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março 31, 2005
as coisas que um homem aqui se põe a dizer,
mais esta mania de bá-bá-bá-aqui-estou-eu-e-ninguém-me-vê
Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:19 PM | Comentários (8)
As minhas leituras de Férias (1)
A começar pelo “Código da Estrada”:
Descobri que o recém-revisto código da estrada, se lido com a consciência devida pode introduzir um forte risco de hemorroidais. Por forma a minimizar este sempre desagradável efeito colateral das leituras de casa de banho, sugiro que não se seja tentado a colocá-lo em cima do bidé. Uma boa alternativa a este momento de leitura será por exemplo a borda da piscina. A posição de sentado, com as pernas dentro de água pode-se apresentar como a mais recomendável, até porque contem em si a possibilidade de o código facilmente se tornar ininteligível com os repuxos de água que chovem lá para as bandas (desde que vi ontem o jogo da selecção, este estilo fabuloso e retocado do Gabriel Alves – “lá para as bandas” – reconquistou-me, maravilhosa prosa) das brincadeiras dos miúdos.
Já no fim do volume, mais aliviado portanto, descobri no artigo 187º o objectivo fundamental do dito código: “ a cassação do título de condução”. Tornou-se aí claro, mesmo que disfarçadamente escrito com “ss”, qual o fito de toda a questão da vigília automobilística. Neste aspecto considero este código da estrada uma boa peça literária, alinhavando um desfecho sempre latente, mas ainda assim desenhado com a suficiente tenuidade para nos conduzir com curiosidade até ao ultimo parágrafo.
Um sorriso de orgulho se me irá esboçar no dia em que eu, sujeito automobilístico, constatar a “cassação do meu título de condução”. Com o orgulho do leitor mais arguto, tenho quase a convicção de me irei virar para o agente da autoridade e confirmar-lhe com um piscar de olhos: “Eu sabia, eu sabia, quase me sinto cúmplice de fazer parte do vosso romance sr. Guarda. Nem sabe o quão elevadamente me sinto por ser o elegido para um dos vossos “cassados”. Com quanto devo contribuir, diga-me por favor.”
Nota de rodapé, já no outro suplemento da “visão”:
Aquilo lá para cima são resquícios de momentos menos confortáveis da leitura da peça em apreço - e por motivos do foro fisiológico que nada têm a ver com a crítica objectiva da obra. Porque aqui, no final, sempre vou confessando que mesmo decorrendo de uma forte probabilidade o vir a ser um dos “elegidos”, concordo em absoluto com a aplicação do código, mesmo que não o tenha lido até ao art.º 187, por razões que para mim são óbvias. Tão óbvias quanto obscena se tornou esta realidade de mortos.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:55 PM | Comentários (3)
As minhas leituras de Férias
Constato frequentemente do folhear acidental de tudo o que tenha letras e imagens e que me passa ao alcance das mãos, que inúmeros colunáveis desta terra tornam públicas as suas apetências gastronómicas, os seus espraianços de lazer e as suas leituras de férias. Ora, considerando-me eu dentro do mesmo género social, (pelo menos cá em casa), não vejo porque não deva poder partilhar convosco um pouco de tudo isto também. Contudo, aspectos inibitórios que me recuso a aprofundar recomendam-me que não partilhe publicamente, porque excessivamente intimistas, nem o gosto pela comida, nem os recantos do lazer. Sobeja assim das minhas intenções iniciais, a leitura. Desta forma, e assim justificada, aqui é inaugurada esta nova secção.
Visa este espaço então trazer junto do afadigado leitor, a interpretação das exigentes obras literárias que elegi nesta minha semana de lazer, no “Lazer”. Tentarei contudo forçar-me a trazer essas obras numa linguagem acessível, por forma a não desgastar o discernimento do leitor. Pese embora a complexidade das interpretações que me movem ao longo da sua narração - capacidade esta que me é inata - terei sempre presente a necessária descodificação na linguagem a aplicar. Faço-o generosamente, na medida em que reconheço que estabelecer uma linguagem de crítica que não use termos ininterpretáveis e referências invulgares, assim como encriptados raciocínios sobre as obras em análise, irá desvalorizar as minha capacidade nesta lide e, quiçá, aparentar um maior desconforto da minha parte para laborar na interpretação da arte literária.
Não receio contudo o irreconhecimento nesta minha nova faceta. Até porque deduzi recentemente que, estando na condição dos que não foram presenteados com o dote da escrita, me trago assim com plena legitimidade para o grupo daqueles que podem livremente escrever sobre o que os outros escreveram. Pois, que ainda não há espécies que critiquem a crítica dos que criticaram. Ai, santa imunidade!
Em rodapé informo contudo que, estando em vias de se extinguir o período de repouso a que me concedi nesta semana, esta minha nova faculdade, assim efémera devido a esta condicionante, ficará nos autos deste blog assinalada em exactamente 4 post’s. (não é mau para uma curta semana de leituras pois não?)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:07 PM | Comentários (1)
À procura de um buraquinho para esconder as férias
Lá fora está uma ventania de loucos. Nada feito!
Aqui dentro está um barulhão impossível. Ai de mim!
Olha, vou dormir a sesta. Benditas noitadas!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:23 PM | Comentários (2)
Mas afinal quem é esta "Jojo" ?
… que me põe os putos a tarde inteira ligados à MTV e o tapete da sala cheio de baba. Com 14 anos e aquele corpinho deve ser uma enviada de Belzebu para atormentar estas criancinhas. Exageros acharão V. Exas, já preocupados com estas lamentações espartanas, temendo pelas cerceadas férias dos meus filhos. Muito bem, poderei reconhecer isso … desde que me expliquem os que traz aos quatro paralisados em frente à televisão, a “ouvir” um videoclip sem som.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:03 PM | Comentários (3)
março 30, 2005
À sobremesa, lá bem perto do limite da parvoíce já
- Ei! Vocês acalmem-se aí! Estamos à mesa.
- És mesmo parvo.
- Dioooogo !!!
- E tu, e tu, sabes o que és? És o que comes manga!!
- E que me importa isso… ahahah … é mesmo parvo!
- Ai não te importas, não?! Olha o mangalóide! G’anda mangalóide!
- Ó pai, olhe o Franc ...
- Mas que se passa aquiiii !?
- É o …(?) … pai, posso comer uvas agora?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:59 AM | Comentários (8)
Uma questão de rapidez … ou mesmo de auto-estima
- Já viste o Diogo, até a andar faz por ir sempre à frente do Francisco.
- É verdade, sempre um passo, basta só um passo, mais lá vai.
- É, e depois distrai-se, quase tropeçamos nele, e assim que o nota lá vai mais uma corridinha para deixar distância.
- É isso mesmo. Farto-me de refilar com ele por andar sempre a encalhar nas nossas pernas.
- Olha agora, viste? Subiu o muro, foi a correr por lá, e desceu à frente do Francisco … pronto, lá estão os dois a picarem-se. – Frannnciiisco, deixa o teu irmãooo em paz!
