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junho 21, 2005

(des)Educar (n)a contradição (pode estragar o jantar dos outros)

E a questão filhos, é que nada disto é importante. Nada será tão importante quanto o que vocês no fim acharem. Nem mesmo o que eu digo, mesmo que eu o diga … Oops

Há pedagogia nisto? É tentar fazer os filhos maiores que nós, ou é apenas o embuste dos tempos modernos a criar selvagens entorpecidos? Quanto a mim andam aí muitas falsificações de Montessori (*) e demasiadas crianças com iniciativa “a mais” a bater o pé irritantemente.

(*) Não era esta senhora que dizia que o erro é que os preparamos para a guerra ao invés de os prepararmos para a paz? Mas pior, (digo eu), é não os prepararmos para ser nada para além deles, só eles, eles, eles, eles

Publicado por Eufigénio Lagoa às junho 21, 2005 11:16 AM

Comentários

Pode estragar muito mais que o jantar...

Tens razão, qual é o segredo (haverá algum?), onde está o equilíbrio (será possível de obter?)

Como prepará-los, e para quê? Também vivo nessa dúvida, e é tão difícil!

Mas, de novo concordo, pior é não fazer nada, com o receio de errar, e cair no erro maior.

Porque «fazer os filhos maiores que nós» é belo e sublime, mas há por aí tantas «crianças irritantes»... que resultam em alguns «adultos» que conhecemos...

Alguém sabe o caminho?

Publicado por: Andy em junho 21, 2005 12:22 PM

Crianças com iniciativa, é bom !
Crianças ao Deus-dará, é um perigo!

Publicado por: karla em junho 21, 2005 12:38 PM

Eufigénio

Abres uma porta que dava azo a uma tonelada de posts...

Crianças mal-educadas não é sinónimo de crianças felizes. São, frequentemente, crianças eternamente insatisfeitas.

Anda por aí muito pai/mãe enganado quando pensa que deixar o seu filhote livre que nem um passarinho encharcando-o de tudo e mais alguma coisa é o melhor que podem fazer por ele. Esse é o passaporte para um vida triste, insatisfeita, sem instrumentos para conquistar o prazer do quotidiano.

Tanta coisa que fica por dizer... o que é realmente liberdade; o que queremos para os nossos filhos; como passamos da teoria à prática...

Publicado por: Condessa às Avessas em junho 21, 2005 01:07 PM

Continuo a achar que a educação é uma coisa simples:
1.Vamos brincar - que isso é o mais importante;
2. Isso não se pode fazer - e não fazes ponto;
3. Enquanto eu souber mais do que tu vais ouvir-me e aprender - que eu ouço-te enquanto aprendes a ser diferente de mim;
4. Atenção aos outros - sem eles não vales nada, o que não quer dizer que lhes sigas os exemplos;
5. Nada do que aqui vês é teu - há uma história por detrás de tudo da qual é preciso querer fazer parte

Basta exercê-la! (que ainda por cima é gratuita e dá imenso gozo)

Publicado por: Eufigénio em junho 21, 2005 01:44 PM

Parece-me que os pais devem dar a oportunidade aos filhos de optar.
Mas parece-me que isso implica antes que se lhes dê a conhecer as possibilidades de escolha.
E que os filhos sejam responsabilizados pelas suas opções que meçam as consequências das suas atitudes antes de as tomares.
Logo, enquanto são miúdos devem fazer os que os papás mandam embora recebam todas as explicações. Devem ser responsabilizados nas pequenas coisas como levar o cão à rua, para terem experiência do que é quando tiverem de ter responsabilidades «sérias».
A liberdade não se ganha, conquista-se. E as coisas mais saborosas da vida são aquelas que conseguimos com o nosso esforço.

Publicado por: maria árvore em junho 21, 2005 02:00 PM

Não concordo contigo Eufigénio. Educar não é nada fácil. É uma missão, por vezes, quase impossível. Mas é, também, um grande desafio que não só possibilita (ou não) o desabrochar dos nossos pimpolhos como nos ajuda a crescer fazendo-nos questionar sobre aquilo que damos como certo.

Ao nível mais pragmático da questão já concordo (um pouco) contigo. ;)

É sabermos brincar com eles;
é saber dizer não de forma serena mas firme;
é mostrar-lhes os limites;
é não aceitar respostas do tipo "Não, porque não" (que tanto jeito nos dá por vezes);
é incentivá-los a pensarem pelas suas próprias cabeças e a desenvolverem o espírito crítico;
é sermos coerentes;
é sermos afectivos e não termos medo do toque e do elogio;
é sermos cúmplices deles;
é sabermos ouvir o que têm para nos dizer;
é sabermos aceitar as suas críticas;
é aprendermos com eles;
é sermos exigentes;
é sabermos tirar partido da vida com eles;
é tanta coisa...

Desculpa o lençol...

Publicado por: Condessa às Avessas em junho 21, 2005 03:43 PM

Estou de acordo mais ou menos com tudo e deixo uma frase da minha bisavó, que a minha mãe cita amiúde: "Dantes dizíamos que era má-criação, agora os pais dizem que é personalidade..."

Publicado por: susanba em junho 21, 2005 04:07 PM

a avó não será a mesma mas concorda(va)m

Publicado por: jpt em junho 21, 2005 06:09 PM

Concordo com a "responsabilização" que falas Maria A., e acrescentava outra não menos menosprezada nisto de chegar até eles: a "socialização"

Eu discordo que tu não concordes Condessa às Avessas, porque no fundo concordamos (e lençol não é um texto tão acertado quanto esse, aqui escondido no meio dos comentários, os lençois não são isso)

Nem todos tivemos as mesmas bisavós Susana, infelizmente. E agora as "avós" são quase sempre as mesmas, ligam-se quando chegamos a casa e desligam-se antes de deitar. Talvez venha dessas esse feitiço da "personalidade". Tanta coisa e tão pouca gente na educação deles.

E a minha tb JPT. E estou certo que não será de nenhuma avó que vem a culpa, que isto é coisa mais recente

Publicado por: Eufigénio em junho 21, 2005 06:30 PM

Sem contradições, ou melhor: contrariedades, não há verdadeira educação. Não pode!

Publicado por: cap em junho 21, 2005 08:05 PM

Pois Cap, nem a cartilha de João de Deus, mas que haja alguma, mesmo com folhas soltas

Publicado por: Eufigénio em junho 21, 2005 10:16 PM