

Publicado por: maria arvore em junho 18, 2005 11:21 PM

Karla,
Mas ficcionar não é necessariamente mau :)

M. Árvore,
Eu só quero que me digas quem é esse tipo que me anda a plagiar descaradamente, eu só quero que me digas

Publicado por: Eufigénio em junho 18, 2005 11:37 PM

Eufigénio ;)
nem sei se te diga quem é o rapaz para não te maçares mais. Podia ser qualquer pessoa. ;)

Publicado por: maria arvore em junho 18, 2005 11:46 PM

deixa ver, joaquim pessoa?

Publicado por: Eufigénio em junho 19, 2005 12:11 AM

....mas gosto! e do q escreves mais ainda, no de baixo foi uma maneira de me castigar tb a mim, tb sou energumena por vezes!

Publicado por: Luna em junho 19, 2005 01:46 AM

Pronto, pronto! Eu confesso que é do Fernando Pessoa.

Publicado por: maria arvore em junho 19, 2005 01:28 PM

Ah bom :) (para as duas)

Publicado por: Eufigénio em junho 19, 2005 01:39 PM

Eu só lhe tirava o alarmante...

Publicado por: cap em junho 20, 2005 12:44 AM

E fica assim mesmo, sem alarme nem nada? Hummm

Publicado por: Eufigénio em junho 20, 2005 12:56 AM

:)
Ao fim de alguns posts, já nem sequer a nós conseguimos enganar. Para quê o alarme, então? ;)

Publicado por: cap em junho 20, 2005 01:03 AM

Recuso-me a aceitar que, depois dos 40 anos, me deixe aliciar dessa maneira por um servidor provavelmente fabricado em taiwan. Há princípios que um homem deve saber manter, sobretudo se tiver um blogue!

Publicado por: Eufigénio em junho 20, 2005 09:49 AM

Não me parece ser desonestidade editar um post. Bem, talvez um bocadinho se alterar o sentido de algo que se escreveu antes e, nessa correcção, deixar comentários a pairar sem rede.
Na maior parte das vezes, editar 'apenas' demonstra vontade de aperfeiçoamento.

Parece que há quem prefira deixar (ou afirmar que deixa, não é possível ter a certeza) o post como veio ao mundo, com todas as eventuais imperfeições, como um registo em bruto dum momento que ficou para trás.
Será uma opção, tão válida como a anterior.
Venha o diabo e escolha.
(ok, escolhi a 1ª:))

Publicado por: jose quintas em junho 20, 2005 01:35 PM