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maio 31, 2005

O meu compromisso

… com os meus filhos (ok, e convosco também; quantos mais melhor)

cigarro2.jpg Tinha treze anos quando comecei a fumar. Aos dezoito fumava um maço por dia, aos trinta fumava três, e actualmente fumo vinte e mais umas tantas cigarrilhas. Durante estes quase trinta anos não houve um único dia em que não me tivesse “chutado” com aquela maldição. Fugi para as casas de banho dos sítios onde estava hospitalizado, engoli em custo travos de fumo por entre amigdalites, levantei-me a meio de filmes para me ouvir argumentar mentiras, e disfarcei envergonhado com janelas abertas os sítios onde os meus filhos recém-nascidos viviam. Posso portanto reconhecer desde já: sou viciado, ponto um.

Ponto dois, sobre este “bicho” cá dentro: Não há tolerância nem efeito de escala, nem bons ou maus vícios. Ser viciado dói, devagarinho, muito lentamente, mas dói sempre, dói no fim. É algo que fazemos sem querer fazer, é algo que nos sabe bem quando nos faz mal, mas é acima de tudo, indigno. Tudo nesta puta de vício é indigno e fraco. Há algo mais indigno que um homem desculpar-se a si próprio? É indigna a explicação com que se vê um pai partir cedo de mais por culpa deste vício. É indigna a falta de amor próprio com que se relativiza um diagnóstico de uma bronquite crónica. É indigno interromper abruptamente uma brincadeira com os miúdos só porque aqueles rebolões na sala nos deixaram sem fôlego. É indigna a mentira com que se encobre as picadas no peito com um resfriado que se apanhou na noite anterior. Ainda nestes últimos dias foi a mentira que me acompanhou nesta farsa em que assumi que iria deixar de fumar. Reduzi para uns poucos, e há muito esforço nisso, mas até quando? Até que os truques psicológicos do todos os dias me levem a esquecer a promessa? Até só fumar um depois do almoço, e do jantar, e depois do pequeno almoço, e talvez ao lanche e só mais este, e aquele? E se esta merda não é droga pura, o que mais nos cerceia assim a vontade e o orgulho? E que não venham daí as agulhas e os calmantes e os pensos e as bruxas da vontade, que isto nasceu cá dentro e é cá dentro que se tem de matar.

Mas também é verdade que nunca tive em grande conta isto de ser eu. Se for fui e pronto, e não há nisso nenhum fervor autodestrutivo, apenas um desvalorizado apego à vida. Partilho do lema do “antes viver bem e curto”. Mas isso sou só “eu”, e esse “eu” já não existe. O “eu” real tem dois filhos, e isso faz toda a diferença. Desde que os trouxe a este mundo, (e quem é capaz de se arrepender disso), deixei de poder ser egoísta. Mas sou viciado. E por isso sei que já não basta traçar compromissos comigo, é preciso torná-los vaidade. E é por isso que logo à noite vou dizer-lhes na cara que não fumarei mais. E vou deixar letreiros em todo o lado, em cada esquina destes dias que cruzo. E vou pôr placards luminosos nos outros dias do resto da minha vida, para poder ver ao longe. Porque eu sei que vou querer fumar até ao último dia. Que seja então nesse dia apenas, nisso posso condescender, nesse dia poderei pensar só em mim. Até lá, vou é ganhar vergonha e ter o fôlego que um homem deve saber ter.

E isto não há-de ser assim tão difícil, basta apenas que todos os dias, ao chegar a casa, lhes possa responder a eles, olhos nos olhos, com um sorriso na boca.

E agora, aos leitores deste blog, para amanhã: Quase não preciso dizer o que devem esperar disto. Todos sabemos que este sítio é também ele uma esquina dos meus dias. Nunca escondi que aqui gosto de me divertir, confessar-me, recordar, acusar-me, disparatar, poder ouvir-me. É também aqui que virei combater o “bicho”. Receio que se venha a tornar um sítio obsessivo (basta “ouvir” o tom deste post), e presumo que isso não o vá tornar simpático. Pois.

Ah, e já agora, sabia que hoje se comemora o Dia Mundial sem Tabaco? Não, não estou a sugerir nada, mas se quiserem passem pelo Atuleirus (de onde roubei em desespero de causa a foto) para lerem umas coisinhas interessantes, por exemplo aqui ou aqui.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:00 PM | Comentários (28)

Plantar uma árvore (e porque não hortênsias), escrever um livro (ou um blog, um blog também deve dar) e ter um filho (e se forem dois ainda deve dar mais efeito)

Depois de muita asneirada aqui na casa das máquinas, acabei por ter de fazer um “rebuild” ao blog, no que constatei já existirem 508 páginas. Ora, eu não sei bem o que aqui é uma página, mas mesmo admitindo isto com letrinha miudinha acho que já deve dar para um bom livro, quem sabe até se não terá espessura suficiente para uma encadernação a pele.

Pois bem, se juntar a isso os meus dois filhos “postas rolantes” (eles próprios grandes contribuintes deste “livro”), e considerando que pelo menos as hortênsias do meu pátio foram plantadas por estas mãos, então …

… isso já faz de mim um homem completo !!!

Agora acho que vou ficar por aqui a despachar correio enquanto espero ansioso pelo efeito.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:20 AM | Comentários (12)

maio 30, 2005

Ahhhhhhhhhhhhh

Já me sinto muito melhor

(esta merda é mesmo terapêutica)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:24 PM | Comentários (17)

Há qualquer coisa em mim que não está bem

eu já senti isto antes, eu ...

IMAG011bapequena.jpg

que se lixe! que se ...

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:16 PM | Comentários (1)

Estou convictamente decidido a dar cabo deste blogue

Irrita-me este ar de coisinha arrumada,
armado em pai de família de risco ao meio.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:10 PM | Comentários (10)

Post "reset campo de ourique"

(é giro o trocadilho não é?)

Pois. Saíu-me agora. Pois. Piada catita. Pois é. Pois

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:04 PM

Post esfregão

Este post
serve apenas
para empurrar
o post anterior
para baixo
que aquilo
dá um ar amaricado
a isto
que tanto
trabalho
deu
para parecer
um
blog
de
...
agora
não me lembro
de quê
mas não
faz mal
pois assim

deve
chegar

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:56 PM | Comentários (2)

A minha “mão verde”

(e também me desenrasco bem na cozinha e também tenho algum jeito com as bricolagens ... olha para mim assim tão prendado e tão fútil à janela)

Assim, chegado a casa cedo, e estranhando de me ver sozinho. Assim com a calma do cair da tarde, conversando com as minhas coisas. Assim, neste momento, aquilo de que mais me orgulho é das minhas hortênsias
hort0003a.JPG

Pelo menos enquanto não chegam os três.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:26 PM | Comentários (7)

Odores

Ultimamente a blogosfera cheira-me a refogados e a bolinhos de amêndoa, só ainda não percebi de onde vem tanto odor culinário

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:59 PM | Comentários (2)

O Pontapé ( III / II (?) )

(Antes que alguém comece a desvalorizar o meu feito desportivo)

Há alguma coisa que tenha mais realidade que as histórias inverosímeis que ouvíamos confirmadas pelo sorriso enigmático do nosso avô? Alguém ousa desmascarar na verdade que ouvia dele a fantasia com que cresceu?

Então porque não havemos de acreditar que naquele dia, só naquele dia, a bola lhes piscou o olho antes, riu-se, e foi esborrachar-se de encontro às redes, a oferecer-lhes o pai que ali, naquele momento, queriam ter?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:40 PM | Comentários (2)

O Pontapé ( II / II )

(A parte chata das histórias divididas em dois fascículos é que nos obrigamos a escrever a segunda parte de algo que apenas nos deu gozo ao princípio. E eu nunca mais aprendo)

… E lá fui revivendo a cena ao mesmo tempo em que ambos, entusiasmados, a contavam ao JM. Tudo se tinha passado por altura do Euro 2004. Vivia-se como todos pudemos testemunhar uma atmosfera incrível, empurrada pelo clima, pelas pessoas e por um estado de exaltação como não vi igual. Uma grande boa onda de que nós aproveitámos todos os bocadinhos. Durante esse período pegávamos todos os dias nas bicicletas, depois dos trabalhos e das escolas, e partíamos para a Expo. Lá chegados deambulávamos por entre as várias actividades, e palcos, e barraquinhas de lazer, deleitando-nos com toda aquela animação, e gente, e tão boa disposição. Daquela vez caminhávamos os quatro a pé, com as bicicletas a passearem-se encostadas às ancas, e assim cirandávamos por entre as várias “box” que se dispunham por baixo da pala do Pavilhão de Portugal. Já junto à doca, por onde saíamos, fincaram-se entusiasmados a apontar para um pequeno stand no qual se pretendia medir a velocidade de disparo de uma bola pontapeada pelos esforçados candidatos. A nossa trajectória saltitante sofreu daquela pulsão magnética e enviesou-se para aquela beira, com eles já no meio dos espectadores.

Lá, três jovens exibicionistas alternavam-se na marca dos pontapés e mantinham admirada com o estrondo dos chutos uma plateia muito considerável de espectadores. Havia ali pujança, juventude e sobranceria suficiente para intimidar qualquer outro candidato. Mas os miúdos insistiam, uma e duas vezes “Oh Pai, um chuto só, a ver quem ganha de nós”. Colocámo-nos impacientes por trás do último dos três animadores do momento. O estourar continuou à nossa frente. Subiam-se marcas. O melhor deles tinha acabado de conseguir um pontapé de 93 km/h. O record que se mantinha desde o primeiro dia marcava em destaque uns balísticos 124Km/h. Era marca quase inconcebível, depois de se ver os petardos que por ali se desferiam nem lhe chegar perto. Entretanto, aquele que tinha mais tiques de vedeta, de tronco nu, não inocente, fez questão, magnânimo, de nos reservar o lugar “deixa aí o homem jogar! É a vez deles”. Agradeci com a mesma ironia com que ele me tinha convidado ao desafio. A amadurecida gentileza de quem sabe que a minha concorrência eram ali os meus dois filhos, que já não tinha idade para andar a hastear músculos em plateias ocasionais e que “Cota hás-de ser tu, oh puto da treta”. Pensado assim, convidei o Diogo ao pontapé. Um e depois o outro, e logo ficaram os dois a argumentar que a seguir fariam melhor, que só mais uma vez, e eu a recolher, que havia que seguir caminho, e que não havia cá desculpas de futebolista. “Então agora é o pai”. Ainda declinei, mas depois, que muito bem, cá iria.

Dei por mim, enquanto ajeitava a bola na marca do pontapé, a sentir-me infantilmente acabrunhado. Como se de repente aquele pontapé passasse a ter importância. Notava nas minhas costas a expectativa que me seguia. Não por aquela dúzia de pessoas que acidentalmente estancaram ali, nem pelos três marialvas que se preparavam para fruir da situação. Na verdade, podia quase sentir a expectativa dos miúdos a antecipar, a comparar-me, já não com eles, mas com os outros antes, os do ribombar da bola, os dos vruummssss na rede. O confronto estava então lançado. Pelos miúdos? Por mim a pensar que pelos miúdos? Alguém de repente tinha subido a parada, e eu já intimidado com isso. E irritado comigo mesmo.

