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março 29, 2005

Remexendo baús em férias (1)

Monchique, 2 de Julho de 1942

Snrª D. Maria

Acuzando a recepção da sua considerada carta, notada, ditada, e escrita por mão de alta categoria, e [ininteligível] de magistrada educação, sou a dizer a Vx.ª que a paixão de pai é imortal. Sobre os assuntos que Vx.ª me esclarecesse; pois eu vivo muito tranquilo nas passagens do meu trabalho, e quando entrego uma filha das minhas às ordens de um respeitabilidade e Snr.es de alta magistração, descanço e julgo que essa pessoa esteja tambem guardada como em casa dos seus paes. Portanto Vx.ª tem que desculpar, a existência dessas inocências que não á quem dê conta dessas infelicidades, os castigos os ensinos, o tempo é que ade levar essas creaturas à ora do pensamento, da moral, do respeito e da incorrigível passagem dos tempos da vaidade.

Mais digo a Vx.ª que estava tão contente da minha filha permanecer às vossas ordens que não calculava; para tão depressa me aparecer tamanho desgosto. Tenho a certeza porem que Vx.ª não acuza essa passagem se não tivesse alguns motivos. Mais pedia a Vx.ª de que não me esconda mais algum preconceito sobre essa creatura, quanto lhe agradeço informar melhor, de mais qualquer passagem dessa menina.

Agora permita-me a fraze: Essa Snrª Beatriz que eu deposito a máxima confiança nela é que também poderia dizer qualquer coisa: porque quando ela abalou daqui, alem das consideradas informas que tinha de Vx.ª mais satisfeito estava por ela ir para junto duma creatura a quem eu devo algumas atenções de respeito. É ela quem deve esplicar a Vx.ª se isto é verdade ou não é, porque Vx.ª não me conhece. Mas de nada me valeram os meus empenhos: porque eu não tenho sorte, espero que Vx.ª leia atentamente a minha carta e depois me responda quando Vx.ª entender, e junto à vossa esplicação moral venham algumas palavras de Beatriz.

Vou terminar agradecendo com a cadencia paternal, que espero não ofender as moralidades de Vx.ª.

Ao seu dispor
espero resposta

(assinatura ininteligível)

[Reflexão do transdutor: O que terá a pobre da moça feito?!

Publicado por Eufigénio Lagoa às março 29, 2005 09:16 AM

Comentários

Desculpa responder aqui ;) os meninos tiveram foi muita sorte de não ser NewKidsonTheBlogs! :P beijinhos

Publicado por: Ruiva em março 29, 2005 09:23 AM

Queres ver que a criatura foi para a praia de fato de banho?

Publicado por: maria arvore em março 29, 2005 11:19 AM

Pfff...estes gajos não enganam, todos iguais....vinhas desertinho para blogar tá-se mesmo a ver ;-)))))
(e agora que eu não tenho tempo nenhum para ler é que te aproveitas pois tá claro, uma pessoa esteve aqui 5 dias de plantão para isto!)

Publicado por: Mar em março 29, 2005 11:46 AM

Muito interessante esta viagem ao passado. Não haverá por aí (um rascunho de) uma resposta da tal Beatriz?

Publicado por: Graça em março 29, 2005 04:14 PM

Ruiva,
Isto de andar de férias atrasa-nos a compreensão ... de agastado sinto-me agora vaidoso de tão apropriado (diga-se) cognome para este blog.

Mª Arvore,
Ou pior, ou pior

Mar,
Não perdes grande coisa que isto é só verborreia de férias

Graça,
Eu ando de cabeça lá metida nos baus, banhos são 3 por dia tal o pó, mas desafortunadamente não encontro a réplica da carta. Seja como for, outros têm vindo até às minhas mãos. Tenho aqui um que me parece conspirador e que fala da honra de inglaterra, vamos lá ver se não destapo alguma tentativa revolucionária, que isto já vai muito para além da pecaminosa Beatriz ...

Publicado por: Eufigénio em março 29, 2005 05:52 PM

Estarás, por acaso, algures pelos lados onde foi escrita esta carta?

Publicado por: Zoick em março 30, 2005 03:57 PM

Absolutamente Zoick. Até diria mais, estou no mesmo espaço-tempo da carta - A cabeça completamente mergulhada no baú. Aqui melhor que a piscina é a cave cheia de baús e coisas velhas, muitas histórias ... devaneio por lá quase tantas vezes como os putos se lançam lá fora nos mergulhos.

Publicado por: Eufigénio em março 30, 2005 09:44 PM

Pois, não posso acreditar! O mundo é mesmo um penico! Enfim, saudações minhas a essa terra maravilhosa, que ultimamente tenho visitado muito regularmnete.

Publicado por: Zoick em março 31, 2005 04:55 PM

Oops, induzi-te em erro Zoick. Ando por lá perto, mais exactamente entre Lagos e Portimão, escondido da confusão e tendo pela frente a ria de alvor. Sim, ainda há algarves perdidos, mesmo sem ser nas zonas mais recuadas como Monchique, mesmo sem ser o Algarve barroco. (a falar baixinho para ninguém ouvir)

Publicado por: Eufigénio em março 31, 2005 05:02 PM