« Água | Entrada | Uma (enorme) família portuguesa com certeza »

março 18, 2005

Dito por quem sabe dizê-lo

Nos tempos que correm oiço um pouco por todo o lado murmurar os mimos e a sobreprotecção que se dá aos filhos, pois que os tempos estão difíceis, a vida perigosa, e blá blá blá que ele é amoroso. Confesso que me indigna perceber nisso a presunção de que quem não elevar estes afectos ao seu máximo, - mesmo que em detrimento de todas as outras variáveis educativas – revelará uma censurável falta de amor pelas suas crias, ali bem implícita naquelas trocas de palavras. Que hoje, a inquietação pedagógica fundamental é o “tudo de bom que eu lhe possa dar”, a que facilmente se junta um perverso “nós, e os outros”.

E assim, proscrito da conversa, quase sempre saio calado. Eu, pai irresponsável, alheado, talvez mesmo ignóbil, a reter a vontade de perguntar como é que um dia aqueles leõezinhos irão partir para a caça sozinhos.

Mas se soubesse dizer tudo isto sem ser eventualmente ofensivo. Se o soubesse dizer com a economia e a estética com que se escrevem as coisas essenciais. E se o soubesse dizer com o amor que tenho aos meus filhos, diria assim:

E no entanto...
... Se os bordarmos às almofadas com "ferocidade amorosa" - ou desespero solitário? - arriscamo-nos a tornar muito mais árdua a sua caminhada para a indispensável autonomia. Porque são nossos e contudo não nos pertencem
.”

Júlio Machado Vaz

Bravo Professor !!!

Publicado por Eufigénio Lagoa às março 18, 2005 06:56 PM

Comentários

É tudo tão relativo, não é? Onde é que está o risco que separa a protecção necessária e a exacta quantidade de mimos que os façam crescer para adultos não-carentes e seguros, da super protecção? E esse risco não varia de criança para criança?
Eu, loiramente, me confesso: é mais "olha, vai-se vendo...":)

Publicado por: catarina em março 18, 2005 07:07 PM

Eu cheguei a um acordo lá em casa: dou os mimos á mãe, depois a mãe distribui por eles, no fim eles jogam playstation comigo, e quem perder levanta a loiça. Na parte dos caramelos, trabalhos da escola e outras frugalidades, é mais ou menos como tu.

Publicado por: Eufigénio em março 18, 2005 07:19 PM

Na minha casmurra contudência, julgo que a maior prova de amor que lhes podemos dar é criar bases para a sua autonomia.
Responsabilizá-los por coisas, mínimas que sejam e apludi-los nisso para lhes criar auto-confiança para fazerem sozinhos.

Isso não impede toneladas de beijos ao levantar e ao deitar.

Mas como julgo que se aprende a ser mãe e pai, estou com a Catarina: vai-se vendo. :)

Publicado por: maria arvore em março 18, 2005 09:26 PM

Agora não posso responder, que estou na sala a jogar playstation...:D

Publicado por: catarina em março 18, 2005 10:01 PM

ahahahahahah

Publicado por: Eufigénio em março 18, 2005 10:08 PM

e aquelas que queremos autónomos e nunca o serão na vida...sempre dependentes...mal ou bem o que quero para as duas...que sejam felizes.

Publicado por: Luna em março 18, 2005 10:14 PM

Não falo como mãe mas falo com o instinto maternal presente, é quase o mesmo (ok, eu sei q não...) e sinto que o mais importante a dar aos filhos é muito afecto, muito carinho, em doses de leão (ou leoa). E ao mesmo tempo há q conseguir ser forte para os incentivar a voar, por mais q os queiramos proteger sempre e evitar-lhes todas as dores. Só q essa atitude não os protegeria do mundo, exporia a sua vulnerabilidade ao mundo.

Sou pelo mimo, muito beijo, muito abraço que é completamente recompensado pelo sorriso da minha sobrinha, uma miúda que brilha de felicidade (tou tão babada, não tou?) :)) Fiz há pouco 4 meses de tia :D

Publicado por: vague em março 18, 2005 10:48 PM

Plenamente de acordo. A educação das gerações mais novas faz-me imensa confusão. Existem desequilibrios na própria relação pais-filhos que são alarmantes, digo eu, no entanto assisto a uma passividade perante comportamentos sem sentido.

Publicado por: Apenas, o cidadão em março 18, 2005 11:56 PM

Ora viva!
O Zecatelhado, camarada destas lides da blogosfera, deseja para esta casa um fim de semana cheio de bons posts e demais coisas agradáveis.
Envia ainda
AQUELE abração amigo.

Zecatelhado

Publicado por: zecatelhado em março 19, 2005 12:04 PM

Eu que não sou mãe, acredito que se pode amar incondicionalmente (mimos e beijos incluidos) impondo regras e limites. Um NÃO, pode fazer muito mais que um montão de beijos. Mas eu, não sou mãe, repito...

Publicado por: Karla em março 19, 2005 07:00 PM

Gente (é assim que ele começa não é) aqui se prova que o professor acerta na mouche (pelo menos na nossa mouche). E também me agrada saber que a minha mosca é a vossa (salvo seja)

Publicado por: Eufigénio em março 19, 2005 09:44 PM

Mimo (muito), firmeza, serenidade, coerência, justiça, brincadeira, surpresa, toque, são alguns dos ingredientes que podem ajudar os nossos pimpolhos a encontrarem o seu caminho neste mundo tão volátil...

Publicado por: CotaMarada em março 20, 2005 10:41 PM