Por isso, quando avancei para tomar balanço sentia-me inquieto. Um ocasional pontapé por entre o nosso passeio tinha-se subitamente transformado em algo que não conseguia encarar com naturalidade, e isso modulava-me os movimentos. Mas concentrei-me o melhor que pude e disparei. Ainda no primeiro impulso do gesto senti logo que teria para uns meses, mas ainda assim o “ai” saiu no fôlego do movimento, e isso também não me impediu de pontapear a bola. O sapato escapou-se quase com tanta velocidade quanto a bola, ricocheteou no canto entre as duas paredes e caiu finalmente inerte no chão. No meio do espalhafato vi-me a suster a quase-queda com um braço, em posição descambada já, excessivamente agitada para um impulso que se deveria medir apenas pela brincadeira com os miúdos. A bola, não sei como, ainda assim desferiu uma trajectória suficientemente acertada para acabar embatendo do lado de dentro da baliza que distaria aí uns 10 metros.

Quando me voltei a endireitar, depois de calçar o sapato, procurei algo acabrunhado os miúdos, para lhes lançar um “vês pá, isto já não é para a minha idade”, ou algo assim que relativizasse tudo aquilo e ao mesmo tempo me devolvesse à minha condição de pai que apenas tinha ali ido fazer a vontade aos putos. Mas era impossível deixar de reparar no silêncio, e depois, na cara de cada um dos espectadores, no seu sorriso enigmático. A situação era algo constrangedora - tanto olhar, só por causa de um chuto desengonçado. Mas senti logo ali os braços do Diogo a abraçarem a minha cintura - um apertar vigoroso, a dizer que estava ali, lembro-me que gostei daquilo - e lá no dispusemos a seguir os dois. Mas logo ali fomos interrompidos por um dos três gabarolas que por ali estavam a entreter a plateia - perguntava-me ele se eu não iria assinar o livro de registos, e dizia-o com inusitada veneração. Ainda antes de lhe perguntar porquê olhei para o indicador electrónico: marcava 171Km/h !! Tinha simplesmente pulverizado o “record” anterior, e já se ouvia comentar num burburinho que aquele já ninguém bateria até ao fim do “Euro”.

Fui embora com o aperto orgulhoso do Diogo, cada vez a enlaçar-me mais a cintura e a ouvir um “nem o Roberto Carlos ! nem o Roberto Carlos ! ” do Francisco, extasiado, a antecipar baixinho as explicações lá na escola.

Há coisas que um homem deve ter a franqueza de agradecer à electrónica, sobretudo quando sabe que esta lhe terá concedido provavelmente a última grande oportunidade para brilhar (desportivamente) junto dos seus filhos. Erros? E não é de erros que nascem os mitos? E há melhor mito do que este de um pai para os seus filhos?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:55 PM | Comentários (14)

O Pontapé ( I / II )

Ontem ao almoço éramos mais um. O primo deles tinha acabado por ficar do dia anterior, como tantas vezes acontece, acabando por cá dormir. Ora, estando ali três dos intervenientes no evento da véspera, a conversação relatava ao Francisco - que não pudera ir - os incidentes e o desenvolvimento da jogatana. Neste correr da conversa queixava-se às tantas o JM de ter sido violentamente atingido nas costas por uma bola, no que o Diogo logo relativizou com - “ se tivesses levado com uma bolada do meu pai, ainda tinha sido pior ! ”. Nós que ali acompanhávamos aquela disputa de opiniões trocámos um olhar com que assinalámos mais um exagero deste meu fã. Mesmo sabendo-me pai-ídolo achei aquilo mais excessivo que o habitual. Por curiosidade e sem conseguir esconder nesse tom uma leve vaidade, acabei por perguntar descontraidamente porque era o meu pontapé assim tão temido. A conversa interrompeu-se abruptamente. O Francisco e o Diogo olhavam desconcertados para mim, esbugalhando os olhos, e quase não querendo acreditar que eu não soubesse de facto do que falavam: “Oh pai, não se lembra do pontapé ? ”.

De repente caí em mim. Irreflectidamente, quase tinha ali esbanjado um mérito que me deverá acompanhar toda a vida, e quem sabe, mesmo para além dela, um dia a ver-se contado já por eles aos meus netos. Emendei a tempo, que há coisas que um pai não pode desperdiçar assim, “ah o pontapé!? É verdade.” E no fim, não são tantas assim, e serão cada vez menos, as coisas que nos colocam aos olhos deles acima de todos os outros, e por isso há que saber cuidar das que temos. :)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:59 AM | Comentários (5)

maio 29, 2005

Mantendo aqui a tradição

... de homenagear os melhores, digo
setubal.jpg
que bem honradas as cores
por este bravíssimo Setubal !!!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:14 PM | Comentários (7)

Prevenindo o descanso

Fatigado, a fechar estores e a despejar cinzeiros, faço-me recordar de algo que devo usar amanhã caso eles voltem a acordar-me cedo:

“Se vocês continuarem a fazer este chinfrim e não me deixarem dormir, ponho-vos na caixa de comentários do Murcon durante o resto da manhã”

Soletro a ameaça mais duas ou três vezes. Parece-me suficientemente intimidadora. Vou então deitar-me.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:41 AM | Comentários (15)

maio 28, 2005

Exageros meus

Ali no post debaixo ... enfim, talvez me tenha excedido um pouco.
Eis o tempo lá fora, há 30 minutos atrás, para quem olha a partir do meu pátio

beato.JPG

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:22 PM | Comentários (2)

Está um tempo …

daqueles que escorraça pessoas

vento2.jpg

E ficamos só nós, e este maldito vento
que nos faz sentir sozinhos
E este frio, um gelo calado
que nos corre por entre a pele
E vem a noite já, esticando-se
a cobrir-nos a vontade

Está um tempo
de se querer ser já amanhã

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:34 PM | Comentários (2)

Arquivo #141 das trapalhices do Diogo

Hoje aprendi a pirâmide da igreja.
Primeiro é o papa,
depois os cardeais
e os bispos a seguir,
e depois …
depois …
os disconos

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:06 PM | Comentários (2)

Aos sábados, na savana, por entre a casa

Tenho-os à bulha na sala. Já por quatro vezes levantei a voz, cuidando para que se acalmassem, a prever o desfecho, e dele lembrando-os. Eles acatam, mas por alguns momentos apenas, depois, irreprimivelmente, voltam ao mesmo, enrolam-se pelo tapete, entornam desastradamente os flocos no chão, e o telefone acaba por saltar com um piparote falhado. O reboliço irá crescendo até que eu os interrompa de novo. Este é o ritual das manhãs de sábado, de que eu, com as minhas abruptas interrupções, também faço parte. Os três sabemos como tudo irá acabar. Já falta pouco para que a brincadeira chegue ao fim - um irá aleijar-se e irá choramingar, baixinho, encobrindo culpas, e depois acabarão por trocar acusações. Nessa altura cabe-me intervir e acabar com aquilo tudo, definitivamente. Tudo isto dura normalmente cerca de 2 horas, e é uma das melhores partes do fim-de-semana deles. Não conheço nenhum brinquedo, jogo ou livro que signifique tanto gozo para eles como aquele andar de rojo com o irmão, por entre o caos que vão espalhando.

E aquele disparatar já é mais que isso, é um brincar de cria, é um treinar antigo. A sala esconsa desaba numa savana onde rebolam por entre arbustos macios. Onde sobem a cadeiras feitas de pedras altas de onde tomam balanço para o mergulho sobre o adversário. Tudo ao redor são pormenores de uma natureza que não se quebra, que por ali continuará, e a que não ligam importância. Lá ao fundo, o pai não os olha furibundo – e esconde por entre os seus afazeres o orgulho de ver as suas crias prepararem-se para serem homens. Assim medem forças, experimentam formas de aprisionar o outro, tentam olhares de desafio. Nada mais num rapaz o pode saciar tanto que isto, este afiar de garras, este treinarem-se homens que lhes vem de antes deles.

Depois chega o ralhete, e num lapso tudo volta ao que é hoje. Mudou o tempo, trocaram-se os sítios, e essa natureza selvagem de repente tornou-se repreensível ali. Ninguém percebe já nestas crias o seu brincar, o seu exercício de um tempo que foi o de sempre. Este reboliço dos sábados de manhã, afinal, ainda é a sua ilusão - que acabará numa manhã de fugida, onde nós já perdemos a nossa.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:16 PM | Comentários (3)

O meu tributo naif ao campeonato de futebol 2004/2005

campeonato 2004-2005a1.bmp Agradeço que ninguém se tente com gracinhas sobre a casual posição dos intérpretes. E faço notar ainda que embora pintada de vermelho, esta casa é verde. Seja como for, tudo isso seria impróprio perante este momento de arte pictórica.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:48 AM | Comentários (3)

maio 27, 2005

Alucinação das 20 horas

"Faça você mesmo"
cafecreme51.gif

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:00 PM | Comentários (2)

Alucinação das 19 horas

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Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:00 PM | Comentários (4)

Alucinação das 18 horas

cafecreme1.JPG

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:00 PM | Comentários (2)

Vaidades

Isto de estar no BlogRating (bem sei que temporariamente) acima de um blog que se chama Casada no Cio e que ainda por cima é brasileiro, é para mim um momento de glória, mesmo que efémero.

Actualização das 14.11h: Já subi a 38º e estou quase a apanhar um blog que se chama Chupado. Começo a acreditar que há no nome deste blog algo de lascivo.

Actualização das 14.37h: Com a supreendente escalada no ranking (o pessoal do Blog de Esquerda que se acautele) fiquei a saber que Viver é F***. Dou-me por feliz, eu que por vezes tenho a sorte de acordar noutra sintonia que não essa, e nem valorizo a sorte que tenho.

Actualização das 14.51h: Apenas para informar que neste momento atingi a briosa 33ª posição do ranking. A partir daqui temo que a minha trajectória neste quadro estatístico venha a mostrar tendência para alguma convexidade, ou seja, que agora venha por aí abaixo para o lugar que me é devido. Entretanto, não avisto à minha frente mais nenhum blog daqueles cujo título vende laranjadas e outras coisas dessas que saciam, pelo que, a hipótese que ainda levantei, numa agressiva visão de marketing, de mudar o nome deste blog de “Apenas mais um” para “Só mais uma” já não se justificará. Assim sendo, e porque não vejo qualquer utilidade em continuar a comunicar a minha (mais do que previsível) descida no ranking, dou por findo o meu relato.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:05 PM | Comentários (13)

Angústia partilhada

cafecreme.jpg Tenho-a aqui ao meu lado desde que cheguei.

Quando hoje de manhã me deixaste para eu beber café, fui na verdade comprá-la. E agora tenho estado por aqui a olhar para ela. E tamborilo na tampa. O toque soa amortecido. A caixa ainda está cheia e selada com as 10 cigarrilhas que por esta hora já deveria ter fumado. Gosto muito mais quando já dela sai um eco metálico do prazer que foi fumado. Tenho hesitado toda a manhã, e doem-me os maxilares da ferocidade da pastilha. Por cada uma que não fumei, levantei-me, voltei a sentar-me, e dei novo toque na caixa. Por cada toque lembro-me de ti. Depois levanto-me uma outra vez, vou lá abaixo, e volto. E quando me sento, fico outra vez como se tivesse de começar tudo de novo. E lembro-me outra vez de ti. O meu vício por ti tem de ser mais forte que a porcaria das cigarrilhas. É isso que me faço recordar quando me sento de novo, mais uma vez.

Agora penso de novo em ti. Mas não por mim, intervalei esta angústia. Agora resvalo para o teu lado, na esperança de te poder estar a ajudar tanto como hoje tens feito comigo.

