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fevereiro 25, 2005
Para ti ... o que ainda não te tinha dito
Um dia parar, saber parar. Ter a coragem de não seguir por aí. Vender cada peça do nosso mobiliário, uma por uma, até já não sobrar o copo, o quadro, o tapete, e todos os pechisbeques do passado, nada. Ficarmos só nós, o mundo, e aquilo que queremos ter dele. É absolutamente importante não termos mais que isto para um dia escolher, poder escolher. Determinar que não é tarde, que nunca é tarde para nada, que nunca será tarde para vivermos como queremos. E afrontar-nos, sem piedade, mas sem pressas, sem alaridos, sem ligar à estranheza que possa causar ver-nos despir do que foi, do que fomos. Depois partir apenas, partir indómito para onde queremos e porque queremos. E se quisermos, viver cá e lá, quando por cá quisermos estar, quando por lá precisarmos de repousar. Porque não decidir assim é decidir, ousadamente. E ter a bravura de saber um dia parar assim. E desenhar de novo a vida. Com novas tintas. Com outros copos, outros quadros, outros tapetes. Com novas vontades.
Um dia ter essa coragem. Ou não a ter, não precisar de a ter. Mas poder saber que tu a tens.
Publicado por Eufigénio Lagoa às fevereiro 25, 2005 12:23 PM
Comentários
Hoje sou eu que me releio aqui...Acho que vou ter q deixar de cá vir...obrigada pela coragem
Publicado por: Luna em fevereiro 25, 2005 01:22 PM
Fiquei sem palavras com este teu texto Eufigénio...
Sentido Abraço
Publicado por: Alexandre em fevereiro 25, 2005 01:35 PM
Saber que ela existe. :)
Publicado por: cap em fevereiro 25, 2005 07:39 PM
Quem ama, certamente já teve essa vontade de ficar sozinho com o mundo e a alma metade...
(Eu já, pelo menos)
Abraço e bom fim-de-semana, Eufigénio!
Publicado por: Carriço em fevereiro 26, 2005 11:25 AM
Hesito em comentar, esclarecer o post. Provavelmente não o faria, mas neste caso, porque ele se destina a alguém, gostaria que "lá" chegasse. Compreendo que este texto possa ser olhado numa perspectiva diferente, como se falando de mim, do amor, do destino a dois.
Contudo ele nasceu com estímulo diferente: o meu desejo de manifestar a admiração por alguem que na altura certa da vida teve a enorme coragem para a agarrar nas mãos e contorneá-la como entendeu que deveria fazer. E isso passou por tudo o que no texto digo, não são parábolas aquilo que lá falo. É disso que trata, de alguem que me impressionou pela coragem e pela determinação, que não eu, mas também eu que ela afinal tão perto, e isso tambem me trouxe a mim algum orgulho. Talvez por isso possa tambem transparecer deste texto um pouco de amor (?) que afinal certamente terá, e que os vossos comentários acentuam e enriquecem.
Publicado por: Eufigénio em fevereiro 26, 2005 02:51 PM
Este texto é belíssimo e quero crer q a pessoa a quem se destina o apreciará como merece :)
Publicado por: m. em fevereiro 26, 2005 04:40 PM
Também gostei.
Publicado por: susana em fevereiro 26, 2005 08:39 PM
Adorei o texto.
Porque para além da força da escrita, transmite a ideia - que perfilho - de que a vida é um castelo de cartas que temos de reconstruir vezes sem conta. É sempre tempo de sermos felizes, de construir a nossa felicidade. Todas as coisas são substituiveis. Só não podemos substituir a nossa vida por outras coisas.
Publicado por: maria arvore em fevereiro 26, 2005 11:21 PM