- Eu também era assim. Acho que é excesso de competitividade. Em tudo o que fazia estava sempre a reparar se estava à frente. Lembro-me perfeitamente destas situações, a andar com outros miúdos e sempre a fazer por ir à frente, nem que fosse um passo.
…
- Pois … Devo ter tropeçado num lanço qualquer, entretanto.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:08 AM | Comentários (20)
março 29, 2005
Há regiões que são como um grande 'berbeque'
- Este Algarve não é normal.
- Então?
- Já viu a placa daquele restaurante pai? Em cima está escrito “english breakfeast” e em baixo diz “Há feijoada”. Isto não é normal pois não?
- Pois Francisco, acho que é um efeito da dupla nacionalidade.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:30 PM | Comentários (1)
Lá nos vamos desenrascando neste insípido passar dos dias
Para todos os estimados leitores que se encontram na inquietação de saber da minha condição, comprazido informo que me encontro em condição escravizada, já sem tempo para mais nada que não seja ver se os miúdos não me estragam a piscina. Agradecendo a solidariedade é contudo confortado que informo que já só restam 5 penosos dias para que retorne à saudável vida das contingências e afazeres comuns.
Imbuído de estóico espírito aqui deixo, enfim, imagem do meu degredo
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:30 PM | Comentários (10)
Cansado de férias? Experimente uma boa feijoada e de seguida proponha-se arranjar os estores da sala
Nada como concluir um pequeno trabalho de ‘bricolagem’ de forma expedita e bem sucedida. Além da minimização do incómodo fica-nos a sempre saudável admiração pelos dotes de “homem muito jeitoso”, o que vale para os outros, para as sogras, e para nós mesmos.
Há contudo dentro destes diversas espécies de trabalhos, e uns tantos que devem ser considerados com as devidas cautelas...
... Os casos mais desgastantes, que podem mesmo constituir-se em acidentes traumáticos, são justamente aqueles a que se dá menos importância ao princípio, menosprezando por isso o cuidado ‘aproach’ que estes nos deveriam merecer. Sublinho aqui os pequenos trabalhos domésticos de reparação pois são dentro do seu tipo os mais inquietantes. Normalmente reservam-nos tarefas aparentemente simples, contudo, por uma lei caótica ainda não aprofundada, acabam por se desembrulhar num articulado de pequenos reparos, que envergonhadamente vamos procurando remediar, cada vez mais longe da elementar tarefa a que inicialmente nos tínhamos proposto.
Não raras vezes, o isolamento de uma torneira, um interruptor manhoso, ou mesmo uma tranca de porta preguiçosa, acabam por abanar a serenidade do mais prevenido ‘bricoleur’, já atiçado sobre as ferramentas, estas esbaforidas por cada canto da casa, ele a ouvir estupefacto, já desacreditado, a família a escapulir-se com um “a gente vai só ali e já volta”. Mas no género dos “jeitinhos” mais manhosos coloco indiscutivelmente o arranjo de estores (ou persianas, conforme o ponto do país de onde se leia). Este afazer a que descontraidamente nos podemos lançar mesmo após uma bela feijoada, começa invariavelmente pela tentativa de acesso à caixa dos estores, a qual de coisa simples de “só um jeitinho aqui”, talvez por um ligeiro excesso de diligência, se acaba por transformar num caos de buchas arrancadas e um pouco de massa de cimento que já só amanhã poderemos arranjar para reconstituir o canto que entretanto se fragmenta pelo chão da sala.
Refeitos dessa contrariedade, e perfilados de um espírito filosófico, rapidamente nos propomos remeter esse “pormenor” para o final dos trabalhos. Depois vem então a parte seguinte, o desenvencilhar das cintas. Esta operação, simples, é contudo pouco elegante, já que nos faz retorcer, quase enfiar meio corpo para dentro da abertura que afinal é estreita demais e, por fim, rouba-nos toda a recomendável postura - de pai extremoso e de marido jeitoso, acabamos por sair de lá de dentro brancos de pó, escondidos por entre uma cabeleira de teias, e com aranhinhas bamboleando-se do nariz, enquanto disfarçamos a mão entalada na calha que os guia, aos malfadados estores. Por esta altura já perdemos todo o capital angariado de trabalhos anteriores, esses, porventura melhor sucedidos. Porque nesta coisa dos trabalhinhos de casa, mais do que o resultado final, é a elegância e o preparo que contam para qualquer pai de família.
Chega então a fase técnica. Normalmente é apenas substituir as fitas, reprendê-las no rolo, uns parafusos aqui, uma puxadela ali e fica pronto. Já fiz isto vezes sem conta. E de todas as vezes, como esta, faço-me prometer que nunca mais caio noutra. De todas as vezes, como esta, depois de andar a rebocar a parede, de ter esbanjado o prestígio de pai e marido, acabo aos pontapés ao rodapé e a chamar-me estúpido perante a estupefacção dos meus filhos, dos vizinhos, e já mais ao longe do senhor da sapataria e quase acredito até dos bombeiros lá no virar da esquina. De todas as vezes, como esta, quando já com a caixa fechada, as ferramentas arrumadas e o aspirador nos últimos sôfregos de pó e cimento, experimento a obra acabada, acabo por descobrir que sempre que se arranja um estore, deixamos a fita em baixo em vez de enrolada no tambor!!! O que significa apenas que tudo irá ter de recomeçar.
O arranjo de estores é por isso coisa que me é ingrata. Vejo-me quase sempre a deixar para um outro dia o arranjo, do arranjo que fiz - que por mais brio, já não há espírito para encarar aquilo de novo. Resignado, sei que irá passar o tempo suficiente para voltar a olhar para a persiana com ímpetos de a arranjar. O tempo suficiente para esquecer a lição que me levou a desistir desta vez. Hei-de então lançar-me revigoradamente, hão-de cair de novo os parafusos e as buchas nos remendos de cimento que lá acautelei, hei-de perder a compostura de novo no meio de tanta teia de aranha e tanta contrariedade, e no fim, depois de passar por tudo de novo, acabarei incontornavelmente por confirmar que a fita ficou de novo em baixo.
Amanhã vou arranjar o telhado, ou começar os planos da nova cozinha. Hei-de certamente arranjar coisa mais simples do que esta de arranjar estores.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:57 PM | Comentários (1)
Remexendo baús em férias (1)
Monchique, 2 de Julho de 1942
Snrª D. Maria
Acuzando a recepção da sua considerada carta, notada, ditada, e escrita por mão de alta categoria, e [ininteligível] de magistrada educação, sou a dizer a Vx.ª que a paixão de pai é imortal. Sobre os assuntos que Vx.ª me esclarecesse; pois eu vivo muito tranquilo nas passagens do meu trabalho, e quando entrego uma filha das minhas às ordens de um respeitabilidade e Snr.es de alta magistração, descanço e julgo que essa pessoa esteja tambem guardada como em casa dos seus paes. Portanto Vx.ª tem que desculpar, a existência dessas inocências que não á quem dê conta dessas infelicidades, os castigos os ensinos, o tempo é que ade levar essas creaturas à ora do pensamento, da moral, do respeito e da incorrigível passagem dos tempos da vaidade.
