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maio 26, 2005

É o seu autor que parte quando um blog se fecha, por isso
não é do que li que sinto a perca, é do que ainda queria ler dele

Hoje, finalmente, assumi que teria de enfrentar o desaparecimento de alguns blogs que tenho n’as minhas voltas, e ousar quebrar-lhes os links (elos aqui julgo serem definitivamente mais apropriados de aplicar - acho que agora consigo atingir o verdadeiro significado que lhe queres dar JPT). E nesta renitência em desfazer as ligações a blogs que desaparecem permanece a sensação de que, mais do que os textos que perco, (que perderei), é o caminho até ao seu autor que encerro, e assim, é o homem que faço desaparecer. Como se ao mantê-los aqui ainda conseguisse suspender o seu eclipse.

Escrever aqui é mais do que o saber fazer bem, com acutilância, ou ironia, ou estética, ou rigor, em registos mais culturais ou jornalísticas, ou diarísticos, ou seja lá o que for. É fazer passar algo de nós - não o que escrupulosamente pretendemos passar, nada de tão cuidado e organizado - neste momento, com as nossas contradições, as nossas variâncias de espírito, os nossos humores, a nossa imaginação, os nossos repentes. Não é só o texto que aqui pomos, é também a parte do aqui estar.

Por isso, quando se fecha um blog, não lamentamos apenas as palavras que iremos perder, mas também o “desaparecimento” do seu autor, ou seguramente mais do que isso, que há um homem ali por trás, já não apenas autor. Por isso, mais do que os textos ou as imagens que li, é o que ainda teria para ler, para descobrir, que lamento perder. E nisto tudo há saudade. E sim, pode-se falar verdadeiramente de despedidas, não se trata da (tão propalada) imatura e excessiva afectividade virtual, essa juvenilidade da net. Aqui as deixo, então às despedidas, a estes homens:

* Onan da Seita de Fénix
* (?) da Revolta das palavras
* NTC do Arcabuz
* Unstress do Stress
* Zeca Telhado do Tá de Chuva

Que estendo a todos os que antes já houvera delinkado

Serve para agradecer, e manter aqui os caminhos até lá, que há sempre a possibilidade, a esperança, de um irrefreável regresso

Obrigado
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E ocorre-me agora

e sem mais, neste contexto, justificar-me da volta do Afixe , que é blog que continuo a ver nas minhas voltas, que há lá muita gente que gosto de ler, que é blog onde espero pelas coisas que "ainda se irão lá escrever". E que por isso, para além de tudo, não o poderei fazer (fingir) desaparecido por esta ou aquela razão (já explicadas). Esta é mais umas das minhas contradições, ou sinceridades, ou puerilidades. Este é o meu blog afinal. Ou eu.

Publicado por Eufigénio Lagoa às maio 26, 2005 12:20 PM

Comentários

Eu até estava a pensar escrever qualquer coisa hoje... que azar :)

Não acho que seja necessáriamente assim como diz Eufigénio. Não se perde ninguém, da mesma forma que não se perde um homem ou uma mulher quando terminamos um livro ou filme ou outra coisa qualquer.

E na maior parte dos casos quando se encerra um blog é para (re)abrir outro.

Abraço

Publicado por: unstress em maio 26, 2005 02:57 PM

Oxalá Unstress. Mas seja como for, prefiro ter o prazer da ressuscitação do que a ausência que se perpetua e que não se resolve assim nunca. E espero que essas ressuscitações sejam devidamente anunciadas.

Abraço

Publicado por: Eufigénio em maio 26, 2005 09:43 PM

Não há elo que se faça que não se possa desfazer como a tapeçaria de Pénelope. É só mais um trabalhito de comandos.

E partilho as saudades das pessoas que são autores aqui e que me habituei a digerir para me alargar os horizontes dos dias.

Só não percebo a imaturidade da afectividade virtual. Não lhe basta ser virtual? rssss...

Publicado por: maria arvore em maio 26, 2005 10:01 PM

Nem eu a percebo bem Maria, a essa "afectividade". Por um lado eu resmungo que sim, quando sinto em mim saudades já não do que leio, mas da forma como sei que (já não) vou ler alguém. Por outro lado estou de dentes cerrados pronto a abrir um "sítio para provar a não afectividade virtual". E entre uma e outra, mais uma vez me caem as calças da coerência.

Publicado por: Eufigénio em maio 26, 2005 10:26 PM

Eu também me sinto assim quando desaparecem blogs que gosto de ler. E mesmo que abram outros, perde-se os futuros posts naquele estilo.

Publicado por: catarina em maio 26, 2005 11:20 PM

Catarina, exactamente (espero que o Unstress tenha "ouvido"), fica sempre a faltar o futuro, que já é outro, não aquele.

Publicado por: Eufigénio em maio 26, 2005 11:25 PM

Fica-se à espera, não é? - também não é mau, esperar alguma coisa.
Fico contente pela parte das re-inclusões :)

Publicado por: susana em maio 27, 2005 11:58 AM

Suzana,
As reinclusões nunca foram antes exclusões, sabes isso não sabes? Claro que sabes

Publicado por: Eufigénio em maio 27, 2005 12:25 PM

Claro que sei :)

Publicado por: susana em maio 28, 2005 02:39 PM