« Lassidão | Entrada | Um blogue também pode ser isto – uma alarmante ficção do que somos »

junho 17, 2005

Este post é só para ser lido por energúmenos

(umas 500 vezes pelo menos)

Há alturas em que um pai se sente um energúmeno. Quando? Sei lá, posso sempre tentar criar uma situação para exemplificar. Ora suponhamos que há um tio baril que convida um miúdo para ir passar o fim-de-semana ao Algarve com primas e piscinas e sol e não-pais, aquelas coisas todas porque os putos se pelam. Entretanto o paizinho chega a casa ontem, já noite dentro, preocupado com imensas coisas pois claro, como por exemplo o tentar disfarçar o cheiro do charuto que fumou porque alem de energúmeno tem uma noção pantanosa do que é um compromisso seu e julga que se os outros não descobrirem que ele se foi abaixo então é como se nem tivesse pegado no isqueiro e, já nem se lembra da coisa como se depreenderá. E vai daí o fedelho arranca no dia seguinte para a escola mas sem a mochila que deveria ter sido feita para ele levar quando o tio - o tal que é um baril - o apanhasse na escola. E o pai – o tal que é um energúmeno - lembra-se disso às 14h47 fica em pânico e liga logo para a mãe do coitado do miúdo, que as mães têm sempre solução para tudo e além disso descarta logo as culpas que pois claro avisou mais do que a tempo. A verdade é que a coisa lá se resolve, porque o tio que ainda é mais baril do que parecia antes concorda em passar pela casa do Diogo, onde também mora o pai que é um energúmeno, e a mãe que se chega à frente sempre que o pai que é um energúmeno acha que está muito cansado para se lembrar destas coisas que dão imenso trabalho, e onde afinal até está a empregada que entretanto fez a mochila. No meio disto tudo, salva-se o tio, a mãe do Diogo e o Diogo propriamente dito que afinal sempre vai para o Algarve.

E agora pergunta-se, “mas então, se a coisa até se resolveu, porque é que o pai continua a ser um energúmeno”, e já todos a pensarem que o exemplo não é bem escolhido não é? Porque meus amigos, porque, o pai que é um absoluto energúmeno, não só não se lembrou da coisa, como nada fez para a resolver. Eu sei, eu sei, isso não muda nada. Só que a moral da história aparece sempre só no fim, há que ter paciência. Porque o pai que enfim é o energúmeno que aqui neste exemplo se pretende demonstrar, não só não mostrou qualquer discernimento como em vez de ajudar a resolver a situação deu consigo logo a pensar que “se o miúdo nem sequer sabe da combinação, então nem sequer pode sentir pena disso = problema resolvido”. Não sei se o exemplo foi claro. Foi?

Nota: não fique preocupado, o título do post só se aplica aos que o lerem 500 vezes, o que admito só seja o meu caso

Publicado por Eufigénio Lagoa às junho 17, 2005 03:50 PM

Comentários

(ora então, ler mais 499 vezes...)

Publicado por: mãe muitas vezes energumena em junho 17, 2005 03:57 PM

A culpabilidade é uma coisa fod ... lixada. Mas retrataste-te bem. E o miúdo até tem sorte em ter um energúmeno destes, por pai.

Publicado por: karla em junho 17, 2005 04:02 PM

aqui já só faltam 496

Publicado por: energúmeno quem? eu nem conheço nenhum Diogo em junho 17, 2005 04:04 PM

Pois Karla,
Isto dos blogues tem destas coisas. Um gajo mete um post e vai logo mais aliviadinho para casa. E se alguém disser alguma coisa eu é logo: "E já leste o post que eu pus? já? Pois tu nem lês o Blogue e depois chegas aqui a dizer que eu sou isto e aquilo, olha que eu sou muito boa pessoa, e quando faço merda escrevo logo um post a seguir para me retratar"
:)))

Publicado por: Eufigénio em junho 17, 2005 04:07 PM

O culpado tem por acusador a sua consciência.

Publicado por: bill em junho 17, 2005 04:18 PM

(Raios partam a ressaca!)

Publicado por: bill em junho 17, 2005 04:20 PM

Pois é. Festa é festa. Depois vem o esquecimento.
O tal tio bacano, sabe dar boas boleias. Ontem foi ele que me safou.

Publicado por: MB em junho 17, 2005 04:49 PM

(mas de quais fumaste tu Bill, foi das não-sei-quê-del-rio?)

MB, pois, o gajo tem jeito com miúdos

Publicado por: Eufigénio em junho 17, 2005 04:52 PM

Foi à beira do rio, foi.