Mais digo a Vx.ª que estava tão contente da minha filha permanecer às vossas ordens que não calculava; para tão depressa me aparecer tamanho desgosto. Tenho a certeza porem que Vx.ª não acuza essa passagem se não tivesse alguns motivos. Mais pedia a Vx.ª de que não me esconda mais algum preconceito sobre essa creatura, quanto lhe agradeço informar melhor, de mais qualquer passagem dessa menina.
Agora permita-me a fraze: Essa Snrª Beatriz que eu deposito a máxima confiança nela é que também poderia dizer qualquer coisa: porque quando ela abalou daqui, alem das consideradas informas que tinha de Vx.ª mais satisfeito estava por ela ir para junto duma creatura a quem eu devo algumas atenções de respeito. É ela quem deve esplicar a Vx.ª se isto é verdade ou não é, porque Vx.ª não me conhece. Mas de nada me valeram os meus empenhos: porque eu não tenho sorte, espero que Vx.ª leia atentamente a minha carta e depois me responda quando Vx.ª entender, e junto à vossa esplicação moral venham algumas palavras de Beatriz.
Vou terminar agradecendo com a cadencia paternal, que espero não ofender as moralidades de Vx.ª.
Ao seu dispor
espero resposta
(assinatura ininteligível)
[Reflexão do transdutor: O que terá a pobre da moça feito?!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:16 AM | Comentários (9)
Uma calçada “eslavo-portuguesa” portanto
A passear na marginal de Lagos
- Pai, esta é que é a calçada portuguesa?
- É sim, bonita não? E repara como a estão a arranjar bem.
- Mas porque lhe chamam calçada portuguesa?
- Porque é uma arte portuguesa. E sabes, este empedrado tem muitos motivos, cada um repres …
- Mas porque lhe chamam assim?
- Mas estava justamente a explicar-te isso! Porque é algo que nós portugueses sabemos fazer assim … esta é ainda das coisas que sabemos fazer bem, diria.
- Mas pai, então porque só ali estão aqueles senhores louros a arranjá-la?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:50 AM | Comentários (3)
Allô, allô, experiência … toc, toc … 1,2, 3, vou contar outra vez …
...há linha, há ego, há teclado ... 'bora lá
Ora vamos lá ver!? Virar o animal ao contrário, pronto. Inspeccionar o ventre, cá está! Agora é só estripar aqui esta ficha ... (clic) Pôr o portátil de flanco e, ... (clac) ... et voilá!
Muito boa noite Eufigénio, tens passado bem, tens? … ou será que o amigo se sente entravadinho? Tens sentido assim um vaziozito ein? A casa pouco arejada é?
Ora vamos lá ver se isto ainda funciona. Mandas tu ou mando eu? Espera, agora sou mesmo eu a tratar disto, aqui umas belas fotos das férias para revelar! Tu depois logo fazes as variações sobre aquelas coisas rebuscadas onde te pões a fingir que tem dilemas e mau acordar.
(estas ‘nuances’ esquizofrénicas são muito saudáveis. Um tipo fica sempre a achar que a última palavra foi a sua)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:08 AM | Comentários (7)
março 23, 2005
A partir, quase, quase
(este post tem por fito único empurrar a desabrida conversa que se alapou no post anterior - e da qual desde já me desresponsabilizo - lá para o fundo. Devido a esta circunstância urgente terão de me desculpar os leitores pela pouco cuidada expressão literária, que desde já me comprometerei a remediar ... quando voltar, quando voltar)
Ai, chocalham-se-me os ossos. A Terra treme, a Terra treme !
Que barulho tão rompante se atreve a tanto ?!
A mesa de trabalho queixa-se, e desengonça-se de rangeres.
Procuro abraçar as resmas de papéis volteantes,
que normalmente ousam acinzentar-me os dias...
E para piorar ainda, o sacro computador
começa a libertar um silvo, crescente, crescendo,
e ouço o disco rígido agonizar num som sinfónico de despedida,
como quem ironiza sobre o trabalho irrecuperável que leva consigo.
Ao meu lado, empreendedoras e serenas gentes
fogem agora em todos os sentidos, esfalfadas,
não sei se do pânico do tumulto de sons e coisas,
se do aproveitamento que isso lhes dá para fugirem de mim.
Actas, recibos, processos inteiros voam por todo o lado,
vórtices de folhas enchem-me o gabinete.
Sinto a gravata apertar-se-me em redor do pescoço,
depois, num frémito desenlaça-se e cai sem postura no chão.
De repente, tudo se acalma.
Apenas um estalido no meu colarinho fura este silêncio de devastação,
- um austero botão, qual guerrilheiro moribundo,
desprega-se irresistente em espirais até ao chão.
Por fim, voando pelo sossego cavo, de lá do fundo vem um sorriso planando,
as asas cansadas de tanto lábio escanqueirado,
e zás,
sem que nada possa fazer, cola-se-me à boca.
Lá dentro a calmaria vem voltando
e aos poucos começa-se a desenhar o irrepreensível traço administrativo
nas olheiras dos funcionários.
Os livros, sem esforço, voltam a recompor-se sozinhos,
em prateleiras aprumadas.
Uma funcionária, recomposta e industriosa
começa a juntar o desvario de papeis que se derramam em todo o lado.
Os telefones recomeçam a tocar, agora com serenidade.
Mas subito tudo volta, é réplica que aí vem.
Irrompo eu pela sala dentro, ai de mim de tão fora de mim.
O caixote do lixo, desajeitado, enfiado no pé,
riscando arrepiantes gemidos pelo soalho,
Uma mão que agarra o que resta da camisa,
da qual se pende já morta a moribunda gravata,
a outra ampara-me num bengaleiro
que esguio e desastrado comigo avança a cada passada.
O cabelo encarrapitou-se de forma desgrenhada e infantil
Os olhos loucos giram supersonicamente nas tabelas das órbitas
E o sorriso de alguém, meio louco
Continua a decorar-me a boca !
Atónitos, ao verem-me, os afáveis colaboradores
Vacilam entre a dúvida de saber
se é melhor ter chefe sem trabalho,
se trabalho com chefe.
Depois recompõem-se;
- afinal já têm nova angústia com que viver.
E hesitantes, e expectantes, ficam aguardando o que de mim sairá.
Os nervos retesam-se-me,
A voz entaramela-se-me,
Os olhos agitam-se loucos
E de lá do fundo forma-se,
Primeiro devagar, depois apossando-se de todos os sons do mundo
Um enorme grito de loucura:
“Pessoal, vou de Fériassssss !!!!!”