Beijos e … muita força !!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:17 PM

Hoje acordei …

De braço ao peito; O carro a fazer birras, a tramar o arranque do dia e a acabar no mecânico; Um esquentador que acabou a levar pancada por entre cada um dos nossos banhos gelados; E por conta de todos estes reparos um almoço desmarcado que já sem tempo para se fazer; Pelo meio telefonemas e mails de gente a mandar sorrisos de fim-de-semana prolongado; Enquanto eu aqui olho para a agenda que já não vai ser cumprida hoje; E para a chuva que me espera no acabar do dia; E ainda assim,

Sinto-me bem à brava, de peito feito para a vida,
e sorriso na boca a gozar com estas contrariedades

Coragem2.jpg

… sem aspereza que me toque


As coisas só são más quando nos acontecem por dentro,
que o resto são minudências dos dias.
E as coisas boas não são as outras que nos calham,
são as que fazem parecer insignificantes
aquelas que não deviam ter acontecido.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:55 AM | Comentários (30)

maio 26, 2005

É o seu autor que parte quando um blog se fecha, por isso
não é do que li que sinto a perca, é do que ainda queria ler dele

Hoje, finalmente, assumi que teria de enfrentar o desaparecimento de alguns blogs que tenho n’as minhas voltas, e ousar quebrar-lhes os links (elos aqui julgo serem definitivamente mais apropriados de aplicar - acho que agora consigo atingir o verdadeiro significado que lhe queres dar JPT). E nesta renitência em desfazer as ligações a blogs que desaparecem permanece a sensação de que, mais do que os textos que perco, (que perderei), é o caminho até ao seu autor que encerro, e assim, é o homem que faço desaparecer. Como se ao mantê-los aqui ainda conseguisse suspender o seu eclipse.

Escrever aqui é mais do que o saber fazer bem, com acutilância, ou ironia, ou estética, ou rigor, em registos mais culturais ou jornalísticas, ou diarísticos, ou seja lá o que for. É fazer passar algo de nós - não o que escrupulosamente pretendemos passar, nada de tão cuidado e organizado - neste momento, com as nossas contradições, as nossas variâncias de espírito, os nossos humores, a nossa imaginação, os nossos repentes. Não é só o texto que aqui pomos, é também a parte do aqui estar.

Por isso, quando se fecha um blog, não lamentamos apenas as palavras que iremos perder, mas também o “desaparecimento” do seu autor, ou seguramente mais do que isso, que há um homem ali por trás, já não apenas autor. Por isso, mais do que os textos ou as imagens que li, é o que ainda teria para ler, para descobrir, que lamento perder. E nisto tudo há saudade. E sim, pode-se falar verdadeiramente de despedidas, não se trata da (tão propalada) imatura e excessiva afectividade virtual, essa juvenilidade da net. Aqui as deixo, então às despedidas, a estes homens:

* Onan da Seita de Fénix
* (?) da Revolta das palavras
* NTC do Arcabuz
* Unstress do Stress
* Zeca Telhado do Tá de Chuva

Que estendo a todos os que antes já houvera delinkado

Serve para agradecer, e manter aqui os caminhos até lá, que há sempre a possibilidade, a esperança, de um irrefreável regresso

Obrigado
____________________________________________________________________

E ocorre-me agora

e sem mais, neste contexto, justificar-me da volta do Afixe , que é blog que continuo a ver nas minhas voltas, que há lá muita gente que gosto de ler, que é blog onde espero pelas coisas que "ainda se irão lá escrever". E que por isso, para além de tudo, não o poderei fazer (fingir) desaparecido por esta ou aquela razão (já explicadas). Esta é mais umas das minhas contradições, ou sinceridades, ou puerilidades. Este é o meu blog afinal. Ou eu.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:20 PM | Comentários (9)

maio 25, 2005

Pronto, já fiz a minha boa acção do dia.

Ei pessoal, já nada há a temer aqui.
E JPT, vai lá jantar homem que deves estar cansado.
Admirável o estoicismo filosófico presente nesses vossos comentários.

AbelardFoto-thumb.jpg

Fiquei tão impressionado que não descansei enquanto não encontrei a verdadeira imagem, aquela que desmentisse tanta obstipação nos caminhos. Ei-la:

AbelardFoto-thumb2.JPG

Podeis então dormir mais descansados, que aqui já foi passagem afinal.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:30 PM | Comentários (10)

Saber parar

* Definir linhas de acção 2006 6ª feira

* Plano de implementação E-learning 6ª feira

* Resumo e notas reunião zona Oeste 6ª feira

E pronto, agora vou mas é para casa!
Eles a chegar e refrescos no pátio, depois mudar a areia aos gatos e a água das tartarugas, e talvez continuar o campeonato de Fifa 2005 com os putos, e se der ainda blogar um pouco antes do jantar.

(Vá, e agora mexam lá no IVA destas horas, vá! mexam lá?! Ah pois)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:13 PM | Comentários (2)

Post da hora do almoço

A cumprir escrupulosamente horários, e apenas para desejar um bom e sólido almoço

(eu vou ter de me mandar aí para uma açorda de marisco, coisa de colher à esquerda bem se vê)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:46 PM | Comentários (7)

A importância de um Post Matinal para a auto-confiança

De vez em quando pôr um post antes das 9h da manhã, pode ter um efeito muito positivo.

* Primeiro dá-nos um ar madrugador, o que sugere logo alguma disciplina na higiene pessoal

* Em segundo,tem-se que há aqui gente trabalhadora, que cumpre horários e disso pode derivar um certo rigor, que contribuirá para uma maior aceitação das coisas sérias (se um dia as houver) que aqui se escreverem

* Por último e mais importante, porque manifesta uma clara preocupação em não misturar este conhaque com o trabalho, podendo levar a deduzir que é possível manter, desde que com algum método, actividades paralelas ao blog.

Tudo isto, por simpatia, dá-nos a sensação de que controlamos o bicho, que há aqui disciplina, que o tempo se gerido com rigor dá para tudo, e que as coisas podem estar sempre arrumadas (até as buzinas lá fora parecem acertadinhas ao toque do beethoven)

(até mais logo, que agora só no intervalo do almoço, pois claro)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:50 AM | Comentários (8)

maio 24, 2005

A trienar cmo a sequerda

Aifnal nem ´e dficil. E at´e da praa ecsrever acrahaldas qeu nigeum nota.

E naõ me dgiam que lvaram a serío aqilo dsa clacificaço~es e das nflitrações?

Nota escrita com a direita, m u i t a d e v a a g a r i i i n h o:
Quando se deixa a esquerda escrever é como se abríssemos a jaula da alimária que vive no nosso hemisfério direito, o da razão, das emoções, pois, isso.

Nota 2 mas já um bocadinho cansado:
Já descobri que há duas coisas que não sei mesmo fazer com a esquerda, esta do escrever e uma outra que me lembro de miúdo mas que agora, assim de repente, me escapou

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:16 PM | Comentários (13)

Post escrito sem mãos

zarpar1.JPG

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:43 PM | Comentários (6)

Post escrito com a mão esquerda

Nem consegui dormir hoje, tal as dores, o desconforto. De manhã não aguentei mais e lá fui ouvir o que o médico tinha para dizer. Uma calcificação. “Ah bom pensei, sendo assim não há-de ser nada de grave”. Raio X ao ombro direito e ele a mostrar-me, todo vaidoso do prognóstico acertado. Eu nem queria acreditar, faltava um naco de osso na base do úmero, assim coisa para uma cereja, ou melhor, um espaço onde faltaria uma “cereja” de osso, não-osso portanto. Eu já apoquentado e ele sem dar tempo para respirar: “não admira que tenha tido essas dores todas, isto é como partir o osso por dentro, e por fora. E a cura igual. Agora vamos fazer uma infiltraçãozinha aí na articulação e depois vai ter com um colega meu à CUF para iniciarmos (gosto quando eles falem em nós, deve doer-lhes com’ó caraças) umas sessões de fisioterapia. Depois lá foi a dita infiltração, filha da mãe, a escarafunchar até lá ao fundo (só por isto acho que nunca seria capaz de ser jogador de futebol). Volto inválido, a descobrir uma a uma as coisas que me são vedadas e que a gente nem dá por isso em condições normais. O pessoal lá na xafarica ao ver-me assusta-se, a perguntarem pela minha saúde mas já a pensar que vão sobrar reuniões, brefings diários e todas as outras coisas que agora posso fazer longe do PC. Depois sento-me, e olho inquieto para a dezena de mails a exigirem resposta. Solta-se-me um queixume só de pensar no trabalho que tinha deixado para a última hora no preparar a importante reunião de amanhã, e nos outros que se seguem, ou não seguem assim. Seguem-se os outros gestos de arranque. Abro o IE, e com um clique desajeitado com a esquerda, chego ao blog. Fico ali impotente a olhar para ele. E vou pensando que nem tudo é assim tão mau nestas merdices do destino - que há coisas que ele determina quando nós obtusos não o somos capazes de fazer. É óbvio que estavam a ser precisas férias aqui neste sítio. Ele encarregou-se de as forçar. Agora já percebo o que é isso da calcificação, e fico contente por ele (ainda o destino) não se ter lembrado de argumento mais dramático para forçar a esta interrupção.

Até breve então. Pelo menos até aprender a escrever (e a pensar?) com a esquerda.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:12 PM | Comentários (18)

maio 23, 2005

“Tudo” on-line !!???

Soube hoje pel’«a barca de lyra» de algo que me perturbou profundamente. Alguém que abre um blog para escrever as últimas palavras, antes de se suicidar.

Suicídios são-nos trazidos todos os dias nos rodapés da comunicação social. É fenómeno humano, não tanto tristeza que toque de perto. Em estranhos, já nem é plangente - é algo para o qual, (pela força da despersonalização, da distância e da repetição), nos “endurecemos”. E também não é tanto o acto em si que aqui me choca – o suicídio é uma opção de cada um de nós, legítima, ou talvez não, em determinadas circunstâncias, ou sempre, ou nunca, seja o que for é uma questão demasiado complexa para pretender aqui discuti-la. Não pretendo.

Foi sim a forma como isso foi anunciado ao mundo, pelo próprio. É o constatar como hoje, já não são só as coisas mais privadas, os pormenores da nossa intimidade, as coisinhas miúdas da nossa vivência, mas a nossa própria despedida da vida, a decisão dramática que tomamos quanto à nossa existência, que pode assim ser exposta ao mundo, on-line. E hoje quantas possibilidades ostentosas se nos oferecem, e como é tudo tão tecnologicamente acessível !

Arrepia-me imaginar o título “já vou a caminho” a aparecer numa lista de actualizações de blogs, logo a seguir a um post humorístico, e depois a desaparecer lá para baixo, por sobre novos textos. Aqui a actual questão do referendo, depois o dia que não nos correu bem, lá mais para diante uma poesia que alguém arriscou publicar, e essa a fazer com que, finalmente, o “último post” desapareça lá no fundo da lista, por entre cliques. Desactualizado.

É esta a 5ª vaga da informação ou da comunicação ou lá o que quiserem chamar a isto? Um de nós a anunciar-nos a sua própria morte, e a cada um o poder lê-la ali, até comentá-la, em tempo real, ou deixando para depois, para ler com mais vagar? É isto?

Seja o que for … por hoje chega-me


E tirem-me a merda dos spam’s daqui !!!
Isto não pode ser tudo a mesma coisa, não pode, não deve, não pode

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:36 PM

Há post’s que leio com tanto prazer como se os tivesse escrito

Ainda há pouco, num intervalito, estive quase para vir aqui pedir-vos (depois veio o café e entretanto o tempo esgotou-se) que me ajudassem nas "minhas voltas" de hoje. É bem verdade que a vida “cá fora” não anda folgada para mim, e se isso pode fazer desacelerar este blog onde escrevo, (afinal não tem mais compromisso que isso, o estar aqui para quando fôr, não havendo nisso medida e ritmo), não dispensa o que antes dele já fazia, e depois dele certamente farei - o saborear outras prosas. São necessidades diferentes, e esta segunda tornou-se quotidiana e obrigatória. Não se trata de um anestesiante nem de um combustível, nada tão dramático assim, mas apenas de prazer.

