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maio 17, 2005

O Matadouro de Beirolas
I - A fábrica da carne

Onde hoje é parte do elegante bairro da Expo já houve um matadouro, o Matadouro de Beirolas, o maior do país diziam. E era de facto enorme. Só no seu edifício principal, onde se desenrolava todo o processo, trabalhavam mais de 1.500 pessoas.

Lá dentro encadeava-se uma sequência interminável de ofícios, onde cada homem se entregava a uma tarefa taylorista com que contribuía para o esquartejar, separar ou expedir das carnes. Olhando-a de frente, àquela fábrica, era possível presumir a azáfama que lhe ia por dentro. De um dos lados chegava distintamente o urrar desenfreado, já o pressentimento, dos animais que aguardavam em filas de camiões que se descarregassem para a morte. Do outro lado, no embarcadouro a nascente, notava-se o corrupio de vultos que arcavam a carne já preparada para dentro de camiões frigoríficos. Pelo meio, ao longo de 300 metros, podia-se então imaginar todo o evoluir do processo, cadências ritmadas de trabalho, calejadas já de indiferença para com a natureza desta lida.

(a recordar, a continuar, talvez hoje, ao serão)

Publicado por Eufigénio Lagoa às maio 17, 2005 12:27 PM

Comentários

Não fazia a minima ideia que em tempos houve um matadouro em Beirolas.

Publicado por: luisvillas em maio 17, 2005 01:28 PM

Este matadouro tem poesia:
«tarefa taylorista», «calejadas já de indiferença» . :)

(vou fumar um cigarro enquanto espero a continuação desta saga neo-realista)

Publicado por: maria árvore em maio 17, 2005 03:42 PM

Nesse caso Luis, ainda há-de ficar mais supreendido.

Oh M. Árvore, encontrar poesia no Taylor, só tu, só mesmo tu :)

Publicado por: Eufigénio em maio 17, 2005 05:53 PM

bolas, Eufigénio, quebraste +1 tabuzito dos meus
é muito raro conseguir entrar em textos deste género. tal como com a poesia, só em estados extremos costumo lá chegar.
neste, foi talvez à 4ª vez que lhe passei os olhos por cima. e agora a sério que fiquei curioso com os restantes episódios que anunciaste mais acima

(sobre o Taylor, se é o 'bife' do séc.XIX que eu associo a uma coisa antiga que me obrigaram a estudar «organização qualquer coisa? do trabalho», tb acho que o gajo é de fugir mas não há como a Maria para lhe dar a volta:)

Publicado por: JQ em maio 17, 2005 11:39 PM