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fevereiro 27, 2005
Interrupções
(Há interrupções boas …)
Se há coisas com que gosto de me interromper é para ajeitar a lenha na lareira. E das coisas um pouco mais demoradas, para exemplo, lembro-me que também gosto de regar as plantas, normalmente intervalando o fim da tarde. São interrupções que esperam tranquilamente por mim, que aguardam mansas até que em mim ocorram.
(E também há interrupções más…)
Já outras há que me agastam, porque se atravessam à nossa frente, sobrepõem-se-nos, obrigam-nos ao recomeço. Assim de repente lembro-me por exemplo da mudança de uma lâmpada, que se funde a meio da página que líamos abstraídos.
(Mas as piores são as que apenas se interrompem a si mesmas)
Ah, e nestas, também as arreliadas explicações que têm de ser dadas por culpa de uma interpelação de alguém, alguém que se sobrepõe sempre ao que se conta, incapaz de esperar que as coisas se contem completamente. E as coisas que se contam, assim agitadas, ficam irremediavelmente entrecortadas. Metade dita mas aleijada, a outra metade riscada com as interrupções de alguém que nem por breves momentos é capaz de ouvir as coisas contadas por olhos que não são os seus.
(As desinteligências são o ajeitar desnecessário da lareira alardeada de fogo avivado, ou a rega das flores no pino da chuva. Interessam só a quem as comete.)
Publicado por Eufigénio Lagoa às fevereiro 27, 2005 01:45 PM