E chamava-vos a este gesto de caridade, (para além do que já referi - a falta de tempo que hoje tenho para andar por aí a blogar, mas ainda) porque cada vez mais me tenho dado menos bem nesta demanda. A verdade é que vejo cada vez mais a blogosfera como uma espécie de fórum, onde são submetidos periodicamente novos tópicos que são explorados, confrontados, esmiuçados até ao limite. Tem sido assim com inúmeras coisas, como a do referendo (importante sem duvida), ou a do livrinho de educação sexual (ainda mais importante), ou agora sobre o Benfica campeão (esta seguramente a mais importante). E depois há outras coisas, menos importantes, mais pessoais, mas que muitas vezes, também elas entre si, escritas de forma diferente, se parecem uma repetição. E esta repetição permanente das mesmas coisas, este ecoar de blog em blog, esta cadência informativa, pode ser importante assim, mas torna a blogosfera que procuro mais pequena, tira-lhe espaço. E certo é que nenhum destes tópicos, todos eles importantes e todos juntos se calhar o grande capital desta blogosfera, nenhum destes tópicos contribui para aquilo que me faz dependente de aqui estar, já o disse, o prazer.

Não há desencanto nisto, apenas constato que os meus interesses na blogosfera, se afastam cada vez mais da sua natureza dominante e, (repito, não é isto uma crítica), apenas a noção que tenho de que preciso cada vez mais de vasculhar mais fundo, e porventura mais “ao lado” da blogosfera que conheço, também eu fugindo da rotina, do percurso de todos os dias. É cada vez mais raro fechar o browser depois de ler algo e dizer para comigo, com ar saciado, “já está! Hoje já está”. Mas curiosamente, talvez por saber que hoje me seria ainda mais difícil o tal “já está”, presenteou-me o destino com este belíssimo texto, como que a dizer “vá lá, vai lá à vida hoje, que até amanhã já te aguentas com isto”.

E “isto” é um texto simples, como se tivesse ali sido deixado por mero acaso, apenas querendo crivar em palavras momentos que alguém quer guardar como seus. E daí ressalta genuinidade, e impulsividade, e tão espontâneas que ao lê-lo é como se o tivesse acabado de pensar, de viver e de sentir. E é isso que aqui gosto de encontrar, que encontrei hoje, já o disse, esse prazer:

"A crescer

Encosta-se a mim e mede-se. Põe a mão em cima da cabeça e encosta-a a mim e depois olha e diz antes eu estava aqui (põe a mão mais abaixo) e agóia já estou aqui! E depois subo paia aqui (estica-se e põe a mão mais acima) e paia aqui (e estica-se mais) e depois já não é em mim, é com as mãos atiradas ao ar e vou ficai assim, muito alto. Vai. Vai ficar muito alto, os miúdos agora crescem muito e tem esse gene, o dos homens altos de pele clara. O resto desse lado nórdico esbatendo-se no gene latino, loiro com moreno, estoicismo com impaciência, pressa de crescer, vou ser muito gande, vais ser muito grande, filho. Crescem tão depressa, sobram pernas no meu colo, tão pequeno ainda quando chora e me ajoelho para o abraçar, tão bebé ainda quando passa tudo tão depressa e de repente já se distraiu e já se ri e já fugiu, de repente uma criança já tão grande.
E eu, uma mãe tão pequena
.”

E agora já posso ir continuar a labuta, que afinal já escrevi li post que me chegue até ao fim do dia …

… que não linko, nem identifico, porque à autora assim me fiz prometer. Mas posso sempre deixar um agradecimento aqui e partilhá-lo convosco. E “mãe”, que belo álbum lhe estás a criar, que belas fotografias tuas por lá tens deixado.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:45 PM | Comentários (9)

maio 22, 2005

Aos meus amigos lamcampeões

Benfica.gif Os meus parabéns !

[ Acabaram como andaram pelo campeonato todo, a empatar. Mas fica provado que isso sempre é melhor que ser bom só de vez em quando ]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:50 PM | Comentários (7)

maio 21, 2005

Aqui ninguém se atrapalha

- Então, ganharam?
- Mais ou menos.
- Então?
- Oh, perdemos um por 3-0, outro por 4-2 e o último demos 3-3 no Belém
- Deram?
- Sim. Eles levaram 3-3
- Ahh. Então não foi nada mau.
- Pois não …

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:35 PM | Comentários (6)

Limpezas de fim-de-semana

Só para informar que desta vez foi a agenda cultural o Gato Fedorento que se descolou da minha lista de links elos (desculpa o deslize JPT). (Prefiro usar o destacável do "Expresso")

Nesta hora de despedida (do elo) não quero deixar de lhes endereçar as maiores felicidades e desejar que continuem como são, e que nunca se vejam na infelicidade contingência de acabar com o cabelo louro a apresentar um programa de televisão ao domingo à noite onde entrevistam cantores "pimba" e encantadoras de serpentes com mamas ao léu.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:56 PM | Comentários (13)

maio 20, 2005

Sítio do assim-assim (ex-sítio do talvez)

(E pronto, agora é só esperar pelas visitas e pelos comentários)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:49 PM | Comentários (19)

Os que nasceram para tomar conta do mundo
(brincando com o PaintBrush)

Se forem dois irmãos é quase certo que terão naturezas opostas. E se ao primeiro lhe sair em sorte esse deslizar aéreo sobre as coisas, esse estar-e-não-estar, então sobejará para o mais novo aquilo que normalmente são traços de irmão mais velho – a voluntariedade. Fica-lhes o encargo de tomarem conta das coisas. São os que ficam para trás quando alguém se deixa atrasar, ou que dão o peito quando alguém lá na frente receia algo. E há nisso um insaciável desejo de agradar, e também a contradição de não quererem dar nas vistas mas gostarem de ser reconhecidos.

As contrariedades resolvem-nas sem desvios, e suportam-nas até ao limite, em solidão. A última coisa de que serão capazes, é mostrarem as suas fraquezas em público, e por mais dolorosas que essas sejam, sairão sempre com um olhar orgulhoso, até que cheguem a casa. Aí, no calar do dia, só aí, deixarão que as lágrimas lhes corram, e apenas para dizer: “não volto lá”. E neles, o que dizem nestas alturas, é para se saber ouvir, e é bom que aprendamos a ficar antes dos limites do seu orgulho.

São naturalmente obstinados. Muitas são as vezes que conseguem em esforço o que outros alcançam com mais facilidade. São tímidos e orgulhosos, teimosos e inseguros, e nessa têmpera de contradições encontramos uma invulgar tenacidade. Nada neles é aparatoso, e por isso nem sempre os descobrimos facilmente, ou do que fazem pelos outros. Mas eu aprendi a reconhecê-los pelas mãos. São grandes, fortes e têm um jeito de dedos no agarrar das coisas que os desmascara: são as mãos de um artífice. Foi assim que as aprendi a ver no meu pai, e foi assim que as redescobri no Diogo.

Sei que na sua disponibilidade haverá muito de uma solidão especial, e que empurra para dentro as coisas que não interessam aos outros. É isso que fará com que, - mesmo que venha a alcançar quase tudo o que quer - nunca se sinta completamente feliz. E essa inquietação fará com que cada vez mais se procure realizar com os outros. Nasceu voluntarioso, mas pressinto que isso que está dentro de si o tornará acima de tudo alguém muito generoso. Há quem tenha nascido para se sentir mais nos outros que em si mesmo. Como pai receio que essa maneira de ser, tudo isso, tudo o que ele é, torne os seus caminhos mais árduos. Mas como homem sei também, tenho a certeza, que o irei respeitar por isso.

diogo.JPG

[ Hoje desenhei-te assim Diogo, tu aqui homem e lua ]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:31 PM | Comentários (10)

Redacção sobre a noite ( 6 )

noite1.jpg Quando a noite chega fico quase sempre triste. Porque ela vem sempre quando o dia está mais bonito, e depois temos de fechar as janelas e as persianas e parece que o mundo fica mais pequeno. Mas depois isso passa. Porque é de noite que ficamos maiores por dentro, e às vezes crescemos tanto, que já nem reparamos que do lado de fora as coisas ficaram fechadas. Quando deixamos de ouvir barulhos e já não temos com quem conversar, e só está ela ali, o mundo parece que volta a ficar outra vez grande. E gosto tanto disso que me vou deixando ficar, e fico com ela até muito tarde. Desde pequenino que durmo muito pouco. Eu sei que isso não me faz bem, sempre mo disseram, mas eu nunca consegui explicar que ir para a cama me dá a sensação de que estou a desperdiçar muita coisa. E então fico ali com ela, imenso tempo, mesmo quando estou com sono, depois de arrumar a casa, a tratar das coisas cá dentro. De dia, eu costumo viver mais com as outras pessoas, mas de noite eu vivo só comigo, e com ela. É por isso que gosto muito da noite, porque quando se fecham as janelas ficamos só eu e ela. Ela é quem sabe mais coisas de mim.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:45 AM | Comentários (11)

Impressionante

Este trabalho em Flash:

espiral.jpg

Cliquem na figura e vão até lá. É imperdível. Depois é só manobrar com o rato e seguir numa viagem absolutamente alucinante !! Um "mergulho", como diz o Andy nos comentários, é isso mesmo.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:15 AM | Comentários (6)

maio 19, 2005

Post-it (para quando chegar a casa)

post-it311.JPG

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:04 PM | Comentários (10)

Blogando

(que isto hoje está mais para ler que para escrever)

1 – O talento pode aparecer com muitas formas

Chamo a v. atenção para este blog: o Malapata, que acabei de adicionar aos meus links. Não se precipitem, como aconteceu comigo. Pairem por lá um pouco e verão como o primeiro choque com tanto erro de escrita se pode transformar na admiração por quem consegue escrever assim, e com humor soberbo!

2 – E só para descontrair um pouco

E porque sei que duas das qualidades que nos distinguem como sportinguistas são a serenidade e o humor, aqui publicito as novas promoções “pingo doce”.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:35 PM | Comentários (8)

S'to de and'r co 'vidos t'pados n'é nad'mau

Há já alguns dias que ando com um zzzz aqui dentro que de vez em quando faz plfsssz. Deve ser águinha nos ouvidos que não quer sair e que me traz esta sensação de estar longe de tudo e de todos. É assim como deixar de ver televisão. E quem como eu já experimentou as duas coisas sabe que isso até não é mau de todo (sobra imenso espaço) - é mais ou menos como se tirássemos umas férias sem ter de mudar nada no 'ramerrame' nem ser preciso ir à agência Abreu.

Aliás, estou a apreciar tanto este meu estado ‘desconectado’ que estou mesmo tentado em deixar as coisas assim por uns tempos. Acho que tão depressa não vou ‘ligar’ os ouvidos nem levar a televisão ao 'otorrino'.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:24 PM | Comentários (4)

Dois anos ComTudo !!

" ... nunca sei onde vão parar os meus posts. São escritos na ponta dos dedos ... É que, até agora, tudo isto sempre teve uma característica que a mim me agrada: é imediato e efémero, é um risco na areia molhada, um desenho que se desenha sabendo que passa e que se pode arriscar … Curioso. As coisas que acontecem em dois anos e que passaram também por este blog."

Parabéns Catarina,
e obrigado por teres acontecido nestes dois anos.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:55 AM | Comentários (4)

maio 18, 2005

Redacção sobre a relva (5)

relva.bmp A relva é verde. Eu gosto de relva. E ás vezes também gostava de ver algumas pessoas comer relva. A relva é boa para a digestão.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:01 PM | Comentários (10)

Abrir parêntesis

Só para dizer que estou encantado.