Publicado por: bill em junho 17, 2005 04:59 PM

Pois é. Eu com a minha idade não me esqueço das coisas.
Agora tu, com a tua idade, já te vais esquecendo das coisas.

Publicado por: MB em junho 17, 2005 05:01 PM

O bom vinho alegra o coração do homem.

Publicado por: bill em junho 17, 2005 05:04 PM

Olá Bill, oi MB...volto já vou ler as 499 que me falta. Da-ssse que isto de ser energumena tem q se lhe diga

Publicado por: Luna em junho 17, 2005 05:45 PM

Oh meu, será que não tens problemas na degradação dos esfingolipidios?

Publicado por: xico em junho 17, 2005 06:16 PM

Estejam à vontade que eu puxo já umas cadeirinhas para aqui (primeiro o Bill que o gajo não anda bem)

Xico (!!), estás a perguntar se ando com dores de garganta (ou tem a ver com algum legume que deixei de molho para o jantar)?

Publicado por: Eufigénio em junho 17, 2005 06:43 PM

Iá môm! Kraftwerk! Osso buco, etc.

Publicado por: bill em junho 17, 2005 07:01 PM

...350, MB não percebi essa da idade??? terá a ver com velhice? chamaram-te velho? eu desminto já!

Publicado por: Luna em junho 17, 2005 07:02 PM

eu não acredito energumeno eg que te tenha passado essa pela tola ele não sabe, pas problem?????eu q até te achava um gajo lindo e q até gostava de ti!!!!
O bill anda mal? n parece com a pinta dos comentários

Publicado por: Luna em junho 17, 2005 07:07 PM

Xico barão???

Publicado por: bill em junho 17, 2005 07:10 PM

Passaram-se? Andam a fumar o quê, vocês?

Publicado por: karla em junho 17, 2005 07:56 PM

Deixa lá que ainda hás-de ter a oportunidade de voltar a ser um energúmeno muitas vezes. (Comes with the job.)

Publicado por: susana em junho 17, 2005 08:02 PM

Não digas nada Karla, nem digas nada :(

(a última vez que os vi, ontem à noite, eram só charutos, mas provavelmente não vieram para casa ao mesmo tempo que eu ... ai da minha vida, aqui em público, neste blogue - e isto não é um chat, isto não é um chat - que deu tanto trabalho a fazer-se respeitável)

Publicado por: Eufigénio em junho 17, 2005 08:03 PM

Mesmo depois de ler 500 vezes o texto Susana? Até assim?

(e notaste que já não escrevo o teu nome com "z"?)

Publicado por: Eufigénio em junho 17, 2005 08:04 PM

Diz-me que só os "pais energúmenos" é que têm de ler o post 500 vezes. Que os energúmenos em geral estão safos, Eufigénio...

Publicado por: alchemist em junho 17, 2005 10:34 PM

Pois notei, Eufigénio!; assim se comprova que o teu discernimento se amplia a todo o momento :)

Publicado por: susana em junho 17, 2005 11:22 PM

Claro que estão safos Alchemist, pois um energúmeno só o é verdadeiramente se o praticar com os filhos.

Isso Susana e a vantagem de se comentar em casa própria, onde afinal se pode ter a borracha sempre à mão ;)

Publicado por: Eufigénio em junho 17, 2005 11:45 PM

Obrigado, Eufigénio. Como penitência (perdão, agradecimento), entrego-te as 499 de que me safaste.

Publicado por: alchemist em junho 18, 2005 12:12 AM

Olha lá, 500 é muita coisa... Não posso ler às prestações?

Publicado por: como diz a Susana, ossos do ofício em junho 18, 2005 02:37 AM

Mas isto hoje toda a gente quer ser energúmena? Já um gajo não pode ter um filho, ai queria dizer uma ideia, que querem logo todos contar até 1000. Cap, às prestações terás de pagar juros, o que fica por 10 x 53 leituras. E no fim oferecemos um raminho de oliveira para quem precisar de se açoitar

Publicado por: Eufigénio ao balcão 3 em junho 18, 2005 02:57 AM

Nem li. Mas concordo, não há nada melhor do que insultor os leitores. Eles adoram e fidelizam-se.

Publicado por: jpt em junho 18, 2005 10:33 AM

Mariquinhas (e aqui não se insulta ninguém, quer dizer, para além de mim)

Publicado por: Eufigénio em junho 18, 2005 10:42 AM

Isso é um juro muito elevado.
(também tens olho para o comércio... qualquer dia ainda temos de pagar para te ler, não?) ;)

Publicado por: cap em junho 20, 2005 12:43 AM