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:55 PM | Comentários (20)
E pronto
Pelas minhas contas isto já deve dar para ir a próxima semana de férias que aqui o 'bicho' ficou bem alimentado ... Ufff
Que sensação olímpica esta de escarrapachar os neurónios directamente na tela. Tem qualquer coisa de stripthinking.
(Claro que também podia aproveitar este período para praticar mais um "Até já", e assim cumprir com a minha actividade periódica do clube MAJ-BANG)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:10 AM | Comentários (22)
março 22, 2005
Tentando perceber o algoritmo do ‘puzzlezista’
Já que me está a dar para a verborreia (se me conheço vem aí stress, ai vem, vem) vou aproveitar para escrever em voz alta. E a questão de hoje (as coisas que eu invento desde que me antagonizei com a televisão) é: a (in)explicação de um(a) puzzl(ista).
Tenho desde há 10 dias uma mesa no meio da sala, na qual aliás tropeço - literal e visualmente - a todo o instante. Lá fui 'consentindo' aquela conspícua coisa. Agora, desinteressado, vou observando de quando em vez a satisfação com que é colocada uma pétala cortada, uma telha desbotada, ou uma fracção de rocha. Mas tudo coisa lenta, e insusceptível de se prever terminar. Aos poucos acabei por me habituar a integrar o puzzle no resto da casa.
Estava eu ainda agora a pensar no encriptado post da primavera da Catarina e eis que subitamente ouço um “voilá” vitorioso. Habituado já às cogitações que aquele passatempo traz para voz audível, nem liguei. Pois qual não é o meu espanto ao constatar logo depois, e sem qualquer hesitação, sem qualquer laivo de angústia que, zás!!!, o puzzle ainda agora concluído foi de imediato desfeito.
Mas afinal …?... bem … esqueçam!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:41 PM | Comentários (4)
Um homem assim sente-se menosprezado pelos seus leitores
Com esmero, arriscando-me mesmo pela tecnologia digital, faço esta coisa linda, essa mesma, aqui 3 postes abaixo. O recorte do sono, o aveludado dos lençóis, e o duelo que se trava no subconsciente, (e atrevo-me imodesto), aqui tão superiormente iconografado. Aceito-me partilhar convosco esta obra prima, e ... oh decepção de artista mal-amado, qual Van Gogh, recolho tão pouco de vós!
Depois, vem a primavera. Urge um post descontraído. Acabo por constatar que a conto ligeiramente azedada, e assim tento dar-lhe uma outra roupagem floral. E aqui à mão, para esse fito, só mesmo uma aguarela esmaecida da minha mãe. Coisa para declamar a primavera que (assumo) as letras de tom grave não trouxeram, e ... oh espanto, todos se chegam, até há quem faça poesia.
Mais respeito caros leitores, mais respeito, não confundeis a progenitura com o dote !!!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:43 PM | Comentários (11)
Mas quem é que desligou o 'barulho' ?
Há coisas mesmo sem explicação. Um tipo fica a esfregar as mãos de contente quando uma alma caridosa se oferece para levar os miúdos numa semana de férias. No primeiro serão a sós é ver-nos a conjecturar, que é agora que vamos ali, e depois que vamos jantar lá, e que se estiver bom tempo poderíamos ir depois acolá, e pátátipátátá. Depois, no dia seguinte:
- É estranho isto não é? Parece que não há nada para fazer.
- Olha, queres ir a algum lado?
- Bahhh, não me apetece muito
- Que raio de moleza esta em que caímos os dois!
- Pois é
…
- Achas que eles ao menos se estão a divertir?
Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:17 PM | Comentários (16)
Post de 3ª feira (para pôr ao fim do dia)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:04 PM
Parece que outrora se celebrava este dia por ser “Primavera” (*)
Só para lembrar que hoje entrámos na Primavera (força de expressão). Para quem já não se recordar do significado disso a Primavera trazia normalmente o verde e as flores, e a esperança que a chuva chata do Inverno se evaporasse. Claro que por vezes chovia, que isto das estações não vinha por decreto, mas já se notava um raiar diferente, com uma peculiar macieza, ainda húmida, que o verão mais tarde transformava num ardor mais forte. Já agora, e para quem não está também recordado, o verão era a estação em que se ia de férias, normalmente para a praia, isto, claro, quando ainda era possível lá permanecer, sendo mesmo na altura considerada uma terapêutica aconselhada.
(*) Termo que designava a 2ª estação do ano. Deixo uma aguarela dos tempos de meninice da minha mãe, para ajudar aos mais esquecidos ou mais jovens:

(Já agora, Mãe, aquelas tintas que lhe ofereci, que tal ‘gastá-las’ numa primavera para mim?)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:30 AM | Comentários (16)
março 21, 2005
Quem venceu esta noite?
Todos os dias acordo sem saber quem venceu a rixa do sono

É desesperante só sabermos o resultado desta contenta pela cara dos outros, já tarde, já depois do dia cumprido.
(Mas não te deves preocupar Eufigénia que desta vez já me preparei. Hoje vou ficar por ali, noite fora, atento, a patrulhar os sonhos)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 04:50 PM | Comentários (7)
Operações de Manutenção
Ontem, subitamente, senti uma estranha comichão, uma cócega, no ouvido esquerdo. Quando passei o dedo senti um picar, mas como apesar do escarafunchanço não encontrei nada, acabei por esquecer o incidente.
Hoje de manhã, ao espelho, por entre a barba, lá descobri o que era. Tinham-me crescido pêlos nas orelhas. Há imagens que não são bonitas de ver aparecer em nós, sobretudo quando em outros as associamos à velhice.
Mas felizmente ainda há coisas que se podem fazer desaparecer com a tesoura das unhas. Afinal, sempre há partes vetustas que se podem retardar.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:00 PM | Comentários (5)
Post de 2ª feira (para pôr ao fim do dia)
Nota para amanhã: Não esquecer de preparar o post da "primavera"
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:43 AM | Comentários (5)
março 19, 2005
Uma (enorme) família portuguesa com certeza
Num destes serões lá em casa da minha mãe, alguém se lembrou de um piquenique. Foi hoje, na Serra da Estrela, e à boa maneira portuguesa claro: bôlas, croquetes, tintol, toalhinha e imenso barulho ... Não sei porque escolhemos ir tão longe, mas isso também não é importante - de qualquer forma teríamos sempre de alugar uma camioneta para nos metermos a todos lá dentro. E além disso, o pessoal grama mesmo é a confusão de sermos muitos. Estes piqueniques são do melhor, mas mais giro é mesmo ter uma família que é uma “sucursal” da Rodoviária Nacional.