O meu blog preferido (ok, pronto, os vossos também são) foi destacado como blog do dia no DN, e tenho um amigo que escreve coisas destas.

Agora só me falta logo à noite cumprimentar o Pedro Barbosa.

(fechar parêntesis)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:41 PM | Comentários (2)

Agora não posso

tv.jpg

Estou envolto em trabalho.
Por favor volte mais tarde.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:23 PM | Comentários (2)

Precisa-se comissionista

Reparei que nos dias em que não saio por aí a comentar tenho muito menos visitas. Mas ando com tão pouco tempo que estou a pensar contratar um comentador agente comercial.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:57 PM | Comentários (14)

Redacção sobre a Terra (4 )

Planeta.jpg A Terra é a coisa mais importante do mundo, porque a terra é o mundo escrito de outra forma. Sem Terra, não havia Lua, nem Sol, nem Água, porque se nós não existíssemos essas coisas também não podiam existir, e é por isso que eu também gosto muito da Terra. Ela anda à roda tão depressa que se parasse de repente as pessoas saíam disparadas todas para o espaço e os mares ficavam a fazer ondas grandes para trás e para a frente como quando eu brinco na banheira. Ainda não percebi como é que a terra se aguenta no ar sem cair mas acho que é preciso ter muito cuidado para não pularmos todos ao mesmo tempo. A Terra é quase como um calhau grande, mas mesmo assim é mais inteligente que as pessoas que querem dar um pulo todas ao mesmo tempo para lhe arranjar não sei o quê. Mas também não admira, porque a Terra é muito maior. Quando eu era mais pequeno gostava de comer terra. Mas deixei-me disso quando ouvi os crescidos dizerem que é a terra que nos comerá um dia. Ninguém come algo que também o come a si. Quer dizer, mais tarde soube que até é possível, mas não com terra. Eu sei muito mais coisas sobre a Terra. Sei por exemplo que a Terra era azul, mas que hoje vista do espaço está toda verdinha.

The End (Obrigado Carriço, pela sugestão. Quem pode resistir à ideia de, mesmo que por breves instantes, poder ser brilhante?)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:33 AM | Comentários (6)

Mas quem é esta horrorosa ein?

Conselho para homens casados: nunca ter fotografias de miúdas em biquini no PC (admito que se estiverem nuas não seja tão problemático, mas garanto-vos que é dificil justificar porque está ela de biquini). Alternativamente sugiro que se evite deixá-lo ligado enquanto se vai jogar bilhar.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:30 AM | Comentários (6)

Redacção sobre a água ( 3 )

agua.jpg A água é muito importante para a vida. Às vezes penso porque a água assim tão liquida não cai da terra. Porque se eu virasse um copo ao contrário a água caía, mas quando a terra está virada para baixo a água não cai. E é por isso que eu também gosto tanto da água. Ela é muito mágica. E depois é muito vaidosa. Quando vai para o céu, fica muito cinzenta, e se nós não ligarmos, vem por aí abaixo e cai em cima das nossas cabeças. É assim que se fazem os rios. E os rios são muito importantes para a vida. É por isso que eu também gosto da água, por ela ser vaidosa.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:15 AM | Comentários (4)

E eu quero lá saber se não gostam de matadouros

O blog é meu e prontos! Já me chega não saber onde me leva esta história, não preciso cá de lições de moral, ora. Incomoda muito não é? mas o bifinho é que já é outra história, pois.

(além disso há sempre o Francis Bacon para concordar comigo, não é Susana?)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:52 AM | Comentários (13)

maio 17, 2005

O Matadouro de Beirolas
II - A ‘jorna’

O entrelaçado em série daquelas tarefas era de tal forma aprimorado, que qualquer ausência de um trabalhador implicava desde logo a sua reparação. Não poderia haver lacunas insupríveis, fosse no sector onde era desferido o tiro ou já no enlaçar das patas no mono-rail por onde seguiam depois cadáveres, e menos ainda no sangrar dos bichos ou depois nas serras com que se descolava o pêlo. E todos os outros, desde os ofícios mais técnicos como o separar das vísceras e o corte das peças, ou lá em cima na parte dos cachaços, até às menos exigentes zonas de separação dos quartos ou de preparação antes da entrada nos túneis frigoríficos, até aí, estancar uma dessas operações era asfixiar todo o ritmo dessa complexa cadeia de produção.

Qualquer função ali, por menos especializada que fosse, exigia por isso a substituição imediata do seu operador. Seria desastroso que por culpa de uma gripe no Sr. António do ‘rack’ onde se dependuravam as línguas de vaca, se visse lá fora toda a logística abruptamente parada, com aquelas dezenas de camiões encarecendo o atraso. E depois havia ainda as questões técnicas, o descontrolo da temperatura, e os fiscais da qualidade a exaltar os mestres de cada sector, provavelmente já perdidas largas centenas de quilos de carne, e a serenidade.

Por isso, pelas 7.30h, logo após a chamada, cada chefe de sector coligia as faltas e entregava-as na portaria do matadouro, junto ao portão alto de ferro que se mantinha sempre fechado. Pouco depois passava então pela ‘porta do homem’ um indivíduo baixo, que todos os dias se empoleirava no vaso de cimento que ladeava a entrada. De lá começava a bradar com voz dada de importante por cima de uma boa centena de cabeças, assinalando as áreas que requisitavam voluntários. Era a vez dos homens da ‘jorna’ arriscarem a sorte de serem escolhidos.

(mas onde é que eu me meti? ... a continuar ... não sei é para onde)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:15 PM | Comentários (3)

Redacção sobre o Sol ( 2 )

sol.jpg Eu também gosto muito do Sol, porque o Sol ilumina a Lua, que é a que eu gosto mais porque não deixa a noite muito escura. Mas não gosto o mesmo de todos os sóis. Gosto muito do Sol cor-de-laranja quando é quase noite porque fica grande, mas nas férias prefiro o amarelo quentinho quando não há nuvens. Estes são os que eu gosto mais. No outro dia estive a olhar para ele e o meu pai ralhou-me. Acho que ele não gosta muito do Sol.

Outras contribuições infantis:
"Eu gosto das sardas do sol e da recordação dele quando fecho os olhos depois de o contemplar."
Cap

Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:30 PM | Comentários (10)

O Matadouro de Beirolas
I - A fábrica da carne

Onde hoje é parte do elegante bairro da Expo já houve um matadouro, o Matadouro de Beirolas, o maior do país diziam. E era de facto enorme. Só no seu edifício principal, onde se desenrolava todo o processo, trabalhavam mais de 1.500 pessoas.

Lá dentro encadeava-se uma sequência interminável de ofícios, onde cada homem se entregava a uma tarefa taylorista com que contribuía para o esquartejar, separar ou expedir das carnes. Olhando-a de frente, àquela fábrica, era possível presumir a azáfama que lhe ia por dentro. De um dos lados chegava distintamente o urrar desenfreado, já o pressentimento, dos animais que aguardavam em filas de camiões que se descarregassem para a morte. Do outro lado, no embarcadouro a nascente, notava-se o corrupio de vultos que arcavam a carne já preparada para dentro de camiões frigoríficos. Pelo meio, ao longo de 300 metros, podia-se então imaginar todo o evoluir do processo, cadências ritmadas de trabalho, calejadas já de indiferença para com a natureza desta lida.

(a recordar, a continuar, talvez hoje, ao serão)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:27 PM | Comentários (4)

Redacção sobre a Lua ( 1 )

lua.gif A Lua é redonda, quando está lua-cheia claro. Mas quando não tem o Sol por trás de nós, fica mais magrinha, nem parece a mesma, e nós não ficamos tão alegres porque a noite fica mais escura. Eu acho que quando a lua está mais pequena os homens se portam pior, se calhar é porque sentem o lado que está sempre na sombra e que deve ser muito frio. Mas do outro lado há sempre luz por causa do reflexo do sol e é para onde os namorados ficam a olhar antes de darem o primeiro beijo. Por baixo da Lua nós gostamos de guerrear, e fazer amor, e às vezes estar sozinhos. A Lua é muito importante por isso, para que as nossas vidas estejam sempre a mudar, e a nossa disposição sempre a variar, e assim a gente possa sempre acreditar que amanhã será melhor.

(não, não, fui mesmo eu que a escrevi. regressão porquê? bem, agora que se fala nisso de facto hoje acordei um pouco estranho. meio aluado diria)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:16 AM | Comentários (6)

"Ego"

ego3.jpg
"Altars of Ego" ©2001, Marjorie Graterol

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:46 AM | Comentários (11)

maio 16, 2005

450 post’s || 67.082 (?) visitantes || 3.534 comentários
[ (?) São 67.082 segundo “Webalizer” e 13.403 de acordo com “Site Meter". Seja lá o que fôr, assusta]

Puxa, nestes últimos sete meses escancarei-me todo !!!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:17 PM | Comentários (12)

Enfim, salva-se o sangue

desangue.jpg

Hoje temos aqui instalado um banco de sangue. Para informar disso, na 5ª feira foi enviado um mail interno a toda a gente (aqui na sede somos cerca de 60), solicitando inscrição a quem quisesse ser dador. Houve 8 respostas. A esses, e só depois, informou-se que por motivos de restabelecimento físico lhes seria concedida dispensa da parte da tarde.

Esta manhã, quando me dirigia até junto da zona improvisada, surpreendi-me com uma fila que se estendia quase até ao fim do corredor. Comentava-se com obtuso impudor que não se percebia porque não tinham avisado logo da folga da parte da tarde.

Há coisas que me desconsolam. E custa mais quando lhes conhecemos as caras do dia-a-dia. Enfim, salva-se o sangue.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:06 PM | Comentários (5)

maio 15, 2005

Devem arranjar muitos sócios assim, devem pois

A nota prévia

Francisco, se um dia leres isto, e quando o fizeres, espero que tenhas em consciência feito as tuas opções religiosas, com a mesma liberdade com que os meus pais me deixaram a mim tê-las. Eu, como eles, continuarei a tentar que para além de mim, outras crenças possam chegar a ti, mesmo que em nada concorde com elas, e convém que saibas que nisso estou numa incómoda desvantagem em relação ao que os meus pais tiveram comigo.

A justificação prévia

Fui criado numa família católica, praticante, mas de convicções liberais. Segui assim um processo comum de educação religiosa. Quando me foi dado escolher, ainda jovem, escolhi não ser. Lá em casa fui respeitado nisso. Devo dizer que isso não me aplacou do pensar em tudo isso, talvez pelo contrário. Se há coisa que guardo das nossas conversas, quando nos juntávamos os oito ao serão, era este discutir das coisas religiosas, e tão diferentes todos nós, e tanta interrogação lançada. Fiz as minhas opções, mas não foi por isso que não deixei de ser religioso, ou não o ser, mas saber sê-lo. Aprendi a procurar e a aprofundar as mesmas dúvidas que um religioso, e fi-lo num ambiente de referências católicas. Por isso, o que sou, foi o que encontrei das minhas perguntas - não o sou apenas porque não o quis ser. As minhas opções religiosas, ainda que agnósticas, construíram-se em cima de um esclarecimento procurado e de reflexões livres. Sou crismado pela igreja primeiro, e depois pelo que encontrei na minha espiritualidade. Não tenho de fingir o que não sou, e repudio qualquer igreja, pároco, culto, que olhe para mim como alguém que deve ser desconsiderado por isso, e que renegue aqueles que vê chegarem até perto de si com a sua própria identidade religiosa. Sobretudo se nisso estiverem respeitosamente a confiar a orientação do seu filho.

A questão

Vestem-nos com umas enormes túnicas brancas e um fiozinho caído do pescoço. Numa das mãos uma vela, na outra uma flor branca. Certo, cerimónias, símbolos, posturas, até posso perceber tudo isso, apenas estimo o desconforto que isso trará a um rapazito de doze anos por razões que a própria imagem traduz.

Depois, é o pai, um aliado afinal, que é reprovado pela milenar soberba. Que esse “cedo o meu lugar à mãe dele”, a pensar-se que há papeis que por respeito com o culto dos outros se devem emprestar a quem neles se revê, é coisa desviante na fé daquele miúdo, quase causa perdida depois com o crescer. Antes o fazer de conta do costume, ou mesmo o então não vir, mas estar ali, no desaforo de ser quem se crê, noutros creres portanto, esse desplante é ónus do pai que recai sobre o filho.

Finalmente, não vá o miúdo estar a levar aquilo tudo com exagerada interiorização, pespega-se com hora e meia de missa insonsa, tudo tão arrastado, tantas vezes repetido, tanto o enfado, que decerto no fim já só lhe sobrará um entorpecimento nos pés, e no espírito. Sim, não vá ainda haver alguma réstia espiritual. Não tomem eles - nessas coisas de moços ainda - aquilo com demasiada zelo introspectivo, não seja isso coisa evasiva do culto. E a concluir, ainda as repreensões, os avisos à comarca, as colectas, as obrigações mundanas, tudo em prol da alma pois claro. E pronto, o culto fica decorado, o diploma no fim entregue.

Sinceramente, e com o respeito que nutro pela religiosidade de cada um, e em particular pelo culto católico no qual aliás já referi ter sido educado, não acham que está na altura de tirar um curso de marketing e relações humanas? Bem sei que é a profissão mais intrincada do mundo, essa de ser padre, tesoureiro, técnico comercial, juiz e sei lá quanto mais, mas ainda assim, é gente que tendes pela frente, há mais para além do “sim” com que acenam a cabeça.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:27 PM | Comentários (14)

Eu passo-me com os textos

... desta Senhora Árvore

(só para tirar dúvidas: alguém põe uma folhita de louro na feijoada?)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:53 PM | Comentários (12)

Estou que nem me tenho

… para falar de cultos e cerimónias. Mas hesito - depois do futebol, fátima ? Isto que se fazia transfronteiriço, afinal a cair no ‘naperon’ português?

E fico hesitante entre compilar a papelada do IRS agora ou depois, ou se agora ou depois saciar-me nesta alguma terapia da escrita.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:55 PM | Comentários (3)

Bem, vou mas é repousar

Foi um dia duro,
e além disso já não aguento ver a dor desvairada deste homem

Adenda das 15:35 - JPT, lá naquele estertor todo, deu-me um arrepio qual Gabriel Garcia Marquez, talvez melhor, e deixei comentário sobre o Pinto da Costa que aqui transcrevo, para o caso de te encontrares tão atarefado a responder a legítimas imprecações que isso te impossibilite de o ler:
- "adoro as begónias que estão a despontar no meu pátio"
E pronto, era só isto. Bonito não?! quase a parecer diário íntimo ein?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:29 AM | Comentários (4)

maio 14, 2005

Porque as promessas …

… são para cumprir, considerem este blogue pintado de vermelho.


Quanto ao resto,
o estádio é bonito,
o bacalhau lá no buffet come-se bem
o Luis Filipe Vieira tem na realidade o mesmo mau aspecto que parece
e a claque do Sporting é a melhor

luz4.JPG
(já viste Bill, é a única que se aproveita! Nunca mais compro máquinas no Lidl!!)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:55 PM | Comentários (11)

Então até logo

Atenção, é só um jogo.
Mas já agora, qual acham que leve?

sporting.JPG

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:02 PM | Comentários (1)

A minha pretensa imunidade aos “chain-post’s”
(que aqui não há livros, nem filmes, nem as músicas que certamente aí virão)

Amigo Carriço,

Escrevo esta carta começando por agradecer e manifestando o enorme orgulho que senti ao receber este amável questionário dessas terras distantes, afinal, as minhas. E agora permite-me alguma justificação prévia, antes de abordarmos o assunto em apreço.

Há uns dias, quando toda a blogosfera se vestia de igual com um tal modelo “Fahrenheit 451” (certamente peça de roupa parisiense, a qual aliás também pude apreciar em ti vestida), fui também eu agraciado com a dita por via de pessoa amiga. Com a obstinação e a indelicadeza que me reconheço, ainda que baptizado e criado com atenta educação, logo rispidamente, grosseiro até, fiz-me rogado em vesti-la. A tal escusa me justifiquei na altura argumentando a minha renitência para com a uniformização dos blogs, e também os maléficos efeitos epidémicos das correntes de resposta, e patati patata, afinal, não mais que recusas para justificar este ingrato e antinómico feitio, e também, confesso, para não ver exposta a minha lamentável míngua de leitura.

E eis-me agora por ti confrontado com nova peça de vestuário, relutante já se vê, mas ainda assim já sem coragem para me recusar outra vez. Para mal dos meus pecados, agrava ainda o facto de também nada ter de cinéfilo, que se já pouco eram os meus dotes para responder no plano da literatura menos o serão ainda no que toca a filmologias. Não sou teleadepto já o tenho dito, aliás, àquela caixinha ouço-lhe esporadicamente o tom de fundo nos meus serões enormes e nada mais, que é assim sem ela que nestes me gasto, sem escrúpulos e enorme deleite. Não é por aí portanto que possa provir grande competência para aquilo que aqui me convidas. Aos cinemas já pouco vou, que sempre há a televisão (a tal que não vejo) e se for caso disso, há ainda o clube vídeo mesmo por baixo do quarto dos miúdos (de que sou cliente frequente e mimado mas apenas para renovar o meu stock de cigarrilhas). Como vês, no essencial, desperdiço-me por outros sabores.

Mas caro Carriço, como me poderia eu negar segunda vez àquilo que já antes tanto me custara, que quase me estraçalhou de remorsos mais tarde? Ter-me-ás então aqui à prova, sem pejo de me humilhar, pois isso nada é, nada vale, se assim corresponde ao teu afectuoso desafio. Vamos então às perguntinhas, mas, permite-me contudo que o possa esconder nas caves fundas deste post. E como por lá as escondo na esperança que o leitor mais indolente não se dê ao trabalho de as ir ver, consente que aqui deixe então as minhas despedidas, e apelo final.

Ou muito me engano ou depois de mais esta vaga epidémica, depressa outra esvoaçará por este profícuo mundo virtual. E ora, se já se viu a roupagem com que vestimos o nossos LIVROS, e agora a experimentamos com os nossos FILMES, é quase óbvio deduzir que aí vem a das nossas MÚSICAS. E é aqui, estimados leitores, amigo Carriço, que vos recomendo para não arriscardes endereçar a mim nada mais. Digo eu, que nem trautear uma música dos Xutos sou capaz, que já mal me recordo que o ultimo álbum que comprei se chamava “all you need is love” de um grupo inglês famoso na altura que confesso já não me lembro com precisão. Talvez fosse por isso sensato fazer passar essa peça de alfaiataria por fora deste blog, e fica aqui bom conselho.

Perguntareis então, se já poucos livros, quase nem filmes, nem música até, com que entretenho então esta vida? Pois essa é também pergunta que me faço frequentemente. Acho mesmo que é justamente assim, a perguntar-me do que não faço, com que mais tenho usufruído desta vida. E o mais curioso é que me dou muito bem assim com ela.

Concluo, sem mais, e reafirmando o orgulho com que recebi esta tua carta, na esperança de que os meus humildes conhecimentos cinéfilos não tenham defraudado as tuas expectativas

Subscrevo-me com elevada estima e consideração

Eufigénio Lagoa

E segue o tal inquéritozinho


1. Qual o último filme que viste no cinema?
Não tenho a certeza. Talvez o “Quo Vadis” ou o “Ben-Hur”. Ainda me lembro da beleza daquela “Panamacolor”, com aquelas cores todas.

2. Qual a tua sessão preferida?
As últimas que frequentei eram as sessões duplas do quarteto. Lembro-me até que um dia, folgando assim do estudo desesperado com que me confrontava em cima dos exames, e por isso auto-exilado em casa da minha avó, vim a constatar que metade da polícia de Lisboa me procurava. Eu já homem, ainda tentei convencê-la que sim, que havia sessões de cinema até às 4h da manhã, e ela de apoquentada a transfigurar-se numa avó incrédula e decepcionada com o seu neto quase engenheiro.

3. Qual o primeiro filme que te fascinou?
Bem, contigo devo ser franco. Recordo-me particularmente de um que vi no Olímpia, (cinema que aqui no Sul tinha reputação de casa intelectual), na minha puberdade. Nunca cheguei a perceber como era aquilo possível. Trouxe dessa experiência interrogações que ainda hoje não resolvi e que levantam enorme mistério no meu imaginário. O nome? Sei que metia “húmidas” em qualquer sítio da frase, mas para mais não chega esta fraca memória.

4. Para que filme gostarias de te ver transportado(a)?
Ah, essa já tenho mais facilidade a responder. Sempre admirei o ambiente da “Alice no país das maravilhas”. Saltar para o outro lado do espelho, mas não para lado qualquer. Queria mesmo ser o relógio do coelhinho apressado (como se chama ele?), pois que afinal não escondo esta vocação, quase fixação, para a cronometria do tempo, eu no “então? Olha que já estamos atrasados”, e nos “ai que é desta que não chegamos a tempo” – os coelhinhos note-se são aqui a minha família chegada.

5. E já agora, qual a personagem de filme que terias gostado de conhecer um dia?
Conhecer como? Pessoalmente? Olha, o Ford dizia que toda a gente poderia comprar o carro da cor que quisesse, desde que fosse preto. Pois eu diria que qualquer personagem conviria aqui, desde que fosse interpretada pela Michele Pfeifer

6. E que actor(actriz)/realizador(a)/argumentista/produtor(a) gostarias de convidar para jantar?
Talvez o Manuel de Oliveira (gosto de comer compassadamente) . E a Michel Pfeifer, claro está, para os intervalos da conversa em que o respeitável conviva pudesse vir a adormecer.

7. A quem vou passar isto?
E achas que depois da indelicadeza com que te respondi haveria de arriscar passar a mais alguém. Para ser assim confrontado com algum animal como eu? Além disso, mantenho, dá-me um especial prazer cortar as correntes epidémicas num assim “oh, desculpem, escorreguei”. Mas bem, sejamos humanos: passo a quem o quiser agarrar na caixa de comentários, desde que, ouvi oh melómanos, a próxima vaga não passe por esta inculta casa.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:40 PM | Comentários (12)

maio 13, 2005

Nem mais!

“… E ao fim são pouquíssimas as coisas
que em nossa vida a sério nos importam:
poder amar alguém, sermos amados
e não morrer depois dos nossos filhos.”

de Amalia Bautista

[Acabei de o ler no Murcon, e antes de fugir da caixa de comentários ainda tive tempo de lhe passar o ‘mouse’ por cima. Sei que não fica bem usar o génio alheio, e por isso tento sempre impedir-me de ‘repostar’ os outros, (embora aqui tambem se 'retextando' no post de origem). Mas quando leio coisas ditas assim, desta forma simples, com uma tão sublime eloquência, fico incapaz de lhes resistir.]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:19 PM | Comentários (12)

Divulgando

Dois temas que combinam bem numa tarde de Sábado

okidoki-kids.jpg

Inscrições e informações aqui, na Okidoki


(em privado: já te disse que o logotipo me faz lembrar algo? não estou a ver bem o quê, não sei ... talvez se fosse mais estilizado, mas o quê?)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:21 AM | Comentários (2)

A pior maneira de chegar a casa é quando o fazemos já tão tarde e tão cansados que já nada trazemos de nós. Os beijos neles adormecidos, a conversa que não se chega a fazer, assim, sem nós, sem eles, tudo parece ter sido (ainda mais) em vão.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:23 AM | Comentários (13)

É aqui?

Camarote?
E no fim até oferecem uns palitos para tirar as penas da boca?

estadiodelaluz4.jpg

Oh Bill, oh Bill, não sei como o conseguiste,
mas aceita esta g’anda beijoca na testa pá !!!!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:00 AM | Comentários (29)

maio 11, 2005

Destacarei

Quando criei este blog, mantive naturalmente as minhas voltas regulares pela blogosfera, só que agora vestido de “Eufigénio”. Mas passou a haver nisso alguma inquietação, inibia-me, e comentar já não era algo impulsivo e desprendido como antes, onde apesar de assinar com o meu nome me sentia menos exposto. Era como se antes espiolhasse pelas outras janelas a partir do recôndito da minha casa, e agora, com o blog a traçar caminho, o fizesse do meio da rua, a espreitar mas a saber-me observado.

Daí que comentasse menos, e muito mais escrupulosamente. Era diferente também a forma como seguia caminho. Não tinha vícios de passeio. Largava por um linque e por outro seguia. Perdia-me no acaso dessas ligações e raramente sabia o caminho de regresso. E isso, ao contrário de hoje em que parto pelo carreiro já marcado de todos os dias, eram trilhas que me levavam a sítios incógnitos na blogosfera, a maior parte já esquecidos. Desastradamente esquecidos.

Foi assim, acidentalmente, que cheguei até junto da “Senhora do Sul”. Foi tal a admiração, tão grande o gosto em a ler que, apesar de somítico de comentários, não me impedi de deixar por lá (talvez o meu primeiro) comentário como “Eufigénio”. Chamei para pretexto a coincidência de termos nascido (os blogs) quase no mesmo dia, e também próximos na identificação (interrogação) do escrever. Pelo menos assim o achei, e assinalei isso neste post que aqui trago dos primórdios deste blog.

Mas havia ali algo mais que me prendeu. Até hoje. Um lugar profundamente feminino, mas sem aquelas tonalidades cor-de-rosa que me afugentam. Uma atmosfera suspensa, quase etérea, nostálgica, mas traçada com o vigor de quem sabe o que tem dentro de si. Mas sobretudo o tom, o som, a harmonia com que escorre aquela escrita encantadora de que sou admirador confesso.

É também um dos sítios mais íntimos que eu conheço na blogosfera, onde entro pé-ante-pé, quase sentindo-me intruso. É desde sempre um lugar que conservo nas minhas visitas, como se um recanto escondido a que recorro para fugir ao reboliço.

Obrigado Senhora do Sul. Eu lá continuarei a ir espreitando, sem fazer barulho.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:52 PM | Comentários (8)

Reflexões blogosféricas
(para pendurar por cima da mesinha de cabeceira)

[Tem juízo Eufigénio]

A blogosfera são dois mundos, o (nosso) mundo em que se escreve e o mundo que se lê (dos outros). Cruzá-los - exige prudência - pode provocar choques planetários. Podem daí surgir novos mundos, mas também podem só restar meteoritos e outros dejectos cósmicos.

[E vê se não te esqueces]

Blogar é também saber ser duas pessoas posturas. Aquela que escreve no seu blog, e aquela que comenta no blog dos outros. Trocar estes papéis pode alterar radicalmente o metabolismo da caneta. No limite pode mesmo levar a …

[Poinck … a desconectar as tubagens de novo]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:47 PM | Comentários (20)

Poinck !!

desconexao2.jpg

Para mais informações aceder aqui por favor

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:22 PM | Comentários (13)

maio 10, 2005

Amigo Zézé

Há coisas que um tipo deve dizer logo quando as sente. Assim sigo. Gosto cada vez mais do teu diário blog. Matam-se lá saudades pá. Que isso do íntimo, pessoal ou privado já não sei, mas sei que se pode ser ter também um “eu” não só pelo que se escreve, mas também pelo como se escreve. E nisso, está-se lá bem a beber bejecas - quase te vejo o mau-feitio as barbas.

E pronto, era tudo (desculpa as rasuras, coisas do texto corrido).
Daqui saudades do pessoal todo.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:23 PM | Comentários (6)

Daddyblog

Nas últimas 4 entradas deste diário conto 3 referências aos meus filhos (ou será que na linguagem própria desta atmosfera devo dizer ‘filhotes’). A que sobra fala de acácias e canteiros.

Não tenho nada contra esse tipo de blogs, embora não os leia. O que me levanta uma questão operacional: Como é que eu faço agora para responder aos comentários?

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:13 PM | Comentários (7)

"pela ordem e pela paz"

Quase caçados pelo radar. Mais à frente a confirmação - uma fila ordenada junto à mesinha das autuações. A conversa voltou, agora para aí virada:

- Oh Pai, deve ser muito chato ser polícia.
- Então porquê?
- Já viu, sempre a ter de se pedir dinheiro aos outros.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:17 AM | Comentários (5)

Azar nítido (brincando com o PaintBrush)

Se forem mais do que um é quase certo que um deles será o puto do azar nítido. Normalmente é um espirra-canivetes, desengonçado, com mãos que não se vêem quietas e que esvoaçam pelo espaço de forma desarticulada, com braços de lastro desastrado a que as coisas se apegam, e que tem no seu corpo uma arma letal do desastre. Não caminha, tropeça. A espera é um momento que inventa para a transformar na eminência de algo que vai correr mal. São tantas as topadas nos pés na única pedra da areia da praia, e as arranhadelas no prego esquecido da parede, e as vezes em que os pratos se poisam no exacto sítio de onde cairão, são tantas as pequenas fatalidades que, resignado, acaba por conviver de uma forma dócil com esse lado fatídico. Os acidentes, as contrariedades, a tudo isso se acostuma a dar-lhes uma proporção relativa, e isso fará dele provavelmente uma pessoa mais contemporizadora, mesmo que com alguns arranhões. Há uma resignação serena quando se recupera da dor, já de sorriso na boca a dizer “oh pai deixe. É o azar nítido do costume”. E vai ser alto e feliz.

azar nitido.JPG

Não sei porque me lembrei disto. Ou melhor, até sei. Soube-o logo assim que criei a falha na ponta do rochedo. Depois juntei-lhe aquele sol quente de fim de tarde, e ficou o Francisco.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:10 AM | Comentários (9)

maio 09, 2005

Se por acaso aqui passar quem trata dos meus "canteiros"

As 4 enormes Acácias, subitamente, voltarem a vestir-se de verde. A cúpula do Convento do Beato, depois daquele horroroso incêndio, ganhou na semana passada de novo a sua dignidade. Até os pombos parecem ter desistido de se aliviar em cima de mim.

Alguém andou a tomar conta do trilho por onde passo todos os dias. Seja lá quem for, muito lhe estou agradecido.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:25 PM | Comentários (6)

As Férias

São para se estar longe do mundo,
IMAG0053b.JPG
ou talvez para o tentar ler através deles.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:37 PM | Comentários (6)

Reajustes

Caro blogue,

Releio-te. E revejo também as razões(?) que me levaram a criar-te …
É verdade, tentei-me em espreitar do lado de fora: pura luxúria.
Está na altura de te expurgar de lapsos graves que aqui cometi,
que tu ficas bem é sentado à mesa lá em casa.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:23 AM | Comentários (14)

E vós, quem dizeis que eu sou/escrevo ?

Quem está por trás do que se escreve? Será que gostamos de quem escreve como gostamos do que escreve? Será o que escreve - não importa agora a forma, o conteúdo ou o estilo, ou a intimidade com que o faz - e quem escreve, a mesma pessoa? Ou há aqui o eterno mito do escritor?

Juntemos-lhe uma imagem, um gesto, a expressão, tornemo-lo diferente, mais real. E agora ainda é a mesma pessoa? Ou já só é quem parece? Ou será partes dos dois? E se assim é, qual domina a outra, em nós? A dos sentidos? A dos sentires? As duas? Mas como se reúnem em nós essas duas partes da mesma pessoa?

Quando conhecemos alguém, na realidade, e depois lhe conhecemos o que escreve, juntamos-lhe mais dele, fica ali, a fazê-lo mais preciso, diferente sem dúvida, mas ele lá, aquele que sempre conhecemos, mesmo que eventualmente isso nos possa fazer sentir surpresos com o que agora conhecemos dele.

E ao contrário, e quando conhecemos alguém pelo que escreve, antes de a ele mesmo? Não iremos aqui sentir-nos mais surpreendidos? Ou será que essa sequência do conhecimento irá abreviar-se, quase desonestamente, para de repente nos sentirmos próximo de alguém que ali vemos pela primeira vez? Não? E se, (admitamos que sim), no meio de uma conversa, talvez logo a primeira, ficarmos com a sensação que conhecemos essa pessoa há imenso tempo, ou melhor, como se fosse há imenso tempo?

É normal que conheçamos as pessoas pelo que são, o que parecem que são, e aos poucos lhes vamos descortinando o que têm dentro de si. Caminhamos nesse conhecimento de fora para dentro, vagarosamente. Por isso, poder um dia lê-las, pode ser a oportunidade de conhecermos recônditos delas a que nunca chegáramos, o que pode tornar-se um processo súbito de (aprofundamento do) conhecimento que temos dela, e isso pode surpreender-nos.

No caso oposto, quando conhecemos alguém depois de o resgatarmos das palavras que escreve, estaremos a caminhar de dentro (de si) para fora, como se de repente nos dessem um presente que já sabíamos qual era, e apenas, (talvez) tivéssemos alguma curiosidade em saber de que cor seria.

Quererá isso dizer que conhecer alguém pelo que lhe lemos é partir de um conhecimento mais próximo (mais perscrutador) da sua verdadeira natureza, do que ver-lhe os gestos, as mãos, a fisionomia, a espontaneidade com que se revela ao conversar? E se assim é, há intimidade nisto, aquela que apenas concedemos a quem conhecemos?

Que confusão, eu sei. São apenas esboços de fim-de-semana. Pode ser que um dia me sinta menos esclarecido e assim os possa retocar melhor.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:41 AM | Comentários (28)

maio 06, 2005

Há dias tramados (e as mães nem sempre ajudam)

Hoje mãe é um dos meus piores dias. Hoje a professora faltou e éramos para fazer a ficha de avaliação de língua portuguesa e para a semana teremos outros testes e depois chego a casa e a mãe olha para mim e manda-me tomar banho.”

(abusivamente transcrito das margens de um desenho deixado em cima da mesa de jantar)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:30 PM | Comentários (2)

Quando mudarem a agenda avisem sim?

Acabei de “deslinkar” o Afixe. Não que isso tenha importância, mas ainda assim considero que os link’s que aqui tenho são de algum modo recomendações aos leitores que aqui passam, mesmo que poucos, mesmo que para eles sejam irrelevantes tais indicações. Mas gosto de saber que recomendo o que gosto de ler. Ora, eu não gosto de ler coisas como esta que dá pelo nome de “cromos difíceis da blogosfera”, (que aparentemente é para ter continuação) e que apenas visa o humor gratuito à custa do achincalhamento dos outros, sejam eles quem forem. Lamento, pois sou fã do blog, aprecio o que lá se escreve e a forma como lá se escreve, e sou um admirador da generalidade dos seus autores.

