« Um ano de Azenhas do Mar | Entrada | Amigos »
março 04, 2005
Destinos
Hoje passei acidentalmente lá pelo nosso muro. Embaracei-me tanto quando recordei ter entendido naquela altura ali palavras de admiração. De ter até ousado sentir nelas um irreprimível traço de cobiça, de alguém que queria poder trocar de sortes. Estava tão longe de perceber que se escrevia ali a resignação de um jovem que pela primeira vez tem a visão fugaz de dois destinos, tão prematuramente determinados, tão inevitavelmente divergentes.
Continuam lá indeléveis as letras que usaste. Como se escritas por um homem - um miúdo ainda - que olha do barco para o sobrevivente, que o vê partir sem desdém, e com o orgulho de quem conformado acatou o lugar do náufrago. Onde andas tu M.? Desculpa, eu não sabia que estavas a falar de ti. Estava demasiado ufano a apreciar-me assim elogiado. E ainda nem sabia, nessa altura, que o mundo já estava dividido em dois.
Publicado por Eufigénio Lagoa às março 4, 2005 12:20 PM