O post do dia lá teria de sair das trapalhices do Diogo. Em plena serra, toalha estendida no “Covão d’Àmetade”: … e depois eu subia até lá acima e ficava a viver com o “iluminável homem das neves”…
E o resto seguiu-se ao microfone da camioneta … coitado do Sr. Carlos
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:05 PM | Comentários (8)
março 18, 2005
Dito por quem sabe dizê-lo
Nos tempos que correm oiço um pouco por todo o lado murmurar os mimos e a sobreprotecção que se dá aos filhos, pois que os tempos estão difíceis, a vida perigosa, e blá blá blá que ele é amoroso. Confesso que me indigna perceber nisso a presunção de que quem não elevar estes afectos ao seu máximo, - mesmo que em detrimento de todas as outras variáveis educativas – revelará uma censurável falta de amor pelas suas crias, ali bem implícita naquelas trocas de palavras. Que hoje, a inquietação pedagógica fundamental é o “tudo de bom que eu lhe possa dar”, a que facilmente se junta um perverso “nós, e os outros”.
E assim, proscrito da conversa, quase sempre saio calado. Eu, pai irresponsável, alheado, talvez mesmo ignóbil, a reter a vontade de perguntar como é que um dia aqueles leõezinhos irão partir para a caça sozinhos.
Mas se soubesse dizer tudo isto sem ser eventualmente ofensivo. Se o soubesse dizer com a economia e a estética com que se escrevem as coisas essenciais. E se o soubesse dizer com o amor que tenho aos meus filhos, diria assim:
Bravo Professor !!!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:56 PM | Comentários (12)
Água
Desconheço o autor. Do que me chegou sei apenas que é uma história retirada da revista biográfica "Crónicas de los Tiempos", de Abril de 2002.
Impressionou-me, e aqui a deixo ...
"Se não acordamos para a vida estamos tramados...
Ano 2070, acabo de completar os 50, mas a minha aparência é de alguém de 85.
Tenho sérios problemas renais porque bebo muito pouca água. Creio que me resta pouco tempo. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade. Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro com cerca de uma hora.
Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele. Antes todas as mulheres mostravam as suas formosas cabeleiras. Agora devemos rapar a cabeça para a manter limpa sem água. Antes o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje os meninos não acreditam que a agua se utilizava dessa forma. Recordo que havia muitos anúncios que diziam CUIDA DA ÁGUA, só que ninguém lhes ligava; pensávamos que a água jamais se podia terminar.
Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aquíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados. Antes a quantidade de água indicada como ideal para beber era oito copos por dia por pessoa adulta.
Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar as fossas sépticos como no século passado porque as redes de esgotos não se usam por falta de água.
A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas que já não tem a camada de ozono que os filtrava na atmosfera, imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados. As infecções gastrointestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte.
A indústria está paralisada e o desemprego é dramático. As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam-te com água potável em vez de dinheiro.
Os assaltos por um bidão de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética. Pela ressequidade da pele uma jovem de 20 anos está como se tivesse 40. Os cientistas investigam, mas não há solução possível. Não se pode fabricar agua, o oxigénio também está degradado por falta de árvores o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações.
Alterou-se a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos, como consequência há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações.
O governo até nos cobra pelo ar que respiramos. 137 m3 por dia por habitante e adulto. A gente que não pode pagar é retirada das "zonas ventiladas", que estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcional com energia solar. Não são de boa qualidade mas pode-se respirar, a idade média é de 35 anos.
Em alguns países ficam manchas de vegetação com o seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exército, a agua tornou a ser um tesouro muito cobiçado, mais do que o ouro ou os diamantes. Aqui em troca, não há arvores porque quase nunca chove, e quando chega a registar-se uma precipitação, é de chuva ácida; as estações do ano têm sido severamente transformadas pelas provas atómicas e da indústria contaminante do século XX. Advertiam-se que havia que cuidar o meio ambiente e ninguém fez caso. Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem descrevo o bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse, o saudável que era a gente. Ela pergunta-me: Papá! Porque se acabou a agua? Então, sinto um nó na garganta; não posso deixar de me sentir culpado, porque pertenço à geração que acabou destruindo o meio ambiente porque simplesmente não tomámos em conta tantos avisos. Agora os nossos filhos pagam um preço alto e sinceramente creio que a vida na terra já não será possível dentro de muito pouco porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.
Como gostaria voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto quando ainda podíamos fazer algo para salvar ao nosso planeta terra!"
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:00 PM | Comentários (4)
Não gosto de amuos!
Como compreender alguém que se dá ao trabalho de se manter calado e taciturno, e nisso se concentre tão enfaticamente que acaba por não dizer o que quer dizer, não esclarecer o que afinal seria fácil, e assim insistir em permanecer despeitado, assim impedindo-se de não o estar, apenas gerindo um silêncio estéril e ostensivo.
Que amuar não é estar zangado com alguém, essa apenas é a sua origem. Amuar é determinar por um absurdo qualquer que se quer ‘parecer’ magoado, mesmo que o estejamos, mesmo que não o estejamos. Como absurdo é depois o retorno à normalidade, aquela linha bem determinada a partir da qual tudo já pode voltar a ser como sempre, espécie de contas ajustadas (mas com quem afinal?), e viva a jovialidade que o resto é passado.
E de quem amua podem-se prever legítimas razões, quase sempre, para estar agastado. Porque o amuo provem de um sentimento sincero de mágoa, quase sempre. Mas é um sentimento obtuso, que se impede de se resolver, que insiste em fabricar-se a si mesmo. Tão obtuso que deixa de se justificar pelo que sente, mas apenas pela militante obrigação de se manter calado, de não se resolver. Amuar é isso afinal, não o sentimento em si, mas a declaração ostentatória de que não se o quer resolver, pelo menos por agora.
Tenho um raio de um feitio é o que é! Haja quem me ature …
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:34 PM | Comentários (10)
Finalmente
A mostra internacional de talentos foi inaugurada. Queiram por favor levar este convite. Se encontrarem alguma obstrução à entrada é só dizer que vão daqui
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:20 AM | Comentários (1)
março 17, 2005
300º Post !!?
Não tenho para tanto, nem sou assim tão velho. Receio que me tenha transformado num fútil.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:22 PM | Comentários (14)
Natureza morta
Esta coisa faz um tipo sentir-se um verdadeiro Monet
e logo eu que não gosto de cadáveres de fruta
PS: E poucos minutos após a apresentação mundial deste inédito, eis que chega a primeira crítica sobre a obra, que aqui modestamente transcrevo:
"Eufigénio abordou o género da natureza morta para além da tradição clássica. Pode mesmo afirmar-se, neste caso, que se acrescenta ao tema um tratamento inovador, ao procurar intencionalmente incorporar aos objectos inanimados o conteúdo subjectivo da sua apreciação pessoal.
Uma sequência ordenada de formas esféricas estrutura exemplarmente a representação - os frutos da estação estival estabelecem um diálogo cromático subtil entre si, o que permite entender o conjunto como um discurso plástico coerente. A estética de ar livre, tão cara aos impressionistas, invade de luz toda a superfície da tela, conferindo-lhe, nessa medida, uma singular originalidade. É através da cor, porém, que Eufigénio melhor expressa uma realidade que se destina, essencialmente, à apreensão pelos sentidos."
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:12 PM | Comentários (14)
Os meus importantes compromissos
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:01 PM | Comentários (4)
março 16, 2005
A matar saudades
Ah grande Machamba, que mesmo despluralizado escreves-te com todos os “esses”
(Chalaça privada: Até já cito e tudo!)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:30 PM | Comentários (5)
Reflexão umbilical
Algo que tem o dom da expressão, e que o aplica exclusivamente para falar sobre si mesmo, torna-se uma espiral absurda, um desperdício sucessivamente matraqueado, uma capacidade esbanjada que não acrescenta mais do que as mesmas coisas ao que afinal já é e já disse que é. Uma ostra. Há dias em que encontro pessoas assim. Há dias em que me vejo assim.
E há dias em que acho que esta blogoesfera caminha assim, sentada num poleiro do mundo, onde afinal passa o dia a limpar as penas.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:30 PM | Comentários (6)
Mas tu não páras quieto?
Já faz parte da rotina diária ir ver onde é que ele (JPT) passou a noite. Com o intuito de poupar algumas blogocaminhadas vou já informando que o Maschamba agora se encontra por aqui.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:53 AM | Comentários (4)
março 15, 2005
Quem tem irmãos mais velhos não tem ilusões
- Vá láaa ... podes bater que eu sou o 'PowerRanger' azul!!!! Yahhh
[!!Catrapimba!! ...]
- Ó Francisco porque é que puseste o teu irmão a chorar?
- Mas foi ele que me pediu para lhe bater com a prancha.
- Eu estava a dizer para bateres devagarinhonhooo ...
(Coitado do miúdo, de uma só vez a perder a ilusão da invulnerabilidade e a experimentar o desconforto do orgulho ferido)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 06:06 PM | Comentários (5)
Nevoeiro
Adoro o nevoeiro
Agrada-me não saber para onde vou
Adoro julgar-me imune
Agrada-me escrever o que me apetecer
Assim, zás ...
Publicado por Eufigénio Lagoa às 03:28 PM | Comentários (7)
Eu um template do da Mar?
Estou profundamente sensibilizado Mar, é a primeira vez que me honram com um template de um blog. Isto já não é pôr um poster nosso na parede, é fazer um enorme graffitti pela casa toda!
Mas ponho-me a pensar,
- a pensar se o molde das palavras pode escrever outro homem que não nós,
- e a pensar se isso não lhe traz a cobiça de si mesmo
- a pensar também que esse, assim agraciado, com mais do que sou, não poderá nunca por isso agradecer devidamente
- e a pensar ainda, ao ver o delicioso desenho com que me prendaste …

... se aqui se escreve “solidão”?
Os nossos agradecimentos
deste que aqui escreve, e do que o cobiça :)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:25 AM | Comentários (4)
março 14, 2005
Adorei ir a Alvalade ...
Raramente vou ver o SCP a Alvalade. Mas sempre que o faço tenho a sorte de saber escolher as companhias. Desta vez fui com quatro, depois o meu cunhado chegou com mais dois. Com tanta criançada na fila a ocupar-me as vistas nem me apercebi do resultado. Foram tantos croquetes, e “ó tio quero ir à casa-de-banho”, e “ó pai e se aqueles parafusos se partissem isto caía…”, que quando dei por mim já tinha acabado o jogo. Ainda tentei saber o resultado mas curiosamente pouco depois do apito final já não vi ninguém a quem perguntar.
No regresso, a pingar crianças por Lisboa fora, um deles ainda me perguntou inocentemente até que idade se podia mudar de clube? … acabámos a falar na importância do “saber perder”.
Conclusão 1 : Palhaços com chuteiras podem transformar um homem honesto num cego mentiroso
Conclusão 2 : Levar sempre crianças ao Futebol, especialmente se for um jogo difícil em casa, com o Penafiel por exemplo
Conclusão 3 : Não esquecer os croquetes, são importantíssimos. Além de nos interromperem constantemente a visão do naufrágio também podem ajudar a mitigar a fome das crianças
(Este post foi assim revisto e alterado. As minhas desculpas aos leitores e a promessa de que doravante não voltarei a escrever sobre croquetes e leitõezinhos)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 10:36 AM | Comentários (22)
março 12, 2005
Agora os putos também têm fezes?
- Eu já te disse 3 vezes para ires tomar banho. Não tarda escondo essa coisa da Playstation e acaba-se de vez com o assunto.
- Mas ó Pai, eu já lá fui?
- E porque voltaste?
- Porque agora não posso.
- Não podes?? Mas que história é essa? Já para o banho! … e é a última vez que digo!!
- Mas ó pai, aquilo cheira mal. o Francisco está a deitar as fezes fora.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:34 PM | Comentários (15)
E ainda há quem ache a origem da vida um tema complexo
- Diogo e como estamos de estudos?
- Não tenho nada para estudar
- Como assim? Vamos lá ver, o que estás a estudar em “estudo do meio”?
- Estamos a dar o sistema reprodutor e eu sei tudo.
- Ai sim. Então explica lá como é isso?
- O espermatozóide entra pela “vegina”, depois vai para o “utéro”,depois sobe e passa para os ovários, depois dos ovários há lá uma coisa que anda a passear por ali e essa coisa chama-se o “ôvulo”. E depois entra o espermatozóide que vai para dentro do ôvulo e depois passa-se a chamar o ovo. E a mulher fica grávida.
(tira-se-lhe o sotaque e isto é uma descrição com verdadeiro rigor científico)
- humm…pois… acho que não está mal. Vá lá jogar Playstation vá.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:16 PM | Comentários (8)
março 11, 2005
Caras
Seria curioso se as nossas feições se alterassem conforme os estados de espírito. E não falo apenas das expressões, falo numa transmutação completa de todos os órgãos e apêndices, afigurando os caprichos da nossa própria disposição. E isso ser indisfarçável, e incontrolável.
A sair de manhã por exemplo, e ali a cruzar-me com alguém na rua - uma hesitação, e depois em jeito de cumprimento “Ah és tu, não te estava a reconhecer assim, tão irritado!”. E logo eu a confirmar identificação, a evitar confusões, e a lançar escusas também: “Mas já estou a mudar, repara que o nariz já desarrebitou, hoje de manhã estava impossível. E tenho para mim que a linha dos olhos também já não está tão sisuda”.

E tantas as disposições, tantos os estados de espírito, que no emprego andaríamos todos de placa ao peito, para desembaraçar aqueles que ainda não identificassem todas as variantes dos mais recentes colegas. “Como está Sr. Dr, não tinha a certeza de que era o senhor e bem sabe …” depois estudando melhor os esgares, as rugas abespinhadas, o arrebitamento das orelhas no outro “… talvez seja melhor voltar mais tarde?”. Tantos mal entendidos que assim se resolveriam.
E depois o chegar a casa, antes da transfiguração, antes do despir o trabalho e o trânsito, sem tempo ainda para a recuperação das feições, e logo um reparo carinhoso: “ Oh Euf, tu não podes andar sempre a aborrecer-te querido, qualquer dia arriscas-te a ficar assim, com esse nariz à banda, e nunca mais o teres direito. Descontrai-te vá lá”. E já mais calmo, as ventas recompondo-se, o serão a começar a fazer-se.
E ao jantar, numa tasca familiar lá do bairro: “O Sr. Eufigénio hoje anda com uma testa de elefante, isso foi alguma contrariedade lá no trabalho não?” E o queixo a crescer-me de irritação, com a impertinência do homem. Ele logo o notando e recatando-se “Desculpe …”
O dia seguinte. Manhã de fim de semana, todos alegres e a acordarmos belos. Uns lábios repousados, um olhar recuperado da saudade, as rugas esbatidas da tranquilidade e já alguém a perguntar “Então, ideias para o que faremos hoje?”. E logo o Diogo, transfigurando-se numa cara linda “Oh Pai, podemos ir ao Oceanário?”. E eu a pensar que nem valia a pena, que nada haveria melhor do que ficar por ali com aquela gente linda. E a descansar o nariz, a boca, os olhos, para a semana que se avizinharia.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:30 PM | Comentários (23)
Há dias em que um gajo não acorda bem, pronto

Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:47 PM | Comentários (9)
A sensação por vezes
de que o dia se esvai por entre
a pressa com que o abraçámos de manhã
e o cansaço com que atrasados o encerramos.
O corpo doído
das coisas urgentes que fizemos,
e lá mais dentro, doridos também
do importante que não tivemos.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:00 PM | Comentários (5)
março 09, 2005
Contradições
Doem-me os dedos de tanta dedilhação. Fecho o portátil e arrumo as folhas num montinho. Passo de raspão pela oficina. Lá estão elas, umas fresando, outras torneando, ao som do aço maquinado. Sinto-lhes a falta do guinchar, o ver o dia em trabalho feito, o poder limpar o óleo dos dedos como quem despe o trabalho. Metade da minha vida investi-me para ali estar. Depois progredi. Agora nesta outra metade iludo-me com a fantasia de me achar mais, porque dou aos outros aquilo que afinal gostaria de ainda fazer.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 07:42 PM | Comentários (12)
Recomendo
... este excelente estudo sobre os blogs
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:44 AM | Comentários (1)
Conversa privada
Oh José Flávio,
Um taco agarra-se à frente, por entre 3 dedos argolados, e deixa-se deslizar, sem atrito, dando-lhe o curso que ele quer. Atrás sustém-se firme, prende-se-lhe a vontade, controla-se-lhe a força, e a massa dispara. Depois mais nada, concluída a carambola, divide-se em dois e guarda-se no saco. Ganha ou perdida a partida, nada trazemos dele. Há mal nisto, há aqui o que nos divida? Há algo disto que se traz para além do jogo? Há aqui coisa que nos faz ser menos quando retornamos?
Mas na escrita temo-nos lá por inteiro, nada nos sobra, nada se deixa ficar de fora. É neste falso sossego, nesta escusada presença que nos finge para além das palavras, neste trautear de coisas que vão e que vêm, neste estar que não tem termo, é aqui que não nos atraiçoamos? É aqui que nos damos? A quem? Há nisto mais alguém para além de nós?
E continuamos a falar do mesmo claro …
é "prendesse-lhe" ou "prende-se-lhe"?
estou confuso, irra, que língua mais difícil!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:10 AM | Comentários (6)
março 08, 2005
Já temos uma bela equipa de Futebol
Tenho acompanhado com interesse o fenómeno de prosperidade desta famosa Cooperativa das Letras, e por isso não quero deixar de desejar as maiores ‘postecidades’ aos seus 3 novos membros, o Jorge Morais, a Isabel e a Susana
(a ver se acalmam aí a rapaziada. E já agora, se encontrarem por aí uma bicicleta enfiada em algum post antigo agradecia que avisassem, que ela tem sapo, perdão, dono aqui).
E lá estou eu a rir …que uma casa com tantas assoalhadas traz-me sempre esta imagem
(eu se fosse ao Paulo Querido ia pensando num servidor dedicado só para as Afixeções)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:25 PM
Hoje não ofereço flores
Porque hoje eu não mereço dar-lhe flores
… e também porque não gosto de mezinhas para ajudar à digestão dos outros dias
… e já agora, porque me recuso a olhar para uma mulher como uma tentativa de homem
… e também porque não gosto de ir a reboque de discriminações que descriminam quem discrimina
Eu fico-me pelos outros dias, onde há muito mais para se dar a uma mulher, e onde ainda há muito mais para se ser Mulher
Publicado por Eufigénio Lagoa às 05:09 PM | Comentários (14)
março 07, 2005
O Post ... Scriptum
Nunca me senti tão babado lisonjeado – um homem interrompe-se para ir ali beber um cafezinho, enfim, desentorpecer os dedos, e acha por bem justificar-se, e quando volta tem os melhores ‘bloggers’ de todos a apaparicá-lo encorajá-lo. (Se calhar abusei um pouco com aquele “sincero abraço” a cores)
Olhem que me estão a deixar à rasca atormentado, que com essa pompa toda fico quase defunto, e logo eu que não sou tipo para me saber ressuscitar. E agora com que cara escrevo quando me “apetecer escrever”? (com cara de cadáver provavelmente)
Num registo mais sério: Olho para a v. reacção e receio que desastradamente tenha acabado por cometer um logro, que esta mania de desabafar em voz alta (ainda que desabafo honesto) talvez tenha saído amplificada. E se assim foi, sinto-me desmerecedor das palavras que ali em baixo me deixaram. E estas, que belas palavras as vossas!!
M.to Obrigado
Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:40 PM | Comentários (26)
março 04, 2005
Até breve. Voltarei quando realmente precisar de me escrever. Provavelmente já amanhã, senão num outro dia.
Quando criei este espaço presumi que ele pudesse ser o sítio onde guardaria as coisas que escrevo. Escrever para mim é um acto de liberdade, de autodescoberta e de deleite. A experiência de o fazer de forma pública veio intensificar ainda mais isso. O saber poder partilhá-lo com outros, especialmente com os que estão mais próximos, mesmo que aqui anónimos, e com aqueles que aqui fiz próximos, fez-me crescer interiormente. Contei-vos coisas que provavelmente nunca contaria, que muito provavelmente não voltarei a contar. Aprendi a tirar prazer disso. Admito que na maior parte das vezes isso também vos tenha sido agradável, quem sabe até surpreendente. Este escrever-me, inventar-me, recordar-me, este foi o prazer que me trouxe até aqui. E dele tenho desfrutado.
Mas a verdade é que este espaço se tornou voraz. Escrevo-o agora não porque tenha algo que escrever, mas porque tenho de o escrever. Escrevo-o agora não para ser lido por mim, nem por vós ou porque tenha necessidade de escrever, mas apenas para o preencher.
E a verdade é que disso já não tiro prazer.
Um sincero abraço a todos
Voltarei quando realmente precisar de me escrever. Provavelmente já amanhã, senão num outro dia.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 08:02 PM | Comentários (26)
Amigos
Durante toda a vida desabotoei amizades. Eu que tão dificilmente as junto em mim, incauta e irreflectidamente as deixei partir. E às amizades deve querer-se que elas aconteçam, e não que elas ‘desaconteçam’.
Uns deixei que simplesmente partissem, como navios na bruma, sem que nada fizesse por isso. Indolente, deixei que as miudezas do dia-a-dia, os novos compromissos, as gravatas que passei a vestir, a minha pele de homem adulto, se esquecessem de os trazer comigo, se esquecessem também eles de mim. Alguns revejo incidentalmente, e sempre ficam promessas de um almoço, de um telefonema que não chegará a acontecer, porque as verdadeiras amizades, essas, não se retomam assim.
Outros, perdi-os mais violentamente, e definitivamente. Assim me deixaram numa outra vida, numa vida sem eles, que estranhei, em que me estranhei, mas a que me fui habituando de novo. Que fado este que os fez partir assim, como se me impusesse a espaços ter de recomeçar-me de novo, outra vez sozinho.
E poucas foram as verdadeiras amizades que juntei como homem adulto. Posso facilmente contar uma boa mão cheia delas, mas não tantas quanto aquelas que deixei desaparecer. Não deixa de ser estranho que um homem, à medida que vai crescendo, que vai conhecendo mais gente, acabe por ter menos amigos.
Ou não será tão estranho assim. A amizade que mantenho com eles já não é a mesma. Há um cultivo de anos e anos que a transcende, que lhe dá uma identidade própria, para além de mim e dos meus amigos, e essa é uma parte que implicitamente partilhamos. E cruza-se nisso tanta coisa, tanta coisa indizível, que já não podemos provavelmente falar de nós e deles, mas de nós neles, deles em nós. E isso ocupa um enorme espaço.
Se calhar os amigos que deixámos de ter foram apenas o espaço que precisávamos ocupar hoje com os amigos que afinal temos. E provavelmente os amigos que hoje temos já não são quem procurávamos quando precisávamos de ajuda - são os que procuramos quando precisamos de nós.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:36 PM | Comentários (10)
Destinos
Hoje passei acidentalmente lá pelo nosso muro. Embaracei-me tanto quando recordei ter entendido naquela altura ali palavras de admiração. De ter até ousado sentir nelas um irreprimível traço de cobiça, de alguém que queria poder trocar de sortes. Estava tão longe de perceber que se escrevia ali a resignação de um jovem que pela primeira vez tem a visão fugaz de dois destinos, tão prematuramente determinados, tão inevitavelmente divergentes.
Continuam lá indeléveis as letras que usaste. Como se escritas por um homem - um miúdo ainda - que olha do barco para o sobrevivente, que o vê partir sem desdém, e com o orgulho de quem conformado acatou o lugar do náufrago. Onde andas tu M.? Desculpa, eu não sabia que estavas a falar de ti. Estava demasiado ufano a apreciar-me assim elogiado. E ainda nem sabia, nessa altura, que o mundo já estava dividido em dois.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:20 PM
Um ano de Azenhas do Mar
Ontem, quase nem tive tempo nem disposição para vir aqui. Desancado por quilómetros de viagem e por quilómetros estéreis de reunião, ainda assim não queria deixar de vir aqui para dar duas notícias, afinal uma, de um blogue que muito aprecio. Assim tentei, mas … “o serviço está(va) parado para manutenção”e não me foi permitido oportunamente assinalar o acontecimento. Porque ontem o Azenhas do Mar fez um ano (essa eternidade blogosférica). E ontem mudou de casa (favor actualizar o link).
O Pedro teve a amabilidade de citar um dos comentários que por lá deixei há uns tempos e que mais tarde trouxe para post aqui. Gosto naturalmente de saber que esse texto também faz parte das memórias que agora comemora, e correndo o risco da presunção devo dizer que o achei bem escolhido. Porque manifesta a minha sincera admiração pelo homem e pelas suas batalhas.
(Mas esse texto, originalmente, tem ligações que são importantes e que reforçam o que nele pretendo dizer, por isso, e para que melhor seja percebido, aqui vos deixo caminho até ele.)
Da minha janela …
Parabéns Pedro,
obrigado D. Quixote
Publicado por Eufigénio Lagoa às 12:36 AM | Comentários (6)
março 02, 2005
Ora aqui está mais um bom galho para pousar estas garras
É com enorme expectativa que acompanharei este Murcon. Confesso-me um apreciador do que diz (e de como o diz) o Julio Machado Vaz, um comunicador por excelência, daqueles para ouvir num serão de lareira, ou como diria o Manuel da Fonseca, para “cigarrear uma conversa”. Vamos ver como ele se dá com a palavra escrita no improviso dos blogs. Para já não me desilude … nada!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 02:39 PM | Comentários (3)
A fazer o relatório de actividades
Solene, concentrado na importância do que redijo. É aqui que promovo a “história” as coisas que foram feitas, aqui as selecciono. Outras calo para sempre, deixarão simplesmente de ter existido. Qual divindade, é neste crivo que moldo o esforço, as gentes, os sucessos.
Dou por mim a pensar-me senhorio dos feitos dos outros. Afinal, o escrever, o deixar relatado, é também a abusiva forma com que aniquilamos outras coisas, aquelas que aí omitimos. Para outros dias ficará apenas o que destacarmos.
Temo que este relatório vá desta vez demorar mais tempo a ser dactilografado. Cada tecla a ser bem sopesada, porque cada palavra amortalhará o outro feito que não descreve, e cada frase deixará por escrever outras tantas, tanta gente, tanto esforço.
Publicado por Eufigénio Lagoa às 01:14 PM | Comentários (7)
Regresso ao antes de mim

Hoje queria estar ali, - neste seu mundo pintado aos 14 anos - a brincar à beira d’água na tranquila baía que já imaginara muito antes de nós nascermos. Depois ao fim do dia regressaria por esse caminho que por lá deixou pintado, para nós partirmos para além do quadro, para além das suas cores.
Hoje gostaria de me deitar por umas horas no veludo da sua imaginação, tecido antes de mim, ali a matizar a serenidade com que fui criado. Depois, ao fim do dia, voltaria, para mim, para mais ‘eu’. (Certamente ainda a tempo para lhe dar um beijo antes do jantar)
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:13 AM
março 01, 2005
Tenho quase a certeza que ...
... o link que mais circula hoje pela blogosfera é este.
E fica tudo dito!
Publicado por Eufigénio Lagoa às 11:46 AM | Comentários (5)
As circulares ruinosas do meu contentamento
Vou voltar a ter de acrescentar mais meia-hora às minhas voltas diárias. De qualquer forma, nunca tinha chegado a preenchê-la, pois ... eu já sabia que:
Sejas bem (re)aparecido JPC
Publicado por Eufigénio Lagoa às 09:54 AM | Comentários (3)