Adenda de 08 Maio de 2005: avisado por 3 dos autores do Afixe, retirei o link ao post "cromos difíceis da blogosfera (2)", inicialmente linkado, e assumindo o erro de o ter interpretado de forma errada. No resto, e porque para mim continua a fazer sentido, e porque é desse (meu) sentido que se trata, mantenho o post.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:05 PM | Comentários (19)

Os paradoxos de Möebius

Para quem ali em baixo manifestou desconhecer o matemático Möbius e as suas paradoxais concepções topológicas, aqui deixo link, assim como mais uma extraordinária representação do seu trabalho:

MMobius.jpg

Perdão, acabei de ser informado que este Möbius é outro autor, e as topologias também outras por isso. Assim é que é:

MOBIUS.gif

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:10 PM | Comentários (10)

Os meus risquinhos náuticos

Ai de mim se este ano não lhes acrescento mais aquela bolina vermelha!!!

europe3.JPG

Que isto da Vela, não é o chegar, é o ir. E em cada milha do caminho, não há só mar, há também mais de nós. E nisso, há mais de tudo. E não há mais nada, só apenas esse ir.

Não sei se vou, se posso, apenas sei que não quero ficar no “ficar”.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:31 PM | Comentários (10)

Bloguices

A planar por aí. Vejo cada vez mais ser tratada na blogosfera … ela mesma(!), senhora vaidosa de si mesma. Comenta-se a postura de (alguns) bloggers, as suas capacidades, o exagero da popularidade, os comentários fechados, critica-se, contrapõe-se, elenca-se, argumenta-se, linka-se, cita-se, enfim, usam-se de todas as capacidades tecnológicas e narrativas dos blogs para escudo e espada nesta liça.

Nisto há desperdício quanto a mim. É reduzir a incomensurável dimensão da escrita ao “outro”. Resultam conversas circulares, engalfinhadas umas nas outras, fica em espera o “tanto” que terá o autor (e que bons autores andam por aqui) para nos dizer. E desprezam-se os leitores não ‘bloggers’, apagam-se os motivos que possam ter interesse para esse/nós - o “livro” afinal, repetitivamente, acaba a contar-se a si mesmo, deixa de ter história, morre nas suas próprias páginas.

Pessoalmente, acho que a riqueza de um blog, (por mais modéstia ou ilusão com que o seu autor o contradiga), é ser um espaço onde nos sentimos ecoar no mundo, mesmo que só com estalinhos de carnaval, mesmo que isso se trate apenas de uma simpática ilusão que nos leve a escrever(nos). Concentrar os motivos da minha escrita apenas no que o outro escreve, é reduzir a minha visão das coisas ao que afinal apenas devia ser cais de partida. E fica uma comunidade (concordo, não a devo chamar assim), que se fecha sobre si mesma. É, como abaixo se cita, reduzir-nos a uns “velhinhos à conversa no café”. E versar aí os assuntos que se relacionam exclusivamente com a blogosfera, é reduzir a conversa desses velhinhos às paredes do café, sem nada mais, lá fora.

E sobre isto encontro numa mesma caixa de comentários de um blog (que omito, porque não me parece relevante tê-lo por contexto, nem ao blog visado), duas reflexões, que de forma muito mais apta, tratam do que até aqui escrevi. Que me desculpem a Catarina e o JQ se aqui abuso dos comentários que eles, com o talento, a inteligência e a sensibilidade que jorram do que escrevem, se dão ao luxo de ir deixando por aí. É que para mim, essas “coisinhas soltas” que lhes vou lendo, e de que aqui me aproprio descaradamente, podem muito bem atalhar o que aqui ando a tentar dizer sei lá há quanto tempo letras atrás. Então, deles acrescento (e espero que não haja inconfidência nisto):

"...Agora já gosto menos é de capelinhas. Chateia-me, o que querem? Chateia-me que neste post e nos seus comentários que azedaram ao fim de meia dúzia, se note a mesma coisa de que a X (blog visado pelo post) é acusada: de ter os seus 'amiguinhos'. É notório que o Y (blogue onde se comenta) também tem os seus amigos que defendem os seus amigos e atacam quem está contra. Será normal talvez. Eu preferia ver um bocado menos de azedume."

"… só posso acrescentar que está cada vez mais difícil para todos os blogs com caixa de comentários aberta, escapar à criação de 'quintais' de blogs. O tempo de cada um para semear comentários nesta floresta de milhares é mesmo limitado. A consequência mais negativa deste processo parece-me esta: uma vez criado o tal círculo de relações (quase sempre bloggers), os comentadores não-bloggers sentem-se menos à vontade e nem tentam 'penetrar' nesse círculo. (*)
Espero que concordem quando afirmo que, sem os comentadores-comentadores, isto tem muito menos piada. Acabamos por ficar umas criaturas muito urbanas que, à distância, mimetizamos os velhinhos que vão encontrar os amigos no café da esquina …"

(*) São as "tecloamizades" como diria o meu amigo JPT

Bem, e para que daqui não destile óbvia incoerência e contradição - eu afinal a escrever sobre o que acho não justifica ser escrito, - fecho já este capítulo. Até logo.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:00 PM | Comentários (8)

maio 05, 2005

De súbito, caiu uma noite verde sobre o mundo

Orgulhoso já ficaria mesmo que tivéssemos ficado por ali.
E já agora … parabéns Van Gallen,
quando fores mais velho serás um veterano com a pinta do nosso Sr. Moutinho

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:38 PM | Comentários (18)

Homem de superstições tradições

E porque receio que o que me (não)resta de hoje possa vir a impedir-me de o fazer ainda em tempo oportuno, aqui empresto a minha alma felídea:

leao2.jpg

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:08 PM | Comentários (3)

Que saudades caramba

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Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:05 PM | Comentários (11)

Post à Cap

circulo de moebius2.jpg Há dias em que nada faz sentido

... e ainda assim não aproveitamos para desfrutar o impossível.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:41 AM | Comentários (16)

Dois Abruptos anos

“Ao fim de dois anos, cerca de 2300 notas publicadas, milhão e meio de visitantes … com ligações a mais de dois mil blogues e milhares e milhares de citações, um pouco por todo o lado na rede e fora dela, … o Abrupto é o “jornal” que desde que me conheço gostaria de ter tido, parte da minha voz. Não a minha voz, mas parte da minha voz. Feita do ruído do mundo, do meu ruído, da fala incessante, dos quadros, dos versos, da música, das palavras, que nos faz o que somos. O Abrupto é sobre isso, o Abrupto é isso”

Independentemente de tudo o que já verberei sobre o Abrupto, daqui a minha homenagem ao JPP

[e aqui, por deferência, omito a incontornável alusão/comparação aos ‘Technorati’, afinal, também lá, os mesmos (desnecessários) radares umbilicais]

Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:10 AM | Comentários (3)

Cito a Eufigénia

"Eu acho imensa graça aos comentários do Bill "

(fica-te com esta pá, que é coisa que de mim nunca hás-de ouvir)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:23 AM | Comentários (9)

maio 04, 2005

Uma bacoca expiação (entre 2 goles de café no intervalo de – mais – uma reunião)

Um homem deixa de o ser, vira verme até, quando reconhece - seja qual for o pretexto - que deixou a mulher com duas bilhas de gás no carro para descarregar.

(até me dói a alma Eufigénia, se é que ainda a tenho)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:41 PM | Comentários (13)

Uma bacoca constatação (já a cair na sopa)

Aqui se nota como o tempo é relativo. Tenho este blog há pouco mais de 6 meses, e parece que já vesti mais de metade da minha vida com palavras.

Temo por isso que este blog tenha de fechar antes de perfazer 1 ano - Que a partir daí só sobrará futuro e tenho por ingrato o ter de escrever sobre o meu destino.

(bom apetite)

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:25 PM | Comentários (5)

Uma bacoca reflexão matinal (agora já um bocadinho melhor obrg.)

Por vezes olhamos para nós como se estivéssemos do lado de fora, do outro lado do vidro, já sem o que pensamos por dentro, e acabamos por perceber que afinal somos apenas mais um, exactamente como os outros, com as mesmas rugas de quem anseia um destino diferente.

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Esta, mais uma das excelentes fotos do Fotoben que não resisti a trazer

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:48 AM | Comentários (21)

Um bacoco desabafo matinal (e agradeço que não me chateiem sim)

As melhores reuniões, porque curtas e objectivas, são aquelas que decorrem na parte da manhã de um dia em que se acorda mal disposto e sem paciência.

As outras são mais agradáveis, mas quase sempre não servem para nada.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:27 AM | Comentários (7)

maio 03, 2005

Quase no findar da labuta

E aqui a achar que o pénis tema hoje trazido a este blogue poderia ter sido mais bem escolhido, que isto até então ainda se tinha por coisa séria caramba!

Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:35 PM | Comentários (8)

A aceleração de coriolis e (ainda) o lado da pila - uma explicação plausível

Da prolífica troca de opiniões que ainda se desenrola na caixa de comentários do post debaixo até nos truques da arte de alfaiataria fomos esclarecidos, contudo, permaneceu sem resposta a questão essencial: porquê a tendência no adornar à esquerda do membro sexual do homem?

Insistindo, procurando agora uma abordagem mais científica, algo que pudesse indiciar uma explicação mais plausível do fenómeno, eis que me vejo a recordar algo que sempre me fascinou: A Força de “Coriolis”, esta que sempre serviu para explicar tudo o que não se conseguia explicar, nos tempos idos de estudante.

Descreve-se nesta força da física um fenómeno complexo que deriva do movimento rotacional da terra, e do facto de em diferentes paralelos da mesma se encontrarem massas com diferentes velocidades tangenciais. Enfim, não querendo entrar pelo campo científico, aqui fica a explicação . Esta força, devida à Aceleração de Coriolis, sempre me apaixonou, pois se por um lado nunca foi completamente compreendida por mim na sua definição algébrica, motivando-me por isso até alguma incredibilidade, por outro lado é grandeza de efeitos observáveis, e esses irrefutáveis.

Essa aceleração de impacto planetário é entre outras coisas responsável pelos ventos alísios, que como se sabe têm sentidos dominantes que são inversos no hemisfério norte e no hemisfério sul. Outro efeito visível da mesma e que se pode facilmente observar em casa, encontramo-lo ao esvaziar a banheira. Aí, a água, ao esvair-se pelo ralo numa espiral cada vez mais apertada, toma sempre o mesmo sentido de rotação, (o sentido horário, creio). Esse efeito inverte no hemisfério sul onde o sentido de rotação da água escoada, é exactamente o oposto.

Há por assim dizer grandes similitudes entre a dificultosa explicação do fenómeno das pilas e o fenómeno da aceleração de coriolis, a justificarem uma abordagem por comparação científica. Aliás, esta estratégia explicativa, como já disse anteriormente, vem de velho vício dos tempos de estudante, no que recordo que de cada vez que alguém esbarrava com alguma equação diferencial mais teimosa, logo algum de nós o sossegava com um “olha, isso deve ser por causa da aceleração de coriolis”.

Aqui cruzo e deixo então pistas neste paralelo entre os dois fenómenos: Será que tudo isto se deve ao efeito de coriólis? E se assim é, será que em chegando ao hemisfério sul a “coisa” se apresta a mudar de costa? Fica então apelo ao testemunho de amigos de longínquas paragens, essas já do outro lado do planeta.

Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:40 PM | Comentários (15)

Que uma pila se guarda do lado esquerdo

Há uns tempos, aqui nesta posta do já famoso fórum de discussão do Charquinho, discutía-se para que lado se arrumava a pila. Logo eu saí a terreiro, garantindo que sem sombra de duvida seria para a esquerda, maioritariamente para a esquerda. A Maria